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Bloguices

Tuitadas do dia 2009-08-07

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Tolices

Porque hoje é sexta…

Vocês sabem que eu sou um sujeito preocupado com a saúde de vocês. Ainda há pouco estava lendo o @upiara no tuíter e ele dizia que a cerveja ajudou a curá-lo da gripe. Lembrei-me, então, de uma receita mexicana, própria para convalescentes. Ou para indivíduos saudáveis.

A receita pode ser encontrada aqui.

Mas, como vocês são pessoas espertas, acho que entenderão do que se trata só olhando as figurinhas:

Cuerte el lemón

Cuerte el lemón

Esfreguelo en la berada

Esfreguelo en la berada

Ponga el sal

Ponga el sal

Gielo y lemón esmagadín

Gielo y lemón esmagadín

Mojos (pementa ytc...)

Mojos (pementa ytc...)

La cerveza!

La cerveza!

Hum... que rico pastel!

Hum... que rico pastel!

Os mais ortodoxos, uma vez terminada a mistura, jogarão fora, lavarão o copo e encherão só com cerveja. Mas os mais ousados experimentarão e os mais viajados certamente acharão uma certa graça nesse coquetel. Ah, o portuñol das legendas segue a reforma ortográfica de 1723. Em desuso, portanto. Saúde! Salud! Cheers!

Caraminholas

Provocação (gratuita) no meio da tarde…

O pessoal tá tentando engatar, em Florianópolis, um movimento “Honduras é logo ali”, de solidariedade ao que imaginam ser a parcela oprimida da população hondurenha, os seguidores do Zelaya/Chávez.

Tá muito bem, mas ninguém vai se mexer pra fazer um “Brasília é logo ali”? Ou “O Brasil é aqui”? Não seria o caso de olhar pro teu rabo, tirar o cisco do teu olho, antes de ir mundo afora consertar as injustiças alheias e restabelecer o império da lei na casa dos outros? Ou aqui, do jeito que está, está tudo bem? Os problemas são todos fictícios, criação insana da mente suja da imprensa golpista?

AGOSTO – QUATRO ANOS DE OLHO

O aterro

Foto: Palhares Press

Foto: Palhares Press

[18 de agosto de 2005]

No meu tempo o mar vinha até aqui. E ali pra cima era tudo mato. A cidade era outra. Depois que aterraram pra fazer a avenida, construíram um paredão de prédios e pelaram os morros, começou a vir gente de fora. Hoje a gente sai na rua e não encontra ninguém. Os sobrenomes são esquisitos. Mesmo quando se parecem, não têm nada a ver com os dos velhos conhecidos. Os amigos só se encontram nos velórios, ainda assim quando alguém lembra de avisar. E ninguém mais passa a noite, ninguém traz lanche ou café, ninguém sabe contar piada, ninguém mais vela seus mortos direito. Os filhos e netos namoram e casam com gente que é filho e neto de desconhecidos. E ficam chateados quando alguém pergunta quem é teu pai, quem é tua mãe. Nasceram das ervas, por acaso? E quando dizem, nem adianta: ninguém conhece. Acho que quando aterraram o mar acabaram enterrando no lodo, no fundo do aterro, a alma da cidade.

(Esta pequena crônica, que escrevi no começo de 2005, ficou entre os 15 finalistas do Concurso de Microcontos do site português Leiturascom.net, onde concorreu com outros 430 microcontos.)

Florianópolis

A capital onde tudo pode…

Tudo pode desde que se conheça as pessoas certas, os caminhos adequados e os atalhos nem sempre secretos, mas sempre reservados.

Baía sul ao fundo. Foto do parecer Schaefer

Baía sul ao fundo. Fotos retiradas do parecer Schaefer

Mesma obra, outro ângulo

Mesma obra, outro ângulo. Fotos de junho 2009

É extremamente ilustrativa a luta da associação de moradores de Coqueiros contra uma obra que está sendo feita numa encosta (fotos acima), ao arrepio das posturas municipais, mas, naturalmente, completamente aprovada e apoiada pela Prefeitura.

Os moradores encomendaram um laudo técnico (que pode ser baixado aqui, em pdf) onde o engenheiro Hamilton Schaefer demonstra, por A + B, que o monstrengo não cabe naquela encosta e é incompatível com o previsto no Plano Diretor. Diz o engenheiro, ao final:

“Considerando o exposto acima, onde se verificou que:

• A Lei 1851/82 define como APL os terrenos com declividade entre 30% e 46,6%;
• O terreno apresenta uma acentuada declividade entre 33,3% e 41,7% e é, portanto, por definição legal uma APL e não ARP-4;
• A frente do terreno sendo APL, define o uso do terreno como APL;
• O terreno possui testada de apenas 9,85m, não alcançando o mínimo de 12m, exigência do Anexo IV;
• O terreno, por não fazer frente ao Sistema Viário Oficial definido pela Lei 01/97, não permite construção multifamiliar;
• O acesso ao terreno é feito através de zona unifamiliar;
• A via de acesso termina no terreno e não tem praça de retorno;
• Há um impacto negativo sobre a vizinhança em virtude de problemas não resolvidos para o Lixo, o Esgoto, a Água e o Sistema Viário.

Concluímos que o terreno onde se pretendia construir uma edificação multifamiliar, por suas características físicas e topográficas, bem como por sua localização e acessibilidade face ao Sistema viário Oficial e as suas implicações face ao zoneamento previsto no Plano Diretor do Município de Florianópolis, não apresenta as condições mínimas exigidas pela legislação municipal para a construção de edificações multifamiliares.

É o parecer.”

Com base nisso, foi encaminhado um pedido de explicações à Prefeitura. Que respondeu dizendo que é isso mesmo, que tá tudo autorizado. A resposta pode ser lida aqui, em pdf.

Pra mim, que sou leigo, soou como se a Prefeitura tivesse dito que existem leis que foram feitas “pra inglês ver” e que existem normas que não podem ser seguidas ao pé da letra. Por isso, em outras palavras, “deixem de ser murrinhas e fiquem quietos, que a obra vai continuar”.

O engenheiro que fez o laudo publicou há alguns dias, no jornal Notícias do Dia, um artigo a respeito, resumindo a perplexidade diante da resposta da prefeitura, que transcrevo abaixo:

“PLANO DIRETOR

Engº Hamilton Schaefer

Tema de palestra, pauta de reunião, chamada de capa, lema para campanha, até parece coisa para ser levada a sério. Mas, infelizmente, nem sempre é. Na realidade, há mais gente jogando para a platéia, fazendo pose de autoridade ou de entendido, do que assumindo a responsabilidade da sua implantação ou da sua defesa.

Mas onde estaria a verdadeira causa deste comportamento? Se a matéria é tão apaixonante, resulta na qualidade de vida para todos, procura disciplinar a complexa vida na cidade, busca harmonizar as edificações com o meio ambiente, procura atenuar os impactos do crescimento com a sempre insuficiente infra-estrutura urbana, é um meio para amenizar o caótico trânsito de nossas metrópoles, porque não é posto em prática? A resposta está no conflito de interesses às vezes presente em quem planeja, legisla, aprova ou fiscaliza.

No Bairro de Coqueiros, os moradores da Ponta de Coqueiros – situada entre a Avenida Max de Souza, José do Vale Pereira e Bento Goiá e o mar da Baía Sul, inconformados com a construção de uma edificação multifamiliar em área de encosta com flagrante desacordo com várias disposições da legislação municipal, encaminharam abaixo assinado ao órgão responsável na Prefeitura, solicitando uma revisão da aprovação do Projeto e a suspensão do Alvará. Foram apresentados fundamentos para o pleito como o não atendimento de requisitos de testada mínima, acesso através de beco sem saída e sem praça de retorno, local inacessível para coleta de lixo, problema de escoamento do esgoto, acesso interno para 46 vagas de garagem com apenas três metros de largura.

No entender dos responsáveis pela SUSP, entretanto, as exigências de valores mínimos impostas aos lotes só seriam vigentes para os parcelamentos aprovados após a aprovação da Lei 01/97. E, ainda, esclarecem: “Até porque, se aplicado tal procedimento ao licenciamento de construções, se inviabilizaria boa parte dos terrenos existentes nas áreas urbanizadas mais antigas do município”.

Em nosso entender, ao viabilizar construções fora dos padrões mínimos do Plano diretor, o que estaremos inviabilizando é a própria vida da cidade.

Esqueceram-se os responsáveis pela SUSP, por outro lado, de considerar outro artigo da mesma lei, o Art. 213 que determina que a licença de construir ou instalar será recusada, independentemente das demais disposições da Lei 01/97, quando a ocupação ou uso do solo for considerada inadequada após estudo específico de localização.

Se fossem examinar o terreno in loco, teriam verificado que se trata de uma encosta com declive acentuado, com declividade entre 33% e 41% e que, pela Lei 1851/82 é definida como Área de Preservação Limitada, independentemente desta declividade ter surgido agora ou já existir à época do descobrimento do Brasil.

Só isto, já bastaria para revogar o Alvará de construção, se não fosse também o problema de que a estrada de acesso à construção e o próprio canteiro de obras estar situado em uma APL deste terreno e do terreno vizinho.

Florianópolis, 31 de julho de 2009.”

TEM MAIS!

Essa posição seletivamente liberal da prefeitura não tem causado espanto apenas em Coqueiros. Na ilha há outros casos. Como este, em Santo Antônio de Lisboa, para o qual o Fernando Correia nos alerta:

“Na qualidade de leitor do seu blog e de morador de Santo Antonio de Lisboa repasso a informação de que o MPF entrou com Ação Civil Pública contra restaurante construído em área da União e definido pelo Plano Diretor como área não edificante, nós moradores e a Associação de Moradores – AMSAL, desde há muito, estamos denunciando as referidas irregularidades na Prefeitura, porém sem êxito.

Curioso que o réu foi membro do Conama e ex Secretário Nacional do Trabalho do então Presidente FHC, será que o mesmo desconhece que para se edificar, principalmente na beira da praia se deve observar a legislação vigente?”

O colega Celso Martins, no Sambaqui na Rede, publicou a nota distribuída pelo Ministério Público Federal e tem algumas fotos do empreendimento em questão. Ali vemos que a Susp não atendeu às solicitações do MPF. Assim como não atendeu às solicitações da associação dos moradores. E como também não deu resposta satisfatória aos moradores de Coqueiros.

Tem-se, aí, um padrão de comportamento que leva à afirmação que fiz no título desta nota. Dependendo de quem se trata, tudo pode. Mas experimentem, sem ter as costas quentes, deixar por algumas horas uma carrada  de brita na rua, em frente às suas casas…

Ranzinzices

A gripe e o “faz-de-conta” oficial

Vocês, que são ricos o suficiente para ter computador e conexão à internet, ou pelo menos têm emprego onde usam computador e que provavelmente têm plano de saúde, já conversaram com quem depende dos postos de saúde da prefeitura para serem atendidos quando estão com os sintomas “da gripe”?

É estarrecedor. Nada do que se fala oficialmente nas TVs e rádios, se confirma na prática. Ninguém sabe o que fazer, nos postos de saúde. Não existe a tal “triagem dos casos graves”. Sem falar nas invenções burocráticas: quem mora no Saco Grande, precisa ir a Canasvieiras para ser “atendido”.

No vácuo criado pela incompetência generalizada, a boataria segue firme. Boato só se combate com informação segura, clara e verdadeira. E é exatamente isso que está em falta. O resultado: estamos todos morrendo de medo de algo que talvez nem seja assim tão assustador. Mas que exige, como toda epidemia, cuidados, atenção, orientação e competência oficial.

Nos veículos de comunicação, gente despreparada e assustada informa sobre números e mais números. Descontextualizados, jogados como se fossem auto-explicativos. Agora só se fala na morte de grávidas. Como se houvesse, nos hormônios da gravidez, um atrativo especial para o vírus. Mais medo, mais incertezas, mais confiança que, das fontes oficiais, nada virá de útil.

Essa demonstração de fraqueza e desorganização oficial para tratar desta epidemia é tão ruim para todos nós, quanto a demonstração de baixo nível que nos dão os senadores da república. Corrói a confiança da população nas instituições. E, dessa desesperança, nada de bom se pode esperar.

Projeto 270 filmes

Comedian

Ilustração e textos: André Valente

Ilustração e textos: André Valente

#038 – Comedian (Bastidores da Comédia) – 2002

Em 98, quando Seinfeld, o seriado, acabou, Seinfeld, o comediante, resolveu aposentar todas as piadas do seu show de stand-up e apagou de sua vida todo o texto que ele tinha construído em anos de palco e 10 anos de programa (a última vez que ele contou as piadas foi no especial “I’m Telling You For The Last Time”, que começa com um funeral de mentirinha). Em 2002 ele resolveu voltar ao stand-up, do zero. Sem nenhuma piada pronta, tendo que se apresentar nos clubes pequenos, construindo aos poucos um novo repertório, sem repetir nenhum dos momentos clássicos que o fizeram famoso, e o processo foi documentado nesse… documentário.

O filme é ótimo (apesar de sério), porém tem uma grande falha: no início acompanha um comediante iniciante, Orny Adams, que é incrivelmente petulante, convencido e confiante, como contraponto à humildade e falta de confiança de Seinfeld, que escreve e re-escreve tudo, se apresenta nuns lugares horríveis e chega até a esquecer uma piada no palco.

Orny, a pessoa, é insuportável, porém Orny, o personagem, é ótimo de se assistir. Mas em algum momento do filme, Orny some e o filme vira só do Seinfeld. Tá certo que ele é o cara principal, mas podia ao menos mostrar que fim teve o tal Orny.

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Você pode acompanhar a série aqui, ou ver as imagens maiores no flickr e no meme.

Recado do editor

As novidades estão no forno

Antes que me esqueça, deixa agradecer a todos e todas que gastaram um tempinho do seu dia pra dar algum palpite, fazer algum comentário ou deixar alguma palavra de consolo, depois que falei que estava pesando que talvez fosse necessário dar uma aceleradinha no blog.

Claro que nem tudo dá pra fazer de uma vez só e imediatamente, até porque tem coisas que exigem conhecimento de html e outros parangolés que estão além do meu be-a-básico. Mas acho que entendi os principais recados. E alguma coisa já será implementada no final de semana.

Se vocês são daqueles que passam por aqui de segunda a sexta, fiquem tranquilos, vou usar o final de semana para ajustes e testes e a coisa começa pra valer na segunda. Espero que gostem.

AGOSTO – QUATRO ANOS DE OLHO

Senta aí e conta tudo que tu sabe!

18 de agosto de 2005 – TIO CESAR TE COLOCA NO BANCO DOS RÉUS

Faz de conta que quem tá na CPI és tu. E eu sou o Senhor Deputado que vai te fazer perguntas. Faz aí uma cara de coitadinho que eu vou começar o interrogatório.

– Cidadão, leitor do Diarinho, conte pra nós, com sinceridade: de onde você achava que seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado tirava o dinheiro para a campanha? Espere, não responda agora que eu tenho outra pergunta: ou por acaso você nunca fez as contas e descobriu que ele (ou ela) jamais conseguiria ganhar, em quatro anos de mandato, o suficiente para pagar as despesas da campanha? Vamos, responda, conte tudo!

– …

deolho7-duda– Ah, esse seu silêncio diz tudo. Você sabia, não é? Você sabia que ali tinha alguma coisa muito errada! Você sempre desconfiou, mas nunca fez nada! Continuou votando quietinho. Você sabe que sua omissão também é crime? Que você pode ser condenado a perder o restinho de vergonha que ainda tinha nessa cara?

– Mas, mas Senhor Deputado…

– Nem mas, nem meio mas. Diga aí, diante da nação brasileira, se você nunca foi ao gabinete de um vereador, de um deputado, pedir um favorzinho, um empreguinho, uma ajuda para um processo andar? Hem? Confesse! Explique de que forma você, com seus pedidos, estimulou o tráfico de influência. Não sabe o que é isso? Eu explico: é quando o deputado seu amigo liga para o prefeito, para o secretário, para o governador, para tentar resolver seu problema. E aí, para ser atendido, tem que topar votar a favor disso ou daquilo. Ou vai me dizer que não sabia de nada disso?

– Não, Senhor Doutor Deputado, eu não tinha conhecimento de na-da, nadica de nada disso…

Fala leitor

Capoeiristas na bronca (atualizado)

Levei a maior bronca de um mestre capoeirista, cujo nome nem consegui anotar, irritado com a forma irônica com que escrevi uma nota, ontem, sobre o movimento de profissionalização da Capoeira.

Ele não admite brincadeira com a Capoeira, que é “uma coisa muito séria”. Tentei argumentar que uma luta contra a opressão deve ter um componente de alegria, a alegria da libertação, pelo menos. Que nada, ele gritou ao telefone que “a Capoeira nunca foi alegre!”. Como se seriedade e alegria fossem coisas opostas ou mesmo excludentes (eu as acho complementares).

E, em resumo me disse, com grande ênfase, que eu parasse de falar de coisas que não entendo.

Bom, também, quem me mandou tentar fazer gracinhas com gente tão séria que se irrita só com a suposição de que uma dança cheia de ginga e jogo de cintura, cuja origem foi uma luta de afirmação étnica, possa também ser lúdica, catártica e… alegre.

Calo-me, portanto, amedrontado com tanto mau humor.

Antes, contudo, preciso explicar que há, no que estão tentando fazer os capoeiristas, um lado realmente sério, que é comum a várias atividades, profissionais ou não, deste nosso aflito Brasil: os mestres de Capoeira trabalham a vida inteira registrados como professores de dança. E como não têm a atividade reconhecida, acabam, em muitos casos, morrendo à míngua. Coisa semelhantes acontecem com músicos, artistas, autônomos, que ao final da vida ficam literalmente sem ter onde cair. Mas acreditam os que promoveram a audiência pública e procuram encontrar uma forma de que o Estado reconheça os profissionais da Capoeira, que é possível dar-lhes algum amparo legal.

Só espero que, uma vez conseguido esse reconhecimento, os capoeiristas voltem a sorrir e a encarar a vida como uma luta lúdica, catártica e… alegre.

ATUALIZAÇÃO DA SEGUNDA (10/11) À NOITE

O capoeirista com quem tinha falado no outro dia, ligou agora à noite pra reclamar que eu o chamei de mestre. Tentei explicar que achei ter ouvido, da assessora de imprensa, a informação que eu iria falar com um mestre de capoeira, mas não adiantou. Ele continua na bronca, inclusive com o que os comentaristas disseram a respeito. E isso que eu nem disse o nome dele. Imagine se tivesse dito…

Então tá, o cara não é mestre. E continua achando que eu sou desrespeitoso. Fazer o quê? Não se pode agradar a todo mundo.

Bloguices

Tuitadas do dia 2009-08-06

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Política

Lula ajuda reforma de porto… em Cuba!

A notícia é velha, de 9 de julho, saiu no Estadão, em O Globo e outros jornais. A origem é a agência de notícias Reuters. Lembrei dela hoje, alertado por leitores de Itajaí, que não se conformam em ver seu país ajudando generosamente uma outra nação a reformar um porto, enquanto um dos principais portos brasileiros está funcionando a meia boca, sendo punido por esse mesmo governo federal que posa de bonzinho internacional. Reproduzo o trechinho inicial, só pra relembrar:

Brasil vai ajudar a financiar reconstrução de porto cubano

JEFF FRANKS – REUTERS

HAVANA –  O Brasil afirmou nesta quinta-feira (9/7/2009) que vai dar 300 milhões de dólares em créditos a Cuba para o início da reconstrução do porto de Mariel, local de onde partiu o êxodo cubano para os Estados Unidos em 1980.

O ministro de Indústria e Comércio, Miguel Jorge, afirmou que 110 milhões de dólares haviam sido aprovados pelo governo, e o resto, provavelmente também será, à medida que o Brasil fortalece os seus laços com Cuba.

Falando a jornalistas, ele disse que a construção, a ser liderada por uma empresa brasileira, começaria em pouco tempo e incluiria infraestrutura como estradas e trilhos para o porto a 50 quilômetros de Havana.

Autoridades brasileiras afirmaram que Cuba planeja reformar todo o porto. As obras serão feitas em fases, a um custo de 2 bilhões de dólares.”

Como já falei ontem, dizer o quê? O presidente Lula fez uma cara de susto, espanto ou surpresa, quando lhe disseram, recentemente, que as coisas não estavam andando muito bem em Itajaí. Portanto, desde aquele dia, não pode mais usar a desculpa de que não sabia. Foi informado, levou um susto (nem vamos duvidar da sinceridade do gesto) e passou a saber. Por que, então, a coisa continua amarrada? Por que não manda, o presidente, que o ministro Geddel (PMDB), saia de cima da papelada?

Ranzinzices

Mais uma lei pra inglês ver?

O Brasil fez, em 1831, uma lei anti-escravagista, para atender a pressão da Inglaterra, que abolira a escravatura em 1807 e passara a pressionar os demais países com quem mantinha relações comerciais, para que também acabassem com essa prática. Todo mundo sabia, no Brasil, que o regente Feijó tinha feito uma lei “para inglês ver”. Na prática, nada mudou.

(Mais detalhes sobre a origem dessa expressão, aqui).

Pois bem, de lá pra cá, temos nos especializado em criar muitas leis cujo efeito é apenas cosmético. Apenas para mostrar para ingleses, ou eleitores, ou contribuintes, ou qualquer tipo de otário, que alguma coisa foi feita. Na prática, nada muda.

Não sei por que, essa história do “para inglês ver” me ocorreu quando li a seguinte informação:

“Foi promulgada a Lei 14.824, de 04 de agosto de 2009, que isenta do pagamento da taxa de pedágio nas rodovias federais em Santa Catarina. O Projeto de Lei apresentado pelo Deputado Cesar Souza Junior foi aprovado dia 1º de julho, por unanimidade, na Assembléia Legislativa, e objetiva a isenção do pagamento de taxa de pedágio aos veículos emplacados nas cidades que abrigam as praças de cobrança. A partir de sua publicação no Diário Oficial (05.08.09) os moradores, principalmente de Palhoça, vão poder ter o direito de circular pela cidade sem esse custo imposto pelo pedágio. Os cidadãos do Sul do Estado, que precisam ir à Capital, também terão a garantia, através de uma emenda ao PL, e fundamentada em razão das obras inacabadas de duplicação do trecho sul da BR-101.”

O que não está aí, é que os pedágios das estradas federais, obedecem leis federais. É possível que, tal como no caso do Código Ambiental, a União discorde desse ímpeto legiferante estadual sobre assuntos que não lhes dizem respeito.

O presidente da Assembléia Legislativa, no Jornal do Almoço da RBS, hoje, disse que ali se fazem as leis. E que a discussão sobre sua constitucionalidade é discutida em outras instâncias. Deu a entender, inclusive, que sempre existem discussões, no Judiciário, sobre as leis. Ora, se uma lei é promulgada sem que se tenha certeza que será útil e aplicável, sem contestações sérias, então temos todo o direito de achar que ela é mais uma daquelas feitas… pra inglês ver.

EM TEMPO

Esqueci de mencionar que a lei essa foi à sanção do governador e o LHS, que não nasceu ontem, ficou na moita. Não se pronunciou. Não vetou nem publicou. E aí, coube ao presidente da Assembléia promulgá-la. Não tem tudo pra ser mais um golpe do bilhete premiado?

Fala leitor

Contra os tais “pedágios solidários”

Naquele debate sobre pedintes e artistas nos cruzamentos, um leitor da coluna no Diarinho mandou uma contribuição chamando a atenção para outro tipo de obstáculo colocado diante dos veículos: aquilo que é conhecido, em algumas rodas bem educadas, como “pedágio solidário”:

“Saudações: sempre q posso leio sua coluna, muito boa por sinal, por ter assuntos variados. Às vezes concordo e às vezes não, normal, não pode agradar todo mundo…

Quanto à coluna do dia o5-o8-2009 do Diarinho discordo e lhe explico por que: sou contra pedintes e panfletagens e tudo q se venda nas sinaleiras, tbem, mas tem um porem, e qdo fazem pedagios solidários pra isso pra aquilo pra tudo q é coisa, aí pode?

Não vem um, vem 10 te cercar o carro, vc contribui na marra e na pressão, já os pedintes é opcional. Pagamos um monte de impostos, um dos mais caros do planeta. Por que essas entidades não vão reclamar suas cotas com o governo a quem de direito? (…)

Acho q eles devem reinvindicar seus direitos sim, se um pode, pode todos ou estou errado? por que a discriminação? é muito fácil pisar em cobra morta. Com os pedágios ninguém mete a mão ou fala uma linha q também enche o saco. E outra, se vão para as sinaleiras, é porque não tem outra opção. Espero ver vc um dia reclamando dos pedágios solidários q enchem mais o saco ainda.

abraço

Marcos Severo”

Além disso que o Marcos falou, tem aquela barbaridade que são os “trotes” indigentes promovidos por “veteranos” recalcados: botam a gurizada pra pedir dinheiro nos cruzamentos. E tem gente que acha lindo.

Leituras online

O novo executivo da RBS em SC (atualizado)

Li hoje no blog do Moacir Pereira a seguinte nota:

Gallotti na RBS

Marcada para a próxima semana a posse do ministro aposentado do STJ, Paulo Benjamin Gallotti no cargo de Diretor Institucional e Jurídico do grupo RBS em Santa Catarina. A notícia está veiculada na edição desta quinta do DC. Com mais de 35 anos de atividade na magistratura, Gallotti atuou como juiz e desembargador do Tribunal de Justiça, destacando-se também como presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses e, sobretudo, no comando da Associação dos Magistrados Brasileiros.”

Galotti, a se acreditar no que se comentava em Brasília na época do julgamento do LHS no TSE, teria sido responsável pela abertura de algumas portas, que permitiram uma interlocução mais direta entre os advogados do governador e o relator do processo. A gratidão do governador por essa ajuda se concretizaria com a concessão, dia 11 próximo, da medalha Anita Garibaldi ao ilustre catarinense (embora, para todos os efeitos, a iniciativa da homenagem seja do deputado Júlio Garcia).

E a RBS, ao abrigar entre seus executivos de Santa Catarina um ex-ministro do STJ mostra que, como já sabíamos todos há bastante tempo, não está para brincadeiras.

Na solenidade de segunda-feira (Dia de Santa Catarina), receberão a medalha Anita Garibaldi as seguintes personalidades: José Carlos Pacheco, Alice Kuerten, Wander Wegg, Tycho Brahe Fernandes Neto, Paulo Benjamin Fragoso Gallotti e a Diretoria Regional da Liga de Defesa Nacional em Santa Catarina.

ATUALIZAÇÃO DA TARDE

Estava conversando com advogado amigo meu, sobre essa seqüência de eventos envolvendo o ex-ministro e perguntava o que teria levado a RBS a contratá-lo. Que problema existiria, no horizonte, que exigiria a presença de um potencial lobista (que é atividade realizada por muitos dos ex-ministros) junto aos tribunais superiores?

A resposta veio rápida e eu até me admirei de não ter pensado nisso antes: a ação do Ministério Público Federal contra o suposto monopólio da RBS. Claro. Lógico. Uma aquisição de peso para enfrentar o Celso Três e sua turma.

E aí esse meu amigo fez uma pergunta que eu não soube responder: que contribuição relevante fez o ex-ministro a Santa Catarina, a ponto de merecer uma medalha?

Bom, talvez seja homenageado apenas pelo fato de ser um catarinense que chegou a um tribunal superior. E depois, tanta gente já ganhou essa medalha sem que a gente entendesse direito o motivo, que é possível que baste o fato do governador gostar da pessoa. Ou, vai ver, ele tem mesmo méritos que a gente ainda não conhece.

ATUALIZAÇÃO DA NOITE

Trago pra cá um dos comentários deixados na caixa de… comentários. Porque nem todos abrem a caixa. E publico junto com o meu contário, que também deixei lá, em resposta.

“Impressionante a maldade da nota sobre o Min. Galotti. Um Magistrado que dedicou quase quarenta anos para a Magistratura sem qualquer notícia de desvio de conduta, pelo contrário, sempre foi motivo de orgulho para Santa Catarina – ser sumariamente apontado como “potencial lobista” ou ser diminuído por ter sido contratado por uma empresa é de uma leviandade lamentável!
Marcelo Peregruino Ferreira”

Marcelo: o “potencial lobista” está baseado no que têm feito os ex-ministros dos tribunais superiores. Veja que não afirmei que Galloti vá seguir o mesmo caminho de alguns de seus colegas. Mas um ex-ministro de tribunal superior, pelo seus conhecimentos e prestígio, pode vir a ser lobista. Que, de resto, não é atividade, em si ilícita ou menor. Ao contrário, quando executada com retidão, pode prestar bons serviços. Agora, se a maldade pareceu dirigida ao homenageado então, de fato, preciso corrigir a minha mira: o alvo era, como costuma ser neste blog, o homenageante, LHS.

Moribundices

O caso Metrópole em marcha lenta

O processo em que o Nei Silva (da revista Metrópole) é acusado de extorsão, está andando. Talvez nem se possa falar em lentidão, diante de tantos casos realmente lentos que se conhece no Judiciário. Mas dá um passo adiante e dois atrás.

Hoje, uma audiência que seria realizada em Indaial, foi adiada para 17 de novembro. O motivo é que o juiz Leopoldo Augusto Brüggmann, de Florianópolis, que preside o processo, quer ouvir primeiro as testemunhas de acusação:

Içuriti Pereira (Tesoureiro do PMDB SC) e delegado Renato Hendges, no dia 10 de setembro às 14h;
Ivo Carminati (Presidente SC parcerias) e Derly Anunciação (Secretário de Comunicação) dia 24 de outubro às 16h.

Um dos acusados, o Danilo Gomes não está sendo notificado “por oferecer endereço incompleto”. O ex-editor da revista e, pelo jeito, ex-amigo do Nei, continua atrapalhando o andamento do processo.

Projeto 270 filmes

Dai-Nipponjin

Ilustração e texto: André Valente

Ilustração e texto: André Valente

#037 – O Gigante do Japão (Dai-Nipponjin) – 2007

Existem filmes bons, filmes ruins e filmes tão incrivelmente bizarros que se tornam completamente enigmáticos. Não é difícil adivinhar em que categoria o Gigante do Japão (conhecido no Youtube e nos Estados Unidos como Big Man Japan) se encaixa. Um documentário de mentira sobre o tempo livre do cara que herdou o serviço de virar o gigante que precisa salvar o Japão de outras criaturas gigantes. Como se o Godzilla fosse uma pessoa e fizesse entrevistas quando estivesse de folga, falando de coisas mundanas como a relação como a ex-mulher, os vizinhos e o avô no asilo. Incrivelmente chato, eletrizante, esquisito e fascinante.

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Você pode acompanhar a série aqui, ou ver as imagens maiores no flickr e no meme.

Amigos

Diário da Corte nº 40 – Desaparecidos

Nem todos sabem que o jornalista manezinho Sérgio Murilo de Andrade, ex-presidente do sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e atual presidente da Federação Nacional dos Jornalistas é um cronista do cotidiano de mão cheia. De tempos em tempos ele envia, por e-mail, para os amigos, textos onde comenta aspectos curiosos e divertidos de seu dia-a-dia de exilado (por causa do cargo, passa a maior parte do tempo em Brasília).

Segundo o próprio Sérgio Murilo, os Diários da Corte são “crônicas de um manezinho perdido em Brasília”.

Leio sempre com grande prazer os Diários da Corte e hoje, ao receber o número 40, pedi a ele autorização para publicar. Achei que mais gente precisava conhecer esse cronista. Leiam e depois me contem o que acharam.

“DESAPARECIDOS

Sul x Norte – Mudei de lado. Imagino muito vagabundo dizendo: Ah, eu já sabia! Mas, explico. Sai da Asa Sul, atravessei o eixo monumental, e agora sou da Asa Norte. Já assisti longas polêmicas, sempre acompanhadas de muita cerveja – porque só se discute esse tipo de coisa sem nenhuma importância depois de alguma “motivação” – sobre qual é o melhor lado da cidade. Bares, restaurantes, supermercados, barbearias, comércio em geral, parques, clubes, escolas, zonas, tudo entra na disputa. Eu, particularmente, não vejo muita diferença. A Asa Norte tem mais barro, eu acho.

Mudei empurrado pelo governo do DF. A FENAJ funcionava em uma área estritamente residencial há quase 20 anos. Interessante é que foi inaugurada pelo governador da época, Cristovam Buarque. O atual, José Arruda, decidiu fazer um choque de ordem e preparar a cidade para os 50 anos e a copa do mundo. Na nossa área, primeiro fechou as pousadas que abrigavam os índios. Depois, os salões de beleza da pobreza. Por último, os escritórios institucionais.

Apesar dos transtornos, continuamos bem localizados, em 260 metros quadrados, logo no início da Asa Norte, mais próximo dos ministérios e Congresso Nacional. Cercados por oficinas e lojas de acessórios de carros e motos. Almoço com mecânicos, quase todos os dias. Lembram o meu pai.

A distância me tornou um infiel. Nos últimos dois meses, fui somente uma vez ao Amigão. Até então, o melhor boteco de Brasília. Por enquanto, estou buscando abrigo no Terapia, o bar mais perto da FENAJ e da minha nova casa. Tenho feito também algumas excursões à sucursal norte do Beirute (o melhor e mais antigo bar de Brasília), inaugurada recentemente. Os dois bares – o Beirute Norte e o Terapia – não têm nada de especial, além da presença significativa de mulheres. No Amigão, normalmente, a única mulher que aparece é a mulher do Rubens, o dono do bar, que vai jantar e levar o marido pra casa. Mas já percebi que no setor norte, a coisa é diferente.

Aí, descobri duas vantagens da Asa Norte: tem mais barro e mais mulheres. Mas é claro que isso também depende do ponto de vista. Tem gente que gosta de asfalto.

No Sul e no Norte, ninguém discute mais o caso Sarney. Todo mundo já o considera morto. Alguns já reclamam do mau cheiro de carne apodrecendo. Só não foi devidamente enterrado porque Lula injeta formol todos os dias no cadáver. Numa boa, se merecem. Sarney é uma das melhores expressões da república velha. De setores cartoriais e patrimonialistas da política nacional que são aliados táticos do PT. Tramam, no momento, uma aliança estratégica para o futuro governo Dilma. Deus nos livre!

No Beirute Norte, porque só se discute esse tipo de coisa sem nenhuma importância nesses lugares, um amigo perguntou, quem é Dilma. Ele tem toda razão. De onde veio? Quantas eleições disputou? Quanta militância tem no PT? O que pensa do Brasil? Ela só é candidata porque Zé Dirceu (candidato do PT) e Palocci (candidato do Lula) se lambuzaram. Ela só é candidata porque Lula quer. Por que não o Patrus ou o Tarso? Por que não o meu amigo? Por que não você?

Tatu. Foto: blog do vereador Márcio de Souza

Tatu

Resolvi escrever este DC depois que li uma nota que a Márcia me enviou sobre a morte do Tatu, o mais simpático vendedor de loterias de Fpolis (foto acima, roubada do blog do Márcio Sousa, o professor, não o vereador).

Ademar

Ademar

Quase toda semana marchava com 10 reais com ele. Várias vezes emprestei dinheiro a ele, pago depois em bilhetes. Já era um sócio. Com ele, ganhei as duas únicas vezes em sorteios: duas quadras, que me renderam menos de R$ 500, juntas. Não contabilizo a galinha assada que ganhei uma vez em uma quermesse durante uma das campanhas do Afrânio. Com vergonha, não fui ao palco receber o prêmio. Tatu era um legítimo self-made man. Parece que morreu de pneumonia, depois de ficar duas semanas internado. Não foi gripe suína? Tatu era, junto com o velho Ademar, cuja foto (acho que do Lamas) está aqui ao lado e que partiu em 2006, a cara do Mercado Público da Ilha. Figuras que enriquecem nossa vida por um tempo e depois desaparecem. Eu passarei, eles passarinho. Se o grande Quintana me permite uma inversão.

Aproveito para esclarecer, lembrado pelo Tonera, que o apelido do Tatu, diferente do que o Cacau informou, era uma referência ao anão do seriado Ilha da Fantasia, o Tatoo.

Sobre desaparecimentos, chamou minha atenção a repercussão da morte do Catatau, uma das dezenas de UFSCães – cachorros que vivem abandonados, ou livres, no campus da Universidade. Parece, o mais famoso deles. Catatau era uma referência para os estudantes, funcionários e professores da Federal de Santa Catarina. Não perdia uma manifestação, era mais assíduo que muito sindicalista. Participou ativamente do movimento passe livre. Adorava os shows da concha acústica. Era, segundo as palavras de uma funcionária, entrevistada pelo Diário Catarinense, “o melhor de nós”. Ele tem, inclusive, um blog que o identifica como Catatau Menezes – cãolunista social. Encontrava com freqüência com o Catatau, deitado na grama da pracinha da Trindade ou esperando um ônibus nos pontos, próximo à praça. Muitas vezes, normalmente domingos à noite, dividi meu lanche com ele no Quebra-Gelo. Estranhava o respeito e reverência que os funcionários da lanchonete e, principalmente, os estudantes tratavam o cachorro, que pra mim era apenas mais um bicho abandonado. Não sabia que estava diante de uma celebridade. É bom saber que além do Michael Jackson, a turma também se preocupam com o Catatau. Temos alguma chance.

Abraços abafados e secos a todos.

Sérgio.”

Governo LHS

LHS pediu, educadamente…

A assessoria de imprensa do governador LHS me informa que ontem o governador, acompanhado do vice Pavan, pediram que o ministro Geddel (PMDB) saísse de cima da papelada sobre a qual está sentado e terminasse com a agonia dos municípios catarinenses atingidos pela enxurrada e pela enchente do ano passado. Sem a assinatura do ministro, o TCU não tem como admitir o uso do dinheiro.

Provavelmente me mandaram essa notinha em razão das coisas que disse, em indignado post anterior, onde cobrava mais empenho do governador. E não disse que LHS tinha ido a Brasília fazer o tal pedido. Digamos que, em razão das novas informações, eu fosse corrigir o parágrafo em que me refiro ao LHS. Como ficaria? Assim:

“O governador, tão enfático em tantas ocasiões, capaz de gestos ousados, como receber em palácio um empresário recém saído da prisão, age com uma certa cautela diante do governo federal. Pede educadamente ao ministro Geddel (que é do mesmo PMDB do governador), que saia de cima da papelada. Mas para afrontar a Constituição, impondo um Código Ambiental estadual que subverte a ordem federal, não faltou coragem a LHS.”

E por falar neste assunto, o dinheiro esse, que está bloqueado porque o prazo da emergência terminou em 20 de janeiro, foi enviado ao estado pelo mesmo ministro Geddel, em junho. E, assim como não foi possível utilizar um dinheiro que não chegou no prazo, o ministro terá que explicar ao TCU como “liberou” grana fora do prazo.

Por tudo isso, tanto jogo de empurra, tanta minudência burocrática, esperava do governador uma gritaria maior, uma agitação mais condizente com seus melhores momentos midiáticos. Em vez de simplesmente um pedido, uma solicitação, um apelo. Seguido, imagino, de um obsequioso “por favor, obrigado”. A hora é de bater com a desgraça dos municípios atingidos na mesa, jogar as dificuldades de todos no ventilador e exigir, imitando o olhar rútilo e o esgar enraivecido do ex-presidente Collor, que Lula e Geddel engulam a burocracia, façam do papelório o uso que bem entenderem e respeitem Santa Catarina. Só.

Política

Querem profissionalizar a capoeira!

CAPOEIRA

Capoeira, que nasceu para dizer não a todo tipo de opressão, injustiça e escravidão.
Herança nobre, legado da escravidão.
Era luta de oprimidos e excluídos da Nação.
Hoje é desporto de regra e competição.
Eu não concordo com tanta deturpação.
Segura moço, presta atenção.
A capoeira não é luta do patrão.

Mestre Pinóquio

Achei muito estranho que os versos acima, aparentemente um brado contra a… opressão, ilustre uma nota que anuncia a realização de uma audiência pública (amanhã, às 18h), na Assembléia Legislativa, para tratar do intrigante tema “Construindo a Profissionalização da Capoeira – um Tributo aos Mestres”.

Está lá que “O evento, promovido pela deputada estadual Angela Albino (PCdoB) e pelo vereador Dr. Ricardo Vieira (PCdoB), pretende discutir a regularização da profissão de capoeirista e prestar uma homenagem aos praticantes dessa arte, que é dança, jogo e luta”.

Bom, nessas horas eu quase sou levado a fazer coro com os ministros do STF nas perguntas que não querem calar: como assim? Vão exigir carteirinha (quem sabe curso superior), pagamento de taxa, registro no Ministério do Trabalho? Vão querer enquadrar a capoeira e os capoeiristas? E o espírito original da coisa, da brincadeira, da contravenção, ou, como disse o poeta citado acima, da luta contra “todo tipo de opressão, injustiça e escravidão”?

Bom, vai ver que é isso mesmo, que a turma quer contribuir pro INSS, se aposentar, cumprir horário, receber salário. Novos tempos. Até capoeiristas têm direito a uma profissão regulamentada. Menos os jornalistas, claro. Mas essa é outra questão.

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