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	<title>De Olho na Capital &#187; Caraminholas</title>
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	<description>O blog do Cesar Valente</description>
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		<title>Quem pariu o Ecad?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 12:07:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[A informação mais relevante, neste ano eleitoral, a respeito da atuação mafiosa do Ecad, é a lista de deputados e senadores que aprovou a tal &#8220;lei federal&#8221; que gerou o monstro. São eles os responsáveis pelo Brasil ter a lei dos sonhos de todos os mafiosos. O tal &#8220;diploma legal&#8221; que lhes permite fazer absurdos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A informação mais relevante, neste ano eleitoral, a respeito da atuação mafiosa do Ecad, é a lista de deputados e senadores que aprovou a tal &#8220;lei federal&#8221; que gerou o monstro. São eles os responsáveis pelo Brasil ter a lei dos sonhos de todos os mafiosos. O tal &#8220;diploma legal&#8221; que lhes permite fazer absurdos escudados e protegidos por uma lei que, se os parlamentares não fossem preguiçosos e tivessem lido antes de votar, ou não fossem venais, ou não vivessem morrendo de sono ao final das sessões, ou tivessem um mínimo respeito por seus próprios nomes, nunca teria sido aprovada nos termos em que foi.</p>
<p>Agora, a cada reclamação, os servidores da organização vêm com a história de decisões do STJ e a inevitabilidade da &#8220;lei federal&#8221;. Ora, assim como, num cochilo de parlamentares desleixados se aprovou a excrescência, se houver a correta mobilização pode-se, num outro cochilo, aprovar uma alteração (se possível, para melhor), da mesma &#8220;lei&#8221;.</p>
<p>E chega a ser engraçado, se não fosse trágico, ouvir representantes do Ecad falando sobre &#8220;cumprimento da lei&#8221;, como se realmente acreditassem que a lei que criou o Ecad fosse séria. Ou como se eles estivessem a serviço de uma organização que beneficia alguém mais do que apenas os dirigentes de sociedades arrecadadoras e burocratas da máquina principal. Talvez até existam, entre eles, inocentes úteis. Mas toda a estrutura foi montada com base nos princípios de atuação da máfia e, surpresa das surpresas, consolidada numa &#8220;lei federal&#8221; que, sabe-se lá como (ou até se sabe), passou pelo Congresso.</p>
<p>Portanto, não adianta muito o cidadão comum honesto, pagador de seus impostos, se indignar com a ação truculenta e desrespeitosa de algum &#8220;fiscal autônomo&#8221; comissionado pelo Ecad que vai de casas em casa numa verdadeira <em>razzia</em> caça-níqueis. É preciso que o que restou da parte sã da sociedade civil tome uma providência séria e urgente, cortando a máfia pela raiz: mudando a lei imoral.</p>
<p>Pra quem chegou agora: o Ecad é uma máquina de arrecadar cujos &#8220;proprietários&#8221; são &#8220;sociedades arrecadadoras&#8221; de direitos autorais. Essas sociedades, que participam do butim, tem, entre elas, algumas das mais obscuras entidades, em termos de transparência fiscal. A justificativa oficial é que graças a ela os autores de obras musicais recebem seus direitos autorais. Mas o preço, para isso, é altíssimo: o Ecad fica com 15% do total arrecadado a pretexto de &#8220;taxa de administração&#8221; ou coisa parecida. É alimentação para a burocracia e seus burocratas. Remuneração para os achacadores, digo, &#8220;fiscais&#8221;, que cumprem os termos da inacreditável lei federal que consegue desagradar a todos os que não participam do esquemão. E os autores, que recebem merrecas, têm dificuldades para saber exatamente como anda a execução de suas músicas e controlar se o que sobra para eles é, afinal, justo ou estão sendo garfados no principal.</p>
<p>Sem falar que o Ecad não está preocupado com a pirataria, sobre a qual não age com o mesmo empenho com que procura cobrar, da dona de uma lojinha de bairro, uma taxa pela televisãozinha de dez polegadas que ela assiste enquanto não tem cliente para atender.</p>
<p>Por isso, cada vez que um &#8220;fiscal autônomo&#8221; invadir a festinha de aniversário que ocorre na sua casa exigindo uma propina, digo, o pagamento do &#8220;direito autoral&#8221;, lembre-se que a culpa é dos deputados e senadores relapsos que, numa sessão sonolenta do Congresso Nacional, aprovaram a lei que permite fazer isso. Portanto, se alguém tiver a nominata dos que votaram, por favor divulgue-a. A Pátria, agradecida, saberá o que fazer com essa informação preciosa.</p>
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		<title>Nós e o frio</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 15:08:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das primeiras lembranças meteorológicas que tenho é do vento nordeste zuniando casa adentro, no Estreito. Morávamos à beira mar, num sobrado, e o nordestão batia de frente. Janelas, portas e, se duvidar, paredes, pareciam permeáveis à ventania e seus assobios. Um pequeno prédio de quatro andares, ao lado, nos protegia do vento sul. Quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das primeiras lembranças meteorológicas que tenho é do vento nordeste zuniando casa adentro, no Estreito. Morávamos à beira mar, num sobrado, e o nordestão batia de frente. Janelas, portas e, se duvidar, paredes, pareciam permeáveis à ventania e seus assobios. Um pequeno prédio de quatro andares, ao lado, nos protegia do vento sul. Quando fazia barulho, era nordeste. Quando fazia frio, sem espalhafato, era sul.</p>
<p>Mais tarde, depois de algumas idas e vindas, voltei a encasquetar com a facilidade com que o vento entra nas nossas casas (ou, pelo menos, em algumas delas). Tal liberalidade só teria sentido se vivessemos em outra latitude, de temperaturas mais constantes e, principalmente, mais altas. Aqui, o mote &#8220;terra de sol e mar&#8221; é razoavelmente apropriado, desde que não se leve em conta as temperaturas. Temos dias lindíssimos, de sol, com mar resplandescente, frios pra cacete.</p>
<p>Deveríamos, nós e as diligentes autoridades que planejam nosso futuro (kkkkkk), pensar seriamente em adaptar melhor nossas vivendas para as temperaturas que realmente enfrentamos. A começar por portas e janelas que se encaixem perfeitamente nos seus batentes, isolando o interior do exterior. Isso nem é um problema de custo, é de projeto, de maneira de construir. E de exigência do cliente. Só nisso aí já economizaríamos alguma coisa, quando tivéssemos que refrigerar o ambiente no verão e aquece-lo no inverno.</p>
<p>E, em vez de comprar aquecedorezinhos ineficientes, portáteis, ou colocar condicionadores de ar de parede barulhentos, seria de se pensar em soluções semelhantes às que usam nossos vizinhos, no Uruguai e Argentina. Vi, há pouco em Montevideo umas placas de cerâmica importadas da África do Sul, fáceis de instalar, que substituem aqueles radiadores antigos e são relativamente econômicas. Com esse sistema e um isolamento razoável, o aquecimento de um apartamento pequeno, de três quartos, adiciona, à conta de luz, cerca de R$ 200,00 num mês.</p>
<p>Ouvi uma história, há alguns anos, de um professor norte-americano que começou a trazer seus alunos, nas férias de verão deles (inverno aqui), para Florianópolis, em viagem de passeio e estudos. Na segunda turma teve que desistir: eles passavam muito frio. Mesmo quem vinha de regiões habituadas à neve, não estava aguentando ficar em casas e hotéis onde a temperatura interna era igual à externa. Essa situação deve criar problemas para o turismo de inverno. Porque nas regiões realmente frias a gente anda, dentro de casa, nos restaurantes, hotéis e demais lugares abrigados sem casaco, quando não de camiseta de manga curta. À noite, nem precisa de muita coberta na cama. Mas aqui, que nem é tão frio&#8230;</p>
<p>Bom, mas chega de divagações sobre o frio. Daqui a pouco vão começar a entrar em detalhes, de que é preciso janelas duplas, que o isolamento encarece tudo, que é melhor deixar como está, acendendo álcool numa latinha de goiabada pra aquecer o banheiro (cuja água é fornecida por inacreditáveis duchas corona ou lorenzetti). E que, afinal, é um conforto que não vale a pena. Ou que, sei lá, não merecemos. Ou não temos dinheiro pra pagar. Essas coisas que gostam de dizer aqueles que costumam deixar tudo como está pra não ver como ficaria.</p>
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		<title>Vontade política &amp; interesse político</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 01:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Cenas impressionantes foram vistas hoje em Brasília: políticos de vários partidos, vários candidatos a governador (adversários, portanto), o próprio governador Pavan com sua bengala, o ministro Gregolin com seu juvenil aparelho nos dentes e as tais lideranças empresariais, todos de mãos dadas, unidos no mesmo lobby. Não lembro de ter visto algo assim antes. Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cenas impressionantes foram <a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;section=Economia&amp;newsID=a2963155.xml" target="_blank">vistas hoje em Brasília</a>: políticos de vários partidos, vários candidatos a governador (adversários, portanto), o próprio governador Pavan com sua bengala, o ministro Gregolin com seu juvenil aparelho nos dentes e as tais lideranças empresariais, todos de mãos dadas, unidos no mesmo lobby. Não lembro de ter visto algo assim antes. Mas também, como sou muito distraído, posso ter esquecido ou deixado passar.</p>
<p>De repente, depois que pararam de prestar atenção apenas na composição das chapas eleitorais, os políticos catarinenses parece que acordaram de uma sonolenta omissão e foram à luta. Tá certo que, em véspera de eleição, ninguém quer ser acusado de ser contra &#8220;milhares de empregos, desenvolvimento e progresso para Santa Catarina&#8221;. Também tá certo que todo mundo, em todos os setores produtivos, vive louco de vontade de dar uma patada nos ecochatos, que mais recentemente ganharam uma cara institucional, o tal ICMBio (Instituto Chico Mendes), poderosa pedra ambiental no sapato de empreendedores de vários calibres.</p>
<p>Sei que ultimamente vocês só têm olhos e ouvidos para crimes que envolvam sobrenomes famosos ou atletas famosos, mas permitam-me sugerir que, diante dessa história do estaleiro, munam-se de doses generosas de cautela e caldo de galinha.</p>
<p>Vamos por partes, como talvez tenha dito o Macarrão ou um de seus amigos.</p>
<p><strong>1. Navegação na baía norte</strong></p>
<p>Por maior temor que tenham os ambientalistas sobre efeitos de barcos de vários calados indo e vindo, parece ser mais do que razoável que, em algum momento, se restabeleça a vocação marítima desta ilha. Até quase o começo da década de 70, se não estou enganado, navios entravam pela baía norte até o porto embaixo da ponte Hercílio Luz. A exportação de madeira para a Argentina, por exemplo, foi feita por esse porto, que hoje é apenas pesqueiro. Antes, navios de carga e passageiros, da empresa Hoepcke, iam até o cais da Rita Maria.</p>
<p>Essa vocação, sufocada por algum desvio de rumo, deveria ser recuperada. Assim como é de se pensar seriamente na recuperação do canal de navegação. Seja qual for o resultado do projeto de construir um estaleiro em Biguaçu, não se deve parar de falar sobre essa possibilidade de navios aportarem na ilha.</p>
<p><strong>2. As áreas de preservação</strong></p>
<p>É preciso ter muito cuidado com este capítulo, porque o litoral catarinense só atrai turistas porque é do jeito que é. Se começarem a mexer muito, em nome do &#8220;progresso&#8221;, é capaz de matarmos a galinha dos ovos folheados a ouro (já não põe ovos de ouro maciço, porque tem muita coisa que se perdeu). Pode ser que exista algum exagero, que deve ser estudado e, se for o caso corrigido. Mas desconfio muito quando vejo tanta gente empenhada em derrubar limites. Lembram-se da história do código ambiental catarinense, que meio que se repete agora no projeto de código florestal brasileiro? Ao demonizar ambientalistas e reservas de preservação, alguns mais fominhas só querem mesmo é salvo conduto para liberar geral. E que se dane o futuro.</p>
<p><strong>3. O grande empresário e seus limites</strong></p>
<p>O estado precisa, com certeza, de empresas que gerem empregos, que paguem impostos, que façam melhorias na área de sua atuação. É possível que o estaleiro produza, de fato, o desenvolvimento regional. Vou contar uma historinha que talvez me ajude a mostrar onde quero chegar: técnicos da área de petróleo dizem que o acidente que ocorreu nas costas dos Estados Unidos não aconteceria nas costas da Noruega ou de outros países do mar do Norte. Por que? Ora, porque as empresas exploradoras guiam-se pelos regulamentos e normas dos países em cujas águas atuam. Os liberais Estados Unidos têm normas frouxas, se comparadas às normas norueguesas. A mesma BP provavelmente tem um tipo de conduta num país como os Estados Unidos e outra num país mais rigoroso.</p>
<p>Por isso, é fundamental que, ao atrair investimentos e dar aos empresários incentivos, o governo local não abra demasiadamente as pernas. Costumo dizer, sobre isso, que quem muito se agacha acaba deixando a bunda de fora e encostando a cara na lama. Para tudo tem que haver limites, assim como para tudo tem que ter uma certa flexibilidade e bom senso. Os empresários bem intencionados, por mais ricos que sejam, sabem compreender esses limites. E, até porque são bem sucedidos, estão preparados para cumprir uma cota razoável de responsabilidade social e ambiental. Faz parte do jogo. Agora, se o governo local não exigir nada, não pedir nada, não cobrar nada, é claro que eles não vão reclamar. Sairão no sobrelucro (acima do lucro já previsto mesmo com o respeito a eventuais limites).</p>
<p><strong>4. A união faz a força</strong></p>
<p>Sem querer desfazer do gesto solidário e nobre (embora encharcado de interesse político) de nossos representantes e autoridades, fica um certo travo na língua. Por que só agora? E por que só em defesa desse projeto? Santa Catarina tem sofrido, de tempos em tempos, de falta crônica de apoios, carência endêmica de união política, perdendo, aqui e ali, força, verbas, posições e até mesmo espaço político. Nada, em todo caso, parecia ser suficiente para unir as tais &#8220;forças vivas&#8221; e faze-las bater com a bengala na mesa de Brasília. Que bom que agora conseguiram. Espero que tenham aprendido alguma coisa com isso. E que não só a iniciativa privada seja brindada com tanta vontade política. Ainda temos sequelas de tragédias climáticas, rodovias inacabadas, rodovias por fazer, esgoto poluindo nossas praias e tantas outras coisas que talvez, quem sabe, poderiam merecer uma demonstração de força.</p>
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		<title>Bandidagem precoce</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 14:10:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Na foto acima, tirada com consentimento do sujeito &#8220;dimenor&#8221; (senão por ele próprio) e colocada na rede certamente por seus comparsas (ou até mesmo por ele próprio), o imbecil exibe uma &#8220;obra de arte&#8221;, um cigarro de maconha com quatro pontas. E faz pose.
A infância, graças em grande parte à incompetência e frouxidão dos pais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8370" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2010/07/donc-malacabado.jpg"><img class="size-full wp-image-8370" title="donc-malacabado" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2010/07/donc-malacabado.jpg" alt="O deboche do maconheiro" width="500" height="359" /></a><p class="wp-caption-text">O deboche do maconheiro</p></div>
<p>Na foto acima, tirada com consentimento do sujeito &#8220;dimenor&#8221; (senão por ele próprio) e colocada na rede certamente por seus comparsas (ou até mesmo por ele próprio), o imbecil exibe uma &#8220;obra de arte&#8221;, um cigarro de maconha com quatro pontas. E faz pose.</p>
<p>A infância, graças em grande parte à incompetência e frouxidão dos pais, tem encurtado dramaticamente. Tanto para os rapazes quanto para as meninas. Delas, os grupos e as turmas exigem um comportamento adulto desde cedo. E as mamães acham uma gracinha as filhinhas vestidas como carne no açougue. Os moleques, que em outros tempos estariam jogando bola (e, vez por outra, quebrando alguma vidraça com um chute mais torto), fazendo e soltando pandorga, sendo, enfim, crianças que se preparam para a adolescência, agora exibem-se na internet, com sua linguagem tosca de analfabetos funcionais, mostrando que não têm nenhum projeto de vida e nada na cabeça.</p>
<p>Nos casos de bandidinhos precoces de &#8220;boas famílias&#8221;, os pais precisam ser chamados à responsabilidade. Afinal, eles são cúmplices, por ação ou omissão, dos males de todo tipo que podem ser engendrados por um malacabado como esse, que não foi abandonado na primeira infância, não vive na rua, não sofreu maus tratos, não passa fome e muito menos frio.</p>
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		<title>Reflexões sobre linchamentos em praça pública</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 02:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nas profundezas da alma humana reside aquele troglodita que, todos imaginamos, foi domado por séculos de civilização. Mas ele está lá, vivo e arfante, esperando um descuido, um pequeno descuido da nossa nem sempre atenta consciência, para romper esse verniz de boa convivência social que às vezes é tão tênue que chega a ser translúcido.
Sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nas profundezas da alma humana reside aquele troglodita que, todos imaginamos, foi domado por séculos de civilização. Mas ele está lá, vivo e arfante, esperando um descuido, um pequeno descuido da nossa nem sempre atenta consciência, para romper esse verniz de boa convivência social que às vezes é tão tênue que chega a ser translúcido.</p>
<p>Sempre que um linchamento se anuncia, vivemos um daqueles momentos graves e tristes, em que os camponeses incultos, achando que podem alcançar a justiça com suas próprias mãos, deixam escapar seus monstros interiores, que emergem luzidios da baba viscosa do fanatismo, profundamente cegos (porque o que estão prestes a fazer exige completa cegueira) e alimentados por recalques ancestrais e sentimentos rasteiros de vingança que estavam adormecidos.</p>
<p>Com as tochas fumegantes das trevas nas mãos, marcham ensandecidos em direção a outros monstros que pretendem justiçar. Não lhes interessa mais, a essa altura, ouvir qualquer palavra que não seja &#8220;mata, esfola, decapita, castra, trucida!&#8221; Está em curso um processo conhecido, que assim como as erupções vulcânicas, lembra à parte civilizada da humanidade o terror que se oculta sob a crosta terrestre.</p>
<p>Nem sempre os linchamentos destroem a vida de quem, no instinto tosco e monocórdico da turba, &#8220;merece morrer&#8221;. Porque a multidão de zumbis enfurecidos, cegos e embriagados de ódio, não tem como distinguir o bem do mal, o claro do escuro, a luz das trevas: é um rinoceronte em desabalada carreira. Não vê um palmo diante do nariz e é capaz de se espatifar numa parede, mas não consegue mudar de direção nem parar. Dificilmente cumpre, de fato, o destino que aqueles que tentam justificar sua fúria procuram: destruir os verdadeiros culpados por alguma coisa que, no minúsculo cérebro da malta, seria grave o suficiente para justificar toda a desgraceira.</p>
<p>Não raro os justiceiros somam ícones que gostariam, no íntimo, de destruir pelos mais diversos e ocultos (ou não) motivos à inicialmente justa indignação por um crime gravíssimo, diante do qual todos os seres humanos concordam que precisa haver esclarecimento rápido e severa punição dos culpados.</p>
<p>Aí, sob a justificativa nem sempre inverídica de que a justiça é lenta, que seus agentes podem ser comprados e que, afinal, não se fará justiça, permitem que seus ogros interiores aflorem, reunindo-se a outros, urrando e batendo no peito, com esgares que pedem sangue e morte a qualquer preço, como se isso fosse sinônimo de justiça.</p>
<p>Sem qualquer dúvida ou contemplação, condenam sumariamente todos que alguém, por algum motivo (verdadeiro ou falso, não importa), acusou de serem autores do fato hediondo. E acreditam, os linchadores, que todos os seus próprios crimes serão perdoados porque têm, no seu ódio, um propósito ancestral de &#8220;justiça&#8221;: olho por olho, dente por dente.</p>
<p>Achar que talvez não seja o melhor caminho cometer crimes hediondos para punir autores de crimes hediondos é muita sofisticação, exige um nível de inteligência incompatível com a descerebrada massa de vingadores. Também não adianta falar na necessidade da correta apuração de responsabilidades. Querem apenas divertir-se com o circo em que essas execuções em público acabam se transformando, desde a pré-história.</p>
<p>Claro, quando a turba se volta contra algum de nós, por causa de algum dedo apontado em riste em nossa direção, vamos querer que os mecanismos que a civilização inventou para conter os monstros sanguinários sejam acionados. Mas aí, quem sabe, pode ser tarde demais. A multidão, vocês sabem, se acostuma rapidamente ao gosto e ao cheiro do sangue alheio. E o fato de alguém ser ou não ser culpado de verdade, não vem ao caso. Não interessa. A condenação se deu lá no primeiro momento,  naquele instante em que alguém disse: &#8220;foi o fulano, eu sei que foi ele&#8221;. E se não foi ele? Azar. Não tem como escapar. Por isso se chama barbárie.</p>
<p>E, como sempre, em situações como essa, de absoluta insanidade, conversas como esta, que estou fazendo aqui, em defesa de condutas civilizadas, serão interpretadas, por vários cabeças de motim, como uma defesa de criminosos. E não será de admirar se parte da turba resolver me incluir no rol daqueles que serão atropelados no seu caminho sem volta em direção ao cadafalso.</p>
<p>E o que estimula esse comportamento selvagem é a falta de um poder público com credibilidade. Autoridades que se encolhem, enfiam a cabeça na areia e fogem de suas responsabilidades. Cagões que têm medo de sair em defesa da lei. Que não querem ficar mal com a turba enfurecida, mas também se esforçam para agradar algum poderoso eventualmente envolvido. E, covardemente, correm da raia, deixando um rastro malcheiroso e nojento.</p>
<p>Sempre que, em situações semelhantes, quem tiver a nobre tarefa de defender a lei se omitir, estará dizendo aos cidadãos que eles estão por conta própria. Esse é o recado que, tal qual um despertador de vuvuzelas, faz acordar a besta. E a lei, que deveria ajudar a resolver os conflitos que surgem todos os dias na convivência dos humanos, acaba rasgada, pisoteada e enlameada pelos fanáticos que trotam em busca de suas vítimas. Como se, da idade da pedra até hoje, não tivéssemos aprendido nada. E, enquanto continuarmos ignorando a lei, continuaremos patinando no glaciar eterno da barbárie.</p>
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		<title>Casamento na marra!</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 12:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assim como o PMDB do T (do Temer) e seus pitbuls exigem que os peemedebistas catarinenses se abracem ao PT na marra, é lógico supor que o PT, beneficiário dessa ação, não esteja muito contrariado com isso.
Mas é interessante ver como todo o aspecto negativo dessa movimentação partidária está sendo colada apenas em um dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assim como o PMDB do T (do Temer) e seus pitbuls exigem que os peemedebistas catarinenses se abracem ao PT na marra, é lógico supor que o PT, beneficiário dessa ação, não esteja muito contrariado com isso.</p>
<p>Mas é interessante ver como todo o aspecto negativo dessa movimentação partidária está sendo colada apenas em um dos lados. O PT dá a impressão que assiste a tudo de longe imune, isento, impoluto e até consternado com o constrangimento a que cabeças coroadas da política catarinense têm sido submetidas nos últimos dias.</p>
<p>Aprendi, nos filmes policiais e nos livros de bolso, que o melhor caminho para desvendar um crime é procurar quem se beneficiou com o acontecido. Talvez nem sempre ele ou ela tenha apertado o gatilho, segurado a colherinha de raticida ou empunhado a faca afiada, mas, certamente, sabe quem executou, quando não foi o/a mandante.</p>
<p>Impossível pensar outra coisa do PT. Embora, clara e flagrantemente, a faca cravada nas costas de gente que no passado recente foi tão útil ao PMDB tenha as digitais do ansioso candidato Temer, presidente do saco de gatos que é o PMDB, o principal beneficiado com o tresloucado gesto é o PT. E, deve-se dizer, tanto ou mais o PT estadual que o PT nacional.</p>
<p>Quando a gente olha pra Ideli Salvatti, senadora e candidata ao governo do PT-SC vê, com nitidez (ainda mais em dias lindos como hoje e mesmo em noites de lua cheia) uma auréola de santidade a rodear-lhe a cabeça. Não tem nada a ver com a lambança pré-eleitoral que de uma hora para outra jogou o sonho de reedição da tríplice aliança (PMDB. DEM e PSDB) na lata de lixo da história. E talvez, de fato, como nos romances policiais, tenha um álibi perfeito para a hora do crime. Estava hospitalizada, estava em outra cidade, não falou com Temer (ou, se falou, foi para pedir que tratasse com deferência seus adversários). Não foi, com certeza, ela que abriu o portão do canil para que os pitbuls atacassem.</p>
<p>Mas Renan Calheiros e Romero Jucá, por exemplo, não devem ter esquecido a solidariedade que Ideli manifestou-lhes nas piores horas, em passado não muito distante, contra tudo e contra todos. Que eles tenham devolvido o favor, não é hipótese absurda. Mesmo que, como bons samaritanos, nada tenham dito à senadora. Ela nada sabia, mas foi, evidentemente, a principal beneficiada, até agora, com a patada (coice?) que os peemedebistas catarinenses levaram.</p>
<p>O pior dessa história toda é que mesmo aqueles, como Paulo Afonso, que desde o começo eram favoráveis a uma aliança com o PT, agora também ficaram mal: tem-se a impressão, aqui da planície, que resolveram abraçar-se à Diuma e à Ideli apenas porque têm medo do que pode acontecer com eles no partido. Como diria o Dunga, se fosse treinador do PMDB, ficaram todos com fama de cagões. E, pelo jeito com que foram tratados são, para o PT e para o PMDB do T (do Temer), sem dúvida, uns merdas.</p>
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		<title>Pensamentinho de segunda</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 22:19:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No sábado falei aqui da Diuma, coitada, jogada aos leões na corrida presidencial, sem ter tido alguma experiência eleitoral antes. E prometi falar do Serra.
Um dia, quando ainda morava em São Paulo (no final da década de 90, que é também o final do século passado), ouvi uma história, de um colega que tinha trabalhado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No sábado <a href="http://www.deolhonacapital.com.br/2010/06/19/pensamentinho-de-sabado/" target="_blank">falei aqui</a> da Diuma, coitada, jogada aos leões na corrida presidencial, sem ter tido alguma experiência eleitoral antes. E prometi falar do Serra.</p>
<p>Um dia, quando ainda morava em São Paulo (no final da década de 90, que é também o final do século passado), ouvi uma história, de um colega que tinha trabalhado nas campanhas do PSDB, que definiu bem um dos problemas principais desse candidato:<em> &#8220;Quando a gente saía com o Mário Covas pra fazer corpo-a-corpo na rua e ele entrava num botequim pra conversar com o pessoal que lá estava, dava trabalhão pra gente tirar ele de lá e manter a agenda, sempre atrasada. Conversava com todo mundo, todo mundo falava com ele, parecia ser um velho amigo, morador antigo do bairro. Já quando a gente saía com o Serra, dava um trabalhão pra fazer ele entrar num botequim e conversar com o pessoal&#8221;.</em></p>
<p>São estilos diferentes, é claro. Mas não deixa de ser interessante imaginar como Serra conseguirá conquistar os eleitores que precisa para, pelo menos, ir para o segundo turno. Depois de oito anos de um presidente que é só simpatia e conversa de botequim (mesmo nos temas sérios, Lula se esforça para trazer o texto ao nível que acredita ser acessível ao &#8220;povo&#8221;), será um desafio e tanto colocar o arredio Serra para tomar um cafezinho no balcão e se entender com a turma.</p>
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		<title>Pensamentinho de sábado</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 11:14:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Começar a vida política eleitoral sendo já, de cara, candidato(a) a presidente(a) não é uma boa. A criatura não teve tempo de esquentar, de ganhar traquejo, de aprender a não gaguejar. Vejam o Lula, mesmo escolado por umas tantas eleições sindicais, ainda teve que praticar um bom tempo antes que o eleitor começasse a levá-lo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começar a vida política eleitoral sendo já, de cara, candidato(a) a presidente(a) não é uma boa. A criatura não teve tempo de esquentar, de ganhar traquejo, de aprender a não gaguejar. Vejam o Lula, mesmo escolado por umas tantas eleições sindicais, ainda teve que praticar um bom tempo antes que o eleitor começasse a levá-lo a sério.</p>
<p>Não é à toa que tanta gente primeiro se candidata a vereador, depois a deputado, para então começar a pensar em algum cargo de menor visibilidade, como prefeito. E assim por diante.</p>
<p>Por isso, cada vez que vejo dona Diuma na tv fazendo um esforço hercúleo para parecer que é aquilo que a gente precisaria para governar o país, fico com pena. Não deram tempo pra ela.Há pouco mais de um ano, era apenas o Dilmão, auxiliar ríspida e feroz que ajudava Lula a enquadrar os recalcitrantes. E agora tem que ser aquele sabonete cheiroso que todo político em campanha quer parecer ser. Tadinha&#8230;</p>
<p>E o Serra? Ah, esse aí são outros quinhentos. Tem experiência eleitoral, mas&#8230;</p>
<p>Agora tenho que ir (alguém tem que trabalhar na véspera do grande jogo, né?). Falo sobre ele depois.</p>
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		<title>A resposta da polícia do Pavan</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 19:04:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A polícia militar, cumprindo seu papel de polícia política do governador Pavan e do prefeit-o-Dário, se equipa ainda melhor para combater as agitações civis. Prepara-se, aparentemente, para uma guerra civil, com o povo rebelado pegando em paus, pedras e slogans ofensivos (a arma mais temida pelo governo) de um lado e batalhões especiais da PM [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A polícia militar, cumprindo seu papel de polícia política do governador Pavan e do prefeit-o-Dário, se equipa ainda melhor para combater as agitações civis. Prepara-se, aparentemente, para uma guerra civil, com o povo rebelado pegando em paus, pedras e slogans ofensivos (a arma mais temida pelo governo) de um lado e batalhões especiais da PM com as &#8220;armas não letais&#8221; de outro.</p>
<p>Hoje, nas instalações de treinamento policial da Trindade, uma empresa produtora desses artefatos fez uma festiva demonstração das últimas &#8220;novidades&#8221;, muitas das quais já testadas nas manifestações civis contra o aumento das passagens de ônibus.</p>
<p>Certamente orgulham-se, os oficiais catarinenses, de terem tão fértil campo de treinamento: a própria população civil que, ingenuamente, imaginava garantidos pela Constituição seus direitos de reunião e de manifestação. Em vez de ouvir a voz rouca das ruas, os governantes preferem ampliar os gastos com material de repressão. Para serem defendidos de uma imaginária turba enfurecida.</p>
<p>O nosso povo não é de fazer baderna. Pelo menos não a do tipo que essas preclaras autoridades imaginam. E, se duvidar, nem saberá, na hora da eleição, separar o joio do trigo. Mas ter uma polícia política, pronta para intimidar e dispersar as vozes discordantes é o sonho de todo autoritário enrustido.</p>
<p>Governador Pavan, francamente! Em vez de responder às inquietações da parte esclarecida da população com honestidade e diretamente, prefere mandar recados como esse, que ouvimos no rádio e nas proximidades da Trindade: bombas e novos armamentos e oficiais dizendo que aquele material, que está sendo adquirido pelo governo, é para controle dos distúrbios civis. E até (claro, se sobrar tempo) para combater a criminalidade. Mas isso, pelo jeito, é coisa secundária.</p>
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		<title>Futebol e política</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 12:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Espanto-me cada vez menos com as semelhanças entre as torcidas de futebol e as torcidas de candidatos. São tão parecidos decerto porque fanático é fanático, não importa o objeto de sua tara. O torcedor de futebol não quer saber de conversa. Não lhe entram na cabeça argumentos razoáveis. E muitos, mais doentes, nem fazem muita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Espanto-me cada vez menos com as semelhanças entre as torcidas de futebol e as torcidas de candidatos. São tão parecidos decerto porque fanático é fanático, não importa o objeto de sua tara. O torcedor de futebol não quer saber de conversa. Não lhe entram na cabeça argumentos razoáveis. E muitos, mais doentes, nem fazem muita questão da vitória de seu time, mas torcem para que os adversários morram, que os torcedores dos times adversários sejam assassinados, que toda a sua descendência seja banida da face da terra e sua ascendência amaldiçoada para todo o sempre.</p>
<p>De uns tempos para cá esse mesmo &#8220;sentimento&#8221; tem sido encontrado entre torcedores de candidatos. Não dá pra falar, no Brasil, de torcedores de partidos. O militante partidário é uma ficção provavelmente inventada por algum jornalista apressado que não prestou atenção direito no que eles tinham escrito nas camisetas. Pode ir a uma convenção partidária: tem o grupo de militantes do fulano, o grupo do beltrano, a turma da cicrana. E se não separar direitinho, acaba dando briga entre eles. Porque ninguém está nem aí para o partido. O partido é uma chatíssima obrigação legal, adotado conforme a conveniência particular.</p>
<p>Assim como é arriscado criticar um time de futebol de grande torcida (os colegas comentaristas esportivos que o digam), é insensato analisar candidatos em público. Imaginam os militantes que só existem dois tipos de pessoas no mundo: os que são cegamente a favor e estão incondicionalmente do &#8220;nosso&#8221; lado e os que são contra e, por isso, devem ser sumariamente calados. Se possível para sempre.</p>
<p>Como sei que esta é a realidade das ruas e dos comitês de campanha, fiquei surpreso com a polidez dos que comentaram e com o silêncio da maioria dos que leram a série de análises feitas aqui pelo Remy Fontana, de domingo a quinta desta semana. Sei que atraiu muita gente, porque tenho um programa que controla o número de acessos e o tempo que cada leitor fica na página, mas não tive que bloquear nenhuma manifestação mais agressiva.</p>
<p>Arriscaria dizer que, assim como os candidatos a governador ainda estão pisando em ovos, extremamente cuidadosos para não dizer nada que possa ofender um futuro aliado (que, a esta altura, poderá ser qualquer um), os militantes, que ainda estão sendo reunidos pelos verdadeiros cabos eleitorais (os candidatos a deputado), não estão totalmente mobilizados e atentos para o ataque. Mas em pouco tempo, assim que a Copa terminar, tudo entrará nos eixos.</p>
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		<title>Cenários (im)possíveis</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 14:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que comecei minha vida de colunista político (agosto de 2005), sempre me incomodei com esse período de indefinições eleitorais que antecede o lançamento oficial das candidaturas. Parece que há uma norma não escrita pela qual os colunistas precisam comentar as idas e vindas, estudar as probabilidades e tentar montar os cenários que poderão ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que comecei minha vida de colunista político (agosto de 2005), sempre me incomodei com esse período de indefinições eleitorais que antecede o lançamento oficial das candidaturas. Parece que há uma norma não escrita pela qual os colunistas precisam comentar as idas e vindas, estudar as probabilidades e tentar montar os cenários que poderão ou não ocorrer se isto ou aquilo acontecer.</p>
<p>É como comentaristas de futebol antes do jogo ou em início de campeonado. Tudo pode acontecer e pode também que não aconteça nada.</p>
<p>Não é à toa que os pré-candidatos estão ainda com os quatro pés atrás, falando coisas sem muito sentido, para não magoar nenhum futuro aliado. Nunca se sabe.</p>
<p>Mas parece que, aos poucos, as pressões das candidaturas à presidência estão colocando os vários pré-candidatos ao governo estadual nos eixos. E, até este momento (política é uma nuvem, agora está assim, mas daqui a pouco pode estar completamente diferente), parece que teremos a seguinte situação:</p>
<p>No primeiro turno concorrerão Eduardo Pinho Moreira (PMDB), Ideli Salvatti (PT), Ângela Amin (PP) e Raimundo Colombo (DEM). Não sei exatamente por que cheguei a essa conclusão, mas não vejo, na minha bola de cristal, o Pavan como candidato.</p>
<p>No segundo turno ficam, de um lado, PMDB e PT e de outro PP, DEM e PSDB. Mas também podem ficar PT, PP e PMDB de um lado e DEM e PSDB de outro. Ou PT e PP de um e PMDB, DEM e PSDB de outro (hipótese mais provável se PT <strong>e</strong> PMDB forem para o segundo turno).</p>
<p>Ou seja, não adiantou nada escrever isso aí e também de nada adianta ficar lendo esses exercícios de futurologia. Porque num país onde os partidos não têm ideologia e ninguém leva a sério programas e diretrizes partidárias, qualquer coisa é possível. Talvez uma chapa PT/DEM seja mais complicada de explicar ou de fazer a militância engolir, mas não é impossível de ocorrer. Se não em nível nacional ou estadual (tem mais gente olhando), mas pelo menos municipal (não duvido que algum município já não esteja sendo governado por essa composição).</p>
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		<title>Tortura nunca mais?</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2010/06/03/tortura-nunca-mais-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 13:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[A tortura é uma das mais doentias demonstrações de fraqueza, de impotência, uma espécie de último recurso quando se ignora completamente como ir adiante. Muito justamente, quem dá valor à vida considera a tortura um crime contra a humanidade. É mais do que hediondo, mais do que atentado a uma pessoa ou a um grupo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A tortura é uma das mais doentias demonstrações de fraqueza, de impotência, uma espécie de último recurso quando se ignora completamente como ir adiante. Muito justamente, quem dá valor à vida considera a tortura um crime contra a humanidade. É mais do que hediondo, mais do que atentado a uma pessoa ou a um grupo, é um passo atrás na dura e sofrida marcha rumo à civilização. Por isso é assustadora a complacência dos brasileiros (ou pelo menos de boa parte de nós), com a tortura e os torturadores.</p>
<p>Quando veio a público o que ocorria nos porões da ditadura e levantaram-se vozes contra a barbárie, houve uma aragem de indignação que sobrevoou o país e encheu de esperança aqueles que temem a tortura não só pelos danos físicos que possa causar a uma pessoa, mas pelos danos morais que pode causar à humanidade.</p>
<p>Mas em pouco tempo as cinzas desse vulcão assentaram e novamente a velha e mórbida simpatia dos brasileiros pela tortura reapareceu. Ninguém ignora que, nas cadeias de todo o país, os detentos sofrem maus tratos. Mas os cidadãos de bem acham que, como as leis são frouxas, o sistema penal deficiente e a impunidade um fato, cumprem os torturadores civis e militares sua função, ao &#8220;dar um pau&#8221; nos suspeitos.</p>
<p>Pseudo-repórteres policiais incentivam, clara ou subrepticiamente, essa punição não prescrita nos códigos. Uma espécie de &#8220;justiça informal&#8221;, que teoricamente daria à sociedade uma resposta mais efetiva do que a Justiça propriamente dita. E não é raro ver-se, nos jornais e nas TVs, imagens de &#8220;meliantes&#8221; acabados de prender, que já ostentam hematomas visíveis: &#8220;resistiram à prisão&#8221;, explicam.</p>
<p>Sem treinamento suficiente, sem equipamentos e sem recursos para investigar os crimes e produzir provas que sejam aceitas nos tribunais, o policial se vê impotente para produzir um relatório que pelo menos mantenha preso o suspeito. Parte, então, para o grande atalho do terror: uma confissão na marra. Se não confessar, pelo menos &#8220;apanhou para aprender a não se meter com a polícia&#8221;.</p>
<p>O agente prisional despreparado, mal pago, sem ajuda, cobrado por seus superiores para manter uma &#8220;pax romana&#8221; nas detenções e penitenciárias superlotadas, sente-se impotente para &#8220;reeducar&#8221; pelos métodos convencionais e parte para a tortura pura e simples. No começo, provavelmente para tentar impor sua &#8220;autoridade&#8221;. Depois, quem sabe, apenas porque &#8220;pegou gosto&#8221; e porque ninguém liga mesmo para o que acontece com aqueles desvalidos. Em geral pobres, pretos, mulatos. E &#8220;bandidos&#8221;, mesmo que nunca tenham sido julgados de fato.</p>
<p>Aqui de fora, presos nas grades que cercam nossas próprias casas, ficamos mortos de medo de falar sobre isso, porque imaginamos que, de certa forma, a nossa segurança depende da &#8220;abnegação&#8221; desses indômitos que não têm medo da &#8220;bandidagem&#8221;. Como se a tortura, em algum lugar do mundo, tivesse diminuído a criminalidade. Como se fazer vistas grossas para crimes contra a humanidade cometidos por agentes da lei, reduzisse a gravidade do crime.</p>
<p>Defensores da tortura gostam muito de um chavão: &#8220;quero ver esses defensores dos direitos humanos dos bandidos falarem se tivesse acontecido com uma filha ou a mãe deles&#8221;. Trata-se de um argumento idiota, imbecil, que, contudo, é coerente com a &#8220;lógica&#8221; da tortura: eles não conhecem outra forma de lidar com criminosos, que não a força bruta.</p>
<p>Não acredito que alguém, em sã consciência, pretenda que se libere os acusados de crimes sem julgamento e punição. Só que aqueles que têm um mínimo de informação e bom senso sabem que não existe punição exemplar fora da lei. É a lei, quando válida para todos e corretamente redigida e aplicada, que organiza uma sociedade, defende os fracos, enquadra os valentões, permite uma convivência&#8230; civilizada.</p>
<p>É mais seguro para todos nós que a polícia consiga levar todos os seus suspeitos a julgamento e que a Justiça consiga, num prazo razoável, decidir pela punição com base em provas sólidas, do que vivermos na dúvida se o traste ensanguentado que confessou foi mesmo o autor do crime, ou se foi apenas um bode expiatório, que estava mais à mão. E o verdadeiro criminoso, às vezes algum bacana que sabe como alguns &#8220;inquéritos&#8221; são conduzidos, continua livre, leve e solto.</p>
<p>As imagens dos últimos dias, de um agente prisional espancando barbaramente um detento, devem ter horrorizado muita gente. A tortura é, mesmo, um ato desumano. O grande problema é que a maioria, receio, pode ter achado um horror que a TV tivesse transmitido tal violência, mas não tão horroroso o fato de que isso ocorra com espantosa frequencia fora dos nossos olhos. É só tomar cuidado para que ninguém mais filme, e tudo bem. É essa forma de aceitar a tortura &#8220;nos outros&#8221; e &#8220;longe daqui de casa&#8221; ou &#8220;longe dos olhos&#8221;, que precisaria mudar. Um dia, quem sabe.</p>
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		<title>Questã de prioridade&#8230;</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2010/06/03/questa-de-prioridade/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 11:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[O que esta notícia tem a ver com aquela foto mais abaixo?
Pelo menos cinco ônibus são apedrejados na BR-101
Dois motoristas foram atingidos no rosto, mas seguiram viagem
Ao menos cinco ônibus de viagem foram apedrejados na noite desta quarta-feira na BR-101. Todos os ataques ocorreram no sentido sul-norte da rodovia, entre os kms 201 e 195, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que esta notícia tem a ver com aquela foto mais abaixo?</p>
<blockquote><p><strong>Pelo menos cinco ônibus são apedrejados na BR-101</strong><br />
Dois motoristas foram atingidos no rosto, mas seguiram viagem</p>
<p>Ao menos cinco ônibus de viagem foram apedrejados na noite desta quarta-feira na BR-101. Todos os ataques ocorreram no sentido sul-norte da rodovia, entre os kms 201 e 195, em Biguaçu, na Grande Florianópolis.</p>
<p>Os motoristas de dois ônibus foram atingidos no rosto pelas pedras jogadas, mas não se feriram gravemente. Mesmo danificados, os ônibus seguiram viagem com a escolta da Polícia Rodoviária Federal.</p>
<p>Esta não é a primeira vez que ônibus são apedrejados na rodovia durante feriadão. Nos dias anteriores ao feriadão de Independência em 2009, pelo menos 15 ônibus foram apedrejados.</p>
<p><a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;section=Geral&amp;newsID=a2924870.xml" target="_blank">DIARIO.COM.BR &#8211; 2/6/2010 &#8211; 22h31min</a></p></blockquote>
<div id="attachment_8054" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2010/06/donc-ticen-2jun.jpg"><img class="size-full wp-image-8054" title="donc-ticen-2jun" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2010/06/donc-ticen-2jun.jpg" alt="Ticen - 2/6/2010 - noite" width="450" height="337" /></a><p class="wp-caption-text">Ticen - 2/6/2010 - noite</p></div>
<p>Ora, ora&#8230; Não tem como colocar a polícia para evitar que assaltantes atuem livremente às margens das estradas, nos eventos públicos (lembram-se do show de assaltos durante o Iron Man?) e em outras ocasiões e lugares, se todo o efetivo precisa estar de prontidão, todos os dias, para reprimir as perigosas manifestações contra o aumento dos ônibus.</p>
<p>E, cá entre nós e que os sensíveis organizadores das manifestações não nos ouçam: a PM faz parte desse show. Sem eles os piquetes perdem a graça e o fascínio de &#8220;enfrentar a polícia&#8221;. E sem os manifestantes, a PM teria que trabalhar em locais menos iluminados e longe de tantos fotógrafos. Já imaginou? Em vez de ficar fazendo pose no Ticen, ter que se embrenhar nos matos de Biguaçu, noite adentro, pra tocaiar os malacos que querem assaltar ônbus? Tá louco?</p>
<p><em>(<a href="http://wp.clicrbs.com.br/narua/2010/06/02/estudantes-se-reunem-na-frente-do-ticen/?topo=67,2,18,,,67" target="_blank">Foto &#8220;emprestada&#8221; do blog Na Rua/RBS</a>)</em></p>
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		<title>Paciência de ferro, saco de filó</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 13:48:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Aquele papo de &#8220;destino turístico&#8221;, em Florianópolis, é só conversa fiada. Falta, a esse pedaço de terra cobiçado e procurado, o essencial de qualquer &#8220;destino turístico&#8221;: ordem na casa.
Os &#8220;destinos turísticos&#8221; são, em geral, locais com muitas limitações. Possuem valiosos bens naturais ou criados pelo homem que precisam ser preservados (e por isso vale a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aquele papo de &#8220;destino turístico&#8221;, em Florianópolis, é só conversa fiada. Falta, a esse pedaço de terra cobiçado e procurado, o essencial de qualquer &#8220;destino turístico&#8221;: ordem na casa.</p>
<p>Os &#8220;destinos turísticos&#8221; são, em geral, locais com muitas limitações. Possuem valiosos bens naturais ou criados pelo homem que precisam ser preservados (e por isso vale a viagem para conhece-los), nem sempre em áreas muito amplas (A parte seca de Veneza dá pra percorrer quase toda a pé). Tudo isso se agrava pelo fato de que muita gente quer circular por ali. Em alguns lugares, há limitações ao número de visitantes por vez. Em outros, é preciso fazer um bom planejamento para que a coisa não se transforme em balbúrdia.</p>
<p>É normal que ocorram vários eventos ao mesmo tempo nos &#8220;destinos turísticos&#8221; e isso não deveria significar o colapso do lugar ou a impossibilidade de organizá-los. Mais do que as cidades &#8220;normais&#8221;, os &#8220;destinos turísticos&#8221; precisam ter uma administração ágil e inteligente. Capaz de acomodar os diversos interessess, todos legítimos, e causar o mínimo de dano.</p>
<p>Florianópolis, no final de semana, teve uma prova de Iron Man (várias modalidades, para super atletas), um concurso do IBGE, que na cidade tinha previsão de dez candidatos por vaga e o vestibular da Udesc, principal universidade estadual. E quem não participava de nenhum desses eventos, tinha suas atividades normais de final de semana (visitar a mãe, a sogra, os filhos, espiar a ressaca, fazer nada, etc). Não me parece impossível conciliar tudo isso, mesmo numa ilha como a de Santa Catarina.</p>
<p>Cá entre nós, acho que um administrador municipal medianamente dotado, se souber cercar-se de gente que tenha estudado um pouco, conseguiria resolver essa equação. Talvez fosse preciso trabalhar em cima do problema algumas horas ou dias, com alguma antecedência. Mas não posso crer que, no estágio atual da civilização, não seja possível ajeitar as coisas para permitir que um vestibulando que more no norte da ilha chegue em menos de três horas ao seu local de prova no Itacorubi. Ou evitar que um concursante que more no sul da ilha tivesse que sair de manhã cedinho para estar na UFSC no começo da tarde. E, ainda, assegurar que as provas atléticas tivessem sucesso e fossem acompanhadas por todos os seus milhares de fãs.</p>
<p>Claro que o principal jornal da cidade, também promotor do Iron Man, minimizou os problemas. Numa nota com o título &#8220;Candidatos pontuais&#8221; (sic!), dá a entender que houve apenas um transtorno leve para os candidatos ao vestibular da Udesc, que foram, na sua maioria, pontuais. Na informação sobre o concurso do IBGE, nem uma linha sobre quem ficou retido nos portões porque chegou tarde, muito menos sobre quem chegou em cima da hora, mesmo tendo saído quatro horas antes, para percorrer 20 quilômetros.</p>
<p>Como a capital está às traças, como se fosse uma casa onde tudo se tolera, o fato de ter &#8220;imprensa a favor&#8221; ajuda os administradores a tomar decisões sem pensar muito. Mas tenho a impressão que mesmo se temessem alguma repercussão na &#8220;mídia&#8221;, também não teriam feito grande esforço para que todos os eventos ocorressem sem transtornos. Parece não ser da natureza desses seres, acostumados a serem reeleitos automaticamente, sem exame de mérito, numa &#8220;carreira política&#8221; vitalícia, planejar com seriedade o melhor uso para os limitados recursos de um &#8220;destino turístico&#8221; importante como Florianópolis. Simplesmente, não se mostram à altura da tarefa.</p>
<p>Infelizmente, pelo andar da carruagem, parece que os eleitores também não.</p>
<p><strong>EM TEMPO</strong></p>
<p>O Joanildo lembra, nos comentários, que além desses eventos que mencionei, houve também ontem um concurso da própria Prefeitura Municipal de Florianópolis. Marcado para esse dia, naturalmente, porque a cidade estava bem calma.</p>
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		<title>Confissões de sexta à noite</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2010/05/28/confissoes-de-sexta-a-noite/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 22:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Preciso confessar-me com vocês. Nos cinco anos em que mantive a coluna De Olho na Capital, no Diarinho (com sua correspondente transcrição aqui no blog), em várias ocasiões atirei uma pedra pro alto e ela acabou quebrando uma teelha de vidro que eu não tinha certeza de estar lá.
Não deixa de ser uma espécie de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preciso confessar-me com vocês. Nos cinco anos em que mantive a coluna De Olho na Capital, no Diarinho (com sua correspondente transcrição aqui no blog), em várias ocasiões atirei uma pedra pro alto e ela acabou quebrando uma teelha de vidro que eu não tinha certeza de estar lá.</p>
<p>Não deixa de ser uma espécie de desonestidade: eu não sabia, concretamente, de nenhum malfeito em determinado evento, mas como conhecia os participantes e em outras situações semelhantes tinham sido flagrados em maracutaias, lançava uma desconfiança no ar.</p>
<p>Na maior parte das vezes, dava certo. Alguém que conhecia o esquema ligava ou escrevia contando detalhes e, claro, admirado como eu tinha conhecimento de tudo aquilo. Isso quando o próprio (ou própria) não entrava em contato, tentando explicar e dizendo que tudo não passou de mal entendido. E que jamais faria novamente.</p>
<p>Lembrei-me disso porque hoje, ao comentar as obras contra o avanço do mar, lancei uma suspeita, sem ter tido tempo de aprofundar (êpa). Pois uma leitora já levantou uma lebre: a empreiteira chamada para a obra na Armação seria a mesma do trevo da Seta, que ficou sem repasse de grana por causa da maracutaia natalina. Se for verdade, mostra que os amigos do Rei não morrem pagãos. E que niguém deve ficar nervoso com o bloqueio de uma verba hoje, porque o amanhã aos amigos pertence.</p>
<p>E tudo tem lógica e é perfeitamente explicável: a empreiteira estava com seus equipamentos ali perto, tem gente e máquinas, foi penalizada (injustamente!) por uma filigrana jurídica&#8230; não tem por que não chamá-la. E, como em tantos outros casos, se ela não tiver experiência em recuperar praias ou conter marés, sub-contratará quem saiba fazer isso. A gente paga. No problemo.</p>
<p>E um bom finde a todos vocês.</p>
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		<title>Florianópolis às traças</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2010/05/25/florianopolis-as-tracas/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 11:53:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O prefeit-o-Dário fica muito chateado quando a gente critica a administração municipal. Choraminga pelos cantos que nem tudo é culpa dele. Às vezes é coisa dos secretários que ele escolheu. Ou dos grupos a quem ele loteou (a exemplo do que fez LHS), o governo. E só porque ele tem esse cargo de &#8220;chefe do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O prefeit-o-Dário fica muito chateado quando a gente critica a administração municipal. Choraminga pelos cantos que nem tudo é culpa dele. Às vezes é coisa dos secretários que ele escolheu. Ou dos grupos a quem ele loteou (a exemplo do que fez LHS), o governo. E só porque ele tem esse cargo de &#8220;chefe do executivo&#8221; e a caneta, os maledicentes ficam dizendo que é o único responsável.</p>
<p>Ele tem razão. Tá na hora de deixar ele de fora, pelo menos pra poder curar as mágoas do recente escanteio, na candidatura ao governo do estado. Fica tranquilo, Dário: vou enumerar as razões pelas quais tenho a impressão que a capital está abandonada, mas não vou citar teu nome.</p>
<p><strong>1. PRA QUE SERVEM AS CÂMERAS DA IN-SEGURANÇA?</strong></p>
<p>Não consegui entender direito, até agora, por que a cidade e o estado têm investido tanto dinheiro em câmaras de segurança nos locais públicos. Na minha ingenuidade, achava que, monitorando a cidade, a polícia poderia agir mais rápido e até preventivamente. Mas o que se tem visto é que as imagens das câmeras só servem para ilustrar o noticiário das TVs.</p>
<p>Naquele caso mais recente, do racha dentro do túnel, ocorrido no final de semana, só na segunda à noite, depois que o troço passou nos noticiários de TV, é que a expedita Polícia Rodoviária começou a cogitar que ali pudesse ter ocorrido alguma irregularidade. Na hora do acidente, portanto, não tinha ninguém assistindo à imagem. Porque se tivesse, na mesma hora teria dado voz de prisão aos dois malucos barbeiros que tentaram &#8220;costurar&#8221; em alta velocidade e se deram mal.</p>
<p>Pelo jeito, quando a gente vê na TV imagens dessas câmeras, de gente assaltando veículos, ou arrombando portas de loja, a polícia também as está vendo pela primeira vez. Porque não aparecem, nas imagens, os policiais chegando e dando o flagrante. A câmera gravou, mas a turma só se deu conta que era um crime algumas horas depois. Será isso?</p>
<p>O Cacau publicou uma nota em que um leitor contava que viu um morador de rua ferido. Provavelmente foi espancado na rua, nas proximidades de uma dessas câmeras. Mas ninguém apareceu para socorrer. E horas depois, já dia claro, o cara continuava sem merecer atenção de ninguém. Ora, se nem para evitar o crime nem para socorrer as vítimas as câmeras servem, então não servem pra nada.</p>
<p><strong>2. A CIDADE DO RAMLOW</strong></p>
<p>O comandante do policiamento da capital, tenente-coronel Newton Ramlow, já entrou para a história ao fazer campanha política aberta dentro do quartel. Trata-se, portanto, de um inovador. Onde outros baixavam a voz e procuravam ser discretos, ele fala alto e não esconde de ninguém sua eterna gratidão a quem o colocou ali, pedindo votos a seus comandados. Afinal, deve ser pra isso que a hierarquia militar foi inventada, né?</p>
<p>Pois bem, ele colocou a tropa na rua para impedir que os manifestantes fechassem a Beira Mar Norte. Não explicou direito para seus comandados que sair quebrando máquinas fotográficas pode repercutir mal e a coisa, de fato, repercutiu muito mal. Chegou a proferir mais uma das suas frases célebres: &#8220;eu dei a cidade toda, menos a Beira Mar&#8221;. A cidade, ficamos então sabendo, é dele. Ou, pelo menos, pode dispor dela conforme ache conveniente.</p>
<p>Decerto porque a repercussão da manobra de sexta foi ruim, na segunda resolveram nem tentar manter a ordem. E a Beira Mar e outras vias importantes foram fechadas no final da tarde, penalizando a população, que além de pagar impostos e já sofrer normalmente com a falta de transporte público, ainda leva bordoadas de todo &#8220;movimento social&#8221; que aparece na cidade.</p>
<p>O problema da PM, parece, é sua excessiva politização. Polícia não tem que ser simpática nem popular, tem que ser eficiente, profissional e respeitadora da lei. Deveria poder manter as vias desimpedidas sem sair quebrando máquinas, batendo em desafetos e gritando palavrões que só demonstram insegurança e despreparo. Lidar com multidões e &#8220;movimentos sociais&#8221; exige treinamento, comando firme, nervos de aço e tampões nos ouvidos para não aceitar as provocações.</p>
<p>A população não gosta de ficar num engarrafamento causado por alguma manifestação, por mais justa que seja. Mas também não se sente bem ao saber que sua PM tem brucutus agindo com a complacência dos comandantes. Se um oficial não sabe conciliar esses dois apelos da civilização moderna, então precisa voltar para a escola. Ou cair fora.</p>
<p><strong>3. OS PROFISSIONAIS DO AGITO</strong></p>
<p>Ninguém, com um mínimo de inteligência, tem ilusões sobre o motor das manifestações que empolgaram tantos jovens nos últimos dias. A oportunidade criada pela insatisfação popular com a má condução dos negócios do transporte coletivo municipal é aproveitada por organizações que sabem o que fazer com esse tipo de ânimo. E aí alguns se surpreendem com o fato das manifestações terem líderes que vieram de outros estados. Ora, isso não é novo e nem é, em si, ruim. Sempre pode rolar uma espécie de &#8220;transferência de tecnologia&#8221; e acabarmos, um dia, tendo nossos próprios agitadores sociais.</p>
<p>O grande problema, a meu ver (e já falei isso aqui ao longo de vários anos), é juntar alhos com bugalhos. Soma-se o descontentamento do florianopolitano com seu péssimo e caro sistema de transporte, com um movimento nacional (ou internacional) que propõe a estatização e a gratuidade de todo o transporte público. Ora, isso exige, naturalmente, a mudança do sistema de governo. Enquanto vivermos num país capitalista, o tal &#8220;passe livre&#8221; é apenas uma utopia. E, se advogado apenas para estudantes, também uma enorme injustiça social.</p>
<p>Portanto, esse movimento não tem reivindicações que o município ou o estado ou mesmo o governo federal possam atender dentro das atuais normas legais. É certo que a maioria dos manifestantes, em cada capital ou cidade onde florescem esses protestos, quer solução para seus problemas imediatos: reverter o aumento recente da tarifa, por exemplo. Mas as lideranças, que viajam pelo País dando forma e organização às insatisfações locais, têm um projeto de longo prazo para o Brasil que, com certeza, não conta com o meu apoio. E talvez nem com o apoio da maioria dos que, movidos por legítima indignação, foram às ruas.</p>
<p>Só que, enquanto o poder público for ineficiente, arrecadando muitos impostos e dando quase nada em troca ao contribuinte, esse tipo de movimento encontrará sempre solo fértil para sua pregação. Porque entre uma tarifa escorchante, ônibus desconfortáveis, horários e trajetos bagunçados e um apelo, ainda que inalcançável, de &#8220;uma vida sem catracas&#8221;, a escolha é simples.</p>
<p><strong>EM TEMPO:</strong> o Marcelo Pomar (que acha que eu fui superficial na análise) faz, nos comentários, a defesa do Movimento Passe Livre.</p>
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		<title>A desmoralização da PMSC</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2010/05/22/a-desmoralizacao-da-pmsc/</link>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2010 04:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Polícia Militar de Santa Catrina está criando uma história triste e embaraçosa de descontrole que não faz jus às suas próprias tradições. Ontem, desacatou fotógrafos e prendeu jornalistas de novo. Só faltou fazer, como fez no episódio da prisão do Sarará, uma acusação canhestra de que os repórteres estariam bêbados. Talvez, se tivesse feito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Polícia Militar de Santa Catrina está criando uma história triste e embaraçosa de descontrole que não faz jus às suas próprias tradições. Ontem, desacatou fotógrafos e <a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;section=Geral&amp;newsID=a2912336.xml" target="_blank">prendeu jornalistas de novo</a>. Só faltou fazer, como fez no episódio da prisão do Sarará, uma acusação canhestra de que os repórteres estariam bêbados. Talvez, se tivesse feito, a RBS tivesse mais uma vez demitido seus profissionais, como fez com fotógrafo Sarará. Que foi preso em circunstâncias semelhantes às de ontem, numa manifestação também envolvendo transporte público.</p>
<p>Ou os soldados da PMSC estão mal treinados e sucumbem à menor pressão, ou seus oficiais são incompetentes e não conseguem se fazer obedecer. O fato é que a falta absoluta de bom senso com que jornalistas, vez por outra, são abordados pela PMSC, deixa antever um grave problema. Ou de disciplina, ou de falta de treinamento. Nos dois casos o governador, se tivesse realmente peito e quisesse de fato exercer sua função de comandante, deveria exigir explicações e punir os responsáveis.</p>
<p>Mas todos sabemos que isso não vai acontecer, porque os oficiais não estão preocupados com a imagem da corporação e a soldadesca quer mais é ver o circo pegar fogo. E o governador, ora, o governador Pavan não é homem de peitar policiais nem de exigir coisa nenhuma da milicada. Seria uma enorme (e positiva) surpresa, se ele pelo menos tomasse conhecimento do que a PMSC está fazendo sob suas vistas. Esperar que tome alguma providência, aí já é puro delírio.</p>
<p>O que realmente marca o cidadão honesto, pagador de impostos e eleitor quites com seus deveres, é que, quando precisa da polícia (ao ser assaltado ou ao pressentir que sofrerá alguma violência), recebe o desprezo, quando não sofre chacotas de quem deveria protegê-lo. E quando se trata de uma manifestação contra o assalto que a prefeitura e as empresas estão fazendo aos cidadãos, a PMSC coloca todo seu efetivo na rua.</p>
<p>Nesse momento não falta combustível, não falta viatura, não falta papel, não falta vontade. E até sobra a mesquinha e covarde forma de agir dos que não têm razão: usam a prisão arbitrária, a intimidação rasteira e a violência gratuita para tentar amedrontar o cidadão.</p>
<p>Mal sabem eles que o resultado dessa ação imbecil é apenas a perda de credibilidade, a perda de autoridade e a demonstração cabal de que a PMSC, que já foi uma força respeitada e respeitadora, não é mais a mesma.</p>
<p>Uma pena.</p>
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		<title>É mentira, Terta?</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 00:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Os cinquentões e cinquentonas certamente lembram de um personagem do Chico Anísio, o Coronel Pantaleão Pereira Peixoto, mentiroso profissional, que para assegurar a seus interlocutores a veracidade do que estava dizendo, perguntava à sua velha (que estava tricotando meio distraída): &#8220;É mentira, Terta?&#8221; e ela respondia, com convicção, &#8220;verdaaade!&#8221;
Pois bem. Há quem diga que existem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os cinquentões e cinquentonas certamente lembram de um personagem do Chico Anísio, o Coronel Pantaleão Pereira Peixoto, mentiroso profissional, que para assegurar a seus interlocutores a veracidade do que estava dizendo, perguntava à sua velha (que estava tricotando meio distraída): &#8220;É mentira, Terta?&#8221; e ela respondia, com convicção, &#8220;verdaaade!&#8221;</p>
<p>Pois bem. Há quem diga que existem prefeitos que adoram uma enxurrada, uma enchete, um deslizamento, porque assim podem recorrer ao tal decreto de calamidade pública, maravilhoso abre-te-sésamo que permite contratações sem licitação, compras sem muita explicação e principalmente oculta, sob o manto da emergência, que muitas vezes é real, as cotações, as comissões, os sobrepreços e a caixinha, obrigado.</p>
<p>Mas é claro que o prefeito, mesmo aquele que está reforçando seu caixa de campanha, dirá que se trata de um esforço hercúleo para garantir a segurança de seus munícipes. Como ouvi no rádio, de dois prefeitos, &#8220;a hora é de cuidar das pessoas&#8221;. São ágeis e solícitos nessa hora de dor, chicoteiam seus auxiliares para que produzam imediatamente toneladas de relatórios que permitam o tal decreto e, em seguida, saem em busca das verbas estaduais, federais, internacionais, unicamente para promover o bem estar social, a estabilidade econômica, a saúde da família e o progresso do município. Olhando feio para quem suspeita da lisura de suas intenções, eles perguntam, com voz tonitroante: &#8220;É mentira, Terta?&#8221;</p>
<p>E aí seus fãs, loucos por uma sobrinha de caixa, gritam em uníssono: &#8220;verdaaade!&#8221;</p>
<p>Passada a tragédia, tudo volta a ser como dantes: os dutos fluviais são colocados (quando o são), com diâmetro menor que o recomendável, as ocupações são toleradas desde que o ocupante transfira seu título eleitoral, os rios, canais e outros escoamentos são assoreados, apertados, esquecidos e/ou cobertos, criando todas as condições para que, na próxima &#8220;chuva acima da média&#8221;, a história se repita. E aí sou que quem pergunta: é mentira, Terta?</p>
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		<title>Eu tenho um sonho&#8230;</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2010/05/13/eu-tenho-um-sonho/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 21:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sonho viver numa cidade cuja segurança seja feita por gente bem formada, equilibrada, sensata e consciente das suas responsabilidades. E, naturalmente, bem paga (quanto a isso, a maioria dos eleitores/constribuintes que paga montoeiras de impostos tem feito a sua parte).
Nas situações em que a presença da polícia seja necessária, sonho com o dia em que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sonho viver numa cidade cuja segurança seja feita por gente bem formada, equilibrada, sensata e consciente das suas responsabilidades. E, naturalmente, bem paga (quanto a isso, a maioria dos eleitores/constribuintes que paga montoeiras de impostos tem feito a sua parte).</p>
<p>Nas situações em que a presença da polícia seja necessária, sonho com o dia em que a polícia esteja, de fato, presente. E, como é um sonho, estará preparada para lidar com o estresse e o nervosismo de todas as demais pessoas. Eu, vocês, todo mundo que não é policial, temos o direito constitucional de ficar nervosos, de elevar a voz, de reclamar, de perder um pouco as estribeiras quando somos vítimas de alguma violência, de algum desentendimento, de alguma quebra da normalidade. Mas os policiais precisam manter a cabeça fria. E usar, nas situações extremas, o bom senso e a boa técnica. Para garantir a&#8230; segurança.</p>
<p>Quando o guardinha fica nervoso porque a molecada se acorrentou nas cadeiras, ou fica inseguro porque alguém grita palavras de ordem contra o aumento dos ônibus, tá na hora de voltar pra academia e refazer todo o treinamento.</p>
<p>E quando o sujeito fardado, desonrando a corporação, usa de força desnecessária, revelando caráter fraco e até alguma deformação psicológica, caberia a seus chefes tomarem providências imediatas para que a população, que sustenta a força pública de segurança, não perca a confiança. Nem ache que, onde deveria estar o socorro e a ajuda, estão bandidos de quem é melhor guardar distância.</p>
<p>Um amigo falava há pouco que teme pela reação da polícia do Dário, tropa que o prefeito armou, diante das manifestações de hoje. Nesses eventos, basta um idiota fardado fazer uma pequena besteira (testar o lançador de pimenta ou a tal arma &#8220;não letal&#8221;) para transformar uma coisa que amanhã estaria esquecida, numa baderna que será lembrada e lamentada pelos próximos anos.</p>
<p>Por isso, sonho com uma polícia que não seja o problema. Com policiais que saibam que o respeito não se conquista à força. Com um sistema de segurança realmente profissional onde a corrupção (e a tortura é uma forma corrupta e covarde de lidar com os suspeitos) seja combatida por mecanismos eficientes e onde os bons serviços sejam recompensados.</p>
<p>Infelizmente para acordar desse sonho é só abrir os olhos, dar uma olhada ao redor e nos noticiários.</p>
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		<title>O pessoal tá nervoso&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 21:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelo jeito todo mundo sonha mesmo é com um bom e velho empreguinho público. Os coleguinhas fizeram aquele concurso da Assembléia Legislativa de Santa Catarina concorrendo a sete vagas. Saiu o resultado, os que foram melhor classificados tomaram posse e, teoricamente, a novela tinha terminado. Mas agora alguns dos que não entraram estão de marcação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo jeito todo mundo sonha mesmo é com um bom e velho empreguinho público. Os coleguinhas fizeram aquele concurso da Assembléia Legislativa de Santa Catarina concorrendo a sete vagas. Saiu o resultado, os que foram melhor classificados tomaram posse e, teoricamente, a novela tinha terminado. Mas agora alguns dos que não entraram estão de marcação cerrada, atrás de outras vaguinhas. De um jeitinho que transforme, por milagre, aquelas sete vagas em outras, sei lá, dez, vinte, trezentas.</p>
<p>O último lance é um e-mail distribuído pelo Rafael Leiras, dizendo que os terceirizados, que tinham sido dispensados quando terminou o contrato de terceirização, estão de volta por meio de um artifício ilegal.</p>
<p>A história, até onde consegui saber, não é bem assim. Existem cargos comissionados (de livre preenchimento, portanto, sem necessidade de concurso), que desde que a TV Alesc foi criada (1999, 2000?), estavam preenchidos e continuam. Não se trataria de retorno à terceirização.</p>
<p>De qualquer forma, mesmo que, de uma hora para outra, alguém decida que essas vagas deixarão de ser preenchidas da forma que sempre foram e passarão a ser preenchidas por concurso, será necessário fazer outro&#8230; concurso. Até mesmo aquelas vagas que ficaram desocupadas com a extinção do contrato de terceirização não podem ser &#8220;automaticamente&#8221; preenchidas pela turma daquele concurso das sete vagas. Penso que será necessário um processo específico para essa finalidade. Mas tenho a impressão que o pessoal, que aponta o dedo com tanta ênfase para supostas irregularidades na Diretoria de Comunicação, quer mesmo é que se abra uma entrada lateral, ou mesmo nos fundos, para que os classificados na seleção já feita (mas que não tiveram índice para ocupar as poucas vagas oferecidas) sejam &#8220;aproveitados&#8221;.</p>
<p>Aí pergunto eu para meus assessores jurídicos informais: esse &#8220;jeitinho&#8221; não seria imoral e/ou ilegal?</p>
<p><strong>BATE-REBATE</strong></p>
<p>O Leiras ficou muito brabo com a nota acima e me mandou dois e-mails irritadíssimos. Daí, respondi a ele, por e-mail. Depois vi que ele também colocou o texto dos e-mails aqui, nos comentários. Por isso, já que ele resolveu debater em público, trago também pra cá a resposta que tinha enviado a ele:</p>
<p>Prezado colega: quando recebi tua denúncia, procurei me informar (tipo ouvir os dois lados). E o que consegui saber, na Alesc, era diferente do que afirmavas. Podes argumentar, então, que eles estão mentindo. E isso é uma coisa perfeitamente possível. Por isso, preferi não ir muito fundo no exame da denúncia e da contra-afirmação oficial. Acredito que possa existir, naquele emaranhado de cargos comissionados, ex-terceirizados e outras situações, alguma irregularidade, embora não tenha conseguido ver de que tipo nem onde.</p>
<p>O que fiz, então, no blog, que te irritou tanto, foi expor minha opinião sobre a posição daqueles que fizeram o concurso e acham injusto que apenas sete tenham sido aproveitados, quando há necessidade de tanta gente naquele setor da Alesc. Acho mesmo, como falei em público, que o correto é fazer novos concursos para as novas vagas. Não acho legal que o concurso, que foi feito para preencher sete vagas, seja utilizado para preencher as demais. Sinto muito se esta opinião te faz tanto mal. Lamento, mas sempre pensei assim. E não é de hoje.</p>
<p>Da mesma forma, tomastes como pessoal o caso, talvez porque eu tenha citado teu nome. Mas só o citei porque, até onde soube, enviastes aquela denúncia para várias pessoas. Na Alesc, quando fui indagar do caso, já tinham o teu material. E tu mesmo informas que levastes a denúncia ao MP. Achei, portanto, que se tratava de um texto público e que não pretendias o anonimato. Por isso citei o nome. Mas poderia ter citado outros nomes, porque não és o único, daquele grupo que ficou de fora, a se queixar e a ficar procurando brechas e falhas na diretoria de comunicação. Onde, por falar nisso, não tenho parentes nem amigos especialmente queridos. Mas tenho vários colegas, ex-alunos e conhecidos, alguns dos quais entre os sete que recém-ingressaram. E entre as centenas que fizeram o concurso tenho grandes amigos, de longa data, muita gente muito competente e querida, que certamente eu escolheria sem pestanejar, se estivesse montando uma redação.</p>
<p>Se defendes o aproveitamento dos concursados em vagas que eventualmente venham a ser abertas, muito bem, argumenta e defende teu ponto de vista. Não precisas, para prová-lo, considerar ofensiva uma posição diferente, divergente. Basta mostrar que estou errado. Afinal, dizer que estás divulgando aquela informação não é calúnia. E dizer que não consegui confirmar a veracidade dela não é difamação. Assim como achar imoral o que tu e vários outros pretendem, não &#8220;denigre&#8221; a imagem de ninguém: apenas mostra que temos divergências. E podemos divergir, não podemos?</p>
<p><strong>MAIS CACETE</strong></p>
<p>O Leiras não descansa. Meia noite e tanta deu-me mais uma espinafrada por e-mail, dizendo que eu quis diminuí-lo, que eu o coloquei como &#8220;um boca aberta qualquer&#8221;. Li e reli meu post e não consegui ver todo esse potencial ofensivo dirigido a ele. Em todo caso taí a última bronca do Leiras, pra que vocês tirem suas próprias conclusões:</p>
<blockquote><p>&#8220;Caro Cesar,</p>
<p>Entendo a sua posição, mas nunca pedi anonimato em nada, sempre fui digno o suficiente para ser o único a dar minha cara a tapa nesta questão. Estou absolutamente seguro de estar defendendo uma posição justa, mas, ainda assim, respeito quem defende o contrário, pois compreendo a extensão dos interesses que regem o espírito das pessoas.</p>
<p>Porém, nunca coloquei o nome de ninguém na frente dos meus argumentos.</p>
<p>Gostaria que você refletisse sobre a forma como você colocou a questão. O que aconteceu foi simplesmente que você, sem me conhecer, pelo fato de eu ser um &#8220;zé-ninguém&#8221; desconhecido, você quis sim me diminuir, me colocar como um boca aberta qualquer que &#8220;sonha&#8221; com um &#8220;empreguinho público&#8221;. O seu azar foi que eu não sou esse boca aberta. Sou muito mais do que isso. Sou um &#8220;zé-ninguém&#8221; sim, mas com sonhos muito maiores do que &#8220;empreguinhos públicos&#8221;, e tenho dignidade e luto por aquilo que acho justo. E luto por não ter padrinhos políticos e por me indignar contra essa escrotice que acontece em toda a administração pública e, ainda, por ter um filho pra criar. Se você teve sorte, deve saber o que é isso. E deve saber também o significado da palavra injustiça, sem sofismas, sem forçação de barra.</p>
<p>Podemos divergir sim. Mas você me desrespeitou, tentou me diminuir publicamente. Afinal, eu sou um &#8220;zé-ninguém&#8221;&#8230; Isso está claro. Mas não me surpreendo com mais nada, colega. Infelizmente conheço bem a alma humana, muito mais do que gostaria. Só lamento e sigo em frente. Boa sorte pra você.&#8221;</p></blockquote>
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