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Fala leitor

Reflexões sobre a morte do cinegrafista

O Paulo Vendelino Kons, Conselheiro Tutelar de Brusque, SC, deixou um extenso comentário no post “Morreu o cinegrafista. E daí?” Como nem todos os leitores abrem a caixa de comentários, trago pra cá o que ele escreveu. Conheço as idéias do Paulinho Kons há alguns anos e acho que vale a pena a leitura.

“Prezado Cesar – Paz e Bem,

A manifestação do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho (chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus dois mandatos) sobre a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, que teve sua morte cerebral decretada ontem (10 II), é análoga ao meliante que furta a bolsa de uma senhora octogenária e sai gritando “pega ladrão”.

Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal apontou servidores lotados na Presidência da República, subordinados ao ministro Carvalho, como líderes da manifestação e da queima de grande quantidade de pneus que bloqueou, na manhã do dia 14 de junho de 2013, as seis faixas da via N1, no Eixo Monumental de Brasília.

Quem comprou os pneus, contratou o caminhão para transportá-los e pessoas para incendiá-los, segundo a Polícia Civil: Mayra Cotta Cardozo de Souza, assessora especial da Secretaria Executiva da Presidência da República, João Vitor Rodrigues Loureiro, assessor da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, Gabriel dos Santos Elias, até maio/2013 assessor da Subchefia de Assuntos Parlamentares e Danniel Gobbi Braga da Silva, assessor internacional da Secretaria Geral da Presidência, com salário de R$ 11,3 mil.

O assassinato de Santiago Andrade por black bloc não constitui-se num evento imponderável, mas consequência direta e objetiva da semeadura do ódio entre as classes sociais. A professora titular de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chauí, uma das mais prestigiadas pensadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), foi muita reveladora na palestra proferida no lançamento do livro ”10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”, em 13 de maio de 2013, na sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo, antecedendo o pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva: “E porque é que eu defendo esse ponto de vista? Não é só por razões teóricas e políticas. É PORQUE EU ODEIO A CLASSE MÉDIA. A classe média é o atraso de vida. a classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante… terrorista. A classe média é a uma abominação política, porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Ao tratar pessoas como “classes” é mais fácil odiá-las. É por isso que o nazismo e o comunismo puderam existir, é por isso que a violência brasileira, sob uma roupagem retórica de “reparação” ou “causa social” imprecisa, está matando.

A prática do ministro Gilberto Carvalho e o ‘ensinamento’ da professora Marilena Chauí não estariam a indicar que interessa aos detentores do poder político no Brasil forçar o esvaziamento das legítimas manifestações contra os aumentos nas tarifas de transporte público, falta de mobilidade, gastos públicos em grandes eventos esportivos internacionais, a má qualidade dos serviços públicos (com ênfase na Saúde), a indignação com a corrupção política (Mensalão e outros casos), os gastos de quatro bilhões de reais anuais (R$4.000.000.000,00) das autarquias, estatais e da administração direta do governo federal na gestão Dilma Rousseff com publicidade e propaganda, entre outros, através da infiltração de criminosos em eventos que marcam a indignação ética da gente brasileira, como vem se verificando?”

Fraternalmente,

Paulo Vendelino Kons
Conselheiro Tutelar

Governo Colombo

Pro clubinho do vice filho não tem seca!

Dr. Moreira e Raimundo

O vice Dr. Moreira (e) e um ex-amigo. Molecagem sobre foto do James Tavares/Secom.

O Santa (também conhecido como Jornal de Santa Catarina, ou a sucursal blumenauense do jornal dos gaúchos) publicou ontem que um caminhão de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros de Blumenau foi molhar duas vezes a pista de automodelismo (carrinhos de brinquedo, com controle remoto) em Gaspar, no último domingo.

(Clique aqui pra ler a notícia do Santa)

Lá se realizava um campeonato da Associação Catarinense de Automodelismo Offroad, que é presidida pelo Eduardo Pinho Moreira Filho. O vice filho também era o organizador do evento. Com a seca, a pista não estava na consistência correta. E um caminhão-pipa particular certamente iria cobrar alguma coisa para fazer o serviço. Melhor chamar os bombeiros.

Ah, um brutamontes (segurança do vice filho?) queria tomar a máquina do fotógrafo do Santa e entrou no carro da reportagem para ameaçar os jornalistas e mandar apagar as imagens dos bombeiros molhando a pista. Intimidação e censura, Dr. Moreira? Que feio!

EM TEMPO

Reclamações e comentários devem ser enviados diretamente para o Centro Administrativo, rodovia SC 401, Saco Grande, Florianópolis, SC. A/C Dr. Moreira, c/c João Raimundo. Afinal, o Raimundo é chefe dos bombeiros e o Dr. Moreira é pai do Moreirinha.

(Obrigado pela dica, Carlos Tonet)

A RESPOSTA DO VICE FILHO

O Moreira citado na reportagem do Santa e quem alfinetei acima fez a gentileza de deixar, aqui na caixa de comentários, suas explicações. Trago pra cá, pra facilitar a leitura.

“Boa tarde sr Cesar.

Sou o Eduardo Moreira Filho, a quem se referes neste artigo. Gostaria de corrigir alguns erros em sua postagem.

Não sou o presidente da Acaoff, Associação Catarinense de Automodelismo Offroad, sou apenas um dos associados e ajudo na organização dos eventos por ela realizados.

Devido ao calor excessivo e à falta de chuva nas últimas semanas, tivemos problemas com a pista e o excesso de poeira, ficando difícil até para respirar. Sempre contratamos uma empresa com caminhão pipa para prestar este serviço, só que a empresa não pôde realizar o serviço neste último fim de semana pois o caminhão pipa estava quebrado (empresa caibi).

Tinhamos cerca de 30 pilotos vindos de SC, PR e RS e de última hora, para não cancelarmos a etapa, decidimos pedir ajuda aos bombeiros. Só foi possível a ajuda dos bombeiros porque no clube onde era realizada a etapa tem um grande lago onde a água seria, e foi, reposta aos bombeiros, condição esta que fez com que os bombeiros aceitassem nos ajudar. Em nenhum momento usamos o nome do meu pai. Nem fui eu que entrei em contato com os bombeiros. E a pessoa que fez o contato usou o nome da Acaoff no pedido de apoio.

Organizamos o 2º maior estadual da categoria, atras apenas de SP, e na região de Gaspar é uma modalidade muito tradicional, por se encontrar lá o maior clube de modelismo da América do Sul.

Não ando e nunca andei com segurança e quem me conhece sabe que nunca provocaria algum tipo de confusão. Pelo contrário, um dos participantes foi perguntar ao fotógrafo do Santa (não tinha reporter) sobre o porque das fotos e o fotógrafo disse que não interessava e que não devia satisfação a ninguem. Foi quando este participante se colocou entre o fotógrafo e o seu carro e disse que exigia explicação.. Ao ver a cena pedimos para que ele se afastasse e deixasse o fotógrafo ir embora. Depois de um tempo uma reporter do Santa entrou em contato por telefone e demos as explicações sobre o acontecido.

Enfim, sou totalmente contra qualquer tipo de censura ou violência e também sou contra esse tipo de artigo politiqueiro com a clara intenção de atingir meu pai. Com afirmações falsas e insinuações descabidas.

Praticamos o automodelismo como hobby e diversão e só conseguimos realizar esta etapa graças ao apoio dos bombeiros. A agua usada foi reposta e acredito não termos prejudicado ninguém.

Grato pela atenção.”

MEU COMENTÁRIO

O texto do Moreira Filho confirma, em linhas gerais, o que o Santa publicou. E esclarece um ponto importante, que na reportagem não estava claro: houve mesmo alguém que tentou impedir o trabalho dos jornalistas, só que não era segurança do filho do vice. Que, pelo que nos informa, até intercedeu para resolver o problema. Quanto à “clara intenção de atingir meu pai”, é o preço de ser filho de um vice-governador, ex-governador e presidente de partido. Ainda mais tendo o mesmo nome. Figuras públicas e seus parentes estão sempre sob holofotes. E além do mais, nessa seca braba, qualquer pessoa que chamasse os bombeiros para molhar pista de automodelismo ou outro modelismo qualquer, cairia na boca do povo. E pelo que tenho lido sobre a falta d’água em Blumenau, parece que há mesmo uma escassez de carros pipa na região. Só espero que a generosa atitude dos bombeiros não crie, na comunidade a que servem, falsas expectativas sobre os serviços que podem prestar.

Caraminholas

Morreu o cinegrafista. E daí?

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Todo mundo gosta de ver o que está acontecendo. Tirante um ou outro caso de aproveitamento de imagens de celulares e câmara amadoras, os melhores flagrantes são captadas por profissionais, que às vezes estão bem próximos dos acontecimentos. E acabam levando as sobras, quando a coisa esquenta.

Foi o que ocorreu com o Santiago Andrade, cinegrafista da TV Band que morreu ontem. Dois “manifestantes” mascarados acenderam um rojão perto de onde estava o Santiago, que filmava a tropa de choque da PM. O rojão, desses de festa junina, explodiu bem na cabeça do pobre do Santiago.

Agora dizem que os caras queriam acertar os policiais. Mas, cá entre nós, eles querem mesmo é quebrar tudo e provocar o maior dano possível. Azar de quem está no caminho. Às vezes a polícia também age assim, sem olhar direito o que está fazendo. É o problema de quem usa, como ferramenta, a violência.
A destruição acaba sendo um fim em si mesmo e o que ocorre quando usam esse instrumendo de ódio, não tem muita importância. O importante é mostrar o prejuízo causado.

E depois de tanto tempo de campanha contra a “grande imprensa”, em que os idiotas menos dotados de inteligência confundem os profissionais com as empresas que os contratam e acabam achando, no seu delírio, que tudo é invenção de jornalistas malintencionados, não duvido que muitos achem irrelevante a morte do cinegrafista.

Até jogadores de futebol, quando enfrentam um período de más notícias e escassos resultados, acham que a forma de melhorar tudo é parar de falar com jornalistas. Claro! A velha história de matar o mensageiro. Se não tem quem dê a notícia, cessam as más notícias. Mesmo que continuem acontecendo os malfeitos, a roubalheira, a patifaria: se não tiver quem incomode os poderosos mostrando imagens, escrevendo coisas, a vida dessa gente, que já é muito boa, fica maravilhosa.

Caraminholas

Transparência x Corrupção

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Pouca gente sabe da existência da Controladoria Geral da União (CGU). Mesmo alguns daqueles que vivem falando contra os corruptos e a corrupção e xingam todos os dias o governo, ignoram o que faz essa repartição, dirigida pelo veterano Jorge Hage. Esses quadrinhos que ilustram esta página, com lembretes sobre as pequenas corrupções que nos tentam a todos, foram produzidos pela CGU e expostos na sua página do Facebook (fb.com/cguonline). No twitter o endereço é @cguonline. E o site onde estão as informações sobre o que a CGU faz e tem feito, é www.cgu.gov.br.

Além da preocupação com o uso do dinheiro público e com a ingrata tarefa de tentar criar uma consciência nacional anti-corrupção, a CGU também lida com outra situação grave e difícil: a transparência.

Um dos melhores remédios para inúmeros problemas de saúde pública, é abrir as janelas para deixar o ar circular e o sol entrar. A transparência, nas repartições públicas, cumpre papel semelhante: espantar as ratazanas e baratas que gostam de escurinho, adoram locais fechados, impenetráveis, úmidos e propícios a uma boa negociata debaixo dos panos. De preferência com dinheiro público.

Fazer os políticos e demais servidores públicos abandonarem as antigas práticas, de quando o público não tinha direito de saber o que ocorria nos gabinetes acarpetados do poder, é um trabalho hercúleo.

A CGU recomenda, ensina, exige, pede, impõe quando e onde pode, mas mesmo assim a resistência é grande. São desde servidores de alto salário que temem por sua segurança ao terem seus vencimentos divulgados, a administradores públicos arrogantes que acreditam mesmo que o público não tem direito de saber o que eles fazem.

Deixar entrar a luz e o ar puro é a única forma de evitar que os corruptos e os potenciais corruptos sintam alguma dificuldade para levar adiante seus planos e sintam que não podem exercer seus podres poderes impunemente. Mas ainda há um longo caminho a percorrer, porque falta uma consciência nacional anti-corrupção. O mesmo sujeito que fala do “político ladrão”, ultrapassa pelo acostamento, engana no troco e sonega o quanto pode o pagamento de impostos.

E ainda falta, nas autoridades de vários escalões, coragem para impor uma nova política de transparência e de combate à corrupção. Temem advertir e punir quem, apegado às sombras e ao passado, sonega informações ao público e insiste em manter aquele velho tapete sobre tudo.

Jorge Hage

Jorge Hage, ministro-chefe da CGU. Foto: DL Photo/CGU

Florianópolis

Fala, Dalminho!

O DIARINHO publicou, ontem, uma reportagem da Vânia Campos sobre o Plano Diretor de Florianópolis e, no centro dela, uma entrevista com o arquiteto e urbanista Dalmo Vieira Filho, secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano e superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf).

Trago pra cá porque o DIARINHO, embora seja o jornal mais lido em Itajaí, Balneário Camboriú e adjacências, tem uma circulação modesta na capital. E embora alguém possa achar que sou suspeito pra falar (ele é filho do fundador do jornal onde trabalho e tio da diretora de redação) acho que vale a pena ouvir o que o Dalminho tem a dizer.

Taí:

DIARINHO – Como vai ser a aplicação das novas diretrizes urbanas de Florianópolis propostas e aprovadas no Plano Diretor?

Dalmo Vieira Filho – O Plano Diretor não encerra a discussão sobre a cidade e nem ao menos encerra o planejamento. Ele é, na verdade, a base do planejamento urbano da cidade. A partir desta base, muito mais sólida, muito mais compatível com a atualidade, vamos ampliar e não diminuir debates e proposições. Será um processo permanente. Vamos ter planos de áreas verdes, de saúde, de mobilidade, e inúmeros outros vão acontecer. Vamos criar, também, uma comissão de implantação do plano para ouvir críticas e sugestões a partir de um patamar diferente. Além do lado tecnicista, temos um conceito, uma filosofia e para desenvolver este trabalho nos pautamos pela seguinte constatação: cidade significa lugar de cidadãos, as cidades são nossos cenários de vida. Urbanismo é uma ciência que se preocupa com a qualidade de vida dos moradores. Nas últimas décadas transferimos essa noção de qualidade de vida quase que exclusivamente para questão viária. Urbanismo passou a ser viadutos, vias, pontes, e em Florianópolis é típico. Desde a ponte Hercílio Luz, em 1926, a gente criou muitas avenidas, túneis, construímos pontes e qualquer cidadão pode perguntar: ‘Puxa, deve ter quase resolvido o problema do trânsito em Florianópolis né? Já que a gente só investiu nisso…’ Estamos longe disso. Hoje trabalhamos com o conceito de que a cidade precisa resgatar a condição de convívio entre os cidadãos.

DIARINHO – Como você avalia essa série de críticas ao Plano Diretor? Por que comunidades, entidades e movimentos populares estão se manifestando de forma tão contrária?

Dalmo Vieira Filho – Tem muita falsa informação, muito alarmismo. Nós temos um dos planos mais interessantes, mais atuais do Brasil, mas a oposição faz um jogo pra levar essa conquista para as páginas policiais, para os tribunais. Numa manifestação recente, com 20 pessoas, houve a seguinte declaração de uma senhora, moradora do Ribeirão da Ilha: “Estão querendo entregar para a especulação imobiliária, vão verticalizar o Ribeirão da Ilha.” O gabarito do Ribeirão é dois pavimentos, toda a região Sul – alguns pequenos trechos permitem três pavimentos, que é o máximo -, mas todo Campeche, Lagoa, Barra, tudo isso é dois pavimentos. O Plano, na realidade, é muito cuidadoso com o meio ambiente, com o patrimônio cultural, com as condições reais de cada bairro.

Podemos dizer que o Plano tem uma graduação para a ocupação urbana: no Sul contenção, no Norte contenção flexível e no Continente crescimento. Isso porque apostamos numa conexão com o crescimento metropolitano. O movimento urbanístico mais importante em Florianópolis, nas últimas duas ou três décadas foi, seguramente, o crescimento metropolitano. Se a gente for comparar os índices de crescimento de Palhoça, Biguaçu e particularmente de São José, naquele trecho totalmente conurbado com Florianópolis [não se sabe quando tá num ou noutro município], aquela área cresceu várias vezes. Essa alça da BR-101, que vai ser construída, vai transformar a atual 101 numa grande avenida metropolitana. As transformações resultantes disso é que fizeram com que a gente tratasse de uma maneira diferenciada o Continente.

DIARINHO – Moradores do Continente contestam a permissão de construção de edifícios de até 16 andares ao longo da Via Expressa, eles são contra essa verticalização.

Dalmo Vieira Filho – Primeiro que o gabarito pode chegar a 16, não necessariamente chegará. Mas como numa OUC (Operação Urbana Consorciada), o prédio que chegar a 16 andares vai ter que negociar conosco os afastamentos, o paisagismo e outros elementos. Basicamente, o afastamento prevê que aquela via tenha canaleta pra ônibus, duas ou três faixas de rolamento, ciclovia, acostamento e, principalmente, via marginal pra evitar que se entre na SC pra ir à padaria, por exemplo. Mas não é só a questão funcional. Não é só a ciclovia, o eixo dos ônibus, as faixas de rolamento; tem também o aspecto cênico. Estamos falando da via de chegada a Florianópolis. Imaginamos aquilo como uma grande avenida, que dá direto na ponte, com paisagem de boulevard e com prédios de 16 andares, que é mais ou menos o que temos hoje na Beira Mar Norte. A gente fala hoje em dia, em Santa Catarina, de edifícios de 40, 50 andares e aqui estamos considerando uma avenida de mais de 50 metros, tratada paisagisticamente, com vias marginais e tudo o mais.

DIARINHO – Como você avalia o crescimento de Florianópolis?

Dalmo Vieira Filho – Somos um dos municípios que mais cresce no Brasil. A cidade tem um crescimento constante e estamos nos apoiando nos índices demográficos, há uma medição científica pra esse crescimento e a pergunta seria a seguinte: pra onde nós vamos crescer? O simplista, o que muitos dos ambientalistas empedernidos diriam, no fundo, no fundo, é: manda o pessoal pra Palhoça. Daí todo mundo se vira pra pegar ônibus todo dia, pra ir trabalhar no norte. A ideia, por exemplo, do crescimento zero, de livrar a ilha, é a coisa mais elitista que tem. Porque se a gente restringisse drasticamente quem compraria os lotes? O preço aumentaria enormemente e a gente empurraria a população pra cada vez mais longe. Nós buscamos o equilíbrio e dentre os lugares onde a gente aposta no crescimento, nós estimulamos a necessidade de contrapartida.

DIARINHO – O vereador Afrânio Boppré é veemente ao contestar as OUCs, diz que será uma espécie de moeda de troca entre proprietários e a prefeitura. O que você diz sobre esse entendimento do vereador?

Dalmo Vieira Filho – As OUCs são um dos maiores avanços do plano diretor. Na essência, tem um dos parâmetros mais restritivos de todo o zoneamento, a taxa de ocupação é de 30%. A cidade hoje é um mosaico, cheio de compartimentos praticamente estanques. A primeira vantagem das áreas de urbanização é que elas obrigam os donos de cada lote a uma ação conjunta. É uma forma de urbanização que não se atém à estrutura fundiária existente. Outra vantagem, maior ainda: os empreendimentos nessas áreas somente serão aprovados a partir de um projeto integrado. Temos um projeto em andamento com o BID [Banco Interamericano de Desenbvolvimento] que é o ICES – Iniciativa Cidade Emergente Sustentável. Eles estão interessadíssimos nas nossas áreas de urbanização especial. Nós seremos um dos primeiros municípios a usar isso com ênfase. As áreas de urbanização especial não são nenhum cheque em branco. Pelo contrário, basta olhar com atenção, é um processo cheio de filtros, alternativas de segurança, e o primeiro deles é o estudo ambiental.

Nós instituímos três tipos diferentes de áreas de urbanização especial em Florianópolis:

a) Áreas Públicas – exemplo do aterro da via expressa sul. O SPU [Secretaria do Patrimônio da União] distribuiu aleatoriamente (porque foi sem projeto nenhum), terras para serem construídas para: Corpo de Bombeiros, PM, UFSC, Instituto Tecnológico, ICM Bio, pras secretarias de educação do estado e pra secretaria de educação do Município. Todos têm área lá. Tanto é que a construção do ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade] no aterro está embargada por nós, e as duas escolas que estão lá não conseguimos segurar pelos com recursos públicos investidos e já em fase de construção. É um absurdo e uma delas está em cima do trevo da seta, sem recuo, em cima da avenida. E tem uma creche municipal também, em fase final de construção. Para essas áreas de urbanização especial, públicas, qualquer cessão de terra daqui pra frente e qualquer construção depende de projeto geral aprovado. Não se constrói nada sem projeto e sem essa operação urbana.

b) Categoria clássica de operação urbana – já há alguns precedentes em São Paulo. Normalmente usam isso pra áreas com problemas sociais (baixa renda, invasão, informalidade) que envolvem diversos proprietários. Aqui temos vários casos, o Saco dos Limões é um, a Via Expressa outro. É também área de operação urbana para a qual se faz um plano e os empreendimentos vão ser feitos a partir desse plano, com as contrapartidas. A pessoa vai poder fazer um edifício no Saco dos Limões, por exemplo, desde que invista no alargamento da rua, na praça etc. Essa é uma operação que prevê os elementos dessa negociação.

c) Grandes terrenos particulares — A outra categoria diz respeito às grandes áreas de terrenos particulares ou de poucos proprietários. São as planícies desocupadas até agora, que representam uma das grandes alternativas de expansão urbana de Florianópolis – cito duas áreas: a Planície da Tapera e o Norte da Ilha, entre Ratones e Santo Antônio. O que a gente acha, pra essa terceira categoria que pode ser a mais perigosa, na visão do Afrânio. Primeiro que ela tem a taxa de ocupação mais baixa entre todas, segundo como se começa um processo de uma área de urbanização especial, uma grande gleba, por exemplo na Tapera? A primeira coisa será o projeto ambiental. Até posso admitir que o Afrânio, legitimamente, tenha receio sobre isso, mas na realidade toda novidade produz receio e a gente tá falando de uma das novidades mais importantes do município. A taxa de ocupação é a menor entre todas as outras propostas no plano, tem que ter projeto específico aprovado e o projeto ambiental é a primeira coisa, só a partir dele que qualquer projeto de urbanização poderá acontecer.

Informações sobre o novo Plano Diretor de Florianópolis (incluindo a íntegra da lei) estão em www.pmf.sc.gov.br

Caraminholas

O servidor público, esse desconhecido

Vamos começar do começo: existem dois tipos principais de servidores públicos. Os que passaram num concurso e fazem carreira no serviço público e os que são nomeados temporariamente, para exercer funções conhecidas popularmente como “de confiança”.

A maioria se enquadra nessas duas classificações gerais. Mas existem também aqueles que são eleitos para exercer funções… públicas, seja representando-nos nos parlamentos, seja ocupando cargos no poder executivo. São, embora vários deles achem que não, também servidores… públicos. Deveriam servir ao público (e não servir-se do público, mas isso é conversa para outra hora).

No Brasil, assim que a lei passou a obrigar a realização de concursos públicos para preenchimento de vagas no serviço público, o pessoal já começou a tentar contornar essa obrigação. O modo mais utilizado para fugir dos concursos é a criação de inúmeros cargos cujo preenchimento pode ser feito sem concurso. E, para infelicidade dos que se preocupam com o bom funcionamento da máquina, a maioria dessas funções é de chefia. Gerentes e diretores, no caso de Santa Catarina, caem de paraquedas a cada mudança de governo ou do titular da pasta.

Imagine a cena: você trabalha há 20 anos numa repartição. Conhece todos os trâmites, problemas e situações. Sabe o que deve e o que não deve fazer. Daí, num janeiro qualquer, chegam para assumir gerências e diretorias umas figuras que nunca passaram nem perto daquela repartição. Não têm a menor idéia de como a coisa funciona.

O menor dos problemas será ensinar aos chefes o be-a-bá da repartição. Durante alguns meses tudo para, algumas coisas são feitas contra todas as normas, outras somem para sempre. E, dependendo do tipo de gente que foi colocada nos cargos de chefia, o caos se instala ou, depois de um tempo, devagarinho, recomeça a entrar na rotina.

Outro problema sério: os gerentes e diretores alienígenas “de confiança”, não entendem nada de gerir equipes e processos. Os servidores de carreira espertos e malandos (sim, muitos são trabalhadores e dedicados, mas também tem uns que vou te contar) aproveitam-se dessa incompetência e deitam e rolam. Sabem que os chefes temporários estão preocupados com as campanhas políticas e nem aí para produtividade, controle e gestão. É o paraíso!

Em todas as situações, quem acaba sempre sendo penalizado, é o bom servidor público. O esforçado que ainda acreditava que existisse justiça no mundo. Esse aí só se ferra.

EXEMPLO PRÁTICO

Uma boa frase que li no facebook, sobre os acontecimentos recentes envolvendo servidores da Fatma:

“O político resolveu aproveitar uma visita técnica séria para fazer seu marketing pessoal e o resultado foi: colocou em descrédito a atuação de servidores honestos… :-(”

Aline Graziela

Ranzinzices

Foto-implicância da quinta-feira

Escola de São Martinho

A escola agradecida. Foto: Jaque Noceti/Secom


Na foto acima, a Escola Básica de São Martinho, no sul do estado. Dia 28 o governador Raimundo foi até lá assinar uma ordem de serviço para reformar e ampliar a escola, que existe desde 1936. Não é com a reforma que implico. Nem mesmo com a anunciada reforma de 700 escolas pelo estado. Acho que já vem um pouco tarde demais (tem algumas caindo aos pedaços), mas isso também não faz parte da implicância de hoje.

Na faixa que alguém colocou no local onde foram realizadas as solenidades e onde o governador discursou e posou para fotos está escrito que a escola está agradecida “por um sonho que hoje se concretiza”. Achei engraçado porque parece que o sonho da escola era apenas a ordem de serviço, a única coisa concreta até o momento. A obra, se tudo correr bem, ainda vai levar pelo menos 240 dias.

Mas também não é essa a minha implicância. Trata-se dessa mania que têm, os beneficiários de obras públicas necessárias (algumas urgentes), essenciais, de achar que a coisa foi uma benesse do governante.

O Raimundo não faz mais que a obrigação, ao reformar as escolas. Ou construir estradas. Ou comprar equipamento para as polícias. Foi para isso que foi eleito. Esses agradecimentos efusivos sempre me dão a impressão de que aquela obra está sendo feita como um favor especial.

“Não estava no cronograma, não constava do orçamento, tinha outras escolas na fila, mas o governador, bonzinho e amigo dos amigos da cidade, fez-nos o favor de privilegiar a nossa escola, então temos que agradecer muito e, claro votar e fazer campanha para a reeleição dele”. É isso que minh’alma pouco iluminada entende quando vê tantos rapapés para uma autoridade que está apenas e tão somente cumprindo seu dever.

Cartinha do Emanuel

Templos de consumo e de desejo

Shoppings: templos de consumo e de desejo
(E muitas perguntas)

Em memória do poeta Juan Gelman*

Por Emanuel Medeiros Vieira

Os shoppings são a antiga Ágora grega – o coração da cidade.
Globalização? Da indiferença?

Cabeças decapitadas, império do tráfico.

Um menino me indaga; “O mal está vencendo?”
Olho fixamente nos seus olhos: “Está”.
Consolo-o: “Mas não será para sempre.”

Sociedade do espetáculo, e o templo é de consumo – não para orar.
O que significa isso tudo?
“Rolezinhos” – transgressão?
Desejo do tênis de marca?

Ou de proclamar: “também existimos”. Grito contra a exclusão, voz dos que não têm voz – a periferia berrando? Não sei. Sei que a baixar o cacete não resolverá. A medida de valor ainda é o dinheiro, a cor da pele.

Sem as posses dos meninos ricos – os vícios são iguais?

Desigualdade? Sim. Viramos apenas consumidores. Não cidadãos.
(Não almejo o panfleto.)
E só tenho perguntas.

Fim de tudo? De sonhos, ilusões, projetos? Ou não é nada disso.
Um universo dessacralizado – sem fé.

Crack, crime, medo – HORROR -, e lagostas para a governadora.

“O presente. O presente é tudo o que tens como tua possessão. Como Jacó fez com o anjo: retém-no até que ele te abençoe”.
(John Greenleaf Whittier.)

Que tempos!

Queria escrever no epitáfio: sem glória, mas com ternura.)

(Brasília, janeiro de 2014)

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*Morreu no México, em 14 de janeiro de 2014, o poeta e jornalista argentino Juan Gelman. Durante a ditadura militar argentina (1976-1983), Gelman teve o seu filho (Marcelo) assassinado. Sua nora, Maria Cláudia, foi sequestrada enquanto estava grávida e levada ao Uruguai pela “Operação Condor”. Nesse país, deu à luz e desapareceu. A filha do casal (Macarena) foi entregue a um policial uruguaio e só teve a identidade revelada em 2000. Grande parte da vida deste grande poeta e humanista foi dedicada (com comovente paixão e intensidade) a esclarecer o que havia ocorrido (com sua família e com o seu país), naqueles tempos tão sinistros e sombrios.

Ranzinzices

Ecos do passeio à Alemanha

Fatma de rabo preso

Misturei os logos da BMW e da Fatma e ficou parecendo um rabo preso

Na última quinta-feira falei, aqui, sobre meu espanto com o fato da BMW pagar a viagem de um grupo de diretores e técnicos (acompanhados de assessor de imprensa!) à Alemanha. Passaram-se os dias e o espanto não diminuiu. Ao contrário.

O nó da questão, resumidamente, para quem não leu a coluna da semana passada: a FATMA foi visitar a BMW na Alemanha, com “tudo pago” pela… BMW. Que, como todos sabemos, está aguardando que a Fatma aprove seu pedido de licenciamento da fábrica de Araquari, SC. Achei esquisitas duas coisas:

a) essa prática de pedir ao fiscalizado que pague uma viagem para “conhecer” uma fábrica parecida com a que será construída;

b) que à Alemanha tenham ido, além dos técnicos, diretores da Fatma, em clima quase de confraternização com a empresa cuja filial brasileira, em pouco tempo, terá que ser avaliada por eles “com o rigor da lei”.

Indignado com as minhas caneladas e principalmente com a publicação da tabela com as diárias recebidas pelo pessoal, o assessor de imprensa do presidente Gean disse (talvez sem querer) coisas muito importantes, confirmando algumas informações (os destaques são meus):

1. A CONFIRMAÇÃO DO PAGAMENTO

“Essa diária é ressarcida depois pela BMW. Eles não nos pagaram nada, ficamos hospedados e nos alimentamos com o dinheiro da diária. Nada foi pago pela BMW. Eles vão ressarcir o governo pelas diárias, uma obrigação do estudo ambiental.”

2. UMA OUTRA VIAGEM (A CINGAPURA)

“A diária internacional foi ressarcida pela empresa, assim como todas. É uma obrigação da licença.”

3. SEMPRE TEM QUE PAGAR UMA VISITA?

“Se ela tem outra fábrica no país, seria a visita a essa fábrica. Se não tem, a visita seria em uma fábrica de atividade semelhante. É um estudo ambiental em uma fábrica em funcionamento. Como os técnicos vão autorizar o funcionamento de uma fábrica sem saber na prática como ela funcionaria?

Não é interessante? Se eu quiser construir uma fábrica de parafusos em Santa Catarina, só posso ter o licenciamento ambiental se pagar a ida do pessoal da Fatma a uma fábrica de parafusos, para que eles possam “saber na prática” como funciona uma fábrica de parafusos.

E se a minha fábrica despertar algum interesse político mais relevante, pode ser que o presidente, diretores e até assessor de imprensa da Fatma queiram participar da viagem. Tudo dentro da “obrigação do estudo ambiental, uma obrigação da licença”.

Para desânimo dos eleitores/contribuintes, na Fatma essa aberração é tratada como uma coisa “natural”. Assustam-se com o meu espanto, xingam-me de tudo porque insisto em dizer que o rei está nu! Lamento informar que, apesar do esforço da assessoria em desqualificar o velho ranzinza e mostrar que uma linda roupagem legal, adornada com belíssimas normas, portarias e regulamentos lhe cobrem as vergonhas, o rei está indecentemente pelado.

Ranzinzices

FATMA voa nas asas da BMW

O RISCO AMBIENTAL

Trechinho extraído do RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) preparado pela Environ Brasil Engenharia Ambiental Ltda., para a BMW e protocolado na Fatma em abril do ano passado. O destaque para o potencial poluidor é meu:

“A Resolução n° 03/08 do Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA lista as atividades que são consideradas potencialmente causadoras de degradação ambiental, como é o caso da atividade de Fabricação ou Montagem de Veículos Rodoviários. Cada atividade possui um código considerando a sua natureza, o seu porte, bem como o estudo exigido para cada caso. Desta forma, de acordo com a resolução, o empreendimento se insere na seguinte classificação:
– Natureza: 14.30.00 – Fabricação ou montagem de veículos rodoviários, aeroviários e navais, peças e acessórios;
– Potencial Poluidor/Degradador:
Ar: Grande; Água: Grande; Solo: Médio; Geral: Grande;

– Porte: AU > = 1: Grande;
– Estudo exigido: Estudo de Impacto Ambiental.”

EMPRESA ALEMÃ LEVA TURMA DA FATMA PRA EUROPA

Queridos leitores e amantíssimas leitoras, tenho boas e más notícias. Primeiro a boa notícia: a comitiva da Fatma que viajou à Europa dia 19 de janeiro e retorna no próximo dia 28, foi convidada pela BMW que, portanto, banca as despesas. Teoricamente não ocorrerá qualquer pagamento de diárias com dinheiro público. Teoricamente, claro.

E agora a má notícia: a Fatma é o órgão responsável pela análise do impacto ambiental da nova fábrica da BMW em Santa Catarina. Deveria dar-se ao respeito e tentar, pelo menos, manter as aparências.

Que a BMW esteja disposta a fazer muitas gentilezas e a bancar passeios transatlânticos, é compreensível e até, de certa forma, esperado. Afinal, não está em jogo pouca coisa, nem pouco dinheiro. O que não deveria acontecer, é o presidente da Fatma aceitar os mimos. Como se não fosse nada demais.

A partir desse passeio patrocinado pela empresa que ela deveria avaliar com isenção, o parecer da Fatma está comprometido. Esperava-se que a Fatma levasse em conta unicamente a legislação brasileira. Sem dar bola para gentilezas e presentinhos. Confraternizar com o fiscalizado é uma coisa que, em qualquer estado sério, de qualquer país que tenha vergonha na cara, teria sérias consequencias para o presidente Gean e seus colegas de diretoria.

INÚTIL VIAGEM

Tem algum sentido essa visita, em termos do que a Fatma precisa fazer para licenciar (ou não) a fábrica da BMW? Na minha impertinente opinião, não. Nenhum.

Pra começo de conversa, a legislação européia é diferente da legislação brasileira. A fábrica no Brasil será diferente da fábrica na Alemanha pelo simples fato de estar… no Brasil. Sujeita a normas, regulamentos e legislação específicos deste país.

A Fatma terá que ater-se unicamente ao que diz a nossa legislação e, com base nisso, avaliar o que efetivamente foi feito em Araquari. Não pode (ou pelo menos não deveria) levar em conta qualquer instalação da empresa na Europa. Portanto, esse passeio só complica a vida dos técnicos da Fatma. Não ajuda em nada. E a presença do presidente Gean Loureiro só amplia os problemas éticos e morais.

VISITA TÉCNICA É OUTRA COISA

Antes que me entendam mal, permitam-me esclarecer um ponto: acho que viajar e conhecer outras realidades é sempre enriquecedor. No caso da Fatma, de tempos em tempos seus técnicos poderiam fazer viagens de estudo a outros países para, em contato com órgãos locais de fiscalização, entender como lidam, lá fora, com os vários interesses econômicos e como é feito o trabalho de contenção dos danos ambientais. Poderiam até visitar várias empresas, sem qualquer problema. Desde que as passagens e as diárias não fossem pagas por fiscalizados.

O que salta aos olhos e nos enche de indignação, neste caso específico, é o fato de que o patrocinador da viagem está com processo tramitando na Fatma, órgão encarregado de fazer o licenciamento ambiental.

Os excessivamente otimistas dirão que os técnicos da Fatma, na hora de examinar as instalações da fabrica de Araquari, se não estiver tudo muito nos conformes, darão parecer contrário, ainda que tenham passeado às custas da BMW.

Mas eu, infelizmente, não estou entre esses. Sorry.

Fatma na BMW

...

Na foto acima, capturada no facebook do assessor de imprensa da Fatma, Bruno Oliveira, o pessoal posa ao lado de um carro BMW, numa das sedes da empresa na Alemanha. O presidente da Fatma, Gean Loureiro, é o terceiro, da direita para a esquerda, aquele que não consegue desgrudar os olhos do carrão. Segundo a Fatma, além do presidente viajaram o chefe de gabinete, Constâncio Maciel, um gerente da área técnica, e duas das moças da foto, que são técnicas. Ah, claro, e o assessor de impresa, para fotografar e registrar tudo. Só que, até ontem, não tinha notícia nenhuma sobre a visita no site da Fatma.

VIAGEM “JÁ PREVISTA NA LICENÇA”

Depois de ter escrito a coluna acima (que saiu hoje no Diarinho), recebi do Bruno Oliveira, assessor do Gean Loureiro que acompanha a comitiva, a seguinte mensagem:

“Olá, Cesar, tudo bem? Esse tipo de vistoria faz parte do licenciamento da Fatma, para conhecer o funcionamento da fábrica e poder avaliar possíveis adequações às legislações ambientais do Brasil. As despesas de viagem são pagas pela empresa, já prevista na licença.

Se precisar, tenho fotos e informações da vistoria nas duas fábricas e encontros com as autoridades ambientais da Bavaria.”

A explicação, que tenta dar um caráter de naturalidade e coisa “prevista” ao passeio patrocinado, não alivia em nada a posição da Fatma nem altera minha discordância. Como disse acima, se realmente alguém acha importante conversar com as autoridades ambientais dos lugares que hospedam fábricas da BMW, que vá até lá (ou faça uma teleconferência) com recursos próprios. Sem favores e patrocínios da parte diretamente interessada. Não existe almoço grátis. E nem viagem.

Caraminholas

Pense imóveis!

Lotes grátis!

Plantão permanente. Traga a família.

Ranzinzices

O mais lerdo avoa!

O rally dos deputados

O grande rally dos sertões!


Essa imprensa desocupada, que vive querendo subverter a ordem das coisas, agora resolveu implicar com os pobres dos deputados estaduais, só porque boa parte deles têm montes de multas nos carrinhos que usam para suas campanhas eleitorais permanentes.

Ora vejam só, se não é o fim do mundo: se as multas foram pagas automaticamente (desconto em folha, no polpudo pagamento dos deputados), qual é o problema?

A Assembléia Legislativa aluga 55 carros para os 40 deputados (carros-reserva?). Paga uma mixaria, só R$ 1,8 milhão por ano. E os deputados saem, estado afora, usufruindo da melhor maneira as condições excepcionais que nós todos, com nossos impostos, lhes fornecemos. E vocês sabem, um deputado nunca para. Está sempre em campanha. Fazendo favores, fazendo discursos, apertando mãos, consultando “as bases”, levando recados, portando encomendas… um trabalhão.

Não é à toa que nós lhes pagamos tão bem. Pagamos inclusivemente as multas das infrações que eles e seus motoristas descuidados cometem. E aí o que querem esses jornalistas intrometidos? Que, além de serem deputados, os caras ainda tivessem que respeitar a leis, como se fossem mortais comuns? Ora faça-me o favor!

E ainda expõem os nomes de deputados honrados e apenas um pouco apressados, numa reportagem tendenciosa. Fiquei com pena do Dóia Guglielmi, que confessou candidamente que às vezes manda o motorista acelerar pra não se atrasar pros compromissos. Do Jailson Lima, que na melhor tradição da velha política, disse que não sabia de nada e que iria puxar a orelha de quem tivesse cometido alguma infração. E do nosso conhecido Volnei Morastoni, tadinho, vítima de uma evidente armação. Ele é, provavelmente, um dos poucos brasileiros multados porque estacionou em vaga de deficiente físico. Qual a chance disso ocorrer no dia a dia? Nenhuma! Um monte de sem noção para em vaga exclusiva e ninguém faz nada, ninguém multa!

Mas foi só o Morastoni parar ali que alguém dedurou e alguém caneteou. Puro preconceito contra deputados estaduais bonzinhos. Ah, ele acha a multa indevida porque, naquele momento, ele estava inválido (tinha se acidentado). Ainda mais essa!

O fato é que desrespeitar as leis de trânsito, diante de outros desrespeitos praticados por políticos municipais, estaduais e federais, parece mesmo uma coisa menor. Claro que, se um ciclista ou pedestre imprevidente cruzar a frente de algum desses deputados apressados, causando dano ao carrinho alugado da Alesc, será também multado por obstrução de via pública e impedimento do livre trânsito de alguém com mandato popular e autorização para correr.

Florianópolis

Aqui a gente paga

A novela do IPTU

Cada capítulo é um tapa na cara do contribuinte...

Como toda boa novela, esta também tem capítulos emocionantes, com um suspense de arrepiar. Semana passada o prefeito Cesinha Jr. decretou os índices de aumento. Na sexta, o Tribunal de Justiça suspendeu o aumento e hoje, no momento em que vocês estiverem lendo isso, pode ser que a liminar já tenha sido substituída e os aumentos tenham voltado a valer.

Não dá pra perder nenhum capítulo, porque senão o contribuinte é capaz de não saber mais quem casou com quem ou quem está sacaneando quem.

Como todo contribuinte/eleitor sou, em princípio contra qualquer aumento que não seja da qualidade dos serviços prestados ao público. E, como todo mundo, fiquei chateado e intrigado quando vi, na simulação do aumento, que meu apartamento teria um aumento de 40% e a minha garagem, no mesmo prédio, de 80%!

Aí saiu a notícia de que o Sinduscon (Sindicatos da Indústria da Construção Civil) e o Secovi (Sindicato dos Edifícios Condominiais Residenciais e Comerciais) entraram com uma ação contra o aumento do IPTU. Pronto, meu coração balançou. Se os construtores, que há décadas vêm concretando a ilha, ficaram incomodados, então a coisa não deve ser tão ruim, pensei cá com os meus botões.

Ontem, no momento em que escrevia isto aqui, a proibição provisória do aumento ainda se mantinha. Os incorporadores, alguns dos quais levariam um taquaraço de 800% nos seus terrenos de especulação, comemoravam alegremente. No meu canto, quieto, botei as barbas de molho. Porque tá mesmo um calorão danado.

Tolices

Radar by Raimundo

Se o Raimundo não fosse lá aprovar, os gringos ficariam inseguros

Raimundo e o radar

John Raymundis nos Istaites. Foto James Tovarish/Secom

O governador, segundo a notícia distribuída pelo… governo, “aprovou os testes do radar”. Ainda bem, sempre é bom ter o parecer de um grande especialista.

Florianópolis

Outro Amin prefeito

Depois do pai e da mãe, o Amin Jr. vira prefeito. Por uns dias.

Amin Jr prefeito

Taí o Amin Jr. prefeito. Fotos da Petra Mafalda/PMF

O prefeito 1 (Cesinha Jr.) tirou uma semaninha de férias para que o prefeito 2 (João Amin) pudesse colocar pulseirinhas nas crianças e andar de barco com a imprensa.

Florianópolis

Aumento no IPTU dos outros…

Cesinha Jr. mete um “impostaço” na capital e a galera esperneia

Cesinha e o dedinho

Cesinha e o dedinho nas alturas. Foto de Petra Mafalda/PMF

Os prefeitos anteriores, espertos, até estudaram o reajuste, mas não tiveram peito pra implantar. O chororô tá grande e as orelhinhas do Jr estão ardendo.

Caraminholas

A vida é bela!

Dr. Moreira e Raimundo, sorridentes

Quá-qua-ra-quá-quá! Foto: Jaqueline Noceti/Secom


A foto acima, com os dois governadores rindo a bandeiras despregadas, foi tirada em Urubici, no último dia 8 de janeiro, no exato momento em que o governador 1 (João Raimundo, o mais gordinho) transmitia o cargo para o governador 2 (Dr. Moreira, o mais magrinho). Neste momento, o governador 1 está nos Estados Unidos. Ontem foi fiscalizar a construção do radar meteorológico, na própria fábrica. Vocês sabem que, se o governador, que é um sabe-tudo de mão cheia, não fosse lá, era capaz da fábrica entregar um radar com defeito. Mas agora que ele foi vistoriar, podemos ficar tranquilos.

E por que ou do que riem tanto os dois governadores? Ora, porque a vida é bela. Tudo vai bem, chegamos a mais um ano eleitoral, o estado não tem problemas, há educação de qualidade para as crianças, segurança pública abundante para todos, saneamento básico praticamente resolvido (o que não está pronto está em construção)… não tem por que não levar a vida na flauta. Ainda mais porque, a cada viagem, abrem-se as oportunidades de negócio, que sempre trazem mais alegria.

Florianópolis

IPTU é só alegria

O momento sempre alegre de atualizar os valores do IPTU faz com que os prefeitos também abram sorrisos, tal qual os governadores.

Em Florianópolis, o prefeito Cesinha Jr. está que é uma felicidade só. Conseguiu tratorar a Câmara para que fosse feita uma atualização na tal “Planta Genérica de Valores”, que estava congelada desde 1997.

O proprietário de imóvel que for mais sortudo, vai levar uma carcada de “apenas” 25%. Os que tiverem terrenos em zonas consideradas de alta valorização, podem ser reajustados em até 250%. A prefeitura garante que só uns 818 terrenos levarão o aumento máximo. E tenta acalmar os ânimos dizendo que 21,4 mil imóveis terão redução dos valores pagos e 54 mil pagarão apenas R$ 20,00 por ano.

Desde ontem, no site da prefeitura (www.pmf.sc.gov.br), com a inscrição do imóvel e o cpf é possível calcular o tamanho da taquarada. Quem se sentir injustiçado pode entrar com recurso. Os carnês serão distribuídos em fevereiro e a cota única, com 20% de desconto, vence em março.

Ranzinzices

O imortal

Sarney, o imortal

Molecagem sobre foto de Lia de Paula/Ag. Senado

Ranzinzices

A CONTINHA

diário oficial

É dando que se recebe!

O generoso governo de Santa Catarina, para fazer a alegria dos famosos que nos procuram em busca de “apoio”, só não dá as calças porque elas já foram dadas para o BNDES, como garantia de empréstimos bilionários. Olhaí, na foto, o registro da continha que pagamos, todos nós, para a turma do kart se divertir.

Bem-vindo ao De Olho na Capital

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