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	<title>De Olho na Capital &#187; Jornalismo</title>
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	<description>O blog do Cesar Valente</description>
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		<title>Uma bela duma bronca!</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 11:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O comentário indignado, oportuno e muito bem articulado da Neila Medeiros, no SBT Brasília. Ah, se todos fossem iguais a você&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comentário indignado, oportuno e muito bem articulado da Neila Medeiros, no SBT Brasília. Ah, se todos fossem iguais a você&#8230;<br />
<iframe width="500" height="369" src="http://www.youtube.com/embed/v8PKqrejgfI?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>O jornalismo, esse desconhecido</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/12/16/o-jornalismo-esse-desconhecido/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 17:11:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[ADVERTÊNCIA: o Ministério dos Posts Enormes adverte que o texto abaixo é enorme e pode causar sonolência, irritação e flatulência. Há ainda alguns efeitos colaterais não completamente documentados. A persistirem os sintomas, mude de canal. A morte do Mosquito trouxe novamente à tona um assunto que circula faz tempo nas mesas de bar. Tanto dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>ADVERTÊNCIA:</strong> o Ministério dos Posts Enormes adverte que o texto abaixo é enorme e pode causar sonolência, irritação e flatulência. Há ainda alguns efeitos colaterais não completamente documentados. A persistirem os sintomas, mude de canal.</p></blockquote>
<p>A morte do Mosquito trouxe novamente à tona um assunto que circula faz tempo nas mesas de bar. Tanto dos botecos onde se reúnem jornalistas, quanto aqueles que abrigam gente de outras profissões que começa a entender as possibilidades da internet e dos aparelhinhos digitais de imagem e som. E, em certas rodas, até ganhou um nome sofisticado: &#8220;jornalismo cidadão&#8221;.</p>
<p>Trata-se do seguinte: coletar e distribuir informações é algo acessível a qualquer um. Não é preciso mais ter um jornal, ou emissoras de rádio e TV, com suas instalações caras e equipamentos importados, para distribuir &#8220;notícias&#8221;. Nem mesmo para ter uma grande audiência é necessário investir muito dinheiro.</p>
<p>Com uma câmera digital baratinha, um computador que custa uma fração do que custava há dez anos e um acesso quase gratuito à internet, qualquer um pode se estabelecer na &#8220;rede&#8221; como &#8220;jornalista&#8221;. Ou fofoqueiro. Ou candidato a celebridade.</p>
<p>Nesse cenário, a discussão sobre obrigatoriedade de diploma de curso superior para exercer o jornalismo fica meio sem sentido. Afinal, antes ou, vá lá, junto com o STF, o mundo real deu as condições para que qualquer um, em qualquer lugar, pudesse exercer o jornalismo.</p>
<p>Aí já ouço o pessoal se remexer nas cadeiras, inquieto. Mas é isso mesmo: não é mais o custo da tecnologia, do <em>hardware</em>, ou do <em>software</em>, que define o jornalismo. E jornalismo não é mais exclusividade de pessoas jurídicas (que o governo brasileiro insiste em tributar de montão). Uma pessoa física, na solidão de sua casa na Pedra Branca, ou numa mesa da Kibelândia, tem as mesmas condições de acesso e distribuição de informações que os empregados do Notícias do Dia, ou do Diário Catarinense.</p>
<p>Em alguns comentários <em>post-mortem</em>, surgiu a discussão sobre se o que o Mosquito fazia era jornalismo ou não. É interessante que a discussão mais antiga, sobre se alguém é jornalista (ou tem o direito de ser jornalista) foi ultrapassada pela questão mais recente: isso que está publicado é jornalismo ou não?</p>
<p>E afinal, o que é jornalismo?</p>
<p>Essa é uma daquelas perguntas curtinhas cuja resposta pode encher todas as páginas de um&#8230; jornal. Antigamente era fácil: jornalismo é a profissão daqueles que trabalham em jornais, agências de notícias e nos departamentos de jornalismo de rádios e TVs. Mas, como vimos, isso acabou. O que nos obriga a mergulhar um pouco mais fundo.</p>
<p>Jornalismo é a coleta e distribuição de informações. Mais precisamente, de notícias. Notícia é a informação inédita, recente, relevante. O cidadão que viu um acidente, fotografou ou filmou com seu celular e divulgou no tuíter ou no facebook, distribuiu uma informação, deu uma notícia ou melhor, como se diz no jargão, um &#8220;flash&#8221;. A informação preliminar, urgente, publicada às pressas. E, por isso, em geral incompleta.</p>
<p>Ele pode perfeitamente continuar no local, ampliando a informação. Se tiver um pouco de bom senso, souber se expressar e dominar meia dúzia de técnicas, poderá até prestar um serviço igual ou melhor que prestaria um jornalista &#8220;profissional&#8221;. E o conjunto de &#8220;posts&#8221; poderá conter uma notícia completa, bem contada e correta.</p>
<p>A meu ver, o fato do sujeito não ser jornalista ou de não exercer profissionalmente o jornalismo, não desmerece em nada seu relato.</p>
<p>O que compromete, complica e arruina qualquer notícia é sua inexatidão, a mistura de informação com opinião, os erros de linguagem e a falta de dados fundamentais. E notícias mal escritas, mal editadas ou maldosamente construídas, a gente tá arriscado a encontrar em qualquer lugar: no blog do amador deslumbrado ou nos veículos da &#8220;grande imprensa&#8221;.</p>
<p>E boa parte dos leitores (espero!) sabe distinguir um texto ruim de um texto bom. Voltando ao caso do Mosquito, tenho certeza que seus leitores sabiam separar a adjetivação da informação. E seu prestígio não se sustentava só no texto desbocado mas porque, no fundo de toda a indignação, o leitor percebia que havia ali alguma notícia relevante. Claro que havia também os malinos que se divertiam apenas com a lama, mas essa é outra história.</p>
<p>Portanto, torna-se cada vez mais irrelevante a formação de quem distribui a informação (ou cria conteúdo, como gostam de dizer alguns). Mas é cada vez mais importante saber a quem ou ao que serve aquela informação. E a quem interessa que ela seja divulgada daquela forma.</p>
<p>Vocês sabem que a coisa mais fácil do mundo é fazer uma coluna de notinhas ou encher páginas de jornal, ou metros e metros de blogs com &#8220;notícias&#8221;. Existem milhões de assessorias de imprensa ansiosas por publicar informações de seus assessorados. Montões de políticos e outras personalidades oferecem todos os dias toneladas de texto e imagens, tanto a seu próprio favor, quanto em desfavor de seus adversários. E as &#8221;fontes&#8221; ligam para &#8220;todo mundo&#8221; sussurrando informações &#8220;exclusivas&#8221; que desejam ver publicadas.</p>
<p>Só que a melhor informação, a notícia mais &#8220;quente&#8221;, é aquela que alguém não gostaria de ver publicada. O que tentam esconder (principalmente se envolve dinheiro público), é que rende boas reportagens. E aí, o amador bem intencionado terá mais dificuldade.</p>
<p>Estão me acompanhando? Qualquer um pode coletar e divulgar informações. Mas se não estiver profissionalmente envolvido com esse mister e não tiver aprendido as técnicas necessárias para driblar os vendedores de facilidades, provavelmente vai acabar servindo de inocente útil. Laranja informativo, que publica o que lhe passaram achando que está prestando um serviço público e está apenas participando de um jogo sujo que ele não conhece e não domina.</p>
<p>Sim, sim, isso acontece com frequencia mesmo em ambientes &#8220;profissionais&#8221;. Muitos coleguinhas carecem de desconfiômetro e embarcam na fala mansa da &#8220;fonte&#8221;. Uns poucos (pelo menos torço para que sejam poucos) participam claramente do jogo de interesses e são premiados com agradinhos os mais variados.</p>
<p>A jovem sentada lá ao fundo levanta a mão e pergunta: &#8220;mas o Mosquito e tantos outros, ao divulgar denúncias passadas anonimamente, também não estão servindo de laranjas?&#8221; Claro. Mas este é o jogo dos blogs e veículos comprometidos com alguma causa. Tudo o que estiver de acordo com a causa, com a tese defendida ali, ganha acolhida e destaque. &#8220;Mas então o Mosquito não era independente?&#8221; Era no sentido de não ter ligações formais com empresas, pessoas ou entidades, mas a sua militância evidente, em defesa de uma causa, o colocava entre aqueles veículos que a gente precisava ler com certas precauções. E alguma cautela.</p>
<p>É bom para a democracia, para a vida em sociedade, para o avanço da cultura política, que todo tipo de informação circule. Mesmo aquelas empanadas em palavrões. Ou embutidas em adjetivos fortes. Não tenho saudade do tempo em que a única forma de se fazer circular informações alternativas era usar furtivamente o mimeógrafo da escola. As coisas melhoraram muito e essa facilidade que temos todos de nos expressar e tornar nossas palavras acessíveis ao mundo todo, é um avanço espetacular.</p>
<p>Só que agora, como antes, continuam existindo a fofoca, a conversa de mesa de bar, o anúncio alarmista, a calúnia pura e simples, a mentira, o aleivo e outras variantes. A informação confiável, em que a gente pode acreditar sistematicamente, que está na base dessa coisa complicada conhecida genericamente como jornalismo, era relativamente rara e ainda é. Mas assim como &#8220;todo mundo&#8221; está aprendendo a se expressar na internet, também está, espero, aprendendo a ver que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.</p>
<p>OK, chega por hoje. Uma boa hora feliz de sexta e um fim de semana revigorante.</p>
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		<title>Passaralho diplomado</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 15:14:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Trago, para vosso deleite, duas notícias de ontem. A primeira, informando sobre os movimentos intestinos do mercado. Demissões se antecipam ao Natal O segundo semestre, apesar do bom desempenho da economia em geral e do segmento de mídia, em particular, não foi bom para o mercado profissional e tudo faz crer, pelos vários rumores, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trago, para vosso deleite, duas notícias de ontem. A primeira, informando sobre os movimentos intestinos do mercado.</p>
<blockquote><p><strong>Demissões se antecipam ao Natal</strong></p>
<p>O segundo semestre, apesar do bom desempenho da economia em geral e do segmento de mídia, em particular, não foi bom para o mercado profissional e tudo faz crer, pelos vários rumores, que isso continuará. O primeiro veículo a promover demissões foi o iG, com 30 cortes, seguido da MTV, do Grupo Abril, com 43.<br />
Também a Folha de S.Paulo promoveu cortes, sem que ainda se tenha o número exato, mas que pode chegar a 40. Nesta semana, a Editora Globo fez o mesmo, mas, como a Folha, deixou no ar a incógnita sobre o número de cortes. Há fortes rumores de que duas outras grandes empresas de São Paulo estariam preparando reduções significativas ainda este ano. A conferir&#8221;.</p>
<p>(Boletim Jornalistas&amp;Cia)</p></blockquote>
<p>A segunda, informando sobre uma votação que, a rigor, não muda nada, porque é apenas o início de um longo processo, mas acendeu lampejos de esperança em muita gente.</p>
<blockquote><p>&#8220;<strong>Senado aprova em primeiro turno exigência de diploma para jornalista</strong></p>
<p>O plenário do Senado aprovou em primeiro turno, por 65 votos a favor e 7 contrários, na tarde desta quarta (30), a proposta de emenda constitucional 33/2009 que estabelece a exigência do diploma de curso superior como requisito para o exercício da profissão de jornalista. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência do diploma para jornalistas.</p>
<p>A emenda terá ainda de ser votada em segundo turno pelo plenário do Senado &#8211; não há data para essa votação. Se aprovada em segundo turno, vai para a Câmara dos Deputados, onde também terá de passar por dois turnos de votação. Se for modificada na Câmara, volta para nova apreciação do Senado&#8221;.</p>
<p>(Portal G1)</p></blockquote>
<p>Que tal agora, como exercício quintaferino, tentar relacionar uma coisa à outra? Tipo assim: que influência poderá ter a exigência ou não de um diploma universitário sobre o aumento ou redução de oportunidades de trabalho para jornalistas? Ou qualquer outra coisa que nos ocupe enquanto olhamos pela janela, esperando o tempo passar.</p>
<p>Ah, antes que alguns fiquem nervosos: também existe a possibilidade de nenhuma das duas notícias ser suficientemente importante para merecer qualquer reflexão. Afinal, o verão está chegando, com suas festas e sua paralisia e só voltaremos a funcionar normalmente depois do carnaval.</p>
<p><strong>EM TEMPO</strong></p>
<p>Como essa coisa é antiga, já expus minha opinião a respeito inúmeras vezes. <a href="http://www.deolhonacapital.com.br/2009/06/18/o-mercado-de-trabalho-dos-jornalistas/" target="_blank">Uma delas pode ser lida aqui</a>.</p>
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		<title>Meninos e meninas, eu vi(vi)!</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/08/25/meninos-e-meninas-eu-vivi/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 14:11:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma vez uma bucólica Florianópolis em que o Sindicato dos Jornalistas era &#8220;assim&#8221; com o governo estadual. O governo pagava o aluguel da sala, empregava os jornalistas, facilitava verbinhas para necessidades diversas e todos viviam felizes. Estamos na fervilhante década de 70. O Brasil era uma linda ditadura, onde os amigos do rei tinham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma vez uma bucólica Florianópolis em que o Sindicato dos Jornalistas era &#8220;assim&#8221; com o governo estadual. O governo pagava o aluguel da sala, empregava os jornalistas, facilitava verbinhas para necessidades diversas e todos viviam felizes.</p>
<p>Estamos na fervilhante década de 70. O Brasil era uma linda ditadura, onde os amigos do rei tinham tudo e os inimigos dos amigos passavam um cortado daqueles. Nem precisava ser, a rigor, comunista. Bastava ser de outra turma. Falar diferente. Dizer coisa que fosse de bom tom não dizer.</p>
<p>Alguns de nós, movidos pelos mais diferentes motivos (um dos quais modernamente seria conhecido como &#8220;vergonha alheia&#8221;), resolvemos que era necessário que nossos representantes oficiais, no &#8220;nosso&#8221; sindicato, fossem outros. Na época a gente chamava a turma que confraternizava demais com os patrões e com o governo (também um grande patrão), de pelegos. Pelego, vocês sabem, é aquele couro lanudo de ovelha que se coloca(va) sobre a montaria, para amortecer e suavizar o choque da honrada bunda do cavaleiro, com a espinha ossuda do cavalo (ou burro de carga). Era um sindicato pelego, que ajudava a manter a &#8220;pax romana&#8221; daqueles anos de chumbo.</p>
<p>Pois bem, foi criado um &#8220;Movimento de Oposição Sindical&#8221; para tentar tomar, pelo voto, o sindicato dos jornalistas. O começo foi duro, porque os ignorantões revolucionários sabiam tudo sobre conduzir uma assembléia e nada da legislação e da burocracia. Os pelegos sabem tudo de regulamentos, leis, decretos, emolumentos e são os reis da burocracia. Levamos um tempo até aprender direitinho todas as manhas.</p>
<p>Ajudei bastante o movimento. Coloquei dinheiro, tempo, esforço e o carro da família a serviço da &#8220;causa&#8221;. Viagens longas, até o oeste do estado, não eram problema. O entusiasmo era grande. Claro que, como nunca fui do PT e não fazia parte de nenhuma panela, ficava meio por fora na hora da divisão dos cargos.</p>
<p>Ainda que tenha ficado meio chateado, na época, com o escanteio, gostei de ter participado. E gostei ainda mais de ter mantido minha independência. Pode parecer coisa de maluco, mas prefiro assim.</p>
<p>Com o passar dos anos, a diretoria &#8220;não pelega&#8221; do Sindicato foi entrando no ritmo na república sindicalista da bananalândia. Eleições com chapa única, a busca do &#8220;consenso&#8221; e um alinhamento com o jeitão petista de transformar sindicato em emprego perpétuo, fizeram com que acabasse me desfiliando.</p>
<p>Quando morei em São Paulo, participei do sindicato de lá, dirigido pelo Fred Ghedini, em algumas tarefas. Acabei, por inevitável, me envolvendo na greve da Gazeta Mercantil de 2001 e, na fervura do movimento, desencantei-me também com os colegas paulistas. Embora os respeite até hoje.</p>
<p>Voltando a Florianópolis, acompanhei de longe, mas não muito, os eventos que resultaram na ascenção do grupo do Rubens Lunge e o alijamento do grupo anterior. Vejo a eleição de hoje como uma espécie de revanche. Uma tentativa de retorno de quem acabou sendo excluído.</p>
<p>Tinha várias críticas à forma como o sindicato vinha sendo conduzido antes dos Lunge Boys (and girls) assumirem e restrições ainda maiores ao estilo que a nova administração adotou. Não me sentia e não me sinto, representado. Nenhuma das discussões propostas me emociona. Alguns discursos de diretores do sindicato (das duas diretorias) me davam sono, outros apenas asco. Mantive-me, por isso, afastado.</p>
<p>Achei meio pretensiosa a idéia da chapa 2 lançar-se como &#8220;MOS&#8221;. Como se fosse uma reedição daquela luta épica, própria daquele momento histórico. Mas achei ótimo que finalmente a obscura diretoria atual tivesse oposição. Tenho mais amigos (e ex-alunos) na chapa 2 do que na chapa 1. Mas, a esta altura da vida, posso dar-me alguns luxos: se não respeito alguém, não preciso me alinhar a ele ou ela. Posso ficar de fora. E tem gente que não respeito, tanto na chapa 1, quanto na chapa 2. Em quem não votaria. A quem não gostaria de delegar mandato para me representar.</p>
<p>Por isso, só me restaram duas opções: criar ou ajudar a criar uma terceira chapa, para ter em quem votar, ou não me sindicalizar. Escolhi esta última. E acompanho o esdrúxulo processo eleitoral (é do jogo, ninguém larga a teta por vontade própria e fará tudo o que for possível para impedir que outros lhe tomem o lugar) feliz porque há uma disputa. As disputas são sempre saudáveis, por mais que algumas pessoas tenham medo do debate, achem bate-bocas nocivos ou se assustem com a gritaria. É melhor isso do que o silêncio indecente das eleições de chapa única, passagem untuosa de bastão, numa corrida de revezamento imoral. Ou, ainda pior: reeleições infinitas como se o sindicato fosse, ele próprio, uma CBF, ou uma FCF, ou uma Venezuela.</p>
<p>Espero que, entre mortos e feridos, apurado o resultado, o sindicato recomece a discutir seu papel e os jornalistas sintam a necessidade de serem representados, nas disputas trabalhistas e em outros embates profissionais, por uma entidade atuante e bem focada no que realmente interessa.</p>
<p>Ah, uma outra coisa: os sindicatos em geral fenecem por culpa de coleguinhas que participam alegremente da nominata da diretoria durante o processo eleitoral, mas depois não pegam no batente. Atuar honestamente num sindicato não é moleza. São horas de dedicação, trabalho, paciência e coragem para atender filiados sem educação. E a responsabilidade não pode ser colocada nas costas do candidato a presidente. É preciso ter um grupo grande, para carregar esse piano de cauda sem rodinhas, ou, se preferirem um andor pesadão de santo muito gordo, sobre a trilha tortuosa, pavimentada com o afiado e pontudo cascalho da ingratidão.</p>
<p>Ânimo, rapaziada. Não se deixem abater só porque a oposição faz oposição ou porque a situação se apega às filigranas que lhe permitirão uma sobrevida. Vão à luta. Boa sorte a todos e todas. E que na próxima eleição a gente tenha ainda mais motivos para se envolver, brigar, lançar múltiplas chapas e discutir nossa pobre, desqualificada e cobiçada profissão.</p>
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		<title>A bronca do Roger</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 18:57:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Assisti ontem, de longe e apenas em parte, a troca de farpas entre o Roger Bittencourt (dono da Fábrica, uma grande empresa de assessoria de comunicação) e alguns jornalistas, no tuíter. Tudo começou, até onde consegui ver, porque o implicante do Moacir Pereira ousou reclamar que o governo fechou ao acesso da imprensa uma reunião [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ontem, de longe e apenas em parte, a troca de farpas entre o Roger Bittencourt (dono da Fábrica, uma grande empresa de assessoria de comunicação) e alguns jornalistas, no tuíter. Tudo começou, até onde consegui ver, porque o implicante do Moacir Pereira ousou reclamar que o governo fechou ao acesso da imprensa uma reunião na Secretaria de Saúde onde trataria do complicado e encrencado mutirão de cirurgias.</p>
<p>O tema é polêmico: um jornalista pretende acompanhar um assunto de interesse público, numa repartição pública e o governo restringe o acesso&#8230;</p>
<p>O Roger tomou as dores da secretaria da saúde e começou a dar explicações, com tuitadas dirigidas ao decano da crônica política catarinense:</p>
<blockquote><p>@moapereira Moacir, ninguém foi vetado de entrar. A imprensa não foi convidada. Era uma reunião de trabalho e não para a plateia.</p>
<p>@moapereira O secretário tem atendido prontamente toda a imprensa diariamente, sem exceção. Você inclusive, sempre foi atendido.</p>
<p>@moapereira Não há qualquer segredo, o que há é gente fazendo sensacionalismo. O próprio secretário já declarou que há necessidade de ajustes</p></blockquote>
<p>Aí o Roger resolveu usar o argumento que iria ouriçar a galera: a comparação entre uma atividade privada e uma reunião pública sobre assunto público envolvendo interesse público:</p>
<blockquote><p>@moapereira Já pensou se amanhã eu apareço lá na reunião de pauta do DC sem ser convidado e peço para participar? Vão deixar?</p></blockquote>
<p>Pronto, a partir daí, as conversas paralelas (em geral via DM &#8212; direct message &#8212; que não é visível pelo &#8220;público&#8221; do tuíter), ferveram. Comentando, naturalmente, a propriedade ou impropriedade da comparação.</p>
<p>Como forma de encerrar o assunto, Roger ainda postou uma tuitada que, provavelmente com intuito de demonstrar boa vontade, levantou outra bolinha pra turma das conversas paralelas chutar: que poder tem esse moço! Ele não é, pelo menos que se saiba, oficialmente, o assessor de imprensa da secretaria da saúde, mas anuncia que pode interferir para o secretário dar qualquer resposta que por acaso tenha ficado pendente:</p>
<blockquote><p>@moapereira Em tempo, se ficou alguma pergunta sem resposta, por favor me avise que eu interfiro junto ao secretário para que ele responda.</p></blockquote>
<p>O Upiara Boschi, repórter do DC, entrou a certa altura na conversa, para um comentário mais ou menos óbvio:</p>
<blockquote><p>@RogerBitencourt @moapereira na hora de fechar as portas, sempre fazem a comparação com a iniciativa privada&#8230;</p></blockquote>
<p>Pronto, o Roger voltou à carga, com mais um argumento-espoleta (aquele que ajuda a detonar varios focos de discussão e reacende a polêmica):</p>
<blockquote><p>@upiara Então só pq é no setor público pode ser zoneado? Ou então agora vira regra: jornalista entra onde quer a qualquer hora&#8230;</p></blockquote>
<p>O Upiara, que estava discutindo a questão de reuniões fechadas ou não com a Cláudia de Conto (ex-funcionária da empresa do Roger e que agora é diretora de imprensa da Secretaria de Comunicação do governo Raimundo), ainda teve paciência para uma resposta (que considerei bem humorada, mas alguém pode achar maldosamente irônica) ao Roger:</p>
<blockquote><p>@RogerBitencourt deixar jornalista participar de reunião entre governo e entidades sobre um assunto específico é &#8220;zona&#8221;? Bom saber</p></blockquote>
<p>Tive que me segurar para não entrar na conversa. Retuitei uma coisa ou outra e fiz uma pergunta rápida ao Roger, mas não insisti. Era um terreno muito pantanoso, faltavam informações e havia coisa muito mais interessante acontecendo fora da internet.</p>
<p>Aí hoje resolvi recuperar parte da história, apenas para deixar registrado (é facílimo perder coisas no tuíter).</p>
<p><strong>TRANSPARÊNCIA, ESSA INCOMPREENDIDA</strong></p>
<p>Fora a questão do poder e do papel do Roger (que no momento não me interessa discutir nem conhecer em detalhes), o outro tema importante que aflorou na conversa foi o do acesso de jornalistas às reuniões do serviço público.</p>
<p>Embora discorde da forma como o Roger tratou do caso, concordo com a idéia de que existem momentos, mesmo na vida pública das repartições públicas, em que é preciso fazer reuniões fechadas. E existem formas de tornar transparentes e acessíveis aos cidadãos, os resultados e as providências tomadas nos gabinetes. </p>
<p>Não vejo grande problema em que o boa praça Roger Bittencourt, amigo de todos e, de fato, muito influente no governo, saia em defesa de seus considerados. O que surpreende, é a forma que escolheu para fazer isso, usando argumentos que ampliavam o incêndio, em vez de apagá-lo. Não foram, com certeza, argumentos &#8220;políticos&#8221; e o efeito principal (acalmar o Moacir e faze-lo entender que, embora tenha sido proibido de entrar numa reunião, teria acesso às conclusões), parece ter causado uma série de efeitos colaterais.</p>
<p>Bom, mas no final de tudo fico com uma tuitada magistral do Upiara, que resume bem o contexto e coloca as coisas nas suas devidas proporções:</p>
<blockquote><p>Um dos problemas do Twitter é que qualquer conversa estilo argumento/contra-argumento parece uma briga</p></blockquote>
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		<title>Imprensa &amp; governo</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 13:06:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, critiquei aqui (veja notas mais abaixo) o governo Raimundo Colombo que anunciava, com alarde, algumas medidas para a segurança da temporada de verão que, na minha opinião, são factóides que não irão aumentar a sensação de&#8230; segurança. Aí recebi vários e-mails e alguns comentários no blog, de gente querendo elogios – e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, critiquei aqui (veja notas mais abaixo) o governo Raimundo Colombo que anunciava, com  alarde, algumas medidas para a segurança da temporada de verão que, na minha opinião, são factóides que não irão aumentar a sensação de&#8230; segurança.</p>
<p>Aí recebi vários e-mails e alguns comentários no blog, de gente querendo elogios – e não críticas – ao governo Raimundo. Que, segundo eles, estava fazendo alguma coisa muito boa.</p>
<p>Ora, o básico da segurança pública não está garantido, há carências enormes em várias áreas e setores, há problemas antigos a serem solucionados e o governo vem com mais câmeras, mais tecnologia, mais aparelhos caros adquiridos sem licitação. Pode?</p>
<p>E já que estamos falando em parafernália tecnológica, como estão sendo usadas e para que servem as câmeras de vigilância já instaladas? Têm sido auxiliares na prevenção de crimes, ou servem apenas para, depois da casa arrombada, ver o que ocorreu e mostrar na TV? Tem gente acordada e preparada à frente dos monitores? Tem viaturas de prontidão para agir?</p>
<p>Ontem mesmo, na TV, uma pobre vítima de assalto à luz do dia, na bela Lagoa da Conceição, em Florianópolis, mostrava as deficiências estruturais da polícia, que não teve como perseguir e capturar o assaltante.</p>
<p>Frequentemente os bandidos “fogem” a pé. E a população fica sem ter a quem recorrer. Chama a polícia, mas a polícia não vem.</p>
<p>E isso que nem começamos a falar da saúde pública. Ou do ensino fundamental.</p>
<p>Mas, se depender dos amigos, dos cabos eleitorais, dos puxassacos e de uma certa imprensa que se vende por dois tostões, as autoridades só receberão elogios. Porque, para essa gente, desde que sua boquinha esteja garantida, está tudo bem. Tudo é maravilhoso. Os problemas nem merecem ser citados, porque o magnânimo e competentíssimo chefe está “tomando providências”.</p>
<p>Asco. Asco e nojo de picaretas que deturpam a função essencial do jornalismo. Cansaço de ver dinheiro público ser derramados às toneladas nos bolsos famintos dos ladrões bem vestidos e bem falantes. Por isso reproduzo, a seguir, em letras bem grandes, três parágrafos do brilhante discurso que o jornalista Luiz Cláudio Cunha fez <a href="http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5052" target="_blank">em maio, na Universidade de Brasília</a>. Sintetiza, com grande clareza, o que devemos e podemos fazer. E sinaliza, com precisão, o que não podemos e não devemos fazer.</p>
<div id="attachment_10019" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><img class="size-full wp-image-10019" title="donc-lcc-imprensaegoverno" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/08/donc-lcc-imprensaegoverno.jpg" alt="imprensa e governo" width="350" height="929" /><p class="wp-caption-text">Fácil de entender, difícil de praticar...</p></div>
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		<title>O custo do (bom) jornalismo</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/07/28/o-custo-do-bom-jornalismo/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 14:46:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava lendo algumas coisas no arquivo, preparando-me para fazer uma matéria para o jornal da Associação Nacional dos Jornais sobre a cobrança de conteúdos jornalísticos na internet, quando encontrei este texto, que publiquei aqui no blog em 8 de dezembro de 2008. E trouxe pra cá, porque a discussão continua acesa, e muito atual. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava lendo algumas coisas no arquivo, preparando-me para fazer uma matéria para o jornal da Associação Nacional dos Jornais sobre a cobrança de conteúdos jornalísticos na internet, quando encontrei este texto, que publiquei aqui no blog em 8 de dezembro de 2008. E trouxe pra cá, porque a discussão continua acesa, e muito atual.</p>
<p><em>A rede pública de rádio dos Estados Unidos (<a href="http://www.npr.org/" target="_blank">npr.org</a>) divulgou hoje (8/12/2008) uma entrevista com o editor executivo do The New York Times, Bill Keller sobre o momento que vivem os jornais, com essa crise e tudo o mais (<a href="http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=97750125" target="_blank">leia o resumo e ouça, aqui,</a> em inglês). E o <a href="http://www.editorsweblog.org/newsrooms_and_journalism/2008/12/opinion_nyt_executive_editor_shortage_of.php" target="_blank">blog do Forum Mundial de Editores</a> chama a atenção para um detalhe importante da entrevista: a escassez do que ele chama de “jornalismo de qualidade”.</em></p>
<p><em>E a questão central é o fato de que jornalismo não é barato. Fazer um blog de opinião é uma pechincha, não se gasta quase nada, a não ser a paciência dos leitores. Mas fazer jornalismo é caro. Como diz Mr. Keller, “não se encontra blogs ou websites sem finalidade lucrativa capazes de instalar um escritório em Bagdá”.</p>
<p>Bom jornalismo é caro mesmo. Esta é uma constatação a que muitos donos de veículos de comunicação já chegaram. E não é à toa que fazem o que fazem. Há um descompasso grave entre o que os esquemas comerciais das emissoras conseguem faturar com o bom jornalismo e o seu custo.</p>
<p>Claro que não seria necessário descer aos porões fétidos em que alguns departamentos de jornalismo se meteram, produzindo uma coisa gosmenta que chamam de “jornalismo positivo” ou “entretenimento informativo”, mas a verdade é que se espalhou uma convicção perniciosa, de que jornalismo só dá prejuízo.</p>
<p>E o bom jornalismo, além disso, aparece, para os incultos dirigentes de vários veículos de comunicação, como um risco permanente. Isso de ter que noticiar o que for notícia e o que possa interessar à maioria, é muito perigoso. E se algum anunciante, um amigo da casa, o filho nervosinho de alguma autoridade envolver-se com a lei, com o crime, meter os pés pelas mãos? O dono da empresa quer ter o poder de adocicar a notícia, de fazer o fato curvar-se à sua vontade e entregar uma versão rósea de parte do mundo. Da mesma forma, dependendo de quem se trata, eles sonham pintar com cores fortes e catastróficas uma coisa que, de outra forma, nem seria notícia.</p>
<p>O resultado dessa convergência perversa de fatores é que o leitor, espectador, cidadão que depende de informação para cumprir sua parte na organização e manutenção da vida em sociedade, recebe uma alimentação pobre de nutrientes. Em vez de um feijão com arroz e bife, salada, suco, sobremesa e mais uns tantos complementos saborosos e saudáveis, acaba sendo submetido a uma dieta rala, de sopinha insossa, sem a proteína e sem as fibras que as informações bem apuradas e bem apresentadas geralmente contém.</p>
<p>E para os (bons) profissionais a pior conseqüência é que muita gente passa a acreditar que jornalismo é isso aí, que é apresentado como sendo. E se não se produz jornalismo de qualidade, então não há necessidade de jornalistas de qualidade. Pra fazer o que muitos veículos usam para preencher os espaços “jornalísticos”, de fato, qualquer um serve.</p>
<p>Mas não deixem-se abater pelo tom aparentemente negativo deste comentário. O editor do NYT, quando perguntado, na entrevista que citei acima, qual seria a manchete do jornal, para este momento, nesta conjuntura, respondeu: “Nós sobreviveremos”.</p>
<p></em></p>
<p><em>O momento não é dos mais felizes, para aqueles que se preocupam com a qualidade da informação que está disponível para a maior parte da população, os esforços daqueles que tentam prestar um bom serviço não são reconhecidos, mas também gosto de pensar que acabaremos sobrevivendo. </em></p>
<p><strong>A PROPÓSITO</strong></p>
<p>Termina amanhã (sexta, 29/7/2011) o prazo para que os jornalistas catarinenses regularizem suas situações junto ao caixa do sindicato dos jornalistas, para que possam votar na eleição do próximo mês. Tem duas chapas na disputa: a situação e a oposição. A de oposição é composta por várias pessoas que já dirigiram o sindicato e algumas caras novas. A situação é isso que está aí. Mais informações <a href="http://jornalistas-sc.blogspot.com/" target="_blank">no site da chapa de oposição</a>, ou no <a href="http://www.sjsc.org.br/" target="_blank">site do sindicato</a>.</p>
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		<title>Um &#8220;papo de redação&#8221; em Brusque</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jul 2011 16:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Na sexta-feira fui a Brusque, conduzido pelo Osmar Schlindwein, a convite do jornal O Município. Depois do almoço (come-se muito bem em Brusque), fomos para a sala de reuniões do jornal, onde Osmar e eu conversamos com a turma sobre&#8230; jornalismo, claro. O Município é o principal jornal da região, fundado em 1954 como semanário. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na sexta-feira fui a Brusque, conduzido pelo Osmar Schlindwein, a convite do jornal O Município. Depois do almoço (come-se muito bem em Brusque), fomos para a sala de reuniões do jornal, onde Osmar e eu conversamos com a turma sobre&#8230; jornalismo, claro.</p>
<p>O Município é o principal jornal da região, fundado em 1954 como semanário. Há alguns anos passou a diário, com o nome &#8220;Município Dia a Dia&#8221;. Tem uma redação pequena, enxuta, mas muito profissional, que produz um jornal que tem grande circulação e parece agradar bastante os seus leitores. Pelo que vi, o pessoal se preocupa em discutir as principais questões da prática cotidiana do jornalismo, para não ficar pra trás.</p>
<p>Quando eu era coordenador do curso de jornalismo da UFSC e íamos publicar o primeiro número do nosso primeiro jornal laboratório, fui dos que &#8220;votou&#8221; para faze-lo nas oficinas do O Município de Brusque. Queria que os alunos tivessem a experiência de desenhar, diagramar e produzir um jornal numa gráfica tradicional, com textos compostos em linotipo, títulos em composição manual e impressão tipográfica plana. Começando do zero. Porque sabia que logo só encontraríamos gráficas com composição a frio e impressão off-set. Portanto, o primeiro jornal laboratório, do primeiro curso de jornalismo de Santa Catarina, foi impresso em Brusque. No O Município.</p>
<p>Hoje o jornal utiliza o parque gráfico do Jornal de Santa Catarina, em Blumenau, que lhe permite ter impressão colorida em todas as páginas. A distribuição é feita por uma equipe própria.</p>
<p>Bom, a conversa, como verão abaixo, foi numa sala de reuniões com uma mesa oval. Difícil conseguir uma foto em que apareçam todos. A certa altura, passei minha câmera pro pessoal e pedi que cada um tirasse uma foto, do ângulo de onde estivesse sentado ou sentada. O resultado está a seguir, com vários pontos de vista de um mesmo encontro.</p>
<div id="attachment_9937" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9937" title="donc-brusque1" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque1.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Olha eu aí, tocando um piano imaginário, de olho na cuca.</p></div>
<div id="attachment_9938" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9938" title="donc-brusque2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque2.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Essa moça é a chefe de redação, Carina Machado Leite</p></div>
<div id="attachment_9939" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9939" title="donc-brusque3" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque3.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">O jovem ao centro é o Cláudio Schlindwein, diretor do jornal</p></div>
<div id="attachment_9940" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9940" title="donc-brusque4" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque4.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">É sempre bom bater papo com os colegas. Ajuda a renovar o estoque de dúvidas.</p></div>
<div id="attachment_9941" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9941" title="donc-brusque5" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque5.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">A câmera vai rodando e a cuca ali, no centro das atenções</p></div>
<div id="attachment_9942" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9942" title="donc-brusque6" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque6.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">À esquerda na foto, a editora-chefe, Letícia Schlindwein</p></div>
<div id="attachment_9943" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9943" title="donc-brusque7" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque7.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">O grande Osmar, um legítimo manezinho brusquense</p></div>
<div id="attachment_9945" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9945" title="donc-brusque9" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque9.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Todos atentos ao que o Osmar estava dizendo. Ao meu lado, a irmã do Gilberto Colzani.</p></div>
<div id="attachment_9946" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9946" title="donc-brusque10" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque10.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Foi, de fato, um papo &quot;cucacêntrico&quot;.</p></div>
<div id="attachment_9948" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9948" title="donc-brusque12" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque12.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">O jornal já promoveu várias dessas conversas às sextas-feiras, com convidados</p></div>
<div id="attachment_9951" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9951" title="donc-brusque15" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/donc-brusque15.jpg" alt="Bate-papo em Brusque" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">O Osmar sabe tudo de jornal e gosta de compartilhar sua experiência</p></div>
<p>O Osmar, que também é Schlindwein e brusquense, não é parente muito próximo da família que hoje dirige O Município. Ele tem uma empresa de representação de jornais em Florianópolis, que atende, além do jornal de Brusque, o Correio Lageano e A Gazeta, de São Bento do Sul.</p>
<p>Para ajudar na qualificação de seus representados, ele inventou essa história de levar jornalistas experientes para conversar, tirar dúvidas e discutir com o pessoal. No caso do Município, como o jornal não tem edição de final de semana, a sexta-feira é um dia mais calmo, que permite a reunião de todos para atividades como essa.</p>
<p>Ah, para saber onde comer bem e onde encontrar a famosa cuca de Brusque, é só perguntar para a Letícia (<em>editor[arroba]municipiodiaadia.com.br</em>).</p>
<p>E esta é a listinha de quem participou da conversa, que serve também como crédito das fotos (embora não tenha usado todas): Carina Machado, Taiana Eberle, Diego Bernardi, Sarita Gianesini, Victor Pereira, Aline Wernke, Aline Camargo, Letícia Schlindwein, Thiago Andrade, Diego Sestrem e Cláudio Schlindwein.</p>
<p>Obrigado pelo convite e parabéns pela disposição de fazer um jornal cada vez melhor.</p>
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		<title>Efervescência radiofônica</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/07/14/efervescencia-radiofonica/</link>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 01:21:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A entrada no ar da rádio RecordSC, do grupo RIC (da família Petrelli), além de criar um fato novo no mercado radiofônico florianopolitano, deixa um rastro de movimentos curiosos nos bastidores. E, como ocorrem fora dos holofotes, talvez ainda demore um pouco para conhecermos todos os detalhes. Mas já é possível ter uma idéia da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A entrada no ar da rádio RecordSC, do grupo RIC (da família Petrelli), além de criar um fato novo no mercado radiofônico florianopolitano, deixa um rastro de movimentos curiosos nos bastidores. E, como ocorrem fora dos holofotes, talvez ainda demore um pouco para conhecermos todos os detalhes. Mas já é possível ter uma idéia da coisa.</p>
<p><strong>1. Um pouco de história</strong></p>
<p>A rádio RecordSC usa a frequência que foi da rádio A Verdade, criada pelo Manoel de Menezes (pai do Cacau). Ele vendeu a rádio para padre Quinto Baldessar (então pároco do Estreito e capitão do exército). Alguns anos depois, foi adquirida pelo José Matusalém Comelli, de O Estado. Aí passou a se chamar rádio Gazeta de São José. Proprietário da marca &#8220;Gazeta&#8221; (antigo jornal, da Maria Iná Vaz), Comelli pretendia lançar também um jornal com esse nome, naquele município. </p>
<p>O projeto acabou sendo levado pelas águas da crise que também fizeram submergir o jornal O Estado. A rádio foi arrendada e ganhou o nome de Mais Alegria e uma programação popular/sertaneja. A certa altura, os Petrelli, velhos parceiros de Comelli, assumiram o arrendamento da rádio e deram uma turbinada na Mais Alegria, levando para lá o Hélio Costa e outras atrações. Mas não deu muito certo economicamente e eles desistiram da coisa.</p>
<p>Ao que parece, a essa altura Comelli transferiu a propriedade da rádio para os Petrelli, que passaram a arrendá-la a terceiros.</p>
<p><strong>2. A parceria com a Guarujá</strong></p>
<p>A rádio Guarujá, que foi do ex-governador Aderbal Ramos da Silva, é administrada hoje pela sua filha Sílvia Hoepcke da Silva e pelo neto, Fábio Comelli. Sílvia foi casada com José Matusalém Comelli e estão divorciados há vários anos.</p>
<p>Foi mais ou menos de forma natural que ocorreu a aproximação entre os veículos da família Petrelli (RIC-Record, Record News e jornal Notícias do Dia) e a rádio Guarujá. Além de plataformas complementares, as famílias eram amigas de longa data. Parecia mesmo ser um bom negócio. A RIC se concentrava na TV e no jornal e a Guarujá fazia o que sempre fez.</p>
<p>O casamento ia muito bem até o momento em que Marcelo Petrelli apresentou, ao Fábio Comelli, seu projeto de arrendar a Guarujá e incorporá-la à RIC-Record (levando, inclusive, os estúdios para a sede, no morro da Cruz). Ao que tudo indica, Fábio e sua mãe, Sílvia, não receberam muito bem idéia. Tanto que recusaram a oferta.</p>
<p>Depois dessa negativa, que teria ocorrido há mais ou menos um ano, nada mais foi como antes. O primeiro movimento foi a suspensão da transmissão conjunta do programa esportivo Campo Crítico. Era um programa da Guarujá realizado no estúdio da RIC-Record e transmitido pela TV simultaneamente à transmissão do áudio pela rádio.</p>
<p><strong>3. A nova rádio</strong></p>
<p>Aí chegamos à pergunta que não quer calar: por quê, num determinado momento, os Petrelli resolveram criar sua própria emissora de rádio, colocando no ar um projeto que parece não ter tido ainda o tempo necessário de maturação?</p>
<p>A decisão de lançar agora uma rádio, segundo fontes da RIC, deveu-se ao fato do contrato de arrendamento estar terminando e do arrendatário pretender entregar a emissora. Isso, juntamente com uma avaliação interna, que estaria na hora do grupo ter sua própria rádio, teria feito a diretoria decidir-se, em pouco tempo, pelo projeto.</p>
<p>As más línguas, claro, dizem que tudo faz parte da retaliação de Marcelo ao <em>não</em> do Fábio. O fato é que, entre a decisão de colocar a rádio no ar e seu lançamento, passou-se pouco tempo. E a impressão de que o projeto não teve tempo para amadurecer adequadamente, ao que tudo indica, não é apenas impressão.</p>
<p>O investimento feito na emissora é muito pequeno. Os profissionais são, em sua maioria, dos demais veículos do grupo. Na tentativa de evitar contratações, levaram para uma rádio &#8220;all news&#8221;, um conceito das FM: o locutor é o operador de áudio. Essa operação, quando se trata de colocar músicas e ler alguns textos, não tem maiores dificuldades, mas quando se trata de apresentar, chamar repórteres, colocar telefone no ar, rede, etc, cria enormes problemas.</p>
<p>A idéia de criar uma &#8220;agência RIC&#8221; (nos moldes da agência RBS) é o pano de fundo dos sonhos dos Petrelli: aquele mundo ideal em que um só jornalista, por uns R$ 200,00 a mais no salário, fornece texto e foto para o jornal, nota para o site, áudio para a rádio e reportagem e imagem para a TV. E ainda dirige a &#8220;viatura&#8221;. Ecaminhando-se para isso, os repórteres da TV, das várias emissoras da rede no estado, já participam dos programas da rádio RecordSC, passando boletins por telefone.</p>
<p>Para completar o quadro, a posição no dial (1470 am), não é das melhores. Como está muito próxima da Guarujá (1420 am), não pode aumentar sua potência, porque causa interferência e se sujeita a ser multada pela Anatel. E com a potência atual, tem alcance limitado.</p>
<p><strong>4. O cobiçado Damião</strong></p>
<p>Marcelo Petrelli queria, para sua rádio, os comentários do jornalista Carlos Damião, que é colunista do Notícias do Dia e também funcionário da rádio Guarujá. Fábio Comelli não quis liberá-lo. Para evitar agravamento do incidente, Marcelo Petrelli foi à Guarujá conversar com Fábio. Não se sabe como foi a conversa. O fato é que Damião teve que pedir demissão da Guarujá para poder atuar na RecordSC. Em compensação, Marcelo proibiu seu pessoal de fazer propostas para outros profissionais da Guarujá.</p>
<p>Talvez por isso, o Hélio Costa continue na Guarujá, embora o áudio do seu programa da TV RIC-Record seja transmitido pela rádio concorrente.</p>
<p>A Guarujá, que tinha o Damião como mestre de cerimônias do Papo de Redação (programa vespertino de debates), colocou provisoriamente o Marcelo Fernandes para substituí-lo. E deverá levar ainda uns dias para definir o que fará com o programa e se aproveita a oportunidade para fazer alguma outra alteração.</p>
<p><strong>5. E agora?</strong></p>
<p>O mercado publicitário para emissoras de rádio &#8220;all news&#8221;, em Florianópolis, não é nada muito espetacular. E o fato de agora ser disputado por três emissoras (CBN-Diário, Guarujá e RecordSC) não facilita em nada.</p>
<p>A Guarujá contratou, em março, o experiente Pedro Carlotto para a área comercial, provavelmente para se preparar para o acirramento da concorrência. Carlotto, para quem não ligou o nome à pessoa, ajudou a colocar a CBN-Diário de pé. Resta saber se conseguirá fazer o mesmo com essa emissora, apesar das dificuldades normais de uma empresa familiar e desse mercado restrito que agora está ainda mais fragmentado.</p>
<p>A RecordSC certamente vai precisar de algum tempo para encontrar sua linguagem e dizer a que veio. Por enquanto é apenas uma rádio que parece ter sido feita às pressas, ainda carente de profissionais experientes. E, em larga medida, um tanto quanto frustrante para quem esperava o surgimento de uma concorrência séria para a CBN-Diário.</p>
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		<title>O famoso caso do recall fajuto da Mazda</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 14:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os velhos (e nem tão velhos) jornalistas estão agora numa fase nostálgica. Aqui em Florianópolis, mais de 200 ex-funcionários do extinto jornal O Estado mantém uma comunidade no Facebook, já se reuniram várias vezes e até fizeram um grande encontro, no final de maio (mês de aniversário do jornal), numa churrascaria. Os ex-funcionários da igualmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9824" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-medium wp-image-9824" title="GZM-bsb-ayr" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/06/GZM-bsb-ayr-450x269.jpg" alt="Sucursal de Brasília GZM" width="450" height="269" /><p class="wp-caption-text">Festa de aniversário na redação da sucursal de Brasília da GZM*</p></div>
<p>Os velhos (e nem tão velhos) jornalistas estão agora numa fase nostálgica. Aqui em Florianópolis, mais de 200 ex-funcionários do extinto jornal O Estado mantém uma comunidade no Facebook, já se reuniram várias vezes e até fizeram um grande encontro, no final de maio (mês de aniversário do jornal), numa churrascaria. Os ex-funcionários da igualmente extinta Gazeta Mercantil estão fazendo coisa semelhante. Mantém um grupo no Facebook e de vez em quando alguém fala em reuniões em torno de algumas taças e copos. Como o grupo é bem maior e tem gente espalhada pelo Brasil inteiro, pode ser mais complicado reunir todos, mas todo dia tem alguém colocando uma foto antiga ou contando um caso que deixou saudade. Além desses, também ex-funcionários da Manchete e do Estadão têm se aproximado.</p>
<p>Faço parte dos dois primeiros grupos. Comecei a carreira em O Estado, onde trabalhei por vários períodos desde 1972, até ser editor-chefe por pouco mais de um ano, a partir de 1988. Na Gazeta entrei em 1996 (Pimenta Neves era o diretor de redação) e saí, com centenas de colegas, na grande implosão de 2001.</p>
<p>No grupo &#8220;Sobre Viventes da Gazeta Mercantil&#8221;, alguém citou um caso pitoresco que acompanhei de perto. E aí resolvi contar tudo o que sei (ou melhor: tudo o que, a esta altura, lembro). Até como parte da campanha contra o sigilo perpétuo: mesmo os grandes segredos de Estado precisam ser revelados depois de um tempo, para que a História não fique capenga. Espero que minhas lembranças estejam corretas.</p>
<p><strong>A PRESSA É INIMIGA&#8230;</strong></p>
<p>Vamos contextualizar a cena: em 2000, algumas empresas de comunicação tinham um serviço na internet que na época se chamava &#8220;tempo real&#8221;. Era o jornalismo online de hoje, que estava engatinhando. Eu era secretário de redação da sucursal de Brasília. Tinha sido enviado de São Paulo para lá com uma missão específica: ajudar a sucursal na preparação para a chegada do grande concorrente, Valor Econômico. O chefe da sucursal, Zanoni Antunes, no mesmo ritmo, tinha montado uma equipe só de craques. Entre eles João Domingos, Sheila D&#8217;Amorim, Maurício Correa, Márcia Quadros, Odail Figueiredo, Aldo Renato Soares, Ayr Aliski, Anamaria Rossi, Marcelo Antunes, Marcão, Hylda Cavalcanti, Sérgio Prado, Jamil Chade e mais alguns cujos nomes o Zanoni vai ajudar a lembrar.</p>
<p>O clima na redação era (do meu ponto de vista), muito bom. Havia um inimigo externo a combater, o que nos unia no esforço comum. E como todos sabiam muito bem o que estavam fazendo e o que fazer, a tarefa do secretário de redação era moleza. Era de se esperar, portanto, que nesse ambiente a gente fizesse muita brincadeira, desse muita risada, comemorasse muito aniversário e pegasse no pé uns dos outros. Como em toda redação que se preze.</p>
<p>Um dia, de manhã, alguém me mostrou um texto: era um arremedo de aviso de recall de um modelo Mazda. Por coincidência, o mesmo que o Aldo Renato Soares tinha. O Aldo, pra quem não conhece, é um gaúcho-brasiliense que fazia questão de anunciar em voz alta suas preferências e idiossincrasias. Ele adorava o carro, que já era meio antigo (àquela altura a Mazda nem operava mais no Brasil) e todo dia o elogiava. Numa época em que os jornais estavam cheios de avisos de recall (era o começo dessa &#8220;onda&#8221;), parecia perfeito ver a cara do Aldo quando ele soubesse que seu precioso Mazda estava sendo chamado por um defeito grave.</p>
<p>Mesmo com logotipo da montadora, o &#8220;aviso&#8221; não podia ser mais &#8220;fake&#8221;: não tinha números de chassi nem data de fabricação, dizia que havia perigo do assoalho cair quando o &#8220;veículo&#8221; ultrapassasse os 60 km/h e outros absurdos desse tipo. Foram impressas algumas cópias e colocadas sobre as mesas do Aldo, claro e de mais alguns colegas. Até onde vi (e eu sentava diante dela), nenhuma cópia foi colocada sobre a mesa da moça que trabalhava para o &#8220;tempo real&#8221;, o Investnews. Pela simples razão que ela não fazia parte da &#8220;turma&#8221; do jornal impresso que fazia brincadeiras.</p>
<p>Quando saímos para o almoço, Aldo ainda não tinha chegado. Quando retornamos, ele estava lá, tranquilo. Alguém perguntou se ele tinha visto o aviso. Claro que tinha visto. Rindo muito, disse que era uma piada. Depois ficamos sabendo que ele tinha desconfiado que era falso desde o primeiro momento mas, precavido, ligou para um representante da Mazda para checar. Por isso estava absolutamente seguro, quando nós chegamos.</p>
<p>A bricandeira já estava encerrada, com todos rindo, quando a moça do Investnews me perguntou se aquele aviso era mesmo uma brincadeira. Disse que era e notei um certo ar de preocupação: ela tinha visto o papel e, acreditando ter um bom assunto, colocara na rede. Na época, as notas das sucursais eram editadas em São Paulo e só eram publicadas por lá. Imaginei, então, que o editor não deixaria passar. Afinal, Brasília não tem montadora, nem escritório de montadora e nunca um aviso de recall seria distribuído a jornalistas de Brasília sem ter sido distribuído em SP. Mas, ao abrir o site, a nota estava lá. Para que o mundo inteiro visse. Publicada sem qualquer verificação.</p>
<p>O que se seguiu foi o esperado: desmentidos, pedidos de desculpas, notas irritadas da Mazda, chefias de SP querendo a cabeça &#8220;dos autores da brincadeira&#8221; e muita gozação dos colegas dos outros veículos. Administrada essa crise, a gente achou que, finalmente, a história tinha terminado. Que nada. No dia seguinte, o suplemento de automóveis que circulava encartado com o caderno regional paulistano da Gazeta, publicou a notícia do recall. O editor tinha visto a nota, mas não tinha lido os desmentidos. E certamente nem conversado com ninguém no cafezinho, porque esse tinha sido o assunto do dia em todas as rodas de conversa, nas várias redações da Gazeta.</p>
<p>A nota saiu sem destaque, num pé de página. Eu achei o fim: se fosse verdade que um carro poderia perder o assoalho a 60 km/h, isso tinha que ser a manchete do suplemento especializado. Se fosse mentira, não deveria ser publicada. Mas estava lá, escondidinha. Sem que ninguém tivesse checado.</p>
<p>A pressão que existia (existe?) sobre o pessoal do &#8220;tempo real&#8221; era terrível: em SP ficavam monitorando a concorrência e publicar uma nota alguns segundos depois do outro, rendia puxões de orelha. Era compreensível, portanto, que a moça tivesse ficado curiosa com aquela nota e tratasse de enviar o quanto antes para seu editor (ou editora). Mas a partir daí, nada mais se encaixa nos bons procedimentos jornalísticos. Parece que o Murphy assumiu o comando e fez dar errado tudo o que poderia dar errado.</p>
<p>A partir daí, as brincadeiras passaram a levar em conta a possibilidade de ter alguém do &#8220;tempo real&#8221; por perto.</p>
<p>Tem uma outra história, também divertida (mas não tão espetacular), da sucursal de Brasília, envolvendo o Aldo Renato (uma das vítimas preferenciais) e pêssegos gregos. Mas essa eu conto outra hora.</p>
<p><strong>NA FOTO</strong></p>
<p>*Da esquerda para a direita, de pé: Maurício Correa, Márcia Quadros, Hylda Cavalcanti, Sheila D&#8217;Amorim e eu. Sentado, tentando fechar uma matéria e atrasando a festa, Ayr Aliski. Se não me engano era meu aniversário, em maio de 2001. Aquele negócio vermelho, azul e verde de plástico era uma tartaruga. Um troféu que, a cada dia, era atribuído solenemente a quem terminasse suas matérias além do horário.</p>
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		<title>Santa, do fundo do baú</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 17:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo mundo que se interessa por jornalismo sabe que, em SC, a criação do Jornal de Santa Catarina (com sede em Blumenau e circulação estadual) foi um marco histórico. Balançou a árvore, sacudiu a poeira, fez O Estado e A Notícia se mexerem e agitou de tal forma o mercado profissional, que a gente pode [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo mundo que se interessa por jornalismo sabe que, em SC, a criação do Jornal de Santa Catarina (com sede em Blumenau e circulação estadual) foi um marco histórico. Balançou a árvore, sacudiu a poeira, fez O Estado e A Notícia se mexerem e agitou de tal forma o mercado profissional, que a gente pode dizer, sem medo de errar, que antes do Santa era uma coisa e depois do Santa foi outra.</p>
<p>Neste final de semana o Mário Medaglia estava mexendo nuns livros velhos de uma velha estante e caiu, do meio das páginas de um deles, uma foto fantástica. Que eu tratei de escanear pra mostrar pra vocês. Como também sou velho, não lembro do nome de todos, mas vocês podem ajudar. Pra facilitar coloco a foto inteira e depois alguns detalhes ampliados.</p>
<div id="attachment_9776" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9776" title="donc-jsc-1972-mini" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/06/donc-jsc-1972-mini.jpg" alt="JSC 1972" width="500" height="350" /><p class="wp-caption-text">Acervo do MMedaglia. Deve ter sido por volta de 1971.</p></div>
<p>De pé, da esquerda para a direita, duas moças aguardando nomes, o Nestor Fedrizzi, mentor da coisa e arregimentador de talentos, o Nei Duclós com suas inconfundíveis madeixas de poeta, o Juca Deschamps e o grande Virson Holderbaun.</p>
<p>Na segunda fila Renan Ruiz, diagramador que também trabalhou em O Estado, alguém de camisa listrada esperando nome e, com pose de estancieiro e barba espessa, o Sérgio Becker.</p>
<p>À frente, sentados no chão, Paulo (?), Zé Reinoldo Rosembrock, Mário Medaglia, Zé Antônio Ribeiro (Gaguinho) que era o editor-chefe e a Cinara, mulher dele, também jornalista.</p>
<p>Abaixo detalhes da mesma foto.</p>
<div id="attachment_9777" class="wp-caption aligncenter" style="width: 336px"><img class="size-full wp-image-9777" title="donc-jsc-1972b-mini" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/06/donc-jsc-1972b-mini.jpg" alt="JSC-1971" width="326" height="500" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<div id="attachment_9778" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9778" title="donc-jsc-1972c-mini" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/06/donc-jsc-1972c-mini.jpg" alt="JSC 1971" width="500" height="396" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<div id="attachment_9779" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9779" title="donc-jsc-1972d-mini" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/06/donc-jsc-1972d-mini.jpg" alt="JSC 1971" width="500" height="261" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
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		<title>Sugestões de pauta para a semana</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/06/05/sugestoes-de-pauta-para-a-semana/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jun 2011 14:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre os jornalistas, &#8220;pauta&#8221; é tanto a lista de assuntos que serão transformados em matéria, como também o roteiro para investigar um determinado assunto. Em algumas redações havia um profissional que ficava só pensando nisso: o pauteiro. Os repórteres sugeriam pautas, mas se estivessem sem idéia, o pauteiro abria a gaveta e sacava dezenas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os jornalistas, &#8220;pauta&#8221; é tanto a lista de assuntos que serão transformados em matéria, como também o roteiro para investigar um determinado assunto. Em algumas redações havia um profissional que ficava só pensando nisso: o pauteiro. Os repórteres sugeriam pautas, mas se estivessem sem idéia, o pauteiro abria a gaveta e sacava dezenas de sugestões.</p>
<p>Como a semana que está terminando foi bem movimentada, deixo aqui algumas sugestões de assuntos que os colegas jornalistas poderão transformar em matérias (reportagens), se quiserem.</p>
<p><strong>1. NEGÓCIOS DA CHINA</strong></p>
<p>O deputado Jailson Lima (PT) foi umas cinco vezes à China, ao que parece com passagens pagas por nós (via Alesc). Já que ele está preocupado com a moralização daquela casa de Leis, revolvendo o velho assunto das aposentadorias por invalidez, certamente merece a oportunidade, como foi dada ao Palocci, de explicar que tanto assunto tinha com os chineses.</p>
<p><strong>2. COINCIDÊNCIAS</strong></p>
<p>Deve ser apenas coincidência, mas não custa ir atrás pra ver se é mesmo: no mesmo dia em que a associação dos delegados, presidida pelo Renato Hendges, anunciou que iniciava uma campanha salarial, para recuperar perdas históricas (desde 1999), uma operação do DEIC &#8212; que é onde o presidente da Associação trabalha &#8212; prendeu um ex-deputado e um cafetão. O cafetão, ao que se diz, seria &#8220;fornecedor&#8221; de muita gente. Goetten, presidente de partido, mas sem mandato, não seria o único &#8220;cliente&#8221; conhecido e importante. Mais do que combate ao crime, a ação policial seria também um recado àqueles que, na Alesc e no governo, terão que discutir, mais cedo ou mais tarde, os proventos dos delegados.</p>
<p><strong>3. HOMENS DE VIDA FÁCIL</strong></p>
<p>Seguindo a trilha aberta pela divulgação das &#8220;atividades&#8221; do ex-deputado Nelson Goetten, talvez fosse oportuno levantar mais alguns tapetes que encobrem esse tipo de comportamento.</p>
<p>Por exemplo: jornalistas que participaram da cobertura dos JASC em Chapecó, há alguns anos, tomaram conhecimento de uma festinha, oferecida a eles, em que houve o &#8220;sorteio&#8221; de uma garota de programa. Os &#8220;sorteios&#8221; desse tipo não seriam coisa rara, nessa e em outras regiões e às vezes com &#8220;patrocínio&#8221; de prefeitos e outros políticos.</p>
<p>Por falar nisso, são famosas as farras com prostitutas durante reuniões de prefeitos em Brasília. E em congressos e convenções Brasil afora. É algo considerado &#8220;normal&#8221;: fechar um andar de um hotel, &#8220;importar&#8221; as moças do Café Photo ou do Bokarra, para divertir convidados importantes.</p>
<p>O &#8220;incidente&#8221; na casa da Marlene Rica, em Joinville, onde estava a tal &#8220;cúpula da Segurança&#8221; no começo do governo LHS, seria, portanto, um evento corriqueiro (se não tivssem inventado de botar água no chope).</p>
<p>Aqui em Florianópolis não é difícil desencavar histórias de homens de vida fácil (com salários pagos pelo povo) e suas lanchas cheias de taxi-girls. Não que seja crime ter uma vida sexual ativa. Mas é constrangedor ouvir discursos moralistas na tribuna, de quem faz barbaridades na vida privada mantida por dinheiro público.</p>
<p><strong>4. RIQUINHOS DA POLÍTICA</strong></p>
<p>O rolo com o Palocci reabriu uma antiga ferida que ninguém gosta de mexer. De onde vem o dinheiro que os políticos utilizam nas campanhas e nas suas vidas privadas? Tá certo que não é um assunto muito popular. A maioria dos eleitores prefere quem gasta muito dinheiro nas campanhas: sempre elege os mais ricos.</p>
<p>Examinar o patrimônio real dos políticos é muito complicado. O falecido senador Antônio Carlos Magalhães, que sempre foi, reconhecidamente, um homem rico, de muitas posses, não tinha bens no nome dele. Era praticamente um monge franciscano, vivendo de seus proventos. Isso deve ocorrer com a maioria. Mas com um pouco de paciência dá pra acompanhar (sim, seguir, como nos velhos filmes policiais) o político por alguns dias e ver onde ele vive, onde passa os finais de semana, com quem anda. No cartório, é possível que o apartamento onde ele e sua família vivem, seja de um primo distante, que o emprestou só para ajudar o parente.</p>
<p>Um exemplo hipotético, pero no mucho: de onde viria o dinheiro daquele deputado que comprou um apartamento num dos prédios mais caros da cidade (que não deve ter custado menos de R$ 2 milhões) e só para prepará-lo para sua família, gastou R$ 400 mil em reforma? Sua casa de praia, na beira do mar, também deve ter custado cerca de R$ 2 milhões. Sua lancha, geralmente utilizada em &#8220;sociedade&#8221; com membros de outros poderes, também não é modesta. Como é do interior, deve ter outros bens em sua região de origem. Todo esse patrimônio veio de onde? Por que só fazem perguntas embaraçosas para o Palocci?</p>
<p>É isso, por enquanto.</p>
<p><strong>EM TEMPO</strong></p>
<p>Parabéns ao colega Upiara Boschi, que tem emplacado matérias de capa no DC com alguns assuntos espinhosos:</p>
<p>&#8211; <a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a3337369.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=17258&amp;section=134" target="_blank">Surto de invalidez</a>;</p>
<p>&#8211; <a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a3319481.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=17154&amp;section=846" target="_blank">Desconstrução da era LHS</a>;</p>
<p>&#8211; <a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a3311160.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=17103&amp;section=134" target="_blank">Governo usa estatais para premiar aliados</a>;</p>
<p>&#8211; <a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a3311160.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=17103&amp;section=134" target="_blank">O dilema do Raimundo</a>.</p>
<p>E parabéns também ao colega Moacir Pereira, que começa a utilizar melhor a possibilidade de interatividade que a internet proporciona. Foi na tarefa diária e meio enfadonha de ler os comentários do seu blog para liberá-los ou não para publicação, que ele começou a entender o drama dos professores. E à medida em que se mostrava sensível ao que lhe diziam, enviavam manifestações ainda mais numerosas e detalhadas. Como todo colunista, o Moacir recebe também muita informação do governo e das assessorias de imprensa, mas, pela primeira vez, ele percebeu que havia um contraponto, vindo diretamente dos envolvidos.</p>
<p>Ao privilegiar essa linha direta com os professores, deixando em segundo plano sindicato e governo, o Moacir produziu um dos fatos jornalísticos mais interessantes dos últimos tempos, supreendendo quem não o conhecia e deixando perplexos aqueles que imaginavam que havia alguma &#8220;ordem superior&#8221; balizando os comentários.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>A festa da turma do mais antigo</title>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 19:12:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Abaixo, algumas cenas que gravei na grande reunião dos dinossauros de O Estado, sábado à noite. Só pra vocês terem uma idéia do que foi a festa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abaixo, algumas cenas que gravei na grande reunião dos dinossauros de O Estado, sábado à noite. Só pra vocês terem uma idéia do que foi a festa.</p>
<p><iframe width="500" height="314" src="http://www.youtube.com/embed/8kARBC9p4a0?rel=0&amp;hd=1" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Redes sociais e o jornalismo</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/05/21/redes-sociais-e-o-jornalismo/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 May 2011 11:26:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Na quinta-feira, dia 19, fui um dos participantes do programa Jornalismo em Debate, transmitido ao vivo pela Rádio Ponto UFSC. Nos estúdios do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina tentamos responder à pergunta “Redes Sociais transformam o jornalismo?” À mesa também estavam Alexandre Gonçalves (Coluna Extra e RockSC), Alexandra Zanella (DC Online) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na quinta-feira, dia 19, fui um dos participantes do programa <strong>Jornalismo em Debate</strong>, transmitido ao vivo pela <a href="http://www.radioponto.ufsc.br/" target="_blank">Rádio Ponto UFSC</a>. Nos estúdios do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina tentamos responder à pergunta <em>“Redes Sociais transformam o jornalismo?”</em></p>
<p>À mesa também estavam <strong>Alexandre Gonçalves</strong> (<a href="http://blog.colunaextra.com.br/" target="_blank">Coluna Extra</a> e <a href="http://www.rocksc.com.br/" target="_blank">RockSC</a>), <strong>Alexandra Zanella</strong> (<a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;section=capa_online" target="_blank">DC Online</a>) e <strong>Rogério Christofoletti</strong> (UFSC e <a href="http://monitorando.wordpress.com/" target="_blank">Monitorando</a>). Por telefone,participou o jornalista <strong>Douglas Dantas</strong>, diretor de Mobilização em Assessoria da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que estava em Vitória, ES.</p>
<p>Não ficamos muito restritos às tais &#8220;redes sociais&#8221; (uma expressão marromeno que inclui facebook, twitter, orkut e coisas do tipo). O que tem sacudido o jornalismo e os jornalistas é a internet como um todo e suas várias possibilidades e ferramentas. No final das contas, parece ter ficado interessante. Tirante eu, os debatedores eram todos de primeiro time.</p>
<p>Graças às boas artes do Alexandre, que me forneceu o código, quem quiser ouvir a íntegra do debate, mediado pelo jornalista Áureo Moraes, com participação da estudante Merlim Miriane, é só clicar no player abaixo (dividido em três blocos).</p>
<p>Com 1h de duração, o Jornalismo em Debate é um programa quinzenal &#8211; quinta sim, quinta não -, das 18h30min as 19h30min, produzido pelos acadêmicos dos cursos de graduação e pós-graduação em Jornalismo da UFSC, com supervisão da professora Valci Zuculoto.</p>
<p><object width="100%" height="145"><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F802131&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;show_playcount=true&amp;show_artwork=true&amp;color=cc0000" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="100%" height="145" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F802131&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;show_playcount=true&amp;show_artwork=true&amp;color=cc0000" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
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		<title>E por falar em saudade&#8230;</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/05/09/e-por-falar-em-saudade/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 22:55:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-funcionários do jornal O Estado estão se preparando para um grande reencontro no próximo dia 28, na churrascaria Meu Cantinho, no Kobrasol. Como faço parte do grupo (em O Estado fui de repórter iniciante a editor-chefe), estou preparando um estoque de lembranças para conversar com meus colegas. E as grandes matérias, que fizeram a concorrência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9651" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9651" title="donc-oe2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/05/donc-oe2.jpg" alt="O Estado 15/4/1988" width="500" height="335" /><p class="wp-caption-text">Manchete de O Estado de 15 de abril de 1988</p></div>
<p>Ex-funcionários do jornal O Estado estão se preparando para um grande reencontro no próximo dia 28, na churrascaria Meu Cantinho, no Kobrasol. Como faço parte do grupo (em O Estado fui de repórter iniciante a editor-chefe), estou preparando um estoque de lembranças para conversar com meus colegas. E as grandes matérias, que fizeram a concorrência suar frio e encheram os leitores de informação, são certamente as melhores coisas pra se lembrar.</p>
<p>A cobertura que fizemos do final do sequestro de dois garotos Brandalise (na época a família ainda detinha o controle da Perdigão), é um desses grandes momentos do jornal. Tive a felicidade de poder acompanhar, como editor, o trabalho da excepcional equipe que eu e o Flávio Sturdze montamos. Tinha gente que já estava em O Estado e gente que trouxemos de outros veículos, inclusive do DC. E todos sairam-se muito bem. Folheei ontem, na Biblioteca Estadual de Florianópolis as várias edições que trataram do assunto, e novamente fiquei orgulhoso e emocionado. Fazíamos, de fato, um belo jornal.</p>
<div id="attachment_9650" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-9650" title="donc-oe1" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/05/donc-oe1.jpg" alt="Do Editor" width="500" height="276" /><p class="wp-caption-text">A coluninha &quot;Do Editor&quot;</p></div>
<p>Pois bem, na página 4, a página dos editoriais, eu mantinha uma coluninha diária, chamada &#8220;Do Editor&#8221;, que era uma espécie de blog, onde comentava com os leitores, os bastidores da produção do jornal. Na edição do dia seguinte ao grande tiroteio de Balneário Camboriú, tive esta conversa com os leitores:</p>
<p>Do Editor<br />
<strong>Tiros e Sustos</strong></p>
<blockquote><p>Que noite!</p>
<p>Em Balneário Camboriú, tiroteios no mais puro estilo &#8220;Intocáveis&#8221;. Em Videira, aviões decolando na madrugada, carregados de policiais armados até os dentes. Em Florianópolis, Muda Brasil Tancredo Jazz Band lotando o teatro desta capital ansiosa por uma vida cultural mais agitada.</p>
<p>Pouco depois da meia-noite, o delegado Elói Gonçalves retira, da delegacia do Balneário, a mulher de um dos seqüestradores. Atentos, os repórteres desde nosso O Estado, o seguem. Elói vai à toda no Gol branco. Atrás, também num Gol branco &#8211; só que com a marca do jornal na porta &#8211;  o repórter carlos Jung, a editora-assistente Déborah Almada, o editor de fotografia Tarcísio Matos e, de carona, a repórter Rosana Porto, da Folha de São Paulo. Ao volante, o destemido motorista José Rios.</p>
<p>A perseguição terminou diante de um prédio. O carro de Elói parou, o carro de O Estado parou junto, quase grudado. Até aquele momento não se sabia onde estavam escondidos os sequestradores. E a partir daquele momento ficaram sabendo da forma mais assustadora: começou o tiroteio contra o carro do delegado, que tentou dar uma ré. Atrás, impedindo, o nosso carro, parado. É que o José Rios, as balas zunindo por todos os lados, não conseguia mover o carro. Os segundo pareceram horas, até que ele conseguiu engatar a ré, sair da linha de fogo e liberar o caminho para o outro Gol.</p>
<p>A partir daí estavam todos literalmente no centro dos acontecimentos. Mortos de medo de levar uma bala perdida, mas no centro dos acontecimentos.</p>
<p>Tão no centro que tinham muita dificuldade de sair para passar as informações por telefone (os relatos detalhados estão na edição de hoje). Um dos moradores da vizinhança, amigo deste nosso O Estado, supriu essa dificuldade relatando-nos, pelo telefone da sua casa, o que estava vendo e ouvindo.</p>
<p>Em Videira, quando o delegado Renato Hendges e sua equipe levantaram-se, às 3h, para sair em direção ao aeroporto, esbarraram, na porta do hotel, com um &#8220;comitê de recepção&#8221; formado pelo secretário de redação Ricardo Garcia, pelo repórter Carlos Locatelli, pelo editor-assistente de fotografia Gilberto Gonçalves e pelo motorista Luiz de Assis. Todos prontos a acompanhar os policiais até o aeroporto, para documentar a partida dos policiais catarinenses que foram caçar sequestradores em Curitiba.</p>
<p>Que noite!</p></blockquote>
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		<title>Pra que serve um sindicato?</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/04/01/pra-que-serve-um-sindicato/</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2011 17:58:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem um grupo de jornalistas que deseja disputar novamente a direção do Sindicato dos Jornalistas reuniu-se em torno de uma paella no Roma, no centro de Florianópolis. Como no lendário movimento que ensejou batalhas memoráveis e finalmente tirou do sindicato a &#8220;diretoria pelega&#8221;, na década de 80, estes também estão utilizando a sigla MOS (desta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem um grupo de jornalistas que deseja disputar novamente a direção do Sindicato dos Jornalistas reuniu-se em torno de uma paella no Roma, no centro de Florianópolis. Como no lendário movimento que ensejou batalhas memoráveis e finalmente tirou do sindicato a &#8220;diretoria pelega&#8221;, na década de 80, estes também estão utilizando a sigla MOS (desta vez com acento: MÓS, para Movimento de Óposição Sindical).</p>
<p>Fui até lá porque gosto deles (muitos foram meus alunos, outros colegas e vários são grandes amigos), mas continuo assaltado por grandes dúvidas. Certamente não me engajarei na campanha antes de esclarecer algumas delas.</p>
<p>Para que os &#8220;leigos&#8221; entendam: de 1987 até recentemente, o Sindicato dos Jornalistas foi dirigido praticamente pela mesma turma. Tanto que as &#8220;eleições&#8221; eram feitas sempre em chapa única. A gestão atual é uma dissidência e os grupos estão de mal, porque o rompimento e o afastamento dos antigos aliados foi litigioso. O MÓS é o esforço de retomada do sindicato pelo pessoal que foi alijado.</p>
<p><strong>OLIGARQUIA SINDICAL</strong></p>
<p>Como sou meio distraído e ultimamente ando estudando pouco, é possível que só eu ache estranho que justamente quando, na base, os sindicatos perdem força e os sindicalizados se encontram desmotivados, na cúpula as coisas estejam tão bem. Como nunca, aliás. Os sindicatos, por exemplo, foram &#8220;pegos de surpresa&#8221; com o quebra-quebra promovido por 20 mil operários descontentes com as condições em que eram obrigados a trabalhar e viver, nas obras de Jirau. Mas as centrais sindicais e os sindicatos poderosos ocupam cadeiras importantes em conselhos de fundos, diretoria de estatais, no executivo e no legislativo.</p>
<p>Já ouvi até alguém falar em &#8220;governo sindicalista&#8221;, mas acho um pouco exagerado. Só porque o principal personagem da história recente nunca fez outra coisa na vida a não ser dirigir e ajudar a dirigir sindicatos, não quer dizer que tenhamos trocado as oligarquias tradicionais por oligarquias sindicais. Mas talvez estejamos chegando lá.</p>
<p><strong>MASSA DE MANOBRA</strong></p>
<p>E o fato é que, se perguntar a qualquer jornalista se é necessário se sindicalizar, acredito que, mesmo entre os sindicalizados, a resposta será vaga. Ou negativa.</p>
<p>Quando a gente ouve falar de sindicatos atuando, em geral é em prejuízo da população. O sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus, por exemplo, só &#8220;aparece&#8221; para ameaçar a população com paralisações no transporte. Quando o sindicato dos aeroviários se mexe, em geral, no mesmo parágrafo ou um pouco adiante, aparece &#8220;caos aéreo&#8221;.</p>
<p>Fica a impressão, para quem olha de longe, que sindicato significa uma pequena célula terrorista que consegue ter uma massa de manobra com a qual faz pressão &#8212; indefinida &#8212; sobre coisas genéricas como &#8220;patrão&#8221; ou &#8220;governo&#8221;. E, no curso dessa pressão, o usuário, cliente, cidadão, só se ferra.</p>
<p>Claro que eu sei por que os sindicatos existem e o que as diretorias bem intencionadas pretendem. Também acho que, em tese, é muito importante que o trabalhador seja representado por uma entidade, para poder reivindicar e reclamar sem ter que se expor individualmente. E já diz a sabedoria popular que uma andorinha só não faz verão. Ou que um graveto é fácil de quebrar, mas um feixe de gravetos é mais difícil. Tudo isso, imagino, sabemos todos.</p>
<p>Quando, porém, as diretorias se encastelam e passam a fazer, da atividade sindical, carreira profissional, começam a perder contato com a base e isso faz com que os sindicalizados sejam vistos (e se sintam) apenas como uma útil e necessária, mas inerme e dócil, massa de manobra.</p>
<p><strong>ENTÃO, PRA QUE SERVE?</strong></p>
<p>Voltando ao caso dos jornalistas catarinenses e seu sindicato. Os jornalistas nunca foram muito solidários. Percorrem os postos e funções de suas carreiras com um nível de competitividade que torna difícil reunir um grupo grande em torno de interesses comuns. A luta por salários melhores seria um ponto de convergência, mas os jornalistas foram abalroados por uma sucessão de eventos catastróficos, alguns ocorrendo simultaneamente: a crise dos jornais, o surgimento das mídias digitais, a total desregulamentação profissional, a crescente falta de interesse, dos proprietários de veículos de comunicação, por profissionais qualificados.</p>
<p>Os sindicatos patronais, lógico, aproveitam-se da tibieza dos interlocutores e jogam duro nas mesas de negociação. E o sindicato dos jornalistas é fraco porque não conta com uma base ampla e mesmo a pequena tropa não está mobilizada. Tem poucos sindicalizados porque consegue poucas vitórias. E nesse circulo vicioso (paradoxo de Tostines), perdemos todos.</p>
<p>Falta também, aos que se dispõem a enfrentar a ingrata tarefa de dirigir um sindicato pobre e pequeno, estímulo e criatividade para avançar além do ramerrão sindical pós-ditadura. Em alguns momentos até a Casa do Jornalista (Associação Catarinense de Imprensa), com todos os seus compromissos sociais, comerciais e políticos, consegue ser mais agregadora da &#8220;catiguria&#8221;. E olha que até o começo da década de 80, a &#8220;Casa&#8221; era considerada &#8220;atrasada&#8221; e o &#8220;novo sindicato&#8221;, a coisa mais avançada. Hoje a gente já precisa de uma certa cautela ao fazer essas classficações genéricas.</p>
<p>Por isso tudo, não sei se os jornalistas precisam de um sindicato. Quer dizer: se for parecido com o que existe até hoje, não faz sentido. Se surgir alguma proposta inovadora, empolgante, mobilizadora, aí é de pensar. Mas, com o jornalismo e os jornalistas vivendo uma crise de identidade (são profissionais liberais ou servidores de empresas e governo?) e com uma grande confusão conceitual a reboque da desregulamentação profissional, qual será o mágico que conseguirá sair dessa arapuca?</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Já que estão falando no &#8220;mais antigo&#8221;&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2011 14:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[No Facebook tem um grupo &#8220;Reencontro O Estado&#8221; onde ex-funcionários do &#8220;mais antigo&#8221; conversam sobre suas lembranças. Hoje a jornalista Marta Scherer desencavou e levou pra lá um documentário sobre como era feito (tecnicamente) um jornal brasileiro (A Gazeta, de São Paulo), em&#8230; 1942! Foi produzido por uma agência governamental dos Estados Unidos, certamente no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Facebook tem um grupo &#8220;Reencontro O Estado&#8221; onde ex-funcionários do &#8220;mais antigo&#8221; conversam sobre suas lembranças. Hoje a jornalista Marta Scherer desencavou e levou pra lá um documentário sobre como era feito (tecnicamente) um jornal brasileiro (A Gazeta, de São Paulo), <strong>em&#8230; 1942!</strong> Foi produzido por uma agência governamental dos Estados Unidos, certamente no esforço de se aproximar de aliados, diante da guerra contra o nazismo. A narração, um tanto quanto eufórica, é em inglês.</p>
<p>Bom, mas não resisti e trouxe o filminho pra cá. É, de fato, um bom documentário sobre como eram as oficinas dos jornais, com linotipos, clichês de metal, impressão em rotativas tipográficas. E ainda aparecem algumas cenas de São Paulo, com seus bondes abertos.</p>
<p><object width="425" height="349" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000"><param value="true" name="allowfullscreen"/><param value="always" name="allowscriptaccess"/><param value="high" name="quality"/><param value="true" name="cachebusting"/><param value="#000000" name="bgcolor"/><param name="movie" value="http://www.archive.org/flow/flowplayer.commercial-3.2.1.swf" /><param value="config={'key':'#$aa4baff94a9bdcafce8','playlist':['format=Thumbnail?.jpg',{'autoPlay':false,'url':'BrazilGe1942_512kb.mp4'}],'clip':{'autoPlay':true,'baseUrl':'http://www.archive.org/download/BrazilGe1942/','scaling':'fit','provider':'h264streaming'},'canvas':{'backgroundColor':'#000000','backgroundGradient':'none'},'plugins':{'controls':{'playlist':false,'fullscreen':true,'height':26,'backgroundColor':'#000000','autoHide':{'fullscreenOnly':true}},'h264streaming':{'url':'http://www.archive.org/flow/flowplayer.pseudostreaming-3.2.1.swf'}},'contextMenu':[{},'-','Flowplayer v3.2.1']}" name="flashvars"/><embed src="http://www.archive.org/flow/flowplayer.commercial-3.2.1.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="349" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" cachebusting="true" bgcolor="#000000" quality="high" flashvars="config={'key':'#$aa4baff94a9bdcafce8','playlist':['format=Thumbnail?.jpg',{'autoPlay':false,'url':'BrazilGe1942_512kb.mp4'}],'clip':{'autoPlay':true,'baseUrl':'http://www.archive.org/download/BrazilGe1942/','scaling':'fit','provider':'h264streaming'},'canvas':{'backgroundColor':'#000000','backgroundGradient':'none'},'plugins':{'controls':{'playlist':false,'fullscreen':true,'height':26,'backgroundColor':'#000000','autoHide':{'fullscreenOnly':true}},'h264streaming':{'url':'http://www.archive.org/flow/flowplayer.pseudostreaming-3.2.1.swf'}},'contextMenu':[{},'-','Flowplayer v3.2.1']}"></embed></object></p>
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		<title>A escola O Estado de jornalismo</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 14:23:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Os ex-empregados do Comelli, jornalistas e demais profissionais que trabalharam no jornal O Estado (o mais antigo, não tem?) estão conversando, num grupo do Facebook (Reencontro O Estado), sobre suas memórias, organizando encontros etílicos e não etílicos e preparando uma grande festa/reunião para o dia 28 de maio. A alturas tantas, o Osmar Schlindwein disse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os ex-empregados do Comelli, jornalistas e demais profissionais que trabalharam no jornal O Estado (o mais antigo, não tem?) estão conversando, num grupo do Facebook (Reencontro O Estado), sobre suas memórias, organizando encontros etílicos e não etílicos e preparando uma grande festa/reunião para o dia 28 de maio.</p>
<p>A alturas tantas, o Osmar Schlindwein disse uma coisa muito interessante, que passou meio despercebida, mas que faço questão de trazer pra cá e comentar um pouco. Ele escreveu: &#8220;Lembrem de me chamar para o próximo encontro da maior escola de jornalismo de SC&#8221;.</p>
<p>Ora, O Estado foi mesmo uma grande escola de jornalismo. Nem sempre o que se ensinou lá era a melhor prática jornalística (vide as incursões ao bambuzal), mas nas escolas formais também o ensino, às vezes, não é lá essas coisas. Como em toda escola, quem passou por O Estado lembra dos amigos e das vivências que teve com saudade. Mesmo que, entre as lembranças, esteja o atraso do salário, algumas dificuldades e decepções.</p>
<p>Para muitos jornalistas já veteranos (como eu), O Estado foi o primeiro emprego. Na fase de impressão em off-set, iniciada em 1972, havia a concorrência com o Santa (Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, criado em 1971). A certa altura, mais ou menos quando o Santa já não representava grande perigo, chega o Diário Catarinense (o &#8220;jornal dos gaúchos&#8221; da RBS). Durante vários anos, a concorrência se deu quase de igual para igual. Era estimulante e ajudava a turma a se esforçar para fazer melhor.</p>
<p>Estamos falando aí de quase três décadas de atividade &#8220;normal&#8221; de um jornal com circulação estadual e grande prestígio. Durante esse tempo, passaram pela &#8220;escolinha&#8221; algumas centenas de profissionais (a última contagem feita no grupo do FB estava em algo como 400). Que, de alguma forma, participaram do processo de ensino/aprendizagem.</p>
<p>Como em boas escolas modernas, o curso de jornalismo O Estado não tinha professores ensinando o tempo todo: às vezes se aprendia, às vezes se ensinava. E o fato de ocupar formalmente uma função de chefia ou subalterna não contava muito. Nas situações inusitadas em que o trabalho às vezes era feito, ou todo mundo remava, aprendendo e ensinando, ou acabava fora do barco. E, agora, das lembranças.</p>
<p>Embora o dono, nessa fase, sempre tenha sido o Comelli, que de tempos em tempos trocava o editor-chefe, que por sua vez remexia na composição da equipe, acho que dá para dizer que O Estado teve um único e grande catedrático. Um professor que atravessou gerações e, provavelmente sem querer, acabou sendo um dos personagens que melhor representa o que O Estado foi: ele mesmo, o Amarelo, &#8220;seu&#8221; Osmar.</p>
<p>Se O Estado ainda existisse, o Osmar poderia ser eleito Reitor dessa que ele, com orgulho, chamou de &#8220;a maior escola de jornalismo de SC&#8221;.</p>
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		<title>&#8220;Jornalismo&#8221; de assessoria</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Mar 2011 13:15:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Li hoje cedo uma nota, no tuíter, sobre a nova Empresa Júnior da UFSC, a Comunica! Dizia-se ali que se tratava de uma &#8220;empresa júnior de jornalismo&#8220;. E resolvi, mais uma vez, colocar a mão nessa cumbuca, que tanta polêmica tem provocado ao longo dos anos. Pra mim essa é uma questão resolvida, cristalina como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li hoje cedo uma nota, no tuíter, sobre a nova Empresa Júnior da UFSC, a Comunica! Dizia-se ali que se tratava de uma &#8220;<a href="http://noticias.ufsc.br/2011/03/25/estudantes-da-ufsc-implantam-empresa-junior-de-jornalismo/" target="_blank">empresa júnior de jornalismo</a>&#8220;. E resolvi, mais uma vez, colocar a mão nessa cumbuca, que tanta polêmica tem provocado ao longo dos anos.</p>
<p>Pra mim essa é uma questão resolvida, cristalina como a água dos rios do nordeste japonês: o jornalista que atua em assessoria de imprensa ou de comunicação assessorando empresas e entidades usa, é claro, sua experiência profissional e as técnicas jornalísticas para prestar um serviço que não é jornalismo. É relações públicas, assessoria de imprensa, comunicação institucional ou qualquer outro nome que julgarem apropriado. Menos jornalismo.</p>
<p>Para situar os leitores que vêm de outras áreas: sempre que a gente começa esta conversa, é bom esclarecer que existe um conflito entre Relações Públicas e Jornalistas por causa dessas funções. Os RP acham que é campo deles. Os jornalistas, um tanto quanto assustados com o estreitamento dramático das oportunidades de trabalho, desembarcaram com tudo nessa canoa e criaram até, na sua extinta legislação profissional, a figura do jornalista de assessoria de imprensa. O que, a rigor e que os RPs não nos ouçam, é muito bom pra nós porque, de fato, em muitas das tarefas de assessoria de imprensa, ter experiência jornalística e conhecer a vivência das redações, é fundamental.</p>
<p>Mas, ao longo do tempo, temos visto que os jovens saem direto do curso de Jornalismo para as assessorias de imprensa. Antes de fazer jornalismo profissionalmente, já começam a fazer relações públicas. Alguns, é claro, não fazem nem uma coisa, nem outra. Basta olhar com atenção alguns press releases que disparam para as redações que nunca frequentaram.</p>
<p>Os jornais, por sua vez, atingidos por uma crise medonha (financeira e de competência), passaram a contar com o &#8220;material&#8221; das assessorias para completar seu &#8220;noticiário&#8221;. É uma alface de dois legumes: para a empresa ou entidade é ótimo publicar suas coisinhas no jornal sem ter que pagar o espaço publicitário. Para o jornal é ótimo ter com que preencher suas páginas, sem ter que pagar salários a mais jornalistas.</p>
<p>Para os jovens, é possível que chamar de &#8220;Empresa Júnior de Jornalismo&#8221; uma empresa que vai prestar serviços de comunicação institucional ou assessoria de imprensa, pareça &#8220;natural&#8221;. &#8220;Normal&#8221;. E até se compreende que, no mercado, empresas que prestam esses serviços queiram adicionar charme ao seu nome, dizendo-se &#8220;de jornalismo&#8221;. Mas é preocupante quando um Curso de Jornalismo (!!!) comete esse tipo de equívoco.</p>
<p>Antes que comecem a crucificação (ou o enforcamento): nada contra empresas juniores, são fundamentais para complementar a formação, ainda mais numa área como o jornalismo, onde o estágio é terra de ninguém. Só acho que não custava nada terem denominado adequadamente a Comunica!: Empresa Júnior de Comunicação Institucional. Ou Empresa Júnior de Assessoria de Imprensa.</p>
<p>Jornalismo é outra coisa. Concordas, Scotto?</p>
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		<title>Intrigas em torno do Arruda</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2011 15:02:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando a Veja publicou extemporaneamente a entrevista do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, jogando dinheiro no ventilador, surgiram vários boatos a respeito. Claro que a demora em publicar (a entrevista foi feita no ano passado, antes das eleições) é, por si só, motivo de desconfiança. Mas a fofoca que corre envolve o nome do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a Veja publicou extemporaneamente a entrevista do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, jogando dinheiro no ventilador, surgiram vários boatos a respeito. Claro que a demora em publicar (a entrevista foi feita no ano passado, antes das eleições) é, por si só, motivo de desconfiança. Mas a fofoca que corre envolve o nome do repórter Diego Escosteguy, que está assumindo uma editoria na Época, revista concorrente de Veja.</p>
<p>Várias pessoas me contaram versões &#8220;definitivas&#8221; da história. Todas com um ou outro lance mais fantasioso. Numa delas, a Veja teria publicado a entrevista agora, para &#8220;furar&#8221; a revista concorrente, onde Diego iria publicá-la.</p>
<p>Hoje li uma resposta do Diego a um dos portavozes da boataria, o também jornalista Luiz Nassif. E resolvi compartilhar com vocês, porque alarga o debate e expõe os argumentos de uma das vítimas dessa conversa toda. Para ler o que Nassif tinha escrito, é só <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/consideracoes-sobre-a-entrevista-de-arruda-a-veja" target="_blank">clicar aqui</a>.</p>
<p>Taí:</p>
<p>25 de março de 2011</p>
<h2>Carta aberta a Luis Nassif</h2>
<p>Caro Luis Nassif,</p>
<blockquote><p>Foi com profunda indignação que, alertado por amigos, li há pouco em seu blog uma nota intitulada <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/consideracoes-sobre-a-entrevista-de-arruda-a-veja" target="_blank"><strong>&#8220;Considerações sobre a entrevista de Arruda a VEJA&#8221;</strong></a>, publicada às 10h16 de ontem, dia 24 de março de 2011. Esclareço que, ao contrário do que você escreveu, eu:</p>
<p>1)  Nunca estive &#8220;em processo de ruptura&#8221; com a VEJA. Minha saída da revista foi amigável &#8211; não por acaso, alguns de meus melhores amigos continuam por lá. Apenas aceitei um excelente convite profissional: ser editor de Brasil na revista ÉPOCA. Nada além disso;</p>
<p>2)  Nunca tive &#8220;conflitos pesados&#8221; com o chefe da sucursal de Brasília da revista VEJA, Policarpo Junior, jornalista com o qual tive o privilégio de trabalhar por cinco anos. Muito aprendi com esse profissional extraordinário, certamente um dos mais brilhantes em atividade no país;</p>
<p>3)  Subscrevo integralmente &#8211; cada letra, cada vírgula, cada pontuação &#8211; da matéria de capa &#8220;Caraca! Que dinheiro é esse?&#8221;, publicada na VEJA em setembro de 2010. Meu nome não foi &#8220;incluído&#8221; nessa matéria: eu assinei a reportagem porque a apurei exaustivamente e também a redigi, ao lado do jornalista Otávio Cabral, outro profissional de altíssimo nível e caráter irretocável. É, portanto, falsa a afirmação de que eu &#8220;comentei com amigos que a matéria foi inventada&#8221;. Nunca tive qualquer contato com você, não lhe conheço, mas, se tivesse sido procurado para esclarecer essa suposta informação &#8211; como, aliás, determinam as regras do bom jornalismo &#8211; , teria lhe dito isso prontamente; e</p>
<p>4) Nunca &#8220;pedi autorização&#8221; da revista VEJA para publicar na revista ÉPOCA uma entrevista com o ex-governador José Roberto Arruda. Essa afirmação não é somente falsa como carece do mínimo nexo lógico com a realidade do jornalismo. As circunstâncias de minhas entrevistas com Arruda estão detalhadas na edição desta semana da revista ÉPOCA;</p>
<p>Ressalto, por fim, que tenho orgulho de todas as matérias que produzi durante meus cinco anos como repórter de VEJA. Elas resultaram de um trabalho jornalístico intenso e rigoroso, que muitas vezes demandava meses de apuração e criteriosa checagem. Ou seja: todas &#8211; repito: todas &#8211; minhas matérias foram norteadas tanto pelo padrão exigente que me imponho desde que comecei nesta profissão, há dez anos, quanto pelos cautelosos critérios que caracterizam o jornalismo praticado pela revista VEJA.&#8221;</p></blockquote>
<p>Atenciosamente,<br />
<em>Diego Escosteguy</em><br />
Jornalista</p>
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