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	<title>De Olho na Capital &#187; Cartinha do Emanuel</title>
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	<description>O blog do Cesar Valente</description>
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		<title>Anestesia1</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 01:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Emanuel Medeiros Vieira Para Chico Alencar, meu amigo A decisão do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) de deixar o país é fato gravíssimo que se já não espanta, é porque a consciência de cidadania de um país já está profundamente anestesiada, resignada – aceita tudo. Tal postura seria derivada da permanente impunidade nos três [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Emanuel Medeiros Vieira</strong><br />
Para Chico Alencar, meu amigo</p>
<blockquote><p>A decisão do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) de deixar o país é fato gravíssimo que se já não espanta, é porque a consciência de cidadania de um país já está profundamente anestesiada, resignada – aceita tudo.</p>
<p>Tal postura seria derivada da permanente impunidade nos três poderes?</p>
<p>É uma espécie de império do “relativismo” moral.</p>
<p>O que houve?</p>
<p>O Rio foi capital do Brasil.</p>
<p>É a falência completa das instituições.</p>
<p>O parlamentar presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio, que resultou no indiciamento de mais de 200 pessoas, entre políticos, policiais, bombeiros e outros suspeitos de ligação com grupos criminosos que dominam comunidades, principalmente na zona oeste da capital fluminense.</p>
<p>As investigações resultaram em mais de 500 prisões e inspirou um personagem do filme “Tropa de Elite2”.<br />
Somente no mês de outubro, o serviço de inteligência da Polícia Militar do Rio confirmou pelo menos sete ameaças de morte contra ele</p>
<p>Repito: sete!</p>
<p>Quem conhece o caráter do deputado, afirma que ele não faria isso por marketing, querendo dar um golpe publicitário.</p>
<p>E quem pensa assim, esquece – como observou alguém – que o problema não é particular. É público.</p>
<p>É que muitas pessoas tendem a projetar a sua índole nos outros.</p>
<p>Os homens nascem iguais, mas não são iguais no seu merecimento.</p>
<p>O que está acontecendo é um tapa na cara da sociedade brasileira.</p>
<p>Ou estou romântico demais?</p>
<p>O que a maioria quer mesmo é se “dar bem”, mesmo à base de cotoveladas?</p>
<p>Ela está mais preocupada comas fofocas de “Caras”, com as novelas,  com a vida fútil e idiota de muitas celebridades, com os programas de auditório, ou ficar sabendo se uma dupla sertaneja vai se separar ou não.</p>
<p>Então, merecemos que um deputado honrado e combativo (não há muitos) precise deixar o país para não ser morto. Ou seus filhos. Ou sua mulher.</p>
<p>Enquanto isso, esse impoluto senhor chamado Orlando Silva (um dos maiores cantores que o Brasil já teve, para o seu infortúnio, tinha o mesmo nome), na posse do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), no ministério do Esporte, foi aplaudido de pé. Só faltou ser beatificado.</p>
<p>A pergunta que não quer calar: então por que ele teve que sair?</p></blockquote>
<p style="text-align: right;">(Salvador, novembro de 2011)</p>
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		<title>Tapioca balança, mas não cai</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/10/24/tapioca-balanca-mas-nao-cai/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 02:43:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Emanuel Medeiros Vieira O escândalo do ministro orlando Silva e do PCdoB não acabará em pizza. Vai acabar mesmo em tapioca&#8230; (Rememorando: lembram-se quando o ministro pagou uma tapioca com cartão corporativo do governo?) Orlando Silva pode continuar: mas será um “pato manco”, como se diz na política norte-americana, totalmente desmoralizado e fragilizado. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Emanuel Medeiros Vieira</em></p>
<p>O escândalo do ministro orlando Silva e do PCdoB não acabará em pizza. Vai acabar mesmo em tapioca&#8230;</p>
<p>(Rememorando: lembram-se quando o ministro pagou uma tapioca com cartão corporativo do governo?)</p>
<p>Orlando Silva pode continuar: mas será um “pato manco”, como se diz na política norte-americana, totalmente desmoralizado e fragilizado.</p>
<p>A pergunta que se faz sempre: o que leva um homem a renunciar à dignidade e à auto-estima para se manter no cargo?</p>
<p>Claro, o poder. Mas que poder? Agnelo Queiroz  – atual governador do  Distrito Federal – a gente já conhecia bem.</p>
<p>Como lembra Janio de Freitas, a primeira trama para desvio de verba pública, por meio do programa Segundo tempo, é de seu período como ministro.</p>
<p>Durval Barbosa, o delator do mensalão do finado DEM, em Brasília, apresentou todas as provas de corrupção em primeira mão para Agnelo.</p>
<p>O que o levou a ficar calado, a não denunciar a quadrilha à Polícia Federal e ao Ministério Público? Mistérios&#8230;</p>
<p>É claro: a guarda pretoriana do PT desqualifica o acusador e não investiga as denúncias. A sucessão de escândalos teria deixado a sociedade anestesiada?</p>
<p>Mas percebemos focos organizados de repulsa. Basta!</p>
<p><strong>E O GOVERNO DA BAHIA&#8230;</strong></p>
<p>O governador baiano, Jacques Wagner e sua equipe (que vivem no mundo virtual da propaganda maciça – ACM fez escola&#8230;) prometeram mundos e fundo aos baianos, sobre o circo da Copa do Mundo de 2014.<br />
Wagner e companheirada  ficaram mal após o anúncio da Fifa  sobre as subsedes da Copa e da Copa das Confederações.</p>
<p>Criou uma Secretaria Especial para a Copa (Secopa), vendeu a ideia de que a Fonte Nova era o estádio com a reconstrução mais avançada do País, fez a campanha Abre a Copa Salvador, realizou seminários em locais distantes do palco dos acontecimentos, como Juazeiro e Vitória da Conquista, como lembra  o jornalista Levi Vasconcelos.</p>
<p>Resultado?</p>
<p>Salvador não foi escolhida sequer para os jogos da Copadas Confederações, em 2013, pela qual brigou para sediar a abertura.</p>
<p>Comentam que na Copa, a capital baiana terá três jogos de seleções mixurucas. E o governador se gaba de sua amizade com Lula e Dilma&#8230;</p>
<p>Triste Bahia!</p>
<p style="text-align: right;">(Salvador, outubro de 2011)</p>
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		<title>Comparações</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 17:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Emanuel Medeiros Vieira O ilibado deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), em uma palestra, apresentou o senhor José Dirceu como uma espécie de Che Guevara. Ouvimos bem? O Zé Dirceu e Che Guevara no mesmo patamar? Sim: segundo o impoluto deputado. Também temos consciência de que o ex- Chefe da Casa Civil da Presidência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Emanuel Medeiros Vieira</p>
<blockquote><p>O ilibado deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), em uma palestra, apresentou o senhor José Dirceu como uma espécie de Che Guevara.</p>
<p>Ouvimos bem? O Zé Dirceu e Che Guevara no mesmo patamar?<br />
Sim: segundo o impoluto deputado.</p>
<p>Também temos consciência de que o ex- Chefe da Casa Civil da Presidência da República, na época do “mensalão” (outra maligna invenção da imprensa e da Procuradoria-Geral da República) é um exemplo de humanismo e de ética, tem aversão ao camarada Stalin e ao maquiavelismo.</p>
<p>Como lembrou um leitor, de guerrilheiro , Dirceu só usou a boina, não pegou no fuzil.</p>
<p>Che abandonou o poder quando o seu prestígio estava no auge. No fundo, deveria saber que &#8211; quase (quase?) sempre – as revoluções devoram os seus melhores filhos.</p>
<p>O leitor imaginaria o Zé Dirceu abandonando o poder por sua própria vontade? “Lamarca e Marighella devem estar se remoendo nos seus túmulos”, arremata o leitor.</p>
<p>Só queria explicitar para as mentes maniqueístas: o que o escrevi nada tem a ver com a  “Veja”. A turma encastelada (e feliz) no Poder, busca  sempre o seu álibi preferido quando é desmascarada; “o ataque é de direita.”</p>
<p>Sabe que não nos enganam.</p>
<p>(Um parêntese: através de uma amiga , soube que alguns colegas “socialistas” da Ilha – que não sabem o que foram o DOPS e da OBAN –, disseram que eu mudei de lado. Quem mudou? Fui eu?)</p>
<p>Esclarecimento: para as novas gerações: os órgãos acima citados foram dois “spas” criados pela “ditabranda”(não ditadura, segundo a “Folha”).</p></blockquote>
<p>(Salvador, outubro de 2011)</p>
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		<title>São João não é mais aquele</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 22:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Emanuel Medeiros Vieira Forrozeiros tradicionais – os chamados “pé de serra” – têm cada vez menos espaço nos festejos de São João, tão enraizados no Nordeste. Eles estão perdendo espaço para a invasão de todos os ritmos, do axé ao pagode, como lembra o jornalista Levi Vasconcelos; A cidade de São Francisco do Conde, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Emanuel Medeiros Vieira</p>
<blockquote><p>Forrozeiros tradicionais – os chamados “pé de serra” – têm cada vez menos espaço nos festejos de São João, tão enraizados no Nordeste.</p>
<p>Eles estão perdendo espaço para a invasão de todos os ritmos, do axé ao pagode, como lembra o jornalista Levi Vasconcelos;</p>
<p>A cidade de São Francisco do Conde, na Bahia, faz uma milionária festa dizendo homenagear Luiz Gonzaga, mas leva como estrelas principais Chiclete com Banana e Exaltasamba.</p>
<p>Um grupo de forro autêntico, cujo cachê era de R$ 30 mil, foi “deletado” de uma grade de shows para ceder espaço a Bruno e Marrone, contratados por mais de R$ 200 mil </p>
<p>E o grupo excluído, como observa o jornalista, precisa ficar calado porque senão sofre perseguições.</p>
<p>“A roça é só alegoria. Cada dia está mais chic.”</p>
<p><strong> AS RELAÇÕES COMPLICADAS DO GOVERNADOR DO RIO</strong></p>
<p>No dia 17 de junho, caiu em Trancoso, na região de Porto Seguro, no Sul da Bahia, um helicóptero, matando sete pessoas.</p>
<p>É claro que se lamenta a tragédia.</p>
<p>Mas o governador do Rio, Sérgio Cabral parece ser forte com os fracos (lembram-se das reivindicações dos bombeiros?) e fraco com os fortes.</p>
<p>Ele viajou para o Sul da Bahia num jatinho do empresário Elke Batista em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções.</p>
<p>A empresa é uma das maiores prestadoras de serviços do Estado do Rio de Janeiro e recebeu, desde 2007, contratos que chegam a R$ 1 bilhão.</p>
<p>A Delta Engenharia abocanha mais de 70% das obras do PAC, no Rio e também vai fazer a reforma do Maracanã (junto com a Odebrechet e a Andrade Gutierrez), e seu  orçamento saltou de R$ 459 milhões para R$ 1 bilhão antes da obra começar.</p>
<p>A utilização de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar o corpo das vítimas do acidente com helicóptero, será alvo de investigação pelo Ministério Público Federal da Bahia (MPF-BA).</p>
<p>O procedimento administrativo foi instaurado no dia 22 de junho.</p>
<p>Parece crueldade?</p>
<p>Um leitor do “Correio da Bahia” lembrou que no Sul do Estado do Espírito Santo, um barco  com seis pescadores está desaparecido no mar há mais de 15 dias e ninguém toca mais no assunto, “tendo a Marinha encerrado as buscas, se é que ocorreram”.</p>
<p>E sublinha: “Qual a diferença entre esses casos? La haviam empresários e amigos de políticos. Aqui eram todos trabalhadores e pobres”.</p>
<p>Dizem que Cabral 1 descobriu a filial. </p>
<p>E que Cabral 2 tentou e se deu mal.</p></blockquote>
<p>(Salvador, junho de 2011)</p>
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		<title>Notícias da Bahia</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/05/06/noticias-da-bahia/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 11:27:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[O Emanuel é um escritor catarinense que está agora morando na Bahia, depois de uma longa estadia em Brasília. Manda notícias de lá, para que a gente não pense que as mazelas catarinenses são únicas no país. DESIGUALDADE Por Emanuel Medeiros Vieira “Não se apaixone pelo Poder!” Michel Foucault A Embasa é a estatal de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Emanuel é um escritor catarinense que está agora morando na Bahia, depois de uma longa estadia em Brasília. Manda notícias de lá, para que a gente não pense que as mazelas catarinenses são únicas no país.</p>
<h2><strong>DESIGUALDADE</strong></h2>
<p>Por Emanuel Medeiros Vieira</p>
<blockquote><p>“Não se apaixone pelo Poder!”<br />
Michel Foucault</p></blockquote>
<p><em>A Embasa é a estatal de água da Bahia. A empresa penalizou a população com um aumento de 13,64%, muito acima da inflação. Ontem, um deputado pediu que o TCE  faça uma auditoria na empresa.</em></p>
<p><em>A Embasa aumenta abusivamente o preço da água e, ao mesmo tempo, patrocina clubes de futebol e micaretas, como as de Feira de Santana e Camaçari, além de pagar alto o cachê de Daniela Mercury para cantar na festa dos seus 40 anos. Lembre-se que o governador Jacques Wagner é do PT.</em></p>
<p><em>O secretário estadual da Saúde vai para a TV e desanca os profissionais da saúde que estão em greve no Estado. Os deputados que eram de oposição e que sempre combateram ACM, ficam calados. Desapareceram. Ou quem sempre apoiou as greves, agora é contra!</em></p>
<p><em>Estão no poder!</em></p>
<p><em>É sempre assim: com aposentados, professores e outras categorias que deram seus votos a esses deputados. Os dignos representantes do povo, fogem  à sorrelfa (ao dicionário!).</em></p>
<p><em>Chega a ser surrealista: o presidente do Sindicato dos Médicos é ligado ao PCdoB, aliado do governo. Está à frente da greve. Ontem, no jornal da TV Bandeirantes, quem apareceu na tela agradecendo aos médicos que não aderiram ao movimento, foi o  superintendente de Atenção Básica da  Secretaria da Saúde, também do PCdoB.</em></p>
<p><em>Como disse o jornalista Levi Vasconcelos, agora temos o PCdoB do G (do governo) e o PCdoB do C (do contra).</em></p>
<p><em>Não, não é só carnaval, festa ou acarajé. A Bahia aparece com a maior concentração de pessoas em situação de extrema pobreza (2,4 milhões) – conforme o Ministério Social de Combate à Fome. A concentração de renda é um problema histórico em território baiano.</em></p>
<p><em>“Há três séculos que é assim: poucos têm muito e muitos têm muito pouco”, destaca o professor Elias Sampaio.</em></p>
<p><em>Ele acredita que um dos aspectos levantados pelo estudo da Fundação Getúlio Vargas (que aponta 43% de crescimento na renda  da população negra,contra 21% dos brancos, entre 2000 e 2009), pode estar equivocada. “O aumento de 43% pode significar a passagem de pessoas do nível de miséria para o de pobreza. É preciso conhecer os valores de renda em questão”, avalia.</em></p>
<p><em>É claro que a maior estabilidade na economia brasileira, vivida nos últimos 16 anos, não é o bastante para sanar os problemas decorrentes de três séculos de escravidão.</em></p>
<p>(SALVADOR, MAIO DE 2011)</p>
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		</item>
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		<title>Conselho de Ética. Ética?</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/04/27/conselho-de-etica-etica/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 14:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Emanuel Medeiros Vieira Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito na terça-feira 26, membro titular do Conselho de Ética do Senado. Lembram-se dele? Ele já respondeu a cinco inquéritos por quebra de decoro parlamentar no próprio Conselho.  Gim Argello (PTB-DF) foi eleito vice-presidente do impoluto órgão. Ele é investigado em inquérito que tramita no STF (Supremo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Emanuel Medeiros Vieira</p>
<blockquote><p>Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito na terça-feira 26, membro titular do Conselho de Ética do Senado.</p>
<p>Lembram-se dele?</p>
<p>Ele já respondeu a cinco  inquéritos por quebra de decoro parlamentar  no próprio Conselho.  Gim Argello (PTB-DF) foi eleito vice-presidente do impoluto órgão.</p>
<p>Ele é investigado em inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) porque teria alugado computadores por valor super-faturado  quando era deputado distrital em Brasília.</p>
<p>Amigo  pessoal  de Renan e do ilustre escritor e presidente do Senado, José Sarney, o  senador João Alberto (PMDB-MA)  vai presidir o Conselho.</p>
<p>Sim: de Ética!</p>
<p>Entre os indicados para o honorável  Conselho,estão  também os ilibados senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp  (PMDB-RO).</p>
<p>Os dois também respondem a processos judiciais.</p>
<p>Para o franciscano órgão, ficar completo, faltaram José Roberto Arruda e Joaquim Roriz.</p>
<p>Já  não são mais senadores.</p>
<p>O Senado é uma Casa séria, de muita tolerância.</p>
<p>(Queria apenas lembrar que por lá passaram Ruy Barbosa e Darcy Ribeiro.)</p>
<p>Viva o Conselho! Viva o Senado!</p></blockquote>
<p style="text-align: right;">(Salvador, abril de 2011)</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Preconceitos</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/04/06/preconceitos/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 15:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[(AINDA SOBRE O CASO BOLSONARO) Por Emanuel Medeiros Vieira Hoje, no Brasil, ninguém é de direita. Na fase mais negra da ditadura, atravessavam a rua para não falar com a gente. Éramos portadores da “peste” da esquerda. Mesmo financiadores da tortura, e adeptos de Sarney, Maluf, Jader, Jucá, Renan, Collor e da fina flor da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(AINDA SOBRE O CASO BOLSONARO)</em></p>
<p><strong>Por Emanuel Medeiros Vieira</strong></p>
<blockquote><p>Hoje, no Brasil, ninguém é de direita.</p>
<p>Na fase mais negra da ditadura, atravessavam a rua para não falar com a gente. Éramos portadores da “peste” da esquerda.</p>
<p>Mesmo financiadores da tortura, e adeptos de Sarney, Maluf, Jader, Jucá,  Renan, Collor e da fina flor da elite parasitária brasileira dizem que são de  “centro-esquerda”.</p>
<p>Não é de enojar? Não subestimam a nossa inteligência? Serão todos socialistas?</p>
<p>O que quero dizer?</p>
<p>Era preciso haver um partido realmente de “direita” no Brasil. Para a gente saber quem é quem. Sim, falo do caso Bolsonaro. Homofóbico, racista, fascista, o deputado sempre defendeu as piores causas. Não disfarça: é assumidamente de direita.</p>
<p>Mas o que é a justiça? Um traço dela não é a equidade?</p>
<p>Vocês se lembram de um candidato, em campanha eleitoral, esperando para entrar no ar numa rádio, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, dizendo jocosamente: “Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados”. Esse candidato era o Lula.</p>
<p>Os movimentos em defesa dos gays, as feministas, os sindicalistas, os blogs amestrados pelo governo, as entidades aparelhadas como a CUT, UNE, ONGs em geral, a elite insultada com as declarações recentes de Bolsonaro falaram alguma coisa? Tiveram coragem de criticar o Lula?</p>
<p>Nada. Que hipocrisia!</p>
<p>O pai dessa cantora que se sentiu humilhada, também cantor e ex-ministro da Cultura (ou melhor, bobo da corte lulista) no governo passado, foi vereador em Salvador, cidade em que hoje resido. Segundo uma pessoa bastante confiável me contou (é um padre autenticamente socialista,  o tal cantor baiano, pai da medíocre cantora indignada,  pediu um elevador privativo na Câmara de Vereadores.  Só para ele. O cantor não queria se misturar.</p>
<p>Em outra ocasião, Lula culpou os “loiros de olhos” azuis pela crise econômica mundial. Alguém reclamou de tal idiotice? &#8220;Loira burra” pode?</p>
<p>Imagine se alguém falasse o contrário.</p>
<p>Como disse um articulista,“processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo”.</p>
<p>Guilherme Fiuza  lembra que manifestantes negros tentaram barrar um bloco carnavalesco que homenageava o grande escritor Monteiro Lobato – que segmentos ligados ao governo queriam proibir no Brasil. Fiuza indaga: se os negros podem fazer isso, “por que um deputado de direita não ser contra o orgulho gay e as cotas raciais”?</p>
<p>Na Constituição dos politicamente corretos (como na dos militares), liberdade de expressão tem limite.</p>
<p>Não quero citar nomes, mas conheço pessoas e colegas de ofício (guardo todas as cartas) em Santa Catarina que eram assumidamente de direita (uma colega confessou que era “malufista”), que nos atacavam feroz ou dissimuladamente – eram dóceis serviçais da ditadura –, e hoje simulam uma indignação que realmente não possuem (são todos socialistas!).</p>
<p>É teatro, é arremedo, é algo que soa falso.</p>
<p>Vão fazer petições para que o processo dos mensaleiros  do PT e dos outros partidos não prescreva no STF? Assinarei embaixo!</p></blockquote>
<p>(Salvador, abril de 2011)</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Carnaval da segregação</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/03/21/carnaval-da-segregacao/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 11:29:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[O Emanuel Medeiros Vieira é um escritor manezinho candango que aportou na Bahia de mala e cuia, depois de um estágio em Brasília. De lá manda um relato de arrepiar o cabelinho da nuca dos esquerdinhas mais radicais. Emanuel também se enquadra naquele espectro que há algumas décadas, era mais facilmente identificado como &#8220;esquerda&#8221;, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Emanuel Medeiros Vieira é um escritor manezinho candango que aportou na Bahia de mala e cuia, depois de um estágio em Brasília. De lá manda um relato de arrepiar o cabelinho da nuca dos esquerdinhas mais radicais. Emanuel também se enquadra naquele espectro que há algumas décadas, era mais facilmente identificado como &#8220;esquerda&#8221;, mas tem um vezo humanista que o mantém de olhos abertos. E aí, mesmo sob o reinado petista de Jacques Wagner, consegue avaliar criticamente o que o rodeia.</p>
<p><strong>CARNAVAL DA SEGREGAÇÃO</strong><br />
<em>(E curta reflexão sobre a instalação de usinas nucleares)</em></p>
<p>Por Emanuel Medeiros Vieira</p>
<blockquote><p>O carnaval, pelo menos na Bahia, virou a celebração do “apartheid” e da<br />
segregação.</p>
<p>Os cantores famosos que já ganham rios de dinheiros, ganharam mais.</p>
<p>Como observou Emiliano José, são vários os “apartheids” da organização do carnaval em Salvador nos últimos anos.  Os “cordeiros” (as pessoas que seguram as cordas dos blocos, onde entram quem pode pagar os abadás)  são submetidos a um regime de trabalho semiescravo – são “negros convertidos em guardiãs dos brancos bem nascidos, protegidos por cordas”.</p>
<p>São obrigados a sustentar as cordas, afastando a multidão a que eles  mesmo pertencem. Resumindo: de um lado, a multidão de fora das cordas. De outro, os que pagam proteção e brincam no interior das mesmas.</p>
<p>Reconheça-se o esforço do Ministério Público para diminuir a exploração. Mas a segregação não desaparece. Como observou o jornalista citado, “há turistas que chegam aos hotéis, embarcam nos ônibus, descem protegidos por seguranças, entram nas cordas, e dali voltam para suas camas, sem sequer interagir com Salvador, com a complexidade da cidade.”</p>
<p>Com esse tipo de privatização do espaço que deveria ser de todos, com privilégio para tais blocos, o chamado folião “pipoca” é marginalizado. Os camarotes representam outro tipo de “apartheid”. Uma plateia da dita elite vê o trio elétrico passar, e paga alto para fruir o espetáculo.</p>
<p>Muitos que participavam de blocos de rua e combatiam a ditadura, agora estão nos camarotes. Preferem  terceirizar responsabilidades (ABANDONANDO OS APOSENTADOS E O FUNCIONALISMO PÚBLICO COM SEUS SALÁRIOS DE FOME), e culpar Obama por tudo o que de ruim acontece.</p>
<p>Quem conhece um pouco de Freud, sabe que tal postura poderia ser qualificada de “mecanismo compensatório”, álibi ou truque mental para não assumir as próprias responsabilidades. Não é má vontade.  É só ler os jornais. Os que foram eleitos para combater a funesta herança carlista, hoje estão aliados a muitos remanescentes da ditadura.</p>
<p>Mas conheço antecipadamente a reação de vários petistas e simpatizantes camuflados ou envergonhados: culparão o mensageiro (o autor destas linhas) e não a mensagem (o modelo de governo). É como culpar o termômetro pela febre.</p>
<p>Oferecem circo (o pão é pouco&#8230;), e o governador dito “progressista” quer a todo custo instalar uma usina nuclear na Bahia, mesmo com o “apocalipse” japonês.</p>
<p>O carnaval virou também virou  espetáculo televisivo. Alpinistas sociais e atores de segunda, querem a todo custo aparecer. Mesmo cantores conhecidos, não criticam tais jogadas. Ficam quietos para ganhar mais dinheiro. Afastaram-se da Bahia real.  Repetem os estereótipos para turistas, e negam as raízes. Não querem misturas.</p>
<p>Esquecem-se que Salvador é uma cidade de maioria negra.</p>
<p>Nos camarotes, “os palácios se reproduzem em ambientes cinematográficos, devidamente aromatizados, a depender do gosto do freguês, o ar condicionado evitando ou minimizando o suor.”</p>
<p>Que um dia, no carnaval da Bahia, as cordas sejam abolidas e as praças e as ruas sejam do povo.<br />
E que voltem os verdadeiros blocos de rua (O governador da Bahia, Jacques Wagner, se lesse as minhas linhas, provavelmente, logo as desqualificaria. Ele chamou de  besteirol um belo texto do baiano João Ubaldo Ribeiro, contra a ponte Salvador-Itapirica.)</p>
<p>Governador: desista da instalação de uma usina nuclear na Bahia!</p>
<p>Infelizmente, vários amigos (que, no seu íntimo sabem que eu tenho razão) não vão me apoiar. Dirão que é “jogo da direita”. Como se usina nuclear fosse algo bom para o socialismo e a esquerda!</p>
<p>Como escreveu Janio de Freitas, “só mesmo a irracionalidade dos racionais para continuar espalhando usinas nucleares em seus países. O Brasil, é claro, vai para Angra3 e planeja mais”.</p></blockquote>
<p>(Salvador, março de 2011)</p>
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		<title>Bolchevismo sem utopia</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2009/12/27/bolchevismo-sem-utopia/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 13:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[“Sobre a Brevidade da Vida”, de Sêneca (1aC-65dC): era a respeito desse (precioso) livro que iria escrever. Relia-o aqui no Planalto Central: pretendia meditar sobre as lições do estoicismo, pensar sobre a nossa finitude, refletir sobre a necessidade da filosofia no cotidiano, não como algo abstrato, mas como lição de  vida e necessário aprendizado existencial. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>“Sobre a Brevidade da Vida”</strong></em>, de Sêneca (1aC-65dC): era a respeito desse (precioso) livro que iria escrever.</p>
<p>Relia-o aqui no Planalto Central: pretendia meditar sobre as lições do estoicismo, pensar sobre a nossa finitude, refletir sobre a necessidade da filosofia no cotidiano, não como algo abstrato, mas como lição de  vida e necessário aprendizado existencial.</p>
<p>Sempre internalizando a percepção de que o homem é um ser para morte, mas que nesse breve trânsito pode construir uma obra, porque sendo o único animal que sabe que vai morrer, deixará algo que ultrapassará a poeira do tempo.</p>
<p>O ato da criação é aquele  através do qual o homem arranca algo à morte, “transformando em consciência uma experiência” (personagem Garcia, em “A Esperança”, de André Malraux).</p>
<div id="attachment_7666" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho18-lenin.jpg"><img class="size-full wp-image-7666" title="deolho18-lenin" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho18-lenin.jpg" alt="Lenin" width="450" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Lenin</p></div>
<p>Mas a percepção do nosso cotidiano falou mais forte: um horror feito de pasmo e resignação.</p>
<p>Lembrei-me de uma expressão: <strong><em>“Bolchevismo sem utopia”</em></strong>.</p>
<p>Quer dizer, os vitoriosos líderes da Revolução Russa tinham uma utopia.</p>
<p>No Brasil: a noção subleninista  do aparelhamento do Estado (lógico, muitos não se deram conta, pois tiveram má formação intelectual, leram pouco) está grudada no governo Lula e tomou conta do PT.</p>
<p>Eu sei, hoje o partido é apenas uma sublegenda ou apêndice subalterno do presidente.</p>
<p>No chamado pragmatismo dos dirigentes do PT, percebe-se essa fome insaciável por cargos e desejo compulsivo do aparelhamento total.</p>
<p>E uma visão paranóica: todos os que criticam são de “direita” ou fazem o seu jogo.</p>
<p>Alguns sim. Nem todos.</p>
<p>E calam-se vozes – através do dinheiro e de cargos públicos &#8211; que já foram da esperança e da inquietude (CUT, UNE, MST), através da pecúnia, de cargos, de prebendas e de  Ongs manipuladas e cheias de verbas.</p>
<p>Não adianta afirmar que nossa crítica é humanista: a paranóia facilitaria diz que é “conspiração tucana”, do PSDB, esquecendo-se até do passado honrado e de resistência dos seus críticos.</p>
<p>E carecem de visão internacionalista, ficam com uma percepção meramente paroquial. Falta uma visão de mundo, falta a noção de que o planeta precisa ser preservado.</p>
<p>Enfim, carecem de humanismo, de uma noção da “vida plena”, não calcada no consumismo ou em cargos.</p>
<p>O que vemos?</p>
<p>Uma política de terra arrasada, a ausência completa de princípios éticos, a devastadora “pedagogia” que é passada às novas gerações (“se eles roubam, também vou ser corrupto”).</p>
<p>Não agüento mais a lembrança dos governos passados do PSDB.</p>
<p>Insisto à redundância: a velhacaria dos outros não pode ser a medida dos nossos valores.</p>
<p>* * *</p>
<p>Em 64 anos de vida, poucas vezes vi um quadro tão carente de perspectivas (sim, pelo menos não nos prendem, torturam ou nos mandam para o exílio&#8230;.)</p>
<p>O PSOL é apenas um grupelho, muitas vezes delirante, e contaminado por infantilismo ideológico.</p>
<p>A aliança PSDB-DEM não é sinal de dias melhores.</p>
<p>Não alegra o coração saber que a candidata Marina Silva é da Assembléia de Deus.</p>
<p>(As escolas vão adotar o criacionismo, negar Darwin, e as mulheres não poderão mais se pintar ou cortar o cabelo?)</p>
<p>E, então? Não sei. Realmente não sei.</p>
<p>Mas lembro-me de Eduardo Galeano:  “Ela está no horizonte&#8230; Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Por mais que caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia?</p>
<p>Serve para isso. Serve para caminhar.”</p>
<p>* * *</p>
<p><strong>ANO NOVO</strong></p>
<p>Um excelente 2010 para todos os leitores.</p>
<p>Um abraço sinceramente afetuoso no César Valente (que abriu este precioso espaço para um velho amigo e conterrâneo), e para o Mário Medaglia,  que tão bem  substituiu o editor, em suas merecidas férias..</p>
<p>Queria comunicar que, no próximo ano, escreverei uma coluna por mês.</p>
<p>Voltarei em fevereiro.</p>
<p>Dentro dos meus projetos, está o preparo dos originais de dois livros novos, o que consumirá muito tempo.</p>
<p>Como os leitores e os editores do blog, sou inteiro naquilo que faço.</p>
<p>Grato pela atenção, pela ajuda tão proveitosa fornecida pelos comentários,  incluindo (é claro) os que discordaram das minhas posições. Até.</p>
<p>(EMANUEL MEDEIROS VIEIRA)</p>
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		<title>Panetone/Pizza</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 13:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[DESABAFO “Enquanto não correr sangue esta merda não muda. Temos que criar um grupo de brasileiros patriotas armados e começar a executar esses bandidos, como na China, tiro na nuca, em praça pública, bala cobrada da família. Uma corrupção nesse nível impede a construção de hospitais, escola, casas populares e etc. Esse país ainda vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></p>
<div id="attachment_7662" class="wp-caption aligncenter" style="width: 402px"><strong><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho18-panetone.jpg"><img class="size-full wp-image-7662" title="deolho18-panetone" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho18-panetone.jpg" alt="O novo ícone da corrupção" width="392" height="400" /></a></strong><p class="wp-caption-text">O novo ícone da corrupção</p></div>
<p>DESABAFO</strong></p>
<blockquote><p>“Enquanto não correr sangue esta merda não muda. Temos que criar um grupo de brasileiros patriotas armados e começar a executar esses bandidos, como na China, tiro na nuca, em praça pública, bala cobrada da família. Uma corrupção nesse nível impede a construção de hospitais, escola, casas populares e etc. Esse país ainda vai ser uma nação.”</p></blockquote>
<p>(De uma mensagem a recebida de Eduardo Barcelos, advogado e ambientalista em Cataguases, Minas Gerais, motivada pelo meu último texto a respeito da podridão e da desenfreada corrupção nos poderes de Brasília, de José Roberto Arruda e sua gangue na Câmara Legislativa, que contaminou todos os poderes.)</p>
<p><strong>SUBESTIMAR A NOSSA INTELIGÊNCIA</strong></p>
<p>Há setores do PT afirmando que o partido não teve mensalão. Foi caixa dois&#8230;</p>
<p>mensalão é só o dos outros.</p>
<p>Como podem intelectuais, alguns escritores ditos humanistas, defenderem essa posição? “Babam” no Lula como ele fosse um pensador. Ou que tivesse algum escrúpulo (um homem que beijou a mão de Jader Barbalho, defendeu os madeireiros que acabam com a Amazônia, e não quis receber a Comissão de Desaparecidos Políticos, entre outras ignomínias) merece a nossa estima e o nosso respeito?</p>
<p>Ninguém mais lembra de quanto custou o apoio do (extinto) PL – agora o partido dos “bispos” (o PR), o apoio a Lula quando ele se elegeu a primeira vez? Foi R$6 milhões. Lula testemunhou o “acordo” num apartamento da Asa Sul, em Brasília.</p>
<p>São essas pessoas que defendem uma aliança com o PMDB, organicamente fisiológica.</p>
<p>O que se pode esperar do PMDB, nacional e regionalmente?</p>
<p>Porque há ditos formadores de opinião, professores, pessoas “informadas” que só sabem elogiar um presidente que odeia a leitura, despreza os intelectuais e debocha dos socialistas? É vocação masoquista?</p>
<p>Essa gente deve padecer da chamada “Síndrome de Estocolmo”, quando, por exemplo, o sequestrado se apaixona pelo sequestrador.</p>
<p>Como é difícil entender a nossa perseverante impunidade, é penoso tentar compreender esse mosoquismo intelectual,  essa volúpia pelo sofrimento.</p>
<p>Pensem! Só peço isso! Leiam, por favor, leiam!</p>
<p>E ficam bravos com a gente, enviam mensagens grosseiras e anônimas. Aqui em Brasília, prepondera a hostilidade surda ou a cara feia.</p>
<p>Quando encontro essas pessoas, olho esses poltrões no olhos, não aguentam, baixam os olhos, e eu sigo o meu caminho. Não me preocupa a hostilidade. Mas é duro perceber que pessoas que disseram que combateram ditadura estão se vendendo numa espécie de mercado, por cargos, prebendas , benesses  e “bocas”.</p>
<p>Deixo claro que tenho o mais fundo desprezo por tais tipos humanos.  Humanos?</p>
<p>Já escrevi nesse espaço: morrerão sem a solidariedade de si mesmas.</p>
<p>O apoio ou a estima dessas pessoas em relação ao que escrevo, seria uma lástima para a minha biografia e para a minha honra pessoal.</p>
<p>Elas mandaram todo o escrúpulo às favas.</p>
<blockquote><p>“Talvez nem seja o caso de perder tempo com esses panetones retóricos. que nada devem à fabula de Arruda.. A diferença é que a farsa do PT vem recheada com as frutas cristalizadas do stalinismo. Mais relevante é saber porque a esquerda – e qual esquerda – precisa desses ‘bolchebusiness” para ser feliz.”</p></blockquote>
<p>(Fernando de Barros e Silva).</p>
<p><strong>LEMBRANDO</strong></p>
<p>Quando vejo a falta de escrúpulo de deputados distritais e de outras máfias envolvidas com o Arruda em suas falcatruas, lembro-me do que disse Giordano Bruno (1548-1600), antes de ser morto pela Inquisição.</p>
<p>“Que ilusão a minha querer mudar o poder dentro do poder!”.</p>
<p>Nada mais disse porque foi queimado.</p>
<p>(O verbo queimar está sendo usado aqui no sentido literal.)</p>
<p>Não confundam, por favor, a Brasília oficial com a Brasília real.</p>
<p>Essa ignorância ou velhacaria mental tem ocorrido muito!</p>
<p>É ignorância ou má-fé.</p>
<p>Há atos diários (houve uma carreata com quase 500 veículos) contra o Arruda, pedindo o seu afastamento e o de Paulo Octávio (o vice-governador) nos mais diversos locais, como em feiras, nos shoppings, no presépio natalino colocado na Esplanada dos Ministérios, e também apitaços, buzinaços e comícios em frente à casa dos deputados gatunos, que colocaram dinheiro nas meias, na bolsa e fizeram a oração da propina.</p>
<p><strong>O MEGALOMANÍACO</strong></p>
<blockquote><p>“Copenhague só vai ser o que vai ser porque o nosso querido país teve a coragem de, há um mês, apresentar as metas que apresentamos”.</p></blockquote>
<p>(Palavras de Lula, num comício em Recife).</p>
<p><strong></p>
<div id="attachment_7663" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><strong><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho18-victor.jpg"><img class="size-full wp-image-7663" title="deolho18-victor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho18-victor.jpg" alt="Victor Jara" width="450" height="339" /></a></strong><p class="wp-caption-text">Victor Jara</p></div>
<p>VICTOR JARA</strong></p>
<p>Em 4 de dezembro fez 36 anos do assassinato de Victor Jara, pela ditadura chilena de Pinochet e de outros carrascos. O crime foi cometido nos dias que se seguiram ao golpe contra Allende, em setembro de 1973.</p>
<p>Quem se lembra, fora do Chile, deste grande artista e ser humano? Muitos até conhecem o sabonete ou o perfume que Maddona usa ou sabem se a Xuxa anda namorando ou não, mas nada ouviram falar sobre Jara. É uma pena.</p>
<p>No dia 4 de dezembro de 2009, 12 mil pessoas ”enterraram” Victor Jará novamente.  A viúva do cantor, diretor e versátil artista, em setembro de 1973, lhe deu sepultura semi-clandestina  no Cemitério Geral, acompanhada de 2 pessoas.</p>
<p>Jara foi um dos mais populares personagens do meio artístico chileno no início da década de 70, e também uma das 3 mil vítimas da ditadura de Pinochet.</p>
<p>Mais tarde, o Estádio Chile, onde tantos foram assassinados, seria renomeado Estádio Victor Jara.</p>
<p>Ao finalizar a cerimônia, a viúva, a britânica Joan Turner, e as filhas Manuela e Amanda, decidiram oferecer um funeral e uma vigília de dois dias, como merecia o autor de “Te Recordo”, “Amanda”, “O Cigarrinho” e “Manifesto”, que são canções antológicas.</p>
<p>Um diretor de um centro cultural que viajou 500 km para assistir ao funeral disse: “Nos devíamos este ato ao Victor. Tínhamos o dever moral de fazê-lo. Creio que ele está por aqui, conosco. Victor Jara continua a viver a lutar conosco por um mundo melhor.”</p>
<p><strong>PÉROLAS DO ENEM  2009:</strong></p>
<p><em>“Precisamos de oxigênio para a nossa vida eterna.”</em></p>
<p>Amém!</p>
<p style="text-align: center"><strong>POEMA</strong></p>
<p style="text-align: center">“Faz de conta<br />
que você tem<br />
dinheiro suficiente<br />
ou a miséria absoluta<br />
para ouvir essa chuva<br />
alegrando as árvores<br />
e dando, de certo modo,<br />
alguma dignidade ao crepúsculo;<br />
faz de conta que está chovendo apenas para você.”</p>
<p style="text-align: center">(Alberto da  Cunha Melo).</p>
<p><strong>NATAL</strong></p>
<p>Um iluminado e energizado natal para todos os leitores. Com a esperança de que em 2010, pelo menos, os ladrões do dinheiro público, os corruptos da turma do Arruda  e os “gestores” de certas árvores de natal da amada cidade em que nasci, sejam punidos.</p>
<p>(Estou pedindo muito? Eu sei: estou&#8230;)</p>
<p>(EMANUEL MEDEIROS VIEIRA)</p>
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		</item>
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		<title>Detritos distritais</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2009/12/10/detritos-distritais/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 18:13:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Só a mobilização social poderá afastar do poder os corruptos de Brasília, verdadeiras gangues formadas com o dinheiro público. A juventude é a primavera dos povos. E ela quando ocupou a carcomida e degradada Câmara Legislativa, estava defendendo a cidadania. Porque da maioria dos deputados distritais só poderemos esperar o pior (de um conjunto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só a mobilização social poderá afastar do poder os corruptos de Brasília, verdadeiras gangues formadas com o dinheiro público.</p>
<p>A juventude é a primavera dos povos.</p>
<p>E ela quando ocupou a carcomida e degradada Câmara Legislativa, estava defendendo a cidadania.</p>
<p>Porque da maioria dos deputados distritais só poderemos esperar o pior (de um conjunto de 24 parlamentares, aproximadamente 10 estão envolvidos na roubalheira).</p>
<p>Desse gente só virá a consagração da impunidade mais cínica e o corporativismo mais desonroso.</p>
<p>A Câmara Legislativa é a verdadeira casa dos horrores.</p>
<p>É uma casa com muita tolerância.</p>
<p>Na quarta-feira (9 de dezembro) a polícia militar do DF portou-se como guarda pretoriana dos corruptos, guardiã  dos ladrões, protetora da corja de bandidos que infestou o governo local.</p>
<p>Os policiais da cavalaria agrediram inclusive estudantes desarmados e indefesos que estavam rendidos no chão.</p>
<p>A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF crê que o policiamento não tentou estabelecer nenhuma espécie de diálogo com os manifestantes, e está preparando representação contra a PM junto ao Ministério Público.</p>
<p>Também a Polícia Civil do DF emitiu nota (na quinta-feira 10) contra a postura da Polícia Militar, que bateu cidadãos que estavam exercendo seus direitos constitucionais.</p>
<p>Sim: o comando da PM impediu a livre manifestação de opinião, prevista na Constituição.</p>
<p>Estudantes apanharam e foram presos, enquanto os ladrões estão soltos.</p>
<p>O comportamento selvagem e covarde da cavalaria lembrou os mais soturnos tempos da ditadura.</p>
<p>Além de tudo, Arruda usou dinheiro público para arregimentar servidores comissionados, pagos como nosso dinheiro, para realizar manifestações orquestradas na Câmara Legislativa.</p>
<p>Foi concedido até ponto facultativo nas administrações regionais.</p>
<p>Tinha até administrador regional de uma cidade-satélite, que exerce o papel de prefeito de outros lugares.</p>
<p>a base de sustentação de Arruda se reúne para garantir sua permanência.</p>
<p>Não será na base dos $$$$?</p>
<p>Descobriu-se que o mensalão do DEM pagava até churrascos do governador.</p>
<p>Como se não bastasse, descobriu-se que a nova sede da Câmara Distrital custará 323% além do orçado.</p>
<p>Previsão era gastar R$23,6 milhões na obra, mas o custo final deve chegar a R$100 milhões.</p>
<p>A casa dos horrores (A Câmara Legislativa) detém o título de Legislativo mais caro do País.</p>
<p>A verba para pagar assessores do gabinete de cada um dos 24 deputados é de R$97.601, contra R$ 65 mil dos deputados federais.</p>
<p>Essa é a cota pessoal de que cada deputado dispõe para contratar servidores de confiança, quase sempre cabos eleitorais e apadrinhados políticos.</p>
<p>Talvez seja redundante, mas é pedagógico explicar aos habitantes de outras regiões do país: Brasília e suas cidades-satélites não têm Câmara municipal. Não têm prefeitos. É o governador que nomeia administradores para cada uma das cidades (sempre um loteamento de cargos), o que quase sempre lhes garante a eleição para a Câmara Legislativa e para a Câmara dos Deputados.</p>
<p>O que prepondera é o desrespeito à lei, o não respeito aos valores morais.</p>
<p>Trata-se de apropriação patrimonialista da coisa pública, revelador de algo perverso: o caráter não Republicano daquilo que Raymundo Faoro definiu na densa obra “Os Donos do Poder”,  como estamento burocrático.</p>
<p>É um conceito relacionado a uma sociedade estamental, a um grupo de indivíduos, tal qual ocorria em sociedades pré-modernas, que desfrutam de um direito quase natural à apropriação do patrimônio público.</p>
<p>O estamento burocrático gere o Estado, mas o faz, em parte, em benefício próprio.</p>
<p>Indaga Marcos Fernandes Gonçalves da Silva: como funciona uma máquina política?</p>
<p>“Imagine um governador que retribui seus correligionários com propinas ou com dinheiro retirado de empresários: os correligionários podem açambarcar deputados, o Judiciário loca. Isso é uma máquina política, uma instituição, uma regra do jogo que faz com que, dados os incentivos, as motivações derivadas das propinas, os agentes (políticos, burocratas, jornalistas cooptados, desembargadores) atuem na forma de quadrilha.”</p>
<p>As máquinas políticas não existem em razão de uma ou outra eleição: elas se entranham dentro do Estado: são um esquema permanente de uso ilegal da coisa pública.</p>
<p>É o que ocorreu em Brasília.</p>
<p>Os poderes estão todos contaminados: Executivo, Legislativo, Judiciário, incluindo o Tribunal de Contas do GDF, o Detran e outros órgãos.</p>
<p>É um passeio desonroso pelo Código Penal.</p>
<p>Mas o esquema revela uma particularidade nacional (ou uma característica intrínseca ao Estado brasileiro), não mero privilégio da “elite do Cerrado”: os membros da clientela – do estamento burocrático e agregados – se atribuem um direito natural ao uso privado da coisa pública.</p>
<p>* * *</p>
<p>E os principais jornais de Brasília têm um DNA governista.</p>
<p>Não é um jornalismo que serve à comunidade:</p>
<p>Muitos acreditam que a “ética” desta imprensa é, no geral, a do balcão dos negócios.</p>
<p>E o governo Arruda é um anunciante perdulário (com o nosso dinheiro).</p>
<p>Ele gasta rios de dinheiro com publicidade.</p>
<p>Com segurança, transportes e saúde ele gasta muito menos.</p>
<p>Não será semelhante a outros estados?</p>
<p>Quem perde é o jornalismo independente, honrado e combativo.</p>
<p>Enfim, não é a imprensa escrita que aprendemos a respeitar e a admirar.*</p>
<p>===============</p>
<blockquote><p>* Redigi antecipadamente o meu texto semanal devido aos gravíssimos acontecimentos que ocorrem na Capital da República (minha opção de viver e de sobreviver, onde construí a minha família), e ao comportamento selvagem e fascista da Polícia militar do Distrito Federal em relação a manifestantes e estudantes desarmados.</p>
<p>O dia em que perder a minha honra pessoal e a minha capacidade de indignação, peço que seja drenada do meu espírito a minha e energia criativa.</p></blockquote>
<p>(EMANUEL MEDEIROS VIEIRA)</p>
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		<title>Corrupção</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 13:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[A corrupção é crime contra a vida. Num país de injustiças estruturais – que deveria chocar mesmo as consciências mais apáticas e resignadas –, ela se torna mais grave ainda. A corrupção é vício humano? É. Só a percepção de que será rigorosamente punida (não em frases de efeito ou propagandas partidárias), poderá inibi-la. Com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7341" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho-corrupt.jpg"><img class="size-full wp-image-7341" title="deolho-corrupt" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deolho-corrupt.jpg" alt="..." width="450" height="253" /></a><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<p>A corrupção é crime contra a vida.</p>
<p>Num país de injustiças estruturais – que deveria chocar mesmo as consciências mais apáticas e resignadas –, ela se torna mais grave ainda.</p>
<p>A corrupção é vício humano? É.</p>
<p>Só a percepção de que será rigorosamente punida (não em frases de efeito ou propagandas partidárias), poderá inibi-la.</p>
<p>Com o imperativo da lei, realmente respeitada.</p>
<p>E com fiscalização constante de todo os poderes e da sociedade civil.</p>
<p>Não quero filosofar, mas na minha vivência em casas políticas, percebi que uma das maiores dificuldades (talvez a maior) do homem público é saber lidar com o poder.</p>
<p>Pelo que vi em longos anos de observação, poucos escapam da tentação da onipotência, da soberba, esquecendo-se de que seu mando é passageiro e de que sua vida é finita.</p>
<p>Não adianta: não aprendem: anões do orçamento, Collor, sanguessugas e mais centenas de escândalos.</p>
<p>É preciso ter sólidos valores internos.</p>
<p>Sem tradição civilizatória, com a nossa formação forjada na escravidão, no patrimonialismo, no mandonismo e na apropriação privada da “res” (coisa) pública, como ocorre no Brasil, a corrupção prospera.</p>
<p>Estou falando da corrupção nos poderes (falei no plural) do Distrito Federal, que se espraiou como uma metástase.</p>
<p>Os leitores não imaginam com os homens de bem que aqui vivem estão se sentindo!</p>
<p>Sentem-se órfãos de dirigentes dignos e honrados.</p>
<p>São 2,6 milhões de pessoas vivendo aqui, a maioria formada de cidadãos honestos que trabalham, criam seus filhos, são dignos e pagam os seus impostos.</p>
<p>Mas era, uma crônica de uma morte anunciada.</p>
<p>O que quero dizer?</p>
<div id="attachment_7335" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-sqs114.jpg"><img class="size-full wp-image-7335" title="emanuel-sqs114" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-sqs114.jpg" alt="Vista aérea parcial da SQS 114, Brasília, DF" width="450" height="191" /></a><p class="wp-caption-text">Vista aérea parcial da SQS 114, Brasília, DF</p></div>
<p>José Roberto Arruda (DEM/DF) morava na SQS 114.</p>
<p>Eu resido nessa quadra há mais de 30 anos.</p>
<p>É muito arborizada, realmente bela, cheia de pássaros.</p>
<p>(O que um coração humano pode pedir mais?)</p>
<p>Permito-me a uma digressão: a escola pública da quadra, para o primeiro grau, foi inaugurada pela rainha da Inglaterra.</p>
<p>O grande Darcy Ribeiro, quando era Chefe da Casa Civil do governo João Goulart, no momento do golpe militar de 64, precisava de recursos para fugir do país e veio– com enorme sentimento de urgência –, pedir ajuda a um amigo que morava aqui na 114 Sul, no meu bloco.</p>
<p>Esta quadra é da década de 60.</p>
<p>Dizer que já tivemos homens públicos do porte de Darcy!</p>
<div id="attachment_7336" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-arruda-lula.jpg"><img class="size-full wp-image-7336" title="emanuel-arruda-lula" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-arruda-lula.jpg" alt="Arruda (d) e Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR" width="450" height="244" /></a><p class="wp-caption-text">Arruda (d) e Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR</p></div>
<p>O Arruda (deve ser o nome&#8230;) é um homem de muita sorte, financeiramente falando, e depois comprou uma propriedade muito cara ( só com salário de deputado!, tem um invejável poder de reproduzir a pecúnia) ) num condomínio perto da Papuda.</p>
<p>Para quem não sabe, Papuda é o nome da penitenciária de Brasília.</p>
<p>Local muito apropriado para algumas pessoas, dirão as más línguas&#8230;</p>
<p>Na época, a propriedade custou mais de um milhão de reais, e ele pagou à vista. Hoje deve vale mais que o triplo.</p>
<p>Começou como engenheiro do metrô da capital (ele enriqueceu muita gente!)</p>
<p>Ah, nesse condomínio onde o governador (quase ex) do DF mora agora, quem também tem propriedade é o deputado Antonio Palocci, o homem que não ama caseiros.</p>
<p>Arruda começou sua carreira pelas mãos de Joaquim Roriz, de quem foi secretário de Obras.</p>
<p>Creio que não preciso dar explicações suplementares sobre criador e criatura.</p>
<p>Quando ocorreu o escândalo da violação do painel do Senado, em 2001, ele primeiramente negou sua participação, fez teatro, consultou publicitários amigos, chorou, realizou toda uma pantomima.</p>
<p>Questão de tempo.</p>
<p>Depois, confessou a verdade, pediu perdão, escreveu uma carta-circular para os seus antigos vizinhos pedindo desculpas (era uma missiva piegas e lacrimejante), encenou conversão e humildade.</p>
<p>Quem conhece a alma humana, só tinha uma dúvida: quando ele “aprontaria” a próxima?</p>
<p>Alguém dirá que eu não acredito na conversão do ser humano.</p>
<p>Na juventude, acreditava mais.</p>
<p>A maturidade me ensinou: raramente ela ocorre.</p>
<p>Pessoas de má índole a conservam durante a vida afora.</p>
<p>O povo diz: pau que nasce torto&#8230;</p>
<p>A reincidência do Mal, infelizmente, é mais comum.</p>
<p>* * *</p>
<p>Regredindo ainda mais.</p>
<p>Pessoas que militaram pela cidadania no Distrito Federal, como eu, em Brasília, já no final da década de 70 e, principalmente, no início da de 80, foram para a rua, lutaram, fizeram comícios, redigiram textos em prol da representação política do Distrito Federal.</p>
<p>Lembro-me que uma vez a polícia nos cercou perto do Campo da Esperança, o maior cemitério de Brasília.</p>
<p>Os irônicos dirão: “já estavam perto da eternidade.”</p>
<p>Já era o final da ditadura.</p>
<p>Não, não houve pancadaria, nem cassetete.</p>
<p>A conciliação prevaleceu.</p>
<p>Voltamos para casa sem marcas, ao contrário das passeatas de que participei na década de 60 (acho que fui a todas, na época, em Porto Alegre).</p>
<p>* * *</p>
<p>Veio a representação política para o DF.</p>
<p>Foi um tremendo erro nosso. Que pena!</p>
<p>A Câmara Legislativa sempre foi um horror.</p>
<p>Até as assembleias legislativas, por incrível que pareça (pois não lembram colégios franciscanos), são melhores.</p>
<p>A Câmara Legislativa nunca deveria ter sido criada.</p>
<p>Filme de terror é pouco para qualificá-la.</p>
<p>Qual o sonho?</p>
<p>Que ocorresse um plebiscito para discutir a sua extinção.</p>
<p>O plebiscito é sonho de um velho com certa ingenuidade&#8230;</p>
<p>Poderiam varrer toda a representação política do DF: governador, 3 senadores e 8 deputados, administradores regionais (com as mesmas funções dos prefeitos de outras regiões do país).</p>
<p>Toda essa representação foi em toda a sua curta história, um foco de corrupção. Só corrupção.</p>
<p>Mas a corrupção é uma via de mão dupla: há corruptos e corruptores. Não poderemos esquecer das empresas que corrompiam, como também dos que se deixaram corromper.</p>
<p>Em qualquer país decente, essas pessoas estariam na cadeia.</p>
<p>Não vivemos num país decente.</p>
<p>O mínimo exigido seria que devolvessem o dinheiro roubado.</p>
<p>Não vão devolver, é claro.</p>
<p>Contratarão advogados caríssimos que impetrarão recursos e mais recursos que irão à eternidade. É sempre assim. Não?</p>
<p>* * *</p>
<p>Quem conhece as cidades satélites do Distrito Federal sabe de suas brutais carências nas áreas da saúde, da segurança, de transportes.</p>
<p>Elas começaram a inchar com a nomeação de Joaquim Roriz por Sarney (sempre ele!) como governador biônico do DF em 1988.</p>
<p>Para nosso infortúnio, ele foi governador por mais 3 vezes.,</p>
<p>Distribuindo lotes sem parar, trouxe a escória de várias regiões do país, inchou a cidade, deteriorou seu excelente padrão de vida.</p>
<p>Mas essa é outra (triste) história.</p>
<p>Eu comecei dizendo que a corrupção é um crime contra a vida. É. Nem preciso falar de alguns lugares do sertão baiano que conheci e do subúrbio ferroviário de Salvador, que frequento.</p>
<p>Olhem (por favor!), o Maranhão do clã Sarney.</p>
<p>Insisto: a corrupção é crime contra a dignidade humana.</p>
<p>Está no Evangelho de Lucas:</p>
<blockquote><p>“É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm. Melhor seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só desses pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos”. (17, 1:2).</p></blockquote>
<p>* * *</p>
<p>Há algo de muito grave, que os brasileiros do resto do país não têm a obrigação de conhecer.</p>
<p>Os homens de bem da cidade sempre foram contra a aprovação da lei que revisou o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal (PDOT).</p>
<p>Suspeitava-se que tenebrosas transações houvessem ocorrido, objetivando a sua aprovação.</p>
<p>Segundo o Ministério Público, estávamos certos.</p>
<p>Alterações no projeto feitas pelos deputados distritais a pedido do governo Arruda ampliaram a área urbana da capital federal com prejuízos ao meio ambiente e descumprimentos das regras de tombamento da cidade.</p>
<p>Comentava-se que rios de dinheiro foram irrigados para a aprovação do projeto na Câmara, fornecidos por empresários interessados.</p>
<p>O Ministério Público do DF ajuizou na quinta-feira (dia 3 de dezembro) ação no Tribunal de Justiça local contra a lei complementar que revisou o PDOT.</p>
<p>Os promotores incluíram na ação depoimentos que fazem parte da investigação do mensalão do DEM e apontam para o jogo de interesses de construtoras e empresários locais, numa troca de favores com o governo do DF e os deputados.</p>
<p>O inquérito afirma que houve “pagamento dos deputados distritais da base do governo em razão da aprovação do Plano Diretor de Ordenação Territorial do DF”.</p>
<p>O suborno teria sido bancado com dinheiro “arrecadado entre as empresas que se beneficiaram com a aprovação do PDOT.”</p>
<p>Por exemplo, foi criado um novo setor na cidade, o Noroeste que, segundo especialistas, atingirá mananciais e afetará brutalmente o meio ambiente da região.</p>
<p>A lei aprovada pelos distritais viola a Lei Orgânica do DF que estabelece que “as terras públicas, consideradas de interesse para a proteção ambiental, não poderão ser transferidas a particulares, a qualquer título.”</p>
<div id="attachment_7337" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-arruda-lula2.jpg"><img class="size-full wp-image-7337" title="emanuel-arruda-lula2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-arruda-lula2.jpg" alt="Lula brinca de bombeiro com o Arruda. Foto: Ricardo Stuckert/PR" width="450" height="202" /></a><p class="wp-caption-text">Lula brinca de bombeiro com o Arruda. Foto: Ricardo Stuckert/PR</p></div>
<p>Para o senhor Lula, as imagens não falam por si próprias.</p>
<p>Não sei o que o espantará.</p>
<p>No mínimo, é um homem complacente com a corrupção.</p>
<p>Para um presidente da República, tais palavras soam como um álibi para todos os ladrões da coisa pública.</p>
<p>Decerto, advertido por um assessor, posteriormente, ele foi mais severo com os desvios descobertos pela Operação Caixa de Pandora*, da Polícia Federal.</p>
<p>O efeito devastador desse novo escândalo para a população é alimentar ainda mais a descrença nos homens públicos</p>
<p>De todas as cenas, para mim, a mais escabrosa foi aquela dos deputados distritais rezando em agradecimento às propinas recebidas.</p>
<p>Um dele é filho de um do pastor conhecidíssimo em Taguatinga e adjacências.</p>
<p>Usam no me do sagrado para trapacear, ludibriar e enganar.</p>
<p>Os evangélicos decentes não mereciam isso.</p>
<p>Um advogado teria dito para um dos envolvidos: “Fica calmo, o povo logo esquece.”</p>
<p>Desta vez, espero que não.</p>
<p>“Aquele que perturba a sua própria casa herdará o vento”, ensina Salomão em um dos seus provérbios.</p>
<p>* * *<br />
POEMA</p>
<blockquote><p>“Mentem desde cabral, em calmaria/<br />
viajando pelo avesso, iludindo a corrente/<br />
em curso, transformando a história do país/<br />
num acidente de percurso.”</p></blockquote>
<p>(Affonso Romano de Sant’Anna)</p>
<div id="attachment_7338" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-pandora.jpg"><img class="size-full wp-image-7338" title="emanuel-pandora" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/12/emanuel-pandora.jpg" alt="Pandora abre sua caixinha..." width="450" height="246" /></a><p class="wp-caption-text">Pandora abre sua caixinha...</p></div>
<p><strong>*PANDORA:</strong> A palavra é de origem grega.</p>
<p>Pandora seria a primeira mulher, segundo a lenda conservada por Hesíodo.</p>
<p>Zeus atribuiu-lhe a missão de castigar a raça humana, presenteada havia pouco tempo com o fogo divino por Prometeu.</p>
<p>Com Pandora, começou a infelicidade dos homens.</p>
<p>Zeus mandou-a a Epimeteu – irmão de Prometeu –, que resolveu desposá-la, fascinado por sua beleza.</p>
<p>Prometeu, antes de ser condenado a ficar 30 mil anos acorrentado no Monte Cáucaso, alertou o irmão quanto ao perigo de se aceitar presentes de Zeus.</p>
<p>Pandora trazia consigo um jarro (ou uma caixa) contendo todos os males, fechado por um tampo que os impedia de sair de onde estavam; incapaz de conter a curiosidade, Pandora removeu o tampo e os males que haveriam de afligir a humanidade dali em diante, como o trabalho, a doença, a mentira e a paixão, espalharam-se pelo mundo. Assustada, ela fechou o tampo, mas só ficou no jarro a esperança, que estava no fundo da mesma.</p>
<p>(Em alguns jornais, quando foi deflagrada operação da Polícia Federal, foi escrito que a caixa foi aberta por Epimeteu. A mitologia ensina que quem a abriu foi Pandora.)</p>
<p>Qual a metáfora?</p>
<p>A beleza da mulher seria sempre um elemento desestabilizador?</p>
<p>A própria mulher – que gera a vida –, seria a causa de alguns dos nossos infortúnios?</p>
<p>A curiosidade excessiva é a causa de nossos males?</p>
<p>Não a curiosidade que gera conhecimento, mas aquela que estimula a intriga e a maledicência.</p>
<p>A esperança nunca morrerá?</p>
<p>Desde os 20 anos, tais mitos me fascinam.</p>
<p>Nunca encontrei resposta.</p>
<p>Só uma: filosoficamente, somos todos gregos.</p>
<p>Quem pensa, é obrigado a começar por eles.</p>
<p>Por exemplo, todos os temas que movem a arte (a cobiça, o tempo, o amor, o ódio, a morte) já estão na Tragédia Grega.</p>
<p>É só saber lê-la.</p>
<p>O que nós, homens modernos, fizemos depois foram variantes sobre o mesmo tema.</p>
<p>A pergunta que fazemos é a mesma de todos os tempos: o que é o homem?</p>
<p>(EMANUEL MEDEIROS VIEIRA)</p>
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		<title>Uma resposta para o Paulo Brito</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2009/11/30/uma-resposta-para-o-paulo-brito/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 17:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[O Paulo Brito, deixou um comentário à minha última Cartinha, que preciso responder. Primeiro, repito o comentário do Brito, porque nem todos abrem a caixa de comentários. E, a seguir, respondo: &#8220;Emanuel, Primeiro quero te dizer que “sem ti, no soy nada” é um verso de uma música que não lembro o autor que deves [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Paulo Brito, deixou um comentário à <a href="http://www.deolhonacapital.com.br/2009/11/29/reino-da-futilidade/#comments" target="_blank">minha última Cartinha</a>, que preciso responder. Primeiro, repito o comentário do Brito, porque nem todos abrem a caixa de comentários. E, a seguir, respondo:</p>
<blockquote><p>&#8220;Emanuel,</p>
<p>Primeiro quero te dizer que “sem ti, no soy nada” é um verso de uma música que não lembro o autor que deves procurar para não me fazer pensar que se trata de um plágio ou para te atualizares fora da TV. A vida na TV das adrianas e dos luizes é para o povo, como era a rádio e tu preferiste os livros. E nestes teus livros eles qualificam um capitalismo que nos obriga a pagar uma taxa de impostos tão grande como se paga no Brasil? Que capitalismo é este em que o estado toma quase a metade do que tu cobras pelo serviço que prestas, além de pagar IR mais de duas vezes ao ano?</p>
<p>Queres me dizer que o filho do presidente da República do Brasil, presidente viagem de ônibus convencional, sentando no banco da roda? E o teu filho, viaja como? Se somos nós que pagamos esta viagem é muito pouco pelo que pagamos para os agregados encostado-se ao governo. O meu filho não iria de ônibus e acho que ele tem direito e nós devemos pagar sim.</p>
<p>Emanuel Medeiros deixaste de babar pelo Lula? Deixaste de pedir votos para ele? Mudastes? Por quê? Ele não conseguiu realizar a tal da revolução popular e tu vens criticar as meninas populares da TV?<br />
Não é de se estranhar para quem acredita nas histórias contadas pela Bíblia, principalmente pela primeira que é a criação do mundo. Se acredita nas outras, acreditares em todas.</p>
<p>O tempo, o tempo muda as pessoas. Falas de uma Ilha e moras em Brasília, preferiste Brasília por interesses individuais, estar perto do poder ou porque o emprego ali era fácil. Ame Brasília porque a tua Ilha não existe mais, esta morrendo com cada um de nós que morro, inclusive os Barreto da vida.</p>
<p>Abs<br />
Brito&#8221;</p></blockquote>
<p>Ao Paulo Brito:</p>
<p>“Paulo, Paulo, por que me persegues?”</p>
<p>Biblicamente: assim ia começar a minha resposta.</p>
<p>É humor, apenas humor, para desdramatizar a minha narrativa.<br />
Quer dizer, não é preciso que restaures a escrita bélica (posso usar esse tratamento informal?).</p>
<p>Deixei a Ilha há 31 anos.<br />
Não, a deixei por ser mais fácil viver em outro lugar. Qualquer Freud de boteco sabe que é mais fácil ficar perto do útero materno.</p>
<p>Brasília (não a oficial) é um ótimo lugar para se viver, amar, ler e escrever (o que gosto de fazer nesse mundo).</p>
<p>Quem apenas conhece a Brasília estatutária, dos podres poderes, do aeroporto, do Congresso, dos ministérios, dos hotéis, dos restaurantes chics, talvez não saiba que exista outra capital: bela, de linhas retas, de ótima qualidade de vida (no Plano Piloto), das mangueiras em flor, de gente trabalhadora, digna e honrada.</p>
<p>Não estou falando do PFL/DEM do Arruda, reincidente que nos envergonha, subestima a nossa inteligência e ama demais os panetones&#8230;</p>
<p>Meus filhos, quando podem, viajam de avião.<br />
Mas quem paga sou eu, não o povo brasileiro.</p>
<p>O filho do teu amado presidente pode viajar de avião, é clarão.<br />
Mas por que levar consigo levar junto 15 amigos?</p>
<p>Não creio que sejas um executivo da TV aberta. apesar da defesa certas apresentadoras.<br />
Eu e outras pessoas acreditam que ela é, no geral, um atentado à inteligência.</p>
<p>Sou um espírito presunçoso e soberbo? Não creio. A gente veio ao mundo, para ter coisa melhor.<br />
Lembro que uma dessas moçoilas (que teve um filho com um roqueiro famoso) quando se falou em luxúria num programa, disse: “Eu também tenho luxúria. Gosto muito de luxo&#8230;”</p>
<p>Falando sério: o dia em que tiver vergonha de minhas raízes religiosas, não teria direito de olhar nos olhos dos meus amigos, da minha mulher e dos meus filhos.</p>
<p>Só quero que cada um (agnóstico, ateu ou cristão) seja autêntico. Isto é viver o que prega. Mais ainda: só posso pedir que alguém acredite em mim, se eu acreditar antes.</p>
<p>Foi minha energia cósmica e espiritual (não importa que eu seja motivo de escárnio e gozação) que me fortaleceu nos momentos mais difíceis dessa vida, como a prisão política, o processo, a perseguição e, mais tarde, uma longa enfermidade, na qual estive desenganado.</p>
<p>E estou aqui. Pela vida!</p>
<p>Lutei intensamente contra a oligarquia catarinense e a ditadura, dando a cara ao tapa, pagando um alto preço, mas não me arrependo porque não dobrei a espinha, combati o bom combate (sempre a Bíblia, dirás), e sinto-me muito compensado.</p>
<p>Tenho excelente memória. Enquanto isso, muitos “democratas” se calaram.</p>
<p>Cordial abraço deste ilhéu-candango”, Emanuel Medeiros Vieira</p>
<p>E estou aqui.</p>
<p>Para encerrar com humor: sonhei que numa vida passada, era assessor de Torquemada na época da Santa inquisição, quando ele levou muita gente para a fogueira.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Reino da futilidade</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2009/11/29/reino-da-futilidade/</link>
		<comments>http://www.deolhonacapital.com.br/2009/11/29/reino-da-futilidade/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 10:04:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.deolhonacapital.com.br/?p=7173</guid>
		<description><![CDATA[Em memória de Adolfo Luiz Dias, de Alberto Albuquerque, de Jarbas Benedet e de Roberto Motta Para Clarice e Lucas – o futuro Para Célia &#8211; companheira O que a ditadura militar não conseguiu, o modelo reinante em nossa sociedade obteve. Pensem bem: quais os valores que presidem essa “ideologia” da globalização excludente? Aparência em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em memória de Adolfo Luiz Dias, de Alberto<br />
Albuquerque, de Jarbas Benedet e de Roberto Motta</p>
<p>Para Clarice e Lucas – o futuro<br />
Para Célia &#8211; companheira</p>
<p>O que a ditadura militar não conseguiu, o modelo reinante em nossa sociedade obteve.<br />
Pensem bem: quais os valores que presidem essa “ideologia” da globalização excludente?<br />
Aparência em vez da essência, futilidade em<br />
detrimento da densidade. Escutem as conversas.</p>
<p>Qual o verbo mais conjugado? Comprar.<br />
“Vou comprar um carro, vou trocar de geladeira, vou adquirir um imóvel”.<br />
A pior forma de capitalismo é aquela que é internalizada nos corações e nas mentes.<br />
É o modelo do salve-se quem puder.<br />
Do individualismo completo, da negação do outro.</p>
<p>Lógico, pontificam o oportunismo, a pilantragem, o querer levar vantagem em tudo, subir buscando puxar o tapete alheio.<br />
Você percebe esse egoísmo atroz, no trânsito, nas pessoas que jogam lixo nas ruas, nos motoristas que dirigem falando ao celular, não respeitando filas nem vagas para idosos ou deficientes.</p>
<p>Me repito? Sim. Porque essa negação do humano também tem se repetido.<br />
Muitos terceirizam sua vida em função de ídolos idiotizantes.<br />
Li que mais de 300 mil pessoas acompanham as bobagens que uma moça fútil da TV (que segundo a revista, namoraria com um deputado, que já teria namorado uma outra apresentadora que subiu às custas do cadáver de Airton Senna), conta numa espécie de mini-blog (com limite de caracteres).<br />
Perdoem se me equivoco na linguagem técnica.<br />
Não é o meu terreno.</p>
<p>Ficam lendo futilidades e idiotices que imbecilizam o ser humano como “agora estou eu no banheiro.”<br />
Quem age assim, renuncia à sua vida, nega todos os valores a ela imanentes, o próprio crescimento em função de um terceiro.<br />
É como uma pessoa que diz: “sem ti, não sou nada”, que seria prova de amor.<br />
Não é prova de amor.<br />
Mas de alienação, de negação do seu próprio ser, de sua auto-estima.<br />
Renunciam à própria vida.</p>
<p>Quem fica tão subalterno em relação aos ídolos (e que ídolos!) nega a própria vida.<br />
Que existência vazia têm essas pessoas!<br />
(Pois precisam das bobagens que uma mulher, de efêmera fama na TV, coloca em seus diários oligofrênicos.)<br />
Biblicamente, estou cada vez mais convencido de que são muitos os chamados e poucos os escolhidos.</p>
<p>Quando um filme de vampiro reciclado é o maior sucesso entre a garotada, sem passadismo, algo está errado.<br />
Antes de me julgarem um tipo azedo e sem romantismo, reflitam: o que faz um vampiro? Chupa o sangue do outro.<br />
No fundo, mata o outro.<br />
Por mais sentimentalismo e psicologismo primários que apareçam na obra, com diversos clichês renovados, a essência é a negação do outro.<br />
Estou sendo claro?<br />
Serei mais solar: está matando o outro.</p>
<p>Quando um partido joga no lixo toda a base ética que era a sua gênese, está dizendo: “sejam patifes, corruptos,  esqueçam os seus ideais.”<br />
Exemplo: o governo “ajuda” os mais pobres, com as mais diversas bolsas-esmola; do outro, ajuda os banqueiros com uma taxa de juros que é das mais altas do mundo.<br />
Grande parte desses lucros é apropriada por setores estrangeiros e vai financiar o desenvolvimento econômico externo.</p>
<p>Os petistas continuaram com o “sopão dos pobres” (programas sociais para anestesiar a miséria).<br />
Serei redundante: toda a política econômica favorece primordialmente os banqueiros e especuladores do mercado financeiro.<br />
Afrontar o Banco Central é considerado pecado mortal. Naquilo que alguém chamou de teoria do purgatório, constata-se uma lógica cristã.<br />
Aos mortais, promete-se salvação futura – a felicidade chegará ainda que em outra vida.<br />
Ao Absoluto, o “mercado”, assegura-se uma vida sem pecados.</p>
<p>“Nesse caso, a felicidade, infelizmente, também fica para o futuro. Ou para outra vida.”<br />
Por exemplo, um partido que prometia algo e faz outro (caso da crueldade com os aposentados), sepulta a esperança dos cidadãos em qualquer outro, e contribui para tornar o brasileiro um povo sem esperança.<br />
Que só se mobiliza para o futebol, para o carnaval, para festas de arromba e para ir à praia.<br />
Ou para destruir “orelhões”, queimar ônibus a mando de traficantes ou agir como os “de cima” (com total impunidade: assaltar os outros).</p>
<p>Quando o filho” do “filho do Brasil” pega um avião presidencial em São Paulo, coloca 15 amiguinhos e vem a passeio à Brasília, que exemplo está dando?<br />
E o ministro da Defesa (servidor de todos os governos) diz que não vê nada de mal nesse ato.<br />
As pessoas esquecem.<br />
Mas esse avião da impunidade é pago com o nosso dinheiro.</p>
<p>Quanto à mobilização popular, estou sendo injusto? Talvez.<br />
A luta pela anistia e pelas eleições direitas mobilizou muita gente.<br />
(Mas há bastante tempo&#8230;)<br />
Mas essa resignação popular, sinceramente, não é estoicismo (que é uma nobre filosofia): me parece passividade, indiferença ou incapacidade de lutar coletivamente para um país melhor.<br />
Não adianta só reclamar nos botecos da vida, encher o Maracanã ou as ruas no carnaval.<br />
Ou transformarem-se em “cadáveres adiados que procriam” –  no forte verso de Fernando Pessoa.<br />
Estou sendo duro? Estou. Mas só assim teremos um chance de construir um país menos obsceno, socialmente falando.</p>
<p>O filho do Brasil&#8230;<br />
Como lembrou alguém, a própria hipervalorização de um “operário” pela intelectualidade abestalhada da classe média (que adora histórias de sanduíche de mortadela), é prova dessa degradação moral e mental.<br />
O filho do Golbery&#8230;<br />
Dizem que agora a turma dos muitos vivos que filmou a história do nosso Napoleão, quer filmar um livro de Sarney.<br />
Será mais um tiro no humanismo.<br />
Ou outro apagão da inteligência.<br />
Se a ministra do apagão ganhar as eleições (com esse<br />
elogio da ignorância, não duvidem de nada), seria uma ideia iluminadora a debandada da inteligência para algum outro lugar.</p>
<p>Os relatos que recebo do Nordeste (e eu próprio vejo: vou com freqüência à Bahia) são aterradores: como se previa, rios de dinheiro serão gastos, o jogo já está pesadíssimo.<br />
A “aliança do Bem, da Luz e da Pureza” (PMDB/PT) promete uma revolução moral nos hábitos políticos brasileiros.<br />
O nível que está sendo estabelecido para a campanha de 2010 deixaria ruborizados os coronéis nordestinos que o PT tanto combatia.<br />
O “filho do Brasil” teria dito, como dono de capitania hereditária: “Até São Paulo, o Brasil é meu.”<br />
Ele realmente teme o que vem abaixo.</p>
<p>Escutei o programa “Café com o Presidente”.<br />
Até a leitura de uma bula de remédio é mais emocionante.<br />
A fala tem a profundidade de um pires.</p>
<div id="attachment_7176" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-7176" title="Napoleon-2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Napoleon-2.jpg" alt="O Napoleão de Abel Gance" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">O Napoleão de Abel Gance</p></div>
<p>E dizer que assisti a uma das maiores obras-primas do cinema: “Napoleão” (1926), de Abel Gance, um dos grandes pioneiros da sétima arte, como Griffith e Eisenstein.<br />
(Esse Napoleão era o verdadeiro&#8230;)</p>
<p>Mas o sobrenome é Gance, não Barreto (nada contra os Barreto de SC).<br />
Para Rosiska Darcy de Oliveira, “das velhas práticas da esquerda, o PT guardou as piores. O que os regimes autoritários do socialismo real fizeram usando a polícia política, o PT inovou, substituindo a repressão pelo dinheiro. Azeitou a máquina com cargos e propinas. Aderiu ao espírito do nosso tempo, em que o argumento  convincente é o dinheiro. Era essa a ‘revolução’ com que contava para se perpetuar no poder.”</p>
<p>Estamos diante de um fenômeno novo em nossa história. Ele tem várias dimensões<br />
Uma delas é a introdução na esquerda brasileira, em larga escala, daquilo que Marx chamava, em outro contexto, de o “poder dissolvente do dinheiro.”<br />
As sociedades antigas, baseadas na tradição, na hierarquia e na religião, desconfiavam dos banqueiros e de grandes comerciantes, e não raro os reprimiam – como lembra César Benjamin em seu texto intitulado “O Mito do Paraíso Perdido” –, porque percebiam que o fortalecimento da esfera do dinheiro desagregaria tudo o mais.</p>
<p>Lógico: tornou-se desnecessária a batalha das ideias.<br />
À cúpula do PT bastava o dinheiro.<br />
No fundo, a militância virou um estorvo.<br />
Assino embaixo com o autor: apesar dos índices das pesquisas e da adulação quase geral, dessa responsabilidade histórica (muitíssimo grave, como diz Benjamin) Lula não escapará.</p>
<p>Nossa vida humana é muito breve diante do cosmos.<br />
Não me importo de remar contra a corrente.<br />
Nesse rastro, o tempo revelará quem foram os traidores e os patifes.<br />
E quem não vendeu a sua alma.</p>
<p>VALORES (I): Meu pai – o homem honrado e mais generoso que conheci na minha vida –,  e minha família sempre quiseram que eu fosse um “homem de valor” e não um “homem de sucesso”.<br />
E ele, meu pai, sempre lia a Bíblia: “Aquele que não poupou o próprio filho mas o entregou para todos nós, como não vos dará também com ele todas as coisas?”<br />
(Rm, 8/32).</p>
<p>VALORES (II): Não importa o que temos.<br />
Importa o que amamos.</p>
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		<title>Meditações de um avaiano</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 10:20:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[(Crônica de um torcedor apaixonado) Em memória de Antoine de Saint Éxupery escritor e aviador, que um dia desceu na Ilha, no Campeche Em memória de Albert Camus, que também foi goleiro Um menino vai ao Campo da Liga. No caminho: quintais floridos, goiabeiras, tantos campinhos, Ilha, década de 50, sol, remadores na Baía Sul, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Crônica de um torcedor apaixonado)</p>
<p>Em memória de Antoine de Saint  Éxupery escritor e aviador, que um dia desceu na Ilha, no Campeche<br />
Em memória de Albert Camus, que também foi goleiro</p>
<div id="attachment_7114" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-7114" title="estÃ¡dioadolfokonder" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/estÃ¡dioadolfokonder-300x219.jpg" alt="Torcida do Avaí no Campo da Liga" width="300" height="219" /><p class="wp-caption-text">Torcida do Avaí no Campo da Liga</p></div>
<p>Um menino vai ao Campo da Liga.<br />
No caminho: quintais floridos, goiabeiras, tantos campinhos, Ilha, década de 50, sol, remadores na Baía Sul, um domingo, a mãe leva o menino para (antes do futebol) assistir a uma regata, pipoqueiros, algodão-doce, há um circo na cidade.<br />
O Avaí foi um dos meus primeiros alumbramentos.<br />
Já falarei sobre ele.</p>
<p>Lembro do Campo de Manejo, do Miramar, da Confeitaria Chiquinho, do trapiche da Praia de Fora, da Rita Maria, das empadinhas e do guaraná-caçula na Gruta de Fátima, da Missa do Galo na catedral, da Procissão do Senhor Morto, dos tipos folclóricos, Antônio e João Tolo, Chico Barriga D’Água, Curvina, Barca-Quatro.<br />
E do cego Antônio, com sua bacia para moedas, sua bengala, seus “oclinhos”.<br />
Meus pais, além da comida, ofereciam ternura e uma palavra amiga.<br />
Como esquecer dos carros alegóricos da sociedade</p>
<p>Granadeiros da Ilha?<br />
E daquela manhã – a cidade inteira na Praça Quinze – quando avisaram que um avião havia caído.<br />
Era 1958. Morreram Nereu Ramos, Jorge Lacerda, Leoberto Leal. Suspenderam as aulas, a prova de matemática foi cancelada. Eu tinha 13 anos.<br />
Havia: Sessão das Moças no Cine  Ritz, troca de gibis (ah, as pulgas) no Cine Rox, passeios a Pinheiral, quando estudávamos no Catarinense, os acampamentos, salsicha, macarrão e groselha.<br />
O primeiro namoro cheio de rubores na matiné do Cine São José.</p>
<p>O Avaí  que eu internalizo é o que está no meu coração: não  há racionalidade, mas magia; a escalação é afetiva, e o jogo nunca termina num domingo à tarde. Ele atravessa a vida.<br />
A prorrogação é eterna. Não tem apito final.<br />
“A vida não é a que se viveu, mas a que se recorda<br />
e como se recorda para contá-la”, escreveu Gabriel Garcia Marques na epígrafe de sua autobiografia<br />
”Viver para Contá-la”.</p>
<p>Do Campo da Liga não posso esquecer. Não falarei de táticas, estratégias, volantes, impedimentos, técnicas.  Não sou especialista. Sou apenas um homem que ama um time. Ainda chamo escanteio de “corner”.</p>
<div id="attachment_7113" class="wp-caption aligncenter" style="width: 236px"><img class="size-medium wp-image-7113" title="Kim Novak" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Kim-Novak-226x300.jpg" alt="Kim Novak, a loira do Emanuel e do Hitchcock" width="226" height="300" /><p class="wp-caption-text">Kim Novak, a loira do Emanuel e do Hitchcock</p></div>
<p>O Avaí me lembra uma gaivota, uma regata, um céu azul, um arco-íris, uma paixão redentora, sol pleno, Saint  Éxupery, Chaplin, uma mulher lindíssima (como Greta Garbo, Mônica Vitti, Maureen O’Hara  ou Kim Novak), um nascer do sol na Lagoinha da Ponta das Canas,  e uma festa do Divino no Ribeirão. Mamãe fazendo cocadas, mamãe preparando o presépio com papai, mamãe me dando a bênção – que atravessa o menino e chega ao homem sessentão.</p>
<p>Machado de Assis já sabia: o adulto sempre está no<br />
menino.<br />
Como no poema de Drummond, se eu fosse rei baixava um decreto: mãe não morre nunca.<br />
Ah, a turma da Rio Branco: Paulo Henrique Sohn, Guilherme Júlio da Silva, Renato Stoterau, Stefano Kotzias (que morava na Esteves Júnior e era o mais avaiano dos avaianos), Hudson Piazza  (que chegou depois). Janga morava na parte de cima da rua.</p>
<p>Que os torcedores do Figueirense não me julguem com aspereza.  É apenas a celebração de amor a um time. Só isso.</p>
<div id="attachment_7115" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-7115" title="figueira antigo" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/figueira-antigo-300x201.jpg" alt="Torcida do Figueira no antigo Scarpelli" width="300" height="201" /><p class="wp-caption-text">Torcida do Figueira no antigo Scarpelli</p></div>
<p>Uma brincadeira. Que façam a contradita, que discordem, que escrevam suas meditações, que falem mal do cronista, que acrescentem algo que este pobre homem do Desterro deveria ter incluído. Ou digam que ele nada conhece de futebol. Que foi parcial, discriminatório.<br />
Mas garanto: sempre enternecido.</p>
<p>Que simpatizantes do Figueira façam a sua celebração. Certo? Entendam como uma crônica lírica. Trata-se de uma brincadeira. Ou de uma “private joke”.<br />
(Lógico, os editores deste blog não têm nada a ver com a minha crônica. Qualquer flecha envenenada dos simpatizantes da agremiação continental, deve ser dirigida a este auto-exilado ilhéu.)<br />
Expliquei. Mas Michel Butor acreditava que toda<br />
explicação é uma forma de destruição.</p>
<p>Vamos lá.</p>
<p>Avaí é utopia. O Figueirense é pragmatismo.<br />
Avaí é poesia. O Figueirense é prosa.<br />
Avaí é tainha frita. O Figueirense é churrasco bem passado.<br />
Avaí é Mário Quintana. Figueirense é Olavo Bilac.<br />
Avaí é Marisa Monte. Figueirense  é Ivete Sangalo.<br />
Avaí é namoro. Figueirense é casamento.<br />
Avaí é escotismo. Figueirense é serviço militar obrigatório.<br />
Avaí é psicologia. Figueirense é engenharia.<br />
Avaí é véspera do natal. Figueirense é o dia do natal.<br />
Avaí é sábado de manhã. Figueirense é domingo à tarde.<br />
Avaí é esperança. O Figueirense também.<br />
Avaí é casa com varanda. Figueirense é apartamento com três quartos.</p>
<p>Na coluna da esquerda, segue o Avaí.<br />
Na da direita, o Figueirense.</p>
<p>AVAÍ                                                                                                FIGUEIRENSE<br />
Mozart                                                                                             Wagner<br />
Mãe                                                                                                   Pai<br />
Sabiá                                                                                                Canário<br />
Barco à vela                                                                                                                        Canoa<br />
Salada de frutas                                                                           Mingau de aveia<br />
Fernando Pessoa                                                                        Eça de Queiroz<br />
Amora                                                                                             Pitanga<br />
Capelinha                                                                                       Igreja gótica<br />
Marinha                                                                                                                                       Exército<br />
Morango com nata                                                                                                  Melancia em fatias<br />
Bob Dylan                                                                                                                                Bob Marley</p>
<p>Nossa Senhora do Perpétuo Socorro                                                               Nossa Senhora da Conceição</p>
<p>Cinema                                                                                                                                         Televisão<br />
Quindim                                                                                                                                       Torta de chocolate<br />
Verso livre                                                                                                                               Métrica e rima<br />
Romantismo                                                                                                                        Realismo<br />
Garrincha                                                                                                                                   Dunga</p>
<p>Oscar Niemeyer                                                                                                            Victor Meirelles<br />
Obama                                                                                                                                             Sarkozy<br />
Piano                                                                                                                                                  Violão<br />
Samba                                                                                                                                              Pagode<br />
Baía                                                                                                                                                     Mar grosso<br />
Mercado Público                                                                                                       Feira livre<br />
Cine Rox*                                                                                                                               Cine Glória<br />
Paixão                                                                                                                                            Também<br />
Garra                                                                                                 Também<br />
Platão                                                                                               Aristóteles<br />
Patrícia Pillar                                                                                                                Cláudia Raia<br />
Paulo Autran                                                                                 Tarcísio Meira<br />
Batida de butiá                                                                              Batida de maracujá<br />
São Francisco                                                                                Santo Expedito<br />
Veneza                                                                                                                                       Nova Iorque<br />
Leveza                                                                                                                                       Solidez</p>
<p>*Para os mais antigos ilhéus.<br />
Dando os trâmites por findos, queria proclamar: que campanha bela – cheia de paixão e talento – o time da Ilha está fazendo no Campeonato Brasileiro!<br />
O ideal, no futuro, será não empatar tanto no<br />
início do campeonato.<br />
A Libertadores seria uma consagração. Mas se não vier agora, chegará mais tarde.<br />
Os sarcásticos e debochados – gente de língua viperina –, tinham firme convicção de que o time azul não permaneceria na Série A.<br />
Guardem suas línguas e chorem suas mágoas “depois da ponte”.<br />
No fundo (sentimental que sou), desejo dias mais iluminados para o Orlando Scarpelli, pois tenho amigos queridos e diletos parentes que torcem pelo Figueira .<br />
Nobody is perfect&#8230;</p>
<p>Voa, pássaro azul!</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Bolsa-celular, apagão e outras meditações</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 10:55:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Pense num absurdo. Pensou? No governo Lula deve haver um precedente. Queria abordar temas mais interessantes relacionados à aventura do espírito humano. Mas o cotidiano – mesmo que às vezes seja mesquinho – continua sendo a razão de minhas preocupações, e vai ocupando o meu coração. Apagão, Bolsa-Celular. Bolsa-Celular? Pois é. Deveria ser criada a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pense num absurdo.<br />
Pensou?<br />
No governo Lula deve haver um precedente.<br />
Queria abordar temas mais interessantes relacionados à aventura do espírito humano. Mas o cotidiano – mesmo que às vezes seja mesquinho –  continua sendo a razão de minhas preocupações, e vai ocupando o meu coração.</p>
<p>Apagão, Bolsa-Celular.<br />
Bolsa-Celular? Pois é.<br />
Deveria ser criada a bolsa-funeral, para que pudéssemos enterrar os nossos sonhos.<br />
Dr. Tancredo dizia que a ARENA (o partido de sustentação da ditadura militar) estava se transformando no partido dos grotões. É o que está ocorrendo com o PT,<br />
que continua celebrando o anti-iluminismo e a ignorância.<br />
Num país que precisa  tanto de conhecimento, não se concebe um presidente que diga  (como o Lula fez) que “ler dá azia”.</p>
<div id="attachment_7066" class="wp-caption alignleft" style="width: 223px"><img class="size-medium wp-image-7066" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/marx-213x300.gif" alt="De Karl Marx..." width="213" height="300" /><p class="wp-caption-text">De Karl Marx...</p></div>
<p>O que está havendo com a “esquerda”?<br />
Os velhos comunistas se inspiravam em Karl Marx, Rosa Luxemburgo e Antônio Gramsci. Eram referências iluminadoras.<br />
Ou Che Guevara, para as gerações mais novas.<br />
Hoje, quais são os ídolos de muita gente?</p>
<p>Tentem se lembrar de lideranças de países vizinhos, nacionais e regionais que poderiam se enquadrar nesse espectro político.<br />
E comparem com os líderes e pensadores acima citados.<br />
Sim, valem nomes de deputados (as), senadores (as), de presidentes ou diretores da Eletrosul, de políticos da Venezuela ou de outros países latino-americanos.<br />
Só isso.</p>
<div id="attachment_7068" class="wp-caption alignright" style="width: 234px"><img class="size-medium wp-image-7068" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/che-guevara7gr-224x300.jpg" alt="...a Che Guevara" width="224" height="300" /><p class="wp-caption-text">...a Che Guevara</p></div>
<p>Será que a queda do Muro de Berlim deixou muita gente órfã?<br />
Pelo contrário,  a sua derrubada , em novembro de 1989,  deveria ser motivo de reflexão, de estímulo aos pensamentos utópicos e libertários.<br />
É preciso ter consciência de que outros perversos muros continuam,<br />
Poucas vezes se viu, com o império do mercado, tanta indiferença diante do sofrimento humano.</p>
<p>No Leste europeu, a desigualdade nunca foi tão grande.<br />
Já no verão europeu de 1976, em Berlim   –  fugido da ditadura –, com os meus saudosos amigos Alberto Albuquerque e Luiz Travassos, eu conversava sobre isso.<br />
Lembro que caía neve,  e de que havia um inverno de 10 graus abaixo de zero.<br />
Atravessamos o Muro, passamos um dia todo em Berlim Oriental.</p>
<p>Recordo da arquitetura pesada e monumental que em 2000 veria  em Bucareste, na Romênia, quando o regime do ditador corrupto e cruel Nicolae Ceaucescu,  já  terminara há, aproximadamente, 10 anos.</p>
<p>Eu, Alberto e Travassos  meditávamos, em Berlim,  sobre a “possibilidade”  de uma utopia.<br />
Qual? O socialismo de face humana. Sim, que não perdesse a ternura.<br />
Não o vi. Não o verei. Talvez gerações mais afortunadas o enxerguem.<br />
Nós três,  conversávamos horas e horas,  contemplando o Muro, a neve, planejando combates em prol da anistia em favor de tantos companheiros também exilados (como Travassos), tomando vinho, e nunca esquecendo o Brasil.<br />
Mas como dizia sempre para os dois amigos, é mais importante pegar na<br />
flecha  do que acertar no alvo. Acertar no alvo é consequência.<br />
Insisto: os caminhos foram feitos para serem andados&#8230;</p>
<p>Os homens contemporâneos parecem imersos em bobagens sem valores, absolutizando o relativo, valorizando apenas o cartão de crédito, a pecúnia e engenhocas eletrônicas. Muitas relações são descartáveis como celulares.<br />
Mas um homem tem que ser maior que o seu sofrimento.<br />
Quero dizer: precisamos ter força interna para não desistirmos dos nossos sonhos.<br />
“Menor que meu sonho não posso ser”, já  “exigia” meu querido amigo e grande poeta Lindolf Bell.<br />
Perdoem a dispersão. Não, não esqueci da bolsa-celular.<br />
É medida eleitoreira, é claro.<br />
Para que serve? Não, não é só folclore.</p>
<p>Jânio de Freitas lembra que “com a mudança da lei que proibia a absorção da área de uma tele por detentores de outra área, o grupo da empreiteira Andrade Gutierrez (o sócio financiador de um filho do Lula) e o grupo Carlos Jereissati adquiriram o controle da telefonia celular no Nordeste. No qual está a maior concentração de beneficiários dos atuais 12 milhões de filiados ao Bolsa-Família.”<br />
Com R$7 de crédito, o filiado do Bolsa-Família usará o celular de graça por uns minutinhos e pagará pelos outros telefonemas, num sistema telefônico dos mais caros dentre os celulares do mundo.<br />
Quando? Antes das eleições do ano que vem.</p>
<p>Apagão? Não começou agora, mas não é necessário ser um especialista em sistemas elétricos para saber que em 8 anos algo poderia ter sido feito.<br />
E Dilma, que foi ministra das Minas e Energia, no primeiro governo Lula, afirmou há pouco que estava tudo sob o controle.<br />
De quem? Do destino? Lógico, os raios são os culpados de sempre.<br />
Oh, raios!<br />
Deixar o sistema elétrico brasileiro nas mãos do PMDB e de sua gula,  por conta do apetite voraz de Sarney e  sua turma, dá um frio na espinha.<br />
Juntem-se a eles, os burocratas sindicais também famintos: dá mais do que frio na espinha.  O sentimento é de horror!<br />
Se pensarmos que  a área dos transportes (quero dizer,  incluindo todas as estradas brasileiras) também está  nas mãos do PMDB faminto, será preciso rezar.<br />
No caso nacional, combinar com São Pedro para que não chova na Copa do Mundo e nas Olimpíadas.</p>
<p>Na ditadura se dizia que o último que saísse do Brasil deveria apagar a luz.<br />
Com Lula, devemos pedir que o último que sair acenda a luz.<br />
O ministro das Minas Energia, da “cota” do PMDB de Sarney (um patriarca que, ao contrário daquele do livro de Gabriel Garcia Marquez, parece nunca ter o seu outono) ficou irritado com os especialistas que garantiram que o apagão não teve nada a ver com raios. Mas  com incompetência.</p>
<p>Como escreveu um jornalista, “a pantomima política lembra a crise dos anos FHC, quando os tucanos tentavam depositar seu apagão na conta do PFL&#8230;”<br />
Arremata o mesmo profissional: “Mas é sintomático nos dois casos, que o país esteja entregue à mesma bancada do apagão”.<br />
As subestações da fisiologia continuam operando.</p>
<p>Concordo com um leitor que, generosamente, postou um comentário sobre o meu texto da semana passada.<br />
O governo Lula é um governo virtual.<br />
É a hegemonia dos marqueteiros, da falsificação do real através de truques tecnológicos muito bem pagos.</p>
<p>Um conhecedor da rotina do Palácio do Planalto me disse que Dilma trata  muito mal e de maneira grosseira os seus subordinados e os seus assessores.<br />
Querem pintá-la como uma humanista preparada. Não é.<br />
Ela e o seu grupo, na essência, são stalinistas viscerais. Pode rezar com o padre Marcelo Rossi,  com os bispos neo-pentecostais de direita, processados nos Estados Unidos. Pode simular fé, piedade, compaixão. É tudo fingimento, jogo de cena.<br />
Ela só faz os que os marqueteiros dizem que deve fazer.<br />
Um amigo meu disse que com as plásticas  ela ficou parecendo com  a  ‘filha do Chucky’.<br />
Vai funcionar? Falo do resultado eleitoral. Não sei.<br />
Com a carência de  informação e discernimento de grande parcela de um povo que vive sob o signo da miséria e das esmolas governamentais, nada é impossível.</p>
<p>Breve intervalo – que os leitores perdoem a autopiedade:  em termos sócio-políticos (não privados- nesse terreno  há muitas compensações, afetivas e culturais), na luta por um país mais decente, a minha geração, nascida no final  da 2° Guerra, Mundial, em 1945 (quando também nasceram Leila Diniz, Raul Seixas, Elis Regina e outros bravos guerreiros), não foi afortunada: cresceu sob um signo de uma ditadura que durou 21 anos;  assistiu à morte de Tancredo; teve que suportar o governo Sarney;  viu a derrota dos “autênticos” do velho MDB; o período Collor; 8 anos de privataria tucana. Meus Deus! E 8 anos de Lula!<br />
Mas serei justo: eu e minha geração lutamos intensamente pela anistia. E ela foi conseguida (com muito suor, lágrimas e combates contínuos).<br />
Não como queríamos, mas saiu.</p>
<p>Mais 4 de lulismo com Dilma? Não merecemos! Mais novo, buscaria um auto-exílio, para a preservação da inteligência e da dignidade.<br />
Não, não quero ficar monotemático, mas a insistência na crítica ao PT e ao lulismo, deve-se  à minha radical repulsa aos mentirosos, aos vendilhões, aos corruptos, aos deslumbrados  e  aos traidores.<br />
Ao contrário do que pensa um leitor (a quem respeito), não disse que a solução seja “votar no PFL”, como ele escreveu.</p>
<p>Meu temor?<br />
Podem atribuí-lo à “paranóia de um sessentão” que viveu e vive intensamente o seu tempo e o seu país, buscando combater o bom combate.<br />
Falo agora desta sombria expectativa.<br />
Temo que para não perderem  as suas “bocas”, os empregos  e os seus privilégios, os sindicalistas pelegos e os burocratas famintos criem, no  próximo ano,  milícias fascistas, como os falangistas fizeram na Guerra Civil Espanhola, contra os republicanos.<br />
As sementes – não duvidem – estão sendo preparadas.<br />
Para atacar os opositores.<br />
Para não sair do poder.</p>
<p>Quem não mora em Brasília, talvez não saiba do poder que essas pessoas estão tendo nas entranhas da burocracia estatal.<br />
E  o infausto consórcio PT/PMDB quer mais: é uma gula que não acaba.<br />
No fundo, o que deseja o petismo?<br />
Chegar à chamada burguesia que, teoricamente, tanto condenavam.<br />
É um “bolchevismo sem utopia”, como classificou alguém.<br />
Daí os ternos  caros,  os vinhos raros, os restaurantes  refinados, os celulares sofisticados, e as constantes viagens ao exterior.</p>
<p>Tomasi Di Lampedusa estudou essa forma de ascensão social no belíssimo romance “O Leopardo”, do qual Luchino Visconti extraiu o seu estupendo filme, que leva o mesmo nome.<br />
O romancista e o cineasta refletem  sobre a transição da aristocracia para a burguesia na Itália.<br />
(E Visconti conhecia bem a situação: era aristocrata de berço e marxista por formação.)<br />
Como me lembro dos petistas quando releio o  livro e revejo filme!<br />
É preciso mudar, para que tudo fique como está, como é dito no livro.<br />
O  “Correio Braziliense” ( com “z” mesmo)  informou em manchete  que novos cargos  com altos salários estão sendo criados para os “amigos”.<br />
Vão querer perder tudo isso?<br />
Lógico, não posso imaginar que diretores da Eletrosul (ah, Eletrosul&#8230;) não sejam petistas e lulistas. Podem até dizer que estão ali para defender o patrimônio do povo (seu hábito contumaz é subestimar a nossa inteligência) catarinense e brasileiro. Querem continuar ganhando bem e mantendo seus privilégios e mordomias.<br />
Essa  empresa não funcionaria com um terço de seus funcionários. Não?</p>
<p>São capazes de deglutirem lagostas na Lagoa falando na revolução proletária&#8230;<br />
Ser proletário para eles é não se esquecer da prole&#8230;<br />
Serei enfático, até redundante (para quem me lê com certa assiduidade): foi para isso que tanta gente sofreu, foi presa, torturada, morta ou exilada?<br />
Buscarei ser mais solar ainda: com Lula,  a classe trabalhadora, não foi ao paraíso. Transita entre o purgatório e o inferno.<br />
Sobrevive com bolsas e migalhas, que não enobrecem o espírito humano nem incentivam o trabalho que eleva a auto-estima. Elas, pelo contrário, alimentam a preguiça e viciam o cidadão.</p>
<p>Sabe-se que no Nordeste já estão faltando carpinteiros, pedreiros e garçons.<br />
Um amigo meu foi contratar um moço forte  e saudável para capinar o terreno do seu sítio em Samambaia, cidade-satélite de Brasília.<br />
Resposta: “Eu? Já tenho a bolsa que o Lula me dá, e outra do Arruda” (governador daqui do Distrito Federal, do DEM).<br />
E, certamente, compra eletrônicos nas Casas Bahia.</p>
<p>De passagem: leitores sugeriram a abordagem da taxação da poupança.<br />
A medida realmente não saiu. Mas estava engatilhada.<br />
Também  foi decidido o cancelamento da devolução das parcelas de imposto de renda a que pessoas físicas ainda tinham direito a receber.<br />
A medida  só foi sustada por pressão da opinião pública.<br />
Era  para fazer caixa, para alegria da banca.<br />
Lula deve sido acometido da “síndrome do Collor”, seu fraternal companheiro da base aliada.<br />
Vocês sabiam que dos 31 países visitados  nos 81 dias de viagens de Lula este ano (até domingo, 1° de novembro), só um fica na África?  É a Líbia.<br />
Para os EUA e Europa foram 15 viagens.<br />
Não computei as últimas.<br />
Imagino que ele esteja viajando de novo.</p>
<p>VESTIBULAR</p>
<p>Teste de múltipla escolha para a dona Marisa, a  “operosa” primeira-dama, que está fazendo a alegria dos cirurgiões-plásticos (com as operações, ficou semelhante a uma Barbie da periferia):</p>
<p>GRANDE GENERAL FRANCÊS &#8211; NAPO:<br />
A)	TIGRE<br />
B)	CARNEIRO<br />
C)	LEÃO<br />
D)	ONÇA</p>
<p>Se a senhora acertar a resposta, ganhará uma passagem para o Iraque.<br />
Pode  escolher também  o Afeganistão e o Paquistão ou,  se quiser, outros ‘aprazíveis’ países da região.<br />
Um lembrete: a passagem é só de ida.<br />
Em tempo: pode levar o marido.</p>
<p>BRILHO</p>
<p>O estadista inglês Winston Churchill, homem muito inteligente e culto, era portador de um espírito cáustico e de uma língua viperina.<br />
Foi  o ex-primeiro ministro amante dos charutos e do bom uísque, quem disse que se Hitler invadisse o inferno, ele faria uma aliança com o diabo&#8230;<br />
Em certa ocasião (parece que num jantar) teve uma discussão com uma “dondoca” ou burguesa fútil.<br />
Essa  senhora disse para Churchill: “Se fosse sua mulher, lhe dava veneno.”<br />
Ele, de bate pronto: “Se fosse seu marido, eu tomava.”</p>
<p>CORREÇÃO:</p>
<p>Na minha última ‘meditação’, errei ao digitar  um nome: é Golbery do Couto e Silva e não Golbery da Costa e Silva, como foi grafado.<br />
Era o “bruxo” e o mais inteligente estrategista da ditadura militar.<br />
Devo ter sido atacado pelo espírito de Costa e Silva, o general  que assinou o AI-5, em 13 de dezembro de 1968, o “golpe dentro do golpe”, conhecido (vou ser suave) por  sua carência de inteligência. Ele pensava que reunião do Estado- Maior (do Exército) deveria ser realizada no Amazonas&#8230;</p>
<p>Agradeço a Millor Fernandes pelo teste de múltipla escolha.</p>
<p>Podem usar como queiram minhas reflexões e as citações que faço, mas até por carinho às antigas amizades, ficaria compensado se a fonte fosse citada.</p>
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		<title>Aposentados</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 10:37:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[A crueldade imposta aos aposentados pelo governo Lula lembra o arrocho imposto a eles pelo consórcio PSDB/PFL (atual DEM). Creio que é ainda mais grave. Porque o prometido era absolutamente diferente. Porque a gênese do PT era a defesa dos humilhados e dos ofendidos. O que se viu na sessão da última quarta-feira (4 de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A crueldade imposta aos aposentados pelo governo Lula lembra o arrocho imposto a eles pelo consórcio  PSDB/PFL (atual DEM).<br />
Creio que é ainda mais grave. Porque o prometido era absolutamente diferente.<br />
Porque a gênese do PT era a defesa dos humilhados e dos ofendidos.</p>
<p>O que se viu na sessão da última quarta-feira (4 de novembro) da Câmara dos Deputados foi um festival de hipocrisia que deixaria ruborizado qualquer sepulcro-caiado.<br />
Alegava-se com mil tergiversações e jogos de palavras, de que não havia dinheiro para aumentar os vencimentos dos aposentados.</p>
<p>Não vou reconstituir a sessão.<br />
Vou lembrar uma declaração do Lula numa entrevista dada antes das eleições, na rádio CBN.<br />
Perguntaram a ele se faria a reforma da Previdência.<br />
Ele respondeu: “Prefiro que Deus me mate.”<br />
Fez.</p>
<p>Era o interesse dos grandes bancos e das seguradoras privadas.<br />
Todo mundo sabe que quando o presidente diz que é o “pai dos pobres”, no seu inconsciente está declarando: “sou a mãe dos ricos.”<br />
E  foi melancólico ver deputados (eu conheço alguns da Bahia) que foram eleitos pro professores, aposentados e outras categorias, fugirem do plenário.<br />
Foi vileza demais.</p>
<p>Já disse aqui: não acredito na “neutralidade” da linguagem.<br />
É melhor lidar com gente que fala  às claras, com inimigos declarados.<br />
Os piores são os que não são frios nem quentes. Que nunca se assumem.<br />
Que lavam as mãos como Pilatos modernos.</p>
<p>Tem gente que diz que faço jogo da “direita”.<br />
Lógico, não espero louvores de setores do PT que pegaram  “boquinhas” em SC e aqui no Planalto.  Elogios dessas pessoas  desabonariam a minha biografia.<br />
Só quero  que não subestimem a nossa inteligência e que tenham consciência<br />
de que  muitos  brasileiros sabem o que eles estão fazendo.</p>
<p>Recordo sempre da visão de Flaubert: para ele, os seres que assumem autenticamente as suas posições, que são fiéis a si mesmos, os que possuem consciência crítica e não vieram ao mundo para passear, terminarão a vida com vários desafetos.</p>
<p>Isso não importa.<br />
O que me exaspera é o raciocínio estreito, obtuso mesmo, de pessoas que pareciam esclarecidas, como professores universitários, gente da “academia”, formadores de opinião.<br />
E que se calam ou defendem todas as posturas do Lula ou qualquer asneira que ele diga porque veio da “pobreza”.<br />
Pobreza não é álibi para a ignorância, para a má-fé, para a traição de princípios.</p>
<p>São seres que carecem de leituras básicas. O único raciocínio que vem a mente destas pessoas é lembrar: o PSDB também fez!<br />
O PSDB privatizou! O PSDB também têm mensaleiros!<br />
É escarnecer da nossa inteligência. É como se perversidades passadas legitimassem patifarias atuais. E ninguém aguenta mais o discurso da “herança maldita”.</p>
<p>Índices de popularidade não me dizem nada. Médici também os tinha, como os ditadores stalinistas do Leste europeu.<br />
Há muito tempo, um ladrão foi salvo pela plebe, enquanto outro homem cuja mensagem permanece há mais de dois mil anos foi crucificado.</p>
<p>Vou mais longe: estudando a História do Brasil recente e em especial a da ditadura militar, cada vez mais me convenço que a escolha de Lula foi uma estratégia maquiavélica do “satânico Dr. Go”.<br />
Refiro-me ao mais astuto e inteligente estrategista da ditadura, o “bruxo” Golbery da Costa e Silva.</p>
<p>Lula era um amortecedor de tensões, nunca foi socialista.<br />
Era a maneira de entregar os anéis e não perder os dedos.<br />
Perder os dedos seria a escolha de um verdadeiro socialista.<br />
Não é paranóia.</p>
<p>Só peço uma coisa: discordem, mas antes estudem o período.<br />
Ah, o Lula também declarou que quem é de esquerda depois dos 50 anos é porque  sofre de doença mental&#8230;<br />
O nosso impagável presidente (é preciso sorrir!) também disse que se o Bush tivesse falado antes com ele, não teria invadido o Iraque.</p>
<p>Serei claro: não há dinheiro para os aposentados.<br />
Mas há para a Copa do Mundo, para as Olimpíadas, para o avião luxuoso do Lula, para a suas  infindáveis viagens, para pagar mensaleiros, para tudo o mais.<br />
Não falo do botoxs da primeira-dama, porque devem ter sido pagos com dinheiro privado. Ela não fala. Mas isso é um benefício para a inteligência humana.</p>
<p>Mais triste é ver  como ficaram  hipocritamente calados em relação aos aposentados, entidades, partidos e centrais sindicais.<br />
Poderiam ter defendido os seres mais vulneráveis, àqueles que mais precisam no crepúsculo de suas vidas. Mas talvez tenham sido “calados” com o vil metal.<br />
Entidades de passado combativo foram completamente aparelhadas.<br />
Falo da CUT, de outras centrais sindicais, da UNE (triste e subserviente).</p>
<p>E o PCdoB? Será que ainda se considera um partido de “esquerda.”?<br />
Enquanto isso, o ministro dos Esportes (deste partido) se confraterniza com Paulo Maluf em festas de aniversário.<br />
Não adianta as pessoas se proclamarem socialistas e de esquerda em mesa de bar.<br />
O que vale não é a retórica. É o caráter, a fidelidade aos princípios.<br />
Insisto: é a ética pessoal de cada um que legitima o nosso caminho.<br />
Pareço um moralista? Sou. Sim, porque creio que nossa trajetória no planeta só será iluminada com dignidade, conhecimento e solidariedade a todos os danados da terra. Não é “ideologia” pela “ideologia”. Isso é papo de papagaio analfabeto.<br />
Que em 2010 esses parlamentares que, com marolas regimentais, adiaram a votação  sejam lembrados. Como os que se omitiram. E que seus nomes sejam colocados em praça pública, com o epíteto de traidores e de Judas.</p>
<p>MARIGHELLA</p>
<div id="attachment_7006" class="wp-caption alignleft" style="width: 129px"><img class="size-full wp-image-7006" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/11/CMarighella.jpg" alt="torturanucamais-rj.org.br (divulgação)" width="119" height="150" /><p class="wp-caption-text">torturanuncamais-rj.org.br (divulgação)</p></div>
<p>Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada comandada pelo mais notório torturador da ditadura militar.<br />
(Não vale a pena citar o seu nome. Caiu na vala comum do esquecimento, onde deveriam ficar os canalhas e malditos.)</p>
<p>Baiano, começou a militar cedo, e já como estudante de engenharia sofreu brutais torturas nos cárceres do Estado Novo.<br />
Foi combativo deputado na Constituinte de 1946 (com Jorge Amado).<br />
Nunca é demais lembrar a sua coragem,  a sua dignidade e a sua devoção ao povo brasileiro, mesmo que algumas opções possam ter sido equivocadas.</p>
<p>Lembrando o episódio, é preciso insistir para que os arquivos da ditadura sejam abertos, como o foram os dos países vizinhos.<br />
Formulações e sentenças da ONU e da OEA já indicaram que torturas constituem crimes contra a própria humanidade, não sendo passíveis de indulto, anistia ou prescrição.</p>
<p>No preâmbulo da Declaração Universal da ONU, de 10 de dezembro de 1948, está reafirmado com todas as letras o direito dos povos recorrerem à rebelião contra a tirania e a opressão.<br />
É preciso reabrir o diálogo com as novas gerações, para que a verdade histórica seja restabelecida.</p>
<p>De passagem: como catarinense, senti-me profundamente envergonhado com a visão de presos  sendo espancados da maneira mais vil em cárceres do meu estado natal.<br />
Qualquer governante que se considere honrado e humanista, está eticamente obrigado a punir exemplarmente esses torturadores.<br />
(E sem  subterfúgios, jogos de palavras ou defesas corporativas.)<br />
Ninguém pode se omitir.</p>
<p>Todos os membros do secretariado estadual,  deputados estaduais e federais, senadores do Estado, presidente de órgãos públicos, jornalistas, cronistas, formadores de opinião e todos os homens de bem  “estão obrigados” a manifestar o seu repúdio.<br />
Quem calar não deixará de ser um cúmplice por permitir que ignomínias de tal natureza se repitam.</p>
<p>METÁFORA</p>
<p>Creio que o Congresso ou uma assembléia legislativa são metáforas das qualidades e dos defeitos de um povo. Nem mais nem menos. Não é possível terceirizar responsabilidades.</p>
<p>Se jogo lixo pelo carro ou do ônibus; se dirijo falando ao celular; se não obedeço aos sinais de trânsito; se invado vagas destinadas a idosos e a deficientes; se pago propina a policiais para não ser multado; se compro cocaína  na noite de sábado e frequento passeatas pela paz (soltando pombinhas!) no domingo; se não respeito filas de bancos, de cinema ou de outra natureza; se não pago os direitos trabalhistas das domésticas; se trato mal os humildes, não tenho qualquer ética pessoal para reclamar dos governantes, do Congresso, da Assembléia Legislativa, das câmaras de vereadores. Não posso reclamar de nada.</p>
<p>Devo ser a mudança que desejo para o mundo.</p>
<p>AMAR</p>
<p>“O  verbo amar é um dos verbos mais difíceis de conjugar.<br />
O seu passado não é perfeito: o seu presente é apenas indicativo; e o futuro é sempre<br />
condicional.”<br />
(Jean Cocteau)</p>
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		<title>Não, Darcy Ribeiro não era um embusteiro</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 18:52:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Agradeço os comentários postados sobre o meu texto. A gente cresce (também) na divergência. Num mundo fundamentalista, onde impera a intolerância e o maniqueísmo, muitos pessoas &#8211; carregadas e onipotência -, não suportam críticas. Gramscianamente, sempre defendo a democracia como valor universal, mantendo o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade. Não, Darcy Ribeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agradeço os comentários postados sobre o meu texto.<br />
A gente cresce (também) na divergência.<br />
Num mundo fundamentalista, onde impera a intolerância e o maniqueísmo, muitos pessoas &#8211; carregadas e onipotência -, não suportam críticas.<br />
Gramscianamente,  sempre defendo  a democracia como valor universal, mantendo  o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade.</p>
<p>Não, Darcy Ribeiro não era um &#8220;embusteiro&#8221;.<br />
Foi um autêntico ser humano, um dos grandes brasileiros que tivemos.<br />
Pagou um alto preço por seus ideiais.<br />
Mas não vendeu a sua alma.<br />
Sempre digo: é melhor não ter um público amplo do que  dobrar a espinha.<br />
Na vida, é sempre fundamental ser fiel a si mesmo.<br />
Ele não trocou seus ideais (como muitos) pelas benesses do poder.</p>
<p>Posso não conhecer tudo sobre a transposição do Rio São Francisco. Mas estudei o assunto.<br />
É uma obra &#8211; insisto  &#8211; que favorece às empreiteiras, às oligarquias nordestinas, às empresas do agro e e do hidronegócio, não às populações ribeirinhas.<br />
Deveria servir ao povo nordestino e não aos privilegiados de sempre. E não o serve.</p>
<p>Abração &#8220;tolerante&#8221; e agradecido do Emanuel Medeiros Vieira</p>
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		<title>Darcy Ribeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[“Fracassei em tudo o que fiz. Quis uma escola para os índios, e fracassei. Quis um país mais justo, e fracassei. Quis fundar uma universidade de qualidade e fracassei. Mas meus fracassos são minhas vitórias. Não estaria de estar no lugar dos vencedores.” Darcy Ribeiro (1922-1997) Internalizando fundamente o denso e tocante inventário do mestre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6960" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho31-darcy-ribeiro.jpg"><img class="size-full wp-image-6960" title="deolho31-darcy-ribeiro" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho31-darcy-ribeiro.jpg" alt="Darcy Ribeiro" width="450" height="297" /></a><p class="wp-caption-text">Ele próprio</p></div>
<blockquote><p>“Fracassei em tudo o que fiz. Quis uma escola para os índios, e fracassei. Quis um país mais justo, e fracassei. Quis fundar uma universidade de qualidade e fracassei. Mas meus fracassos são minhas vitórias. Não estaria de estar no lugar dos vencedores.”<br />
<strong>Darcy Ribeiro</strong> (1922-1997)</p></blockquote>
<p>Internalizando fundamente o denso e tocante inventário do mestre Darcy, fico pensando o que significam  “sucesso” e “fracasso”.</p>
<p>É claro que eu e muitos amigos da minha geração (ou de anteriores ou posteriores) não gostariam de estar do lado desses vencedores.</p>
<p>Não monumentalizando minha geração (segmentos da parte mais consciente dela, a que tinha 20 anos em 1964 &#8211; 20 anos como data simbólica, rito de passagem), creio que,  apesar de seus equívocos, foi  das mais generosas da História do Brasil.  Não falo por mim. Falo pelos outros.</p>
<p>Sucesso? No modelo capitalista e mercantil, sucesso é ganhar muito dinheiro, mesmo às custas do sofrimento alheio, ter cartão de crédito polpudo e, muitas vezes, ser asperamente individualista, cruel e puxar o tapete alheio para subir.</p>
<p>Isso é “vitória”.</p>
<p>Vitória? Não há derrota humana maior que essa.</p>
<p>Quem conhece a gênese da UnB, fundada por Darcy e outros grandes brasileiros,  perceberá que não houve projeto de universidade mais generoso, altamente capacitado, ecumênico, autêntico e profundamente enraizado nos sonhos maiores do povo brasileiro.</p>
<p>Não conheço projeto de universidade tão integral (“universal” mesmo) em nossa América Latina.</p>
<p>Lógico: o “chega-pra-lá” dado na gente pelos gorilas de 64 devastou o sonho.</p>
<p>Voltando do exílio, depois de anos de anos de conquistas internas, mas de muito sofrimento, Darcy diria que  “sua  filha (a UnB) havia caído na vida”.</p>
<p>Se ela caiu na vida, não caiu sozinha.</p>
<p>A degradação da universidade brasileira foi ampla, total e irrestrita.</p>
<p>Nem falo das  faculdades caça-níqueis, estimuladas pela privatização tucana, e com ensino hediondo.</p>
<p>Participei como jurado num concurso de literatura aqui em Brasília, em uma universidade desse tipo.</p>
<p>Meu Deus!  É claro, não esperava nenhum Machado de Assis. Mas os erros de</p>
<p>português eram tão crassos que, por exemplo,  minha filha Clarice – quando estava no 4ª ano do curso primário (creio que chamam agora de fundamental)  nunca cometeu..</p>
<p>Conheci alguns alunos que faziam mestrados em várias dessas universidades.</p>
<p>Sem exagero, o nosso curso clássico (segundo grau) com os jesuítas, era infinitamente mais profundo e melhor.</p>
<p>Pelo que me falam, as públicas também estão sendo sucateadas rapidamente.</p>
<p>Mas para a visão dos “pedagogos” do PT e do PDSB o que vale é a quantidade.</p>
<p>Ninguém repete de ano. Não tem mais 2° época.  Agora é tudo promoção automática. Muitos alunos chegam analfabetos no 4ª ano. Não sabem ler.</p>
<p>Reprovar? Nem pensar. “Vai ferir a auto-estima dos alunos”. Esse psicologismo de butique, de segunda categoria, é das maiores pragas da pedagogia moderna.</p>
<p>A “tigrada” não tem limites, é arruaceira, mal-educada, e os professores acabam levando sopapos, alem de ganhar  uma miséria (e precisam gastar com remédios de tarja preta).</p>
<p>Claro, estou falando de escolas públicas de segundo grau.</p>
<p>O que acaba com a auto-estima de um povo é a falta de conhecimento e a ignorância.</p>
<p>Além da falta de fibra.</p>
<p>Sinceramente, em muitos segmentos da nova geração percebo intensamente essa falta de fibra, de espírito guerreiro, essa carência de solidariedade, essa obsessão por engenhocas eletrônicas, sem  nenhum controle do instinto (já está em Freud: a violência inata do  ser  humana só pode ser coibida pela “Lei”).</p>
<p>Infelizmente, as pessoas têm lido muito pouco.</p>
<p>“Autoridade” não é fascismo. Fascismo é desumanização, é exploração.</p>
<p>Estabelecer limites é buscar uma convivência digna e honrosa entres os seres humanos.</p>
<p>“Coitadinhos. Sofrerão traumas.”</p>
<p>Fui testemunha. Eu estava com  um amigo.  Havia uma moça belíssima, aproximadamente 20 anos, de quase dois metros, morena jambo, filha da mulher deste grande amigo, aqui em  Brasília, num sábado à noite. Ela estava usando drogas. Chorando, abraçou-nos e disse: “Queria ter tido um pai e uma mãe que tivessem me dado limites. Só fiz o que quis.”</p>
<p>Sua mãe não queria saber de nada. Era uma hippie retardatária.</p>
<p>É claro: educar e cuidar exige dedicação, esforço.</p>
<p>Mas tem gente que prefere ficar fazendo filosofia de subúrbio em mesa de bar.</p>
<p>Estudam pouco, não são inteiros no que  fazem.</p>
<p>Assim, tem gente que, depois de decretar greve na universidade vai tomar banho na Joaquina&#8230;</p>
<p>Greve é algo muito sério e que exige ética.</p>
<p>A violência banalizada em todos os lugares, nas escolas, o império do tráfico, a falência da comunicação entre pais e filhos, o sonho de ser modelo ou atriz de TV, vai gerando uma sociedade de sonâmbulos morais. Mas é assunto para abordagem maior.</p>
<p>Ah, querido Darcy. Se todos os brasileiros “fracassassem” como o tu, o Brasil seria melhor.</p>
<p>Conversei com ele sobre isso num bar aqui da 109 Sul (já fechado).</p>
<p>Tomamos água tônica dietética, enquanto o sol se punha no Planalto Central (Brasília tem o pôr-do-sol mais bonito que conheço), e a noite chegou, e não paramos a conversa.</p>
<p><strong>AINDA A TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO:</strong></p>
<p>Em Buritizeiros, Minas Gerais, um grupo de manifestantes que questionava as obras da transposição do Rio São Francisco, teve seus panfletos e faixas aprendidos pelos muitos capangas  de Lula e comitiva. Foram fichados, revistados.</p>
<p>Lula estava irritadíssimo.</p>
<p>Seu olhar estava furioso, suava muito.</p>
<p>No fundo, creio, seu sonho era que os seguranças baixassem o cacete nos manifestantes. . A turma do palanque, que já foi de “esquerda”, como a plastificada Dilma, só olhava (com raiva) para os manifestantes.</p>
<p>O fantasma do camarada Stalin devia pairar sob o São Francisco&#8230;</p>
<p>Lula ficou irritadíssimo ( ele não gosta de ser contrariado) com os gritos dos manifestantes: “Lula, que traição, o povo não quer transposição!”.</p>
<p>Cancelaram a visita à Pirapora (belíssima cidade mineira banhada pelo Francisco), onde situei o momento mais dramático do meu romance “Olhos Azuis –Ao Sul do Efêmero”), do outro lado do rio.</p>
<p>Os tecnocratas do presidente alegaram “excesso de compromissos”.</p>
<p>Mentira! Explico.</p>
<p>Lá está a única estação de tratamento de esgoto “concluída” na calha do rio, mas o prefeito é do DEM, e duas outras obras do PAC estão empacadas.</p>
<p>Segundo Ruben Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra, a estação, que custou R$4,5 milhões, cometeu o crime ambiental de drenar uma lagoa marginal, separando apenas resíduos sólidos e lançando no rio água verde de cianobactérias.</p>
<p>Esse é o retrato da revitalização do São Francisco,  para alegria das oligarquias nordestinas,  das empreiteiras, dos políticos corruptos, e para felicidade geral dos reis do agro e do hidronegócio.</p>
<p>Insisto: estão cometendo um crime hediondo contra as populações ribeirinhas.</p>
<div id="attachment_6961" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho31-domtomasbalduino.jpg"><img class="size-full wp-image-6961" title="deolho31-domtomasbalduino" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho31-domtomasbalduino.jpg" alt="Dom Tomás" width="450" height="248" /></a><p class="wp-caption-text">Dom Tomás</p></div>
<p>O honrado e combativo bispo Dom Tomás Balduíno (que foi presidente da Comissão Pastoral da Terra) também manifestou-se contra a transposição, num artigo publicado na Folha, em 25 de outubro de 2009, domingo passado, intitulado “Réquiem para a transposição do São Francisco”</p>
<p>Réquiem? Sim.</p>
<p>O heróico bispo de Barra, na Bahia, Dom Luiz Cappio (que fez longa greve de fome contra a transposição) ordenou o dobre de finados na catedral enquanto Lula perambulava por aquela cidade.</p>
<p>Como diz Dom Tomás, “os sinos são a secular e inconfundível marca da cultura cristã nos tempos das grandes metrópoles e nas pequenas capelas do interior.”</p>
<p>Esse gesto, segundo o grande bispo, (o dobre de finados) tem o peso de uma profecia.</p>
<p>“Esses símbolos querem dizer que a transposição do São Francisco não se concluirá, Morrerá. Descansará em paz. Réquiem, então, para ela.”.</p>
<p>Conheci Dom Tomas em 1980, quando ele era bispo de Goiás Velho, uma das cidades históricas mais belas do Brasil.</p>
<p>Viajei várias vezes para lá, e ficava contemplando o rio ao entardecer.</p>
<p>A cidade foi capital de Goiás, e tem um tradição de excelentes doces.</p>
<p>Tomamos suco de limão e comemos biscoito..</p>
<p>Dom Tomás Balduíno  é um das figuras mais dignas e heróicas da igreja católica brasileira.</p>
<p>Sua teologia é da libertação pelo amor e pelo combate.</p>
<p>Não é a teologia carnavalesca da prosperidade de um padre  Marcelo Rossi (que uns consideram uma espécie de “Xuxa da Igreja Católica”) ou dos bispos das universais da vida, verdadeiros super-mercados da fé que existem para manipular as populações mais carentes e desinformadas.</p>
<p>Na época,  Dom Tomás  sofria constantes ameaças de morte por parte de latifundiários, de grileiros e de coiteiros e de pistoleiros de aluguel.</p>
<p>Lá era também a terra de Cora Coralina, grande poeta e grande doceira, muito amada e conhecida aqui no Centro-Oeste.</p>
<p><strong>MEMÓRIA</strong></p>
<p><em>“Se a memória se dissolve, o homem se dissolve.”</em><br />
(Octávio Paz)</p>
<p><strong>MÁGOA</strong></p>
<p><em>“A mágoa é um veneno que você toma achando que o outro vai morrer”</em>.<br />
(William Shakespeare).</p>
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		<title>Saint Exupéry</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 13:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emanuel Medeiros Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartinha do Emanuel]]></category>

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		<description><![CDATA[Aviador por profissão, escritor por vocação (e devoção) Antoine de Saint Exupéry (1900-1944) deve estar no vasto Mediterrâneo. Nunca acharam o corpo deste aviador por profissão e escritor por vocação (e devoção). Não importa. Ele é do mar e de todos nós. O grande Antoine um dia desceu na nossa ilha, no Campeche (felizmente, antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Aviador por profissão, escritor por  vocação (e devoção)</strong></p>
<div id="attachment_6856" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho25-exupery.jpg"><img class="size-full wp-image-6856" title="deolho25-exupery" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho25-exupery.jpg" alt="Antoine Marie Roger de Saint-Exupéry. Foto: MSN/Encarta" width="450" height="305" /></a><p class="wp-caption-text">Antoine Marie Roger de Saint-Exupéry. Foto: MSN/Encarta</p></div>
<p>Antoine de Saint Exupéry (1900-1944) deve estar no vasto Mediterrâneo. Nunca  acharam o corpo deste aviador por profissão e escritor por vocação (e devoção).</p>
<p>Não importa. Ele é do mar e de  todos nós.</p>
<p>O grande Antoine um dia desceu na nossa ilha, no Campeche (felizmente, antes de  sua favelização).</p>
<p>Não, não é, como muitos pensam,  um escritor das misses que, com suas curtas massas encefálicas, nunca o entenderam. É maior. Leiam só o final  de “Terra dos Homens”, na tradução de Braga.</p>
<p>Traduzi trechos do livro de Saint Éxupery.</p>
<p>Mas a versão do maior cronista brasileiro de todos os tempos é perfeita.</p>
<p>Leiam: “O que me atormenta, as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são essas faces escavadas nem essas feiúras. É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens.</p>
<p>Só o Espírito, soprando sobre a argila, pode criar o homem.”</p>
<p><strong>ARTHUR RIMBAUD</strong></p>
<p>Tive a ousadia de fazer uma tradução  de “O Barco Bêbado”, de Arthur Rimbaud (1854-1891), um dos mais belos poemas de todos os tempos.</p>
<p>Algumas fontes informam que ele escreveu essa obra-prima aos 17 anos.</p>
<p>Ele nasceu na cidade francesa de Charleville.</p>
<p>Foi um aluno brilhante, e aos 15 anos  já havia ganho vários prêmios por composições em latim.</p>
<p>Em 1871, escreve vários poemas, que envia ao já célebre poeta Paulo Verlaine (1844-1896).</p>
<p>No mesmo ano, vai para Paris, onde Verlaine o introduz à comunidade literária.</p>
<p>Resumindo: Verlaine abandona a mulher e o filho por sua causa.</p>
<p>Em 1872, os dois vão até Londres e Bruxelas.</p>
<div id="attachment_6858" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho25-rimbaud.jpg"><img class="size-full wp-image-6858" title="deolho25-rimbaud" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho25-rimbaud.jpg" alt="Jean-Nicolas Arthur Rimbaud" width="450" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Jean-Nicolas Arthur Rimbaud</p></div>
<p>No ano seguinte, em meio a uma briga,  Verlaine atira duas vezes no amante, e é condenado a dois anos de prisão.</p>
<p>Rimbaud volta a Charleville e termina o livro “Une saison en enfer” (“Uma temporada no inferno”).</p>
<p>Esta obra inspirou o cineasta Jean Luc Godard (1930) na construção de um de seus mais importantes e belos filmes: “O Demônio das Onze Horas” (“Pierrot le Fou”), de 1965.</p>
<p>Em 1874, Rimbaud  retorna a Londres e conclui “Illuminations” (“Iluminações”).</p>
<p>Aos 21 anos pára de escrever.</p>
<p>Sim, desiste da poesia na casa dos 20 anos.</p>
<p>Decide trabalhar, viaja muito, vive “relacionamentos amorosos com exóticas nativas e ganhando a vida como traficante e comerciante de armas.” (Paulo Hecker Filho).</p>
<p>Volta à França em 1891 e tem a perna amputada.</p>
<p>Morre em Marselha, em novembro de 1891, aos 37 anos.</p>
<p>Vinícius  de Moraes (que leu tudo) confessou a Paulo Hecker Filho: “O maior de todos é Rimbaud.”</p>
<p>Henry Miller afirmou: “A última palavra do desespero, da audácia, da maldição. A poesia tudo deve a Rimbaud. Até agora ninguém o superou em audácia e imaginação.”</p>
<p><strong>POESIA</strong></p>
<p>Os poetas, como os cegos, enxergam na escuridão.</p>
<p>Hoelderlin já  nos ensinava: “O que permanece, fundam-no os poetas.”</p>
<p>Alphonsus de Guimaraens Filho escreveu: “Se não for pela poesia/como crer</p>
<p>na eternidade?”</p>
<p>Numa mensagem, meu amigo Ronaldo Cagiano, confessa: “Um minuto no túmulo de Balzac, uma tarde à beira do Sena ou um café n’A Brasileira, onde sentou Pessoa, me ensinam mais que todas as religiões e filosofias.”</p>
<p>Kafka já dizia: tudo o  que não é literatura me aborrece.</p>
<p>Complementa Cagiano, o colega escritor: Não tenho medo de andar contra a corrente. A vida não é feita de adesões ao política, estética e culturalmente correto, mas ao que tem dimensão onírica, humana e solitária. E isso não dá votos, nem resenhas na Folha.”</p>
<p>Me perguntaram numa escola aqui em Brasília: “Como se faz um bom livro?”</p>
<p>Eu sorri, sala cheia, jovens de 20 anos.</p>
<p>Sabia de cor a resposta de Somerset Maugham: “Há três regras para se escrever um bom livro. Infelizmente, ninguém sabe quais são.”</p>
<p>Dia de citações, não é? Meus perdões.</p>
<p>Porque escrever não tem receita. Tem inspiração sim. Mas tem muito  trabalho. “Transpiração”, disciplina. Há que começar a faina diária mal rompe a aurora.</p>
<p>Todos os dias, todos.</p>
<p>E ler, muito. Reler. Ler mais. Sempre. Até o último suspiro.</p>
<p>Se paramos de ler, vamos morrer.</p>
<p>O aprendizado da escrita é misterioso.</p>
<p>“O processo de aprender a escrever é desanimador porque é inexplicável”, afirma Alberto Manguel.</p>
<p>Ele complementa: “A leitura é uma atividade pela qual os governos sempre manifestaram um limitado entusiasmo”</p>
<p>É claro. A leitura abre os espíritos.</p>
<p>A literatura “revela”.</p>
<p>A verdade liberta. Com ela no seu coração, você não votaria mais por ter recebido uma esmola, um saco de cimento, umas telhas ou uma bolsa-família.</p>
<p>Ler sempre incomoda os ditadores, os napoleões tupiniquins, desagrada  os poderosos, os idiotas e medíocres de plantão.</p>
<p>E, no geral, eles estão nos órgãos ditos culturais, com o seu vasto número de funcionários entediados, seus burocratas mesquinhos e seus lanches vespertinos, suas panelinhas burlescas, que querem camuflar o seu enorme vazio com roupas chics ou retóricas e preciosismos. Não enganam.  Não adianta. São figuras que merecem a piedade. Serão varridos por qualquer  vento  sul.  Podem receber prebendas, se acham “sérios”, às vezes  assinam colunas diárias.</p>
<p>Mas  serão sempre  figuras menores: aquelas que morrerão sem a solidariedade de si mesmas.</p>
<p>Manguel lembra que  Pinochet proibiu “Dom Quixote”, de Cervantes.</p>
<p>Lógico, o leitor lendo Quixote descobriria a alma nazista do facínora  sanguinário que foi o ditador chileno, uma besta do Apocalipse sul-americano.</p>
<p>Penso no que disse um republicano espanhol (pai de um escritor) que passou muitos anos numa prisão política:</p>
<p>“Até na cadeia vocês serão mais felizes de gostarem de ler.”</p>
<p>É verdade!</p>
<p>O  que  me salvou nos meses de prisão política no DOPS foi a leitura (na OBAN não permitiam: lá era só porrada).</p>
<p><strong>LEMBRANDO PRESTES</strong></p>
<p>Agildo Barata estava numa cela com Luiz Carlos Prestes, em 1945. Notou um opúsculo de capa verde. Na capa: “Pensamentos de Augusto Comte”. No interior: aforismas estóicos, que Prestes traduzia do grego para passar o tempo. E dizia que como a capa era de Comte, os milicos não iriam tomá-la.</p>
<p>Conclusão de Barata: quando penso em Prestes, penso sempre num livro de máximas estóicas e de capa positivista.</p>
<p>“Que sacada, hein”, interpreta o meu  velho amigo Flávio Aguiar (desde 1962, no Colégio Anchieta, em Porto Alegre), editor do “Carta Maior”, e que agora vive em Berlim.</p>
<p>Essa cidade sempre me  emociona, pois lá varei noites conversando com Luiz Travassos, tomando todo o vinho alemão existente,  a gente caminhando até perto do Muro.</p>
<p>Ele lá exilado. Eu fugido da “ditabranda”, segundo a  Folha.</p>
<p>Voltando ao líder comunista: quando penso em Prestes penso mais num pensamento granítico e positivista de um homem íntegro, profundamente digno (às vezes equivocado, mas nunca desonroso).</p>
<div id="attachment_6857" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho25-prestes-life.jpg"><img class="size-full wp-image-6857" title="deolho25-prestes-life" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2009/10/deolho25-prestes-life.jpg" alt="Luís Carlos Prestes. Foto: Life" width="450" height="273" /></a><p class="wp-caption-text">Luís Carlos Prestes. Foto: Life</p></div>
<p>Por exemplo: sua aliança (“Constituinte com Getúlio”) com  Vargas (que o deixaria muitos anos preso nas mãos do perverso Filinto Miller) foi um erro ou uma necessidade naquele momento, em função de um projeto político maior?</p>
<p>Em termos éticos não se justifica. Foi Filinto quem entregou Olga, a mulher de Prestes, para a Gestapo.</p>
<p>Prestes era mais positivista que comunista.  Estou equivocado?</p>
<p>David Nasser escreveu um livro chamado “Falta Alguém em Nuremberg”.</p>
<p>Esse alguém era Filinto “carrasco” Miller, que foi presidente da ARENA, o “maior partido do Ocidente”, segundo o inesquecível Francelino Pereira.</p>
<p>Francelino foi quem fez  a nunca respondida indagação: “Que país é esse?”</p>
<p>Lembrando: a polícia política do Estado Novo (1937-1945), chefiada por Filinto Miller, arrancou com torquês um dente de Carlos Marighella.</p>
<p>Marighella, segundo o juízo insuspeito de Jarbas Passarinho (que fez a célebre proclamação no dia da promulgação do AI-5, 13 de dezembro de 1968: “às favas com os escrúpulos, senhor presidente”), teria sido o homem mais corajoso que existiu no Brasil no enfrentamento da tortura.</p>
<p><strong>TRANSPOSIÇÃO</strong></p>
<p>Amo muito o Rio São Francisco. Amo tanto que situei em Pirapora,  Minas Grais, o momento mais emblemático e dramático do meu romance “Olhos Azuis – Ao Sul do Efêmero” (sua gestação durou 12 anos).</p>
<p>A personagem Júlia  amava demais aquele rio e queria morrer perto dele.</p>
<p>Amo tanto e conheço um pouco a sua “vida” (para não parecer imodesto). Conheço o velho Francisco em Minas, em Sergipe, na Bahia&#8230;</p>
<p>O rio está morrendo. E a transposição não o salvará.</p>
<p>A quem serve a transposição? Às empreiteiras, às oligarquias nordestinas,  às empresas do agro e do hidronegócio, aos políticos fisiológicos dos partidos  hegemônicos, aos prefeitos e vereadores corruptos,  à vocação  megalomaníaca de Lula, que na avaliação de muitos é uma espécie de Médici do populismo.</p>
<p>A transposição serve  ainda a outros interesses menores.</p>
<p>Não ajuda às populações ribeirinhas. E só deveria servir a elas.</p>
<p>Quem diz isso não é o DEM ou PSDB, não é gente de “direita”: é a Comissão Pastoral da Terra.</p>
<p>Rubem Siqueira, sociólogo desta comissão, diz que a “vistosa” obra da transposição é um “achado”do ponto de vista do marketing da costura política e econômica.</p>
<p>Para ele e para nós, a obra “não só cabala votos, mas encanta as oligarquias nordestinas e atrai abastados doadores de campanha como as empresas envolvidas na construção e no usufruto do projeto público, poderosas empreiteiras e aquelas não menos poderosas do agro e do hidronegócio.”</p>
<p>Ruben Siqueira lembra que os “Pais da Pátria”, os que buscam unanimidade servil sempre acabam virando ditadores.</p>
<p>Pena que a  Ilha natal esteja tão longe do Rio São Francisco.</p>
<p>Pois quem conhece um pouco a situação, como algumas pessoas de bem do Nordeste e de outras regiões, estão cientes de como é  equivocada (meu coração gostaria de chamá-la de criminosa) a chamada transposição do Rio São Francisco.</p>
<p>É de uma crueldade inqualificável o que estão fazendo com as populações ribeirinhas.</p>
<p>E com o rio.</p>
<p>Pobre Francisco, que  já foi o rio de nossa unidade.</p>
<p>Belo Francisco!</p>
<p>Quem assistiu a um por-do-sol em Três Marias, MG,  sabe do que estou falando. Falo de sua beleza.</p>
<p><em>(Emanuel Medeiros Vieira)</em></p>
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