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	<title>De Olho na Capital &#187; Caraminholas</title>
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	<description>O blog do Cesar Valente</description>
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		<title>O dia em que deu tudo errado&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 08:07:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[O que dizem as Leis de Murphy &#8211; Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. &#8211; Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão – ou a que causar mais prejuízo. &#8211; Acontecimentos infelizes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>O que dizem as Leis de Murphy</strong><br />
&#8211; Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.<br />
&#8211; Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão – ou a que causar mais prejuízo.<br />
&#8211; Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.<br />
&#8211; A Natureza está sempre a favor da falha.<br />
&#8211; Entre dois acontecimentos prováveis, sempre acontece um improvável.<br />
&#8211; Nada é tão ruim que não possa piorar.</p></blockquote>
<div id="attachment_10681" class="wp-caption aligncenter" style="width: 508px"><img class="size-full wp-image-10681" title="donc-Costa-Concordia-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/donc-Costa-Concordia-cor.jpg" alt="Costa Concordia" width="498" height="184" /><p class="wp-caption-text">&quot;O navio! O navio! Olha lá!&quot;</p></div>
<h2>“Vada a bordo, cazzo!”</h2>
<p>Pois é, se tivesse dado tudo certo, a gente hoje não saberia o nome do capitão, não lembraria do nome do navio e provavelmente nem tomaria conhecimento da bela história de camaradagem e solidariedade que ocorreu no litoral italiano, mais precisamente na pequenina ilha de Giglio.</p>
<p>Esqueçam o que ouviram, leram e viram nos últimos dias sobre o Costa Concordia, porque vou contar a história tal como deveria ter acontecido se, num determinado momento, não tivesse desandado e terminado como acabou.</p>
<p>O capitão Francesco Schettino decidiu fazer, nesse trecho da viagem, um “inchino”. Aquela “homenagem” que os grandes navios de turismo fazem de vez em quando: aproximam-se da costa e soam suas buzinas. Em terra, o pessoal acena e se alegra, porque essa parece ser uma tradição naquela região densamente cruzada pelo transporte marítimo de lazer.</p>
<p>A tradução mais correta de “inchino” é reverência, como aquela genuflexão que se faz nas igrejas. Fazer com que um grande navio se “ajoelhe” diante de um porto, de uma ilha, de uma cidade é, de fato, uma homenagem emocionante.</p>
<p>A propósito, basta uma breve pesquisa nos sites da Costa Cruzeiros para ver que os “inchinos” de seus navios (inclusive do Concordia), rendem notinhas comemorativas. O que demonstra que embora a empresa diga, oficialmente, que repreende os desvios de rota, tolera, há tempos, essas simpáticas “quebras de protocolo”.</p>
<p>Pois bem. Schettino resolveu homenagear a ilha de Giglio, onde vivem os velhos pais e outros familiares do “maitre” (chefe dos garçons) do navio, Antonello Tievolli. Filho do barbeiro de Giglio, Tievolli era dono de restaurante na ilha até que, há uns doze anos, entrou para a Costa Cruzeiros. No Concordia, Tievolli chefiava todos os garçons e, no porto seguinte, Savona, desembarcaria para umas férias.</p>
<p>Há também quem diga que a homenagem incluiria um ex-comandante da Costa Cruzeiros, Mario Palombo, que vive naquela região. Mas ele não estava na ilha naquela sexta-feira.</p>
<p>Em todo caso, é um gesto bonito e simpático. Afinal, demonstra a atenção que o comandante dá aos demais colegas que trabalham no navio. São muitos. Mil tripulantes. De inúmeras nacionalidades. Mas se estavam próximo da ilha natal de um deles, por que não aproveitar para reverenciá-lo?</p>
<p><strong>SEXTA, 13</strong></p>
<p>Na sexta-feira à noite Tievoli foi chamado pelo capitão Schettino. “Antonello, venha ver, estamos na sua ilha”, disse o capitão. Quando chegou na ponte de comando o “maitre” olhou para a ilha e disse “cuidado, nós estamos perto demais”.</p>
<p>Se fosse um dia comum, o capitão riria da observação e trataria de conferir, ou pedir que algum dos seus oficiais conferisse, os instrumentos para assegurar-se da segurança da trajetória. Em seguida mandaria acionar as buzinas e em pouco tempo o Concordia estaria de volta à sua rota, rumo a Savona, ao norte.</p>
<p>Se tivesse sido um dia normal, a família de Tievoli teria guardado as fotos daquele naviozão iluminado ali bem perto. E os moradores de Giglio contariam, sempre que pudessem, a história daquela noite em que o filho do barbeiro fez o navio em que trabalhava chegar perto o suficiente para que ele pudesse acenar para os parentes, desde a ponte de comando.</p>
<p>E o comandante Schettino seria lembrado como um homem bom, colega compreensivo, capitão sensível que não se furtou a fazer um “inchino” para a família de um simples garçom.</p>
<p>Não era à toa que a irmã de Tievoli contava no seu facebook, desde sexta cedo, que o Concordia iria se aproximar da ilha às 21h30min. Todos estavam ansiosos pela reverência.</p>
<p><strong>A PONTA DO ICEBERG</strong></p>
<p>Agora, em abril, o naufrágio do Titanic completa <del>200</del> 100 anos (viu? o erro aparece quando menos se espera). Não deixa de ser curioso que, a esta altura, a ponta afiada de uma pedra ainda consiga causar danos tão graves num casco de aço. E mais, que o navio com 4 mil pessoas (precisa ser grande pra caber tanta gente) tenha feito água num mar calmo, numa noite de bom tempo,  sem icebergs traiçoeiros à deriva.</p>
<p>Talvez a culpa tenha sido do excesso de confiança a que toda aquela tecnologia embarcada e as rotas tão conhecidas (o navio faz o mesmo trajeto toda semana, vários meses por ano) podem levar. O capitão estava cheio de boas intenções. Queria produzir, para Giglio e para Tievoli e seus familiares, um evento inesquecível.</p>
<p>Mas aí, as coisas começaram a dar errado. E a pedra que rasgou o aço foi apenas o primeiro fato desastroso daquele dia que mudou, para sempre, a vida do capitão Schettino. E transformou uma linda homenagem numa tragédia que vai marcar, também por muito tempo, a família do pobre Tievolli. Que, literalmente, entrou de gaiato no navio.</p>
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		<title>O jornalismo adernou!</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 09:08:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Na coluna de hoje no Diarinho usei um recurso gráfico &#8220;engraçadinho&#8221;, aproveitando o navio adernado. É difícil fazer o mesmo aqui no blog. Por isso, mostro o pdf da coluna, pra vocês terem uma idéia do que o leitor do jornal está vendo. E abaixo, pra quem se interessar, o texto, num ângulo legível sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na coluna de hoje no Diarinho usei um recurso gráfico &#8220;engraçadinho&#8221;, aproveitando o navio adernado. É difícil fazer o mesmo aqui no blog. Por isso, mostro o pdf da coluna, pra vocês terem uma idéia do que o leitor do jornal está vendo. E abaixo, pra quem se interessar, o texto, num ângulo legível sem ter que virar o monitor.</p>
<div id="attachment_10676" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DONC-17-jan12-mini.jpg" alt="coluna de hoje" title="DONC-17-jan12-mini" width="400" height="734" class="size-full wp-image-10676" /><p class="wp-caption-text">Tem Diarinho nas melhores bancas</p></div>
<p><strong>O JORNALISMO ADERNOU!</strong></p>
<p>O jornalismo se aproximou demais da costa, atropelou umas pedras pontudas e afiadas e, pelo rasgão aberto no casco, entraram toneladas de água. E aí, começou a adernar. O resultado: leitores pulam no mar, abandonam o navio como podem, fogem de tudo que pareça informação jornalística, mortos de medo de serem arrastados para o fundo, tragados pelo abismo.</p>
<p>Havia sinais de que o desastre era iminente, mas faltava inteligência e sensibilidade para entender e corrigir a tempo. Um dos males que ajudavam a prever a catástrofe, era a exploração abusiva do óbvio. Obviedades no texto, nas manchetes, nas legendas, mostrando que a preguiça e a falta de cultura estavam tomando conta.</p>
<p>Querem um exemplo? Vejam o caso do Chico Anísio. O grande ator e comediante está muito doente há algum tempo. Internado há semanas, nos últimos dias seu estado se agravou. Médicos, família e amigos expressam sua preocupação. Algum jornalista adernado a quase 90º, com água em metade do cérebro, escreve, num título destacado que “Após a cirurgia estado de Chico Anísio inspira cuidados”. Ora, qualquer doente, desde que começa a se tratar, “inspira cuidados”. Mesmo pessoas perfeitamente sãs, “inspiram cuidados”. Existem poucas obviedades mais óbvias que essa.</p>
<p>O descompromisso com a exatidão, no jornalismo, em geral anda de mãos dadas com a falta de habilidade linguística do escrevinhador. O cara não sabe direito do que se trata, ou como se diz em português o que as agências estão informando e escreve qualquer coisa. Como o tal “banco de areia” onde o Costa Concordia teria “encalhado”. É muito mais fácil dizer que “o navio encalhou num banco de areia”, do que explicar melhor o que houve.</p>
<p>Este jornal circula maciçamente no litoral catarinense, onde muita gente conhece bem essas coisas de encalhar, naufragar, enroscar, fazer água. Imagino que, ao ler que o navio “encalhou num banco de areia”, tenham pensado que bastaria esperar a maré subir e colocar alguns rebocadores para tirar o barco do enrosco. Mas aí surgiram as fotos, onde aparecia um enorme rombo no casco, muita pedra e nenhum “banco de areia”. E agora?</p>
<p>O jornalismo semi-náufrago agarra-se a qualquer coisa que parece flutuar. Se estivesse em terra, diria que se apóia em qualquer muleta. Mas como estamos no oceano das imbecilidades, varrido pelos ventos da estupidez, agarram-se a tudo que possa manter à superfície aquilo que, de outra forma, afundaria como uma âncora desgarrada da corrente que deveria mante-la acima da linha d’água.</p>
<p>O jargão é uma dessas bóias improvisadas, que num primeiro momento ajuda a flutuar, mas depois se encharca e apressa a ida ao fundo. O jornalista vai ouvir um técnico qualquer: um advogado, um médico, um geólogo, um meteorologista, um policial. E em vez de traduzir para o português aquela linguagem própria dos vários ofícios, acaba utilizando-a tal como lhe falaram. Ao incorporar no seu texto, acriticamente, o chamado “jargão profissional”, o jornalista afunda um pouco mais. E leva consigo, claro, o jornalismo.</p>
<p>Até em coisas simples, como a previsão do tempo e os comentários sobre a situação climática os jornalistas, por preguiça ou burrice, usam termos técnicos como se estivessem em uma reunião do clube dos meteorologistas e não transmitindo, ao público leigo, informações importantes.</p>
<p>A intromissão mais abusiva, inapropriada e antiga do jargão na linguagem jornalística se dá nas editorias de polícia. Ao buscar, nas delegacias e postos policiais a informação, o repórter lê os boletins de ocorrência e conversa com investigadores, delegados e policiais de várias patentes. E aí também, por preguiça ou burrice, simplesmente transcreve o que leu ou ouviu. Usando os termos que circulam naquele ambiente restrito, para comunicar-se com seu público, que é bem mais amplo (ou deveria ser, ou era, antes do naufrágio).</p>
<p>Nem vou citar os clássicos “meliante”, “elemento”, “viatura” ou “evadiu-se”. Acho muito mais emblemático o uso de “masculino” para designar um homem suspeito de algum delito. O que até pode se justificar num B.O., para que não reste dúvida sobre o sexo da pessoa e também para economizar palavras, num texto jornalístico fica apenas ridículo.</p>
<p>Por isso tudo, o que vemos hoje é o jornalismo com metade da cara na lama e a bunda exposta, virada pra cima. Numa situação constrangedora para quem, acima e além de tudo, depende da fé pública e tem na credibilidade seu maior patrimônio. Como fazer com que os leitores acreditem, se fomos apanhados excessivamente próximos da costa, com um rasgão vergonhoso abaixo da linha d’água, os porões inundados e uma inclinação obscena que impede qualquer movimento? E, ainda mais, correndo o risco de, ao afundar ou ao sofrer algum abalo por causa das ondas, deixar vazar toneladas de óleo contaminante, que vai corromper ainda mais aquilo que um dia imaginamos que pudesse ser o quarto poder. Lamentável!</p>
<p>Ainda bem que alguns barcos menores, como este nosso DIARINHO, ainda flutuam em boa angulação e enfrentam as marolas a uma distância segura dos costões escarpados e traiçoeiros. Mas, em todo caso, mantenham os coletes salva-vidas colocados e, ao menor sinal de bobeira mandem e-mails, escrevam ou telefonem: às vezes é só um cochilo e, se avisado a tempo, é possível desviar e continuar o trajeto sem adernar.</p>
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		<title>A temporada dos videntes na política</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 10:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo começo de ano eleitoral é a mesma coisa: o governador e a presidente têm que fazer reformas secretariais e ministeriais para substituir os candidatos. Às vezes é apenas uma mudança rotineira, que troca seis por meia dúzia. Mas não faltam nas mesas de bar, programas de TV, colunas de jornais e blogs, quem aproveite [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo começo de ano eleitoral é a mesma coisa: o governador e a presidente têm que fazer reformas secretariais e ministeriais para substituir os candidatos. Às vezes é apenas uma mudança rotineira, que troca seis por meia dúzia. Mas não faltam nas mesas de bar, programas de TV, colunas de jornais e blogs, quem aproveite a oportunidade para ler na bola de cristal os meandros ocultos do futuro.</p>
<p>No caso do ministério conta-gotas da Dilma (cai um de cada vez), não é preciso ser muito esperto para adivinhar o que vai acontecer: nada. Não se mexe em time que está ganhando. Os ministérios continuarão entregues aos mesmos grupos. O nome de quem exercerá o cargo é o de menos. O fato é que, se alguém tem contas a receber em alguma pasta ou quer fazer negócios em alguma área, sabe exatamente com quem terá que “falar”. A isso se chama de “normalidade institucional”.</p>
<p>No caso estadual, a situação é mais ou menos a mesma. Com algumas diferenças. Tem grupos que estão fora que querem entrar. E aí será preciso repartir o bolo de uma forma diferente para contemplar também esses novos “apoiadores”. Portanto, há uma certa tensão no ar: tem gente que teme perder espaço e tem gente que quer ocupar espaço. E tem quem ainda queira ampliar seu quintal. Todos esses tratam de municiar os adivinhos e videntes de plantão, para que espalhem como coisa certa as suas apostas no futuro incerto. E, dependendo do acordo, a previsão acaba divulgada com ares de informação exclusiva, “de bastidores”.</p>
<p>O fato é que provavelmente nem mesmo o governador Raimundo tem muita certeza do que vai acontecer nos próximos meses. Ele, como tantos outros políticos, já aprendeu que nem sempre aquilo que se gostaria de fazer pode ser feito. Mesmo os melhor intencionados terão que lidar, mais dia, menos dia, com aquilo que Lula, na sua sabedoria, definiu com precisão: “pra fazer política tem que meter a mão na lama”.</p>
<p>Por isso, sempre que vocês lerem uma previsão segura e detalhada do que vai acontecer nas reformas do secretariado, nas composições políticas, nos ajustes partidários, fiquem tranquilos: aquilo ali revela mais sobre quem escreve e suas motivações, do que sobre o futuro propriamente dito. Até porque em política o futuro, como vocês sabem, ao passado pertence.</p>
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		<title>Cadê a lógica?</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2012/01/05/cade-a-logica/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 10:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das coisas que mais atrapalha o trânsito no Brasil (e em países onde o trânsito é uma bagunça ou bate recordes de acidentes) é a falta de lógica. Tem limites de velocidade que não fazem sentido, tem sinalização que não ajuda em nada e tem obstáculos que só atrapalham e criam áreas inseguras. Acho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10628" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10628" title="donc-transito2-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/donc-transito2-cor.jpg" alt="Transito interrompido" width="500" height="270" /><p class="wp-caption-text">Queda de barreira na Hwy 1. Foto: Palhares Press.</p></div>
<p>Uma das coisas que mais atrapalha o trânsito no Brasil (e em países onde o trânsito é uma bagunça ou bate recordes de acidentes) é a falta de lógica. Tem limites de velocidade que não fazem sentido, tem sinalização que não ajuda em nada e tem obstáculos que só atrapalham e criam áreas inseguras.</p>
<p>Acho que tenho alguma experiência em estradas, no Brasil e no exterior. Desde a década de 70 já fiz várias vezes, por exemplo, o trajeto entre Florianópolis e Brasília de carro. Fora daqui conheço estradas em vários países. Só pra citar as viagens mais recentes: em setembro do ano passado dirigi cerca de 1.700 km em estradas italianas, no sul e no norte do país, incluindo um pequeno trecho de pouco mais de 100 km no sul da Suíça. Em outubro percorri, também dirigindo, cerca de 1.300 km na Califórnia, EUA, na região entre Los Angeles e San Francisco. E o que essas viagens me ensinaram? Que, a engenharia de trânsito, como tantas outras ciências, precisa se fundamentar na lógica.</p>
<p>Aqui no Brasil a gente tem um exemplo claro e abundante da falta de lógica nas estradas: o trecho próximo aos postos de polícia rodoviária. Em muitos deles há placas limitando a velocidade a inacreditáveis 40 km/h. Alguém respeita? Ninguém! Em outros, um pouco mais realistas, vemos placas de 60 km/h. Ou então não há qualquer aviso de que é necessário reduzir a velocidade.</p>
<p>Como, por causa da falta de efetivo, o mais comum é que não tenha ninguém nos postos, reduzir a velocidade ao passar por eles não faz sentido. E não ter uma norma nacional mesmo para as rodovias federais, só ajuda a fazer com que os motoristas fiquem confusos.</p>
<p>Uma coisa que me chamou a atenção na Itália: do sul ao norte, da região mais pobre à mais rica, todas as obras nas rodovias principais eram sinalizadas da mesma maneira, seguindo a mesma&#8230; lógica. Assim, depois de ter passado pelo primeiro trecho em obras, era fácil entender a sinalização dos trechos seguintes. Mesmo que estivessem a milhares de quilômetros de distância um do outro: como é o mesmo país, as normas para sinalizar esses eventos são, naturalmente, as mesmas.</p>
<p>Aqui, a gente tem que adivinhar. E usar de um sexto sentido que nem sempre está funcionando. Às vezes a sinalização de obras é antiga e alguém esqueceu de tirar. A gente reduz a velocidade, espera pelo desvio e nada. Às vezes a sinalização até está correta e bem feita, mas sem fiscalização. Os “espertinhos” pisam fundo, usam o acostamento, costuram e nada acontece. E como isso se repete, acabamos criando uma geração de imbecis do trânsito que não respeitam leis nem normas. Porque sabem que nada vai acontecer com eles.</p>
<p>O  que seria lógico? Primeiro, que as velocidades máximas das vias fossem estabelecidas com critério e seriedade. Não dá pra entender que uma mesma rodovia tenha velocidade máxima permitida de 110 km/h e a certa altura como num passe de mágica, sem que mude o pavimento ou o tipo de rodovia, baixe inexplicavelmente para 100 km/h.</p>
<p>Mas, tirante esses mistérios, se a placa informa que a velocidade máxima é 80 km/h, quem anda, por exemplo, a 100 km/h ou mais, precisa ser apanhado por algum radar, mais cedo ou mais tarde. O que acontece, na irreal vida brasileira? Políticos corruptos, novos ricos corruptores e meliantes de todo tipo inventam subterfúgios para não serem multados. Ora não pode esconder o radar, ora tem que colocar placas antes do radar, ora tem que submeter o radar a inspeções mensais do Inmetro (como o órgão não tem gente, o aparelho fica inativo a maior parte do tempo). E quando são multados, insurgem-se contra essa “violência”: que ousadia tentar punir quem viola a lei!</p>
<p>Sem consultar qualquer estatística, sou capaz de apostar que maioria dos acidentes e das mortes no trânsito no Brasil são causadas pelo excesso de velocidade. E os ignorantões que pisam o pé no fundo fazem isso porque, em algum momento da história do Brasil, as autoridades desistiram de exercer sua autoridade. E, por algum desvio de caráter nacional, punir ficou “fora de moda”.</p>
<p>Qual seria a lógica? Se a lei (e o bom senso) dizem que não se deve ultrapassar em determinados trechos da estrada, é importante que aqueles que arriscam tais ultrapassagens sejam punidos com alguma frequencia. E com rigor. Mas parece que o Estado abdicou dessa tarefa ingrata. O idiota só é “punido” quando a ultrapassagem não dá certo e, no acidente, ele morre. Às vezes ele mata, aleija mas, se tiver dinheiro, sai com sua reputação intacta e sem nódoas no prontuário. Não tem lógica, né?</p>
<p>Ou tem. E é a lógica perversa da lei da selva, do mais “esperto”, da bandidagem travestida de “gente boa”. Que “respeita as leis”, mas gosta de correr um pouquinho na estrada. Ou acha que sabe dirigir muito bem. Tudo isso, em todo caso, não faz sentido quando a gente vê que, no Brasil, morre mais gente nas estradas que soldados na maioria das guerras. Por nada. Bestamente.</p>
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		<title>O primeiro post do ano</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2012/01/03/o-primeiro-post-do-ano/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 09:10:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[FICHA LIMPA Os partidos políticos cuidaram para que todos os candidatos que vão inscrever para concorrer às eleições municipais, tenham um bom currículo e não uma boa folha corrida. Ter cometido crimes, desrespeitado normas e leis, é coisa que os partidos consideram muito grave, a ponto de negar o registro a esses indivíduos. E o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10621" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10621" title="donc-2012-1" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/donc-2012-1.jpg" alt=":-)" width="500" height="88" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<p><strong>FICHA LIMPA</strong></p>
<p>Os partidos políticos cuidaram para que todos os candidatos que vão inscrever para concorrer às eleições municipais, tenham um bom currículo e não uma boa folha corrida. Ter cometido crimes, desrespeitado normas e leis, é coisa que os partidos consideram muito grave, a ponto de negar o registro a esses indivíduos. E o eleitor, protegido dessa forma pelo que a política tem de melhor, que são os partidos políticos bem estruturados, não precisará escolher entre os vários ladrões que em geral aparecem como candidatos.</p>
<p><strong>SEGURANÇA</strong></p>
<p>Finalmente o governo estadual acordou e resolveu tomar providências sérias sobre a segurança pública. Vai afastar toda e qualquer influência política tanto dos comandos da Polícia Militar quanto das chefias da Polícia Civil. Exigirá competência profissional e resultados concretos na redução da sensação de impunidade. E oferecerá meios para que a defasagem histórica de pessoal seja corrigida. Claro que, paralelamente, colocará gente sábia para fazer continhas e reestruturar as carreiras, de tal maneira que a remuneração estimule a dedicação e permita a cobrança do desempenho.</p>
<p><strong>JUSTIÇA</strong></p>
<p>Um mutirão nacional vai apontar todas as leis mal redigidas, escritas de forma dúbia, confusas, que permitem múltiplas interpretações, para que os parlamentos refaçam tudo também em regime de mutirão. E os espertíssimos parlamentares que foram responsáveis pelas leis mal feitas, cheias de brechas, serão imediatamente enviados para o Haiti, para atuar na força de paz limpando latrinas, trocando fraldas e cuidados de hospitais de campanha.</p>
<p><strong>MINISTÉRIOS</strong></p>
<p>A  presidente, bem a seu estilo, chamará na <em>chincha</em> seus assessores e determinará o exame da lama sobre a qual repousa cada um de seus ministros. E, segundo palavras dela, enviará para os lupanares onde residem suas genitoras, os mais ladrões. Isso antes que a grande imprensa golpista desconfie de qualquer coisa. Afinal, como dizia Lula, não dá pra fazer política sem enfiar a mão na lama. Mas tudo tem um limite. Se o cara estiver com lama até a cintura não fica bem circular nos acarpetados gabinetes da esplanada dos Ministérios.</p>
<p><strong>MOBILIDADE</strong></p>
<p>Este será o ano em que todos os problemas dos aeroportos brasileiros serão resolvidos, ou pelo menos encaminhados para uma solução. A BR-101 ficará pronta e será apresentado o projeto da terceira pista. A BR-470 terá sua duplicação iniciada. Os portos, a começar pelo de Itajaí, ganharão dinamismo e eficiência de operação equivalentes aos melhores portos chineses. E as capitais e grandes cidades brasileiras serão interligadas pela linha férrea que começará a ser construída este ano, com conclusão prevista para 2014. Poderemos ir de Florianópolis a Curitiba de trem em apenas duas horas. Ou menos.</p>
<div id="attachment_10622" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10622" title="donc-2012-2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/donc-2012-2.jpg" alt=":-(" width="500" height="129" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<p><strong>FICHA LIMPA</strong></p>
<p>Os partidos políticos não estão muito preocupados com o passado (ou a moral ou a ética) dos candidatos que inscreveram para concorrer às eleições municipais. Ter cometido crimes, desrespeitado normas e leis, é coisa muito relativa, nem sempre suficiente para negar o registro a esses indivíduos. E o eleitor, como sempre, terá que escolher entre vários ladrões, diversos suspeitos, alguns paspalhos e um ou outro menos ladrão. E, quando dá m., ainda acaba levando a culpa: “quem mandou não votar direito!”</p>
<p><strong>SEGURANÇA</strong></p>
<p>O  governo estadual não acordou e nem tomou providências sérias sobre a segurança pública. A definição dos comandos da Polícia Militar e das chefias da Polícia Civil ainda têm forte influência política. A população continuará sofrendo com a falta de policiais. Ou, quando tem policial, com a falta de meios para que esses façam seu trabalho. E os policiais, com seus salários desfasados, não terão lá grandes estímulos para superar as carências históricas. Por isso, ao ligar para o 190, não será surpresa ouvir que é preciso manter o assaltante mais tempo na casa, para dar tempo da única viatura voltar do município vizinho.</p>
<p><strong>JUSTIÇA</strong></p>
<p>Os juízes têm demonstrado, nos últimos tempos, que são iguais a todos os demais servidores públicos graduados. Insurgem-se irracionalmente contra a fiscalização de seus feitos; protegem com unhas e dentes os empregos de seus parentes, amigos e afilhados; sabem que há, entre eles, laranjas podres, mas hesitam em afastá-las do cesto dourado de suas sinecuras. E os bons, acovardados num silêncio cúmplice, permitem que a população se sinta desamparada, numa terra sem lei.</p>
<p><strong>MINISTÉRIOS</strong></p>
<p>A presidente, bem a seu estilo, manterá os ministérios como feudos dos partidos da “base aliada”. A demissão de ladrões ou suspeitos de ladroagem continuará na dependência das conveniências. Se der pra segurar, a gente segura, se ficar muito complicado, a gente troca por um novo boi de piranha. Como já dizia o Lula, não se faz política sem enfiar a cara na lama. E vender a alma.</p>
<p><strong>MOBILIDADE</strong></p>
<p>Este será mais um ano de confusão nos aeroportos brasileiros. A BR-101 não ficará pronta e a BR-470 continuará na mesma. Os portos, a começar pelo de Itajaí, manterão dinamismo e eficiência de operação equivalentes aos melhores portos brasileiros. E as capitais e grandes cidades brasileiras continuarão engarrafadas, sem transporte coletivo abrangente e sem planejamento. Dependendo da época, é melhor ficar quieto em casa, pra não se arriscar a fazer em doze horas percursos de 80 km. Ou ter que voltar da metade.</p>
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		<title>Caro Papai Noel</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 11:10:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Está meio em cima da hora pra escrever pro senhor, mas vou tentar mesmo assim. Afinal, tenho me comportado muito bem e acho que mereço uns presentinhos extras. Boa parte da cidade em que vivo está confinada numa ilha marítima muito linda onde várias montanhas, praias e manguezais deixam pouco espaço para avenidas, prédios e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10578" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10578" title="donc-santa2-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/donc-santa2-cor.jpg" alt="Papai Noel" width="500" height="562" /><p class="wp-caption-text">Quem mora em Florianópolis tem que acreditar em Papai Noel...</p></div>
<p>Está meio em cima da hora pra escrever pro senhor, mas vou tentar mesmo assim. Afinal, tenho me comportado muito bem e acho que mereço uns presentinhos extras.</p>
<p>Boa parte da cidade em que vivo está confinada numa ilha marítima muito linda onde várias montanhas, praias e manguezais deixam pouco espaço para avenidas, prédios e outros equipamentos urbanos.</p>
<p>Por tudo isso, Papai Noel, eu queria que neste Natal o senhor trouxesse, para o prefeito, o governador e seus secretários e vereadores, um pouco mais de inteligência (muito mais seria melhor).</p>
<p>Afinal, não é qualquer um que consegue planejar e integrar as complicadas soluções que um lugar como Florianópolis exige.</p>
<p>Não basta fazer mais uma ponte, ou colocar uma linha de bonde, é preciso ter uma visão ampla de todo o complexo traçado viário e das prioridades que poderão fazer a cidade e seus habitantes recuperarem sua mobilidade.</p>
<p>Pode ser ou tá difícil?</p>
<p>Abs,</p>
<p>CV</p>
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		<title>O silêncio do Mosquito</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 08:07:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Na coluna de hoje, no Diarinho, publiquei, com pequenas alterações, aquele texto sobre o Mosquito que saiu aqui no blog na terça-feira. Ilustrei-o com a foto acima, tirada na festa de 30 anos do jornal, quando Mosquito foi a Itajaí e vestiu a camiseta do aniversário. E com a foto abaixo, do Cavallazzi, onde aparece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 237px"><img class="size-full wp-image-10533" title="donc-mosquito1-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/donc-mosquito1-cor.jpg" alt="Mosquito" width="227" height="500" /><p class="wp-caption-text">Janeiro de 2009, foto de arquivo do Diarinho</p></div>
<p>Na coluna de hoje, no Diarinho, publiquei, com pequenas alterações, aquele texto sobre o Mosquito <a href="http://www.deolhonacapital.com.br/2011/12/13/o-mosquito-esta-morto/" target="_blank">que saiu aqui no blog</a> na terça-feira. Ilustrei-o com a foto acima, tirada na festa de 30 anos do jornal, quando Mosquito foi a Itajaí e vestiu a camiseta do aniversário. E com a foto abaixo, do Cavallazzi, onde aparece a bicicleta semi-motorizada com que o inseto tentava ganhar saúde e perder peso. Além de economizar no transporte.</p>
<p>E tomei a liberdade de também publicar um texto que o jornalista Gilberto Motta (o Mottinha, irmão do Mário Motta), enviou para várias pessoas. Taí:</p>
<p><strong>&#8220;A mosca não zumbiza mais&#8221;</strong><br />
Por Gilberto Motta</p>
<blockquote><p>&#8220;Triste desfecho. De certa forma, um esperado &#8220;gran finale&#8221;. Melancólica a situação hoje no cemitério quando o Mosca não tinha nem grana para ser sepultado em mínimas condições humanas. Os amigos o socorreram. E também alguns inimigos  contribuíram na passagem do chapéu, pois, hipocritamente lá estavam para &#8220;chorar o morto&#8221;. Mundo imundo e triste este dos infectados pelo poder. Mas ficou um gosto de derradeira dignidade.</p>
<p>Ficamos todos olhando para o corpo inerte daquele grandalhão &#8220;tão periogoso&#8221;, agora, dormindo suavemente. Amilton Alexandre deu a sua derradeira tijolada nele mesmo. Ou deram? Digo &#8220;deram&#8221; não de forma direta, mas dentro daquela velha lógica newtoniana de que &#8220;para todo efeito existe pelo menos uma causa&#8221;. E, com certeza, não faltarão causas, motivos e ódios capazes de explicar aquele corpo tão &#8220;repelente&#8221; balançando esticado pelo pescoço, dependurado dentro da casa, onde vivia sozinho.</p>
<p>De toda forma, o Mosquito está morto. Como o Raul, uma mosca a menos no seu quarto a zumbizar. UFA! devem estar exclamando -em silêncio cavernoso- algumas  “criaturas nefastas” expostas às suas picadas e e não menos necessárias tijoladas. Até mais: descanse -agora- em paz, velho Muska!&#8221;</p></blockquote>
<div id="attachment_10534" class="wp-caption aligncenter" style="width: 316px"><img class="size-full wp-image-10534" title="donc-mosquito2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/donc-mosquito2.jpg" alt="Mosquito de bicicleta" width="306" height="500" /><p class="wp-caption-text">Praticamente um atleta. Foto: João Cavallazzi.</p></div>
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		<title>Much ado about nothing!</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 00:50:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei uns minutos pensando se deveria ou não escrever o que acabei decidindo escrever, porque não tem como dizer o que pretendo dizer sem ferir suscetibilidades, pisar em calos ou apenas irritar alguns ou todos os citados ou relacionados com os fatos que vou comentar. Antes de começar, preciso dizer que não entro na história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei uns minutos pensando se deveria ou não escrever o que acabei decidindo escrever, porque não tem como dizer o que pretendo dizer sem ferir suscetibilidades, pisar em calos ou apenas irritar alguns ou todos os citados ou relacionados com os fatos que vou comentar.</p>
<p>Antes de começar, preciso dizer que não entro na história desapaixonadamente embora a esta altura, fora da universidade, seja nada mais que um observador distante (e distraído). Fui um dos fundadores do Zero (jornal laboratório do curso de Jornalismo da UFSC) e por uma década fui professor do curso. Isso, é claro, fez com que, durante esse tempo, tivesse uma inevitável proximidade com o jornal, como tive com os demais laboratórios do curso. Via o Zero como um laboratório. Um local de experiências, uma ferramenta que o curso coloca ao dispor dos alunos para praticarem um pouco e sentirem, em certa medida, o gostinho de produzir um veículo impresso. Nada mais.</p>
<p>De tempos em tempos até pensávamos em transformar o Zero num jornal da cidade, ou pelo menos da cidade universitária, mas aí esbarrávamos em impedimentos poderosos: o Zero era impresso com escassa verba pública, destinada a laboratórios universitários, não tinha autonomia financeira nem para ter periodicidade regular, nem para manter equipe mínima, nem para bancar uma distribuição eficiente. E, muito menos, para poder tratar de todos os temas com a necessária independência. A ousadia informativa tolerada em um jornal laboratório de circulação restrita certamente seria enfrentada de outra maneira em um jornal que pretendesse disputar a atenção de um público leitor mais amplo. Por isso, durante tanto tempo, o Zero foi &#8220;apenas&#8221; um jornal laboratório. Às vezes mais eficiente como instrumento de ensino e aprendizagem, às vezes menos, mas sempre laboratório.</p>
<p>E sempre me assusto com a dimensão e a repercussão de algumas discussões em torno do Zero.</p>
<p>Li, apenas hoje, o texto com que os professores Rogério Christofoletti e Samuel Lima, defendem-se das acusações lançadas aos quatro ventos pelo ex-editor do Zero, também professor Ricardo Barreto. Sem muita paciência para essas discussões, ia escrever apenas uma frase: &#8220;bem feito, quem mandou colocarem o Barreto como &#8216;ombudsman&#8217;&#8221;. Mas acho que a maioria dos leitores não entenderia a ironia e os citados acabariam não entendendo a quem, exatamente, eu quereria ofender com isso.</p>
<p>O que o Barreto escreveu <a href="http://cangarubim.blogspot.com/2011/12/zero-esnobou-gay-talese.html" target="_blank">pode ser lido no <strong>blog do Canga</strong></a>. E o que o Christofoletti e o Samuca escreveram, <a href="http://monitorando.wordpress.com/2011/12/03/zero-a-versao-dos-editores/" target="_blank">pode ser lido no <strong>Monitorando</strong></a> (cuja caixa de comentários está &#8220;bombando&#8221;).</p>
<p>Resumo da ópera: uma aluna do curso de Jornalismo, para fazer um trabalho de uma disciplina ministrada pelo Ricardo Barreto, ligou para a casa do Gay Talese, falou rapidamente com ele e produziu um texto, em forma de entrevista,com essa conversa. Um lance ousado, com bom resultado. Ponto para a garota. O Barreto não é mais editor do Zero. Mas foi durante muito tempo e sempre tratou o jornal como seu. No sentido de dotá-lo da inconfundível feição gráfica e editorial barretiana. Os editores do Zero, este ano, tiveram a idéia de colocar um ombudsman. E, para tornar as coisas mais complicadas, deram o posto&#8230; ao Barreto! Ora, era inevitável que, no momento em que o jornal não publicasse alguma matéria ou reportagem que o Barreto achasse que deveria ser publicada (ainda mais se tivesse sido produzida em uma das disciplinas dele), faria exatamente o que fez: botaria a boca no mundo.</p>
<p>Bom, permitam-me, então expor o que penso sobre essa lavação pública de roupa suja. Tentarei ser sintético:</p>
<p>1. É claro que apenas o fato de uma aluna ter tido a sacada de tentar falar com um personagem que estava sendo estudado em aula, não transforma o que ela obteve em matéria obrigatória de qualquer jornal. Dependendo do que estivesse disponível para fechar aquela edição, qualquer entrevista, reportagem ou artigo poderia ficar de fora. Concordo com boa parte do artigo com que o Christofoletti e o Samuel defendem-se da ira barretiana. Mas, é claro, discordo também de boa parte.</p>
<p>2. Os três tratam o Zero como um veículo de comunicação que deve atender a públicos leitores, cumprir tarefas de serviço público e portar-se como alternativa aos veículos da imprensa &#8220;convencional&#8221;. O Zero é um jornal laboratório. Tem que atender às necessidades didáticas, ajudar o aprendizado, permitir experimentações e funcionar como&#8230; laboratório. Exagera o Barreto ao dizer que, como &#8220;ombudsman&#8221; do Zero deve &#8220;<em>defender os interesses e direitos do leitor (e cidadão) em receber informacão atual, crível, ética e de qualidade&#8221;</em>. E exageram os editores quando dizem, de maneira empolada (palavra que uso aqui como sinônimo de &#8220;acadêmica&#8221;), que buscavam <em>&#8220;a definição mais nítida do público a que serviríamos e a abertura para um diálogo mais horizontalizado com esses leitores por meio da crítica. Trocando em miúdos, o Zero se voltaria descaradamente para o público universitário – extrapolando o umbigo do próprio curso de Jornalismo e as fronteiras da UFSC&#8221;</em>.</p>
<p>3. As universidades norte-americanas têm jornais de alunos que, em muitos casos, são os jornais mais importantes das cidades onde a universidade se situa. Talvez estejam pensando nisso os editores, quando falam em &#8220;extrapolar o umbigo do curso de Jornalismo e as fronteiras da UFSC&#8221;. Isso significa transformar o antigo jornal laboratório num jornal de verdade. Com fontes de financiamento que lhe garantam a autonomia, circulação regular, distribuição e, principalmente, produção compatível com essas circunstâncias. E aí, nessa improvável situação, talvez coubesse dar, à comunidade de leitores, um &#8220;ombudsman&#8221; que fizesse a leitura crítica do jornal.</p>
<p>4. Claro que o Barreto tentou elevar o trabalho escolar de sua aluna aos píncaros da excelência porque era a oportunidade que tinha de dizer, mais uma vez, que se ele fosse o editor&#8230; ah, e de usar o jargão &#8220;noticiabilidade&#8221;.</p>
<p>5. Claro que os editores pisaram na bola ao deixar de fora o trabalho escolar de uma aluna que saiu do lugar comum e teve uma boa sacada que demonstra sua vivacidade. Também acho que não é o caso de fazer com a matéria o carnaval proposto pelo Barreto, mas é difícil entender por que não foi publicada, ainda que em parte. Ou apenas para noticiar que uma aluna, para fazer um trabalho, deu um jeito de conseguir um plus a mais. E se o Zero fosse mesmo um jornal como os três pretendem que seja, teria uma próxima edição onde o equívoco poderia ser consertado. Mas, pelo jeito com que as coisas foram ditas, se não publicou hoje, não tem como publicar nunca mais. Vai ver, falta-lhe periodicidade.</p>
<p>6. Não achei legal terem detalhado na discussão os eventuais problemas da matéria. A aluna não tem nada a ver com isso. Seu trabalho escolar pode e deve ser discutido em sala de aula. Não em público. Mesmo que seu professor tenha tentado, canhestramente, transformá-la em mártir da má edição; mesmo que ela, estimulada pelo gás que lhe insufla o entusiasmado professor, queira publicar seu trabalho onde der. É só uma aluna, catzo! Não é ainda uma profissional.</p>
<p>7. Quem mandou colocar o Barreto como &#8220;ombudsman&#8221;? E logo do Zero, que, para o Barreto, nunca foi apenas um jornal laboratório. Sob sua edição o Zero sempre foi &#8220;o jornal do Barreto&#8221;. Um pai, ou avô, nunca é o melhor crítico, nem o mais isento, de seus próprios filhos e netos. O envolvimento e a paixão com que o Barreto sempre tratou o Zero, o impossibilitam de ter distanciamento crítico sobre o jornal. Por isso não podem queixar-se aqueles que colocaram o Barreto como &#8220;ombudsman&#8221;, desta e das próximas críticas e reclamações.</p>
<p>Dito isto, recolho-me novamente aos meus afazeres, ciente que não tinha nada que meter minha colher torta e enferrujada nesse angu de caroço.</p>
<p><strong>EM TEMPO</strong></p>
<p>Achei que, para inticar com gente metida num rolo em torno de uma conversa telefônica com um autor da importância do Gay Talese, deveria também sofisticar-me. Por isso usei, como título desta nota, o título de uma excelente comédia de Shakespeare. A tradução: muito barulho por nada. <a href="http://shakespeare.mit.edu/much_ado/full.html" target="_blank">A íntegra da peça pode ser lida aqui (em inglês, claro)</a>. Uma adaptação cinematográfica <a href="http://www.imdb.com/title/tt0107616/" target="_blank">também está disponível nas locadoras</a>.</p>
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		<title>O que eu penso do SUS</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 12:49:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[O SUS E AS DOENÇAS GRAVES O tratamento de câncer, pelo SUS,  não é o fim do mundo. Nos últimos dias, por causa da doença do Lula, muita gente falou a respeito. O grande problema é mesmo a distância que separa a consulta inicial, com a primeira suspeita, do diagnóstico definitivo e do início do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O SUS E AS DOENÇAS GRAVES</strong></p>
<p>O tratamento de câncer, pelo SUS,  não é o fim do mundo. Nos últimos dias, por causa da doença do Lula, muita gente falou a respeito.</p>
<p>O grande problema é mesmo a distância que separa a consulta inicial, com a primeira suspeita, do diagnóstico definitivo e do início do tratamento.</p>
<p>Só privilegiados têm direito a um diagnóstico no sábado e inicio do tratamento na segunda, como ocorreu com Lula e com quem tem recursos ou prestígio.</p>
<p>A maioria da população, além de esperar meses nas filas para consultas, espera meses por exames complementares e mais outros meses pela confirmação do diagnóstico. E aí, começa outro calvário, que é a fila para início do tratamento.</p>
<p>Quem chega nessa fase, em centros de excelência como o Cepon, de Florianópolis, não tem muito do que se queixar. O pessoal, em número insuficiente e ganhando menos do que deveria, sem poder contar com manutenção ágil dos equipamentos, faz o possível e o impossível para obter os melhores resultados.</p>
<p>Quem passou por lá em geral fala bem do atendimento e do tratamento. Mas até chegar lá&#8230;</p>
<p><strong>SAÚDE PÚBLICA</strong></p>
<p>Um projeto de saúde pública como o SUS é um troço grandioso, cujo sucesso deveria ser objetivo de todos nós. Se e quando o SUS funcionar direito, teremos muitos motivos de orgulho. Mas até lá&#8230;</p>
<p>A gente tem a impressão que nem todos têm consciência do tamanho e da importância do SUS. Mesmo gente que trabalha no sistema parece desconhecer a extensão e a relevância do serviço que prestam.</p>
<p>Falta gestão, treinamento e fiscalização. E, sobretudo, informação. Nas escolas seria necessário falar sobre o SUS, explicar às crianças o que é, como deveria funcionar e quais os direitos dos brasileiros que os sistema atende. Ou deveria atender.</p>
<p><strong>ESCÂNDALO PERMANENTE</strong></p>
<p>A comunidade deveria exercer uma fiscalização auxiliar, dedurando com estardalhaço aqueles que roubam dinheiro ou tempo do SUS. Médicos que não atendem direito, servidores que fazem corpo mole. E governos que desviam dinheiro da saúde. Ou que deixam os corruptos atuar impunemente.</p>
<p>Ter um sistema como o SUS e não implantá-lo corretamente ou garantir seu funcionamento eficiente deveria ser crime inafiançável. E a demora no atendimento e nos diagnósticos deveria ser motivo de escândalo permanente.</p>
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		<title>Mais um shopping embargado</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/10/27/mais-um-shopping-embargado/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 10:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[A Fatma, que é a fiscalizadora bem boazinha do meio ambiente estadual, deixou construir um enorme shopping na esquina da SC 407 com a BR 101, em São José, na Grande Florianópolis. Pra Fatma a existência de algumas nascentes de água, de uns riachos, de uns banhadinhos e outros “acidentes” não tinha importância. Liberou geral. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Fatma, que é a fiscalizadora bem boazinha do meio ambiente estadual, deixou construir um enorme shopping na esquina da SC 407 com a BR 101, em São José, na Grande Florianópolis. Pra Fatma a existência de algumas nascentes de água, de uns riachos, de uns banhadinhos e outros “acidentes” não tinha importância. Liberou geral.</p>
<p>Agora que o tal Park Shopping já está quase pronto (a previsão de entrega é abril de 2012), vem o Ibama dizer que as nascentes de água caraterizam a área como de preservação permanente. E cita os códigos que mandam respeitar uma certa distância dos olhos dágua.</p>
<p>O embargo da obra, se ainda não foi concretizado, é uma questão de horas. O caso corre no Ibama com prioridade e tem a participação direta do presidente do órgão.</p>
<div id="attachment_10328" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10328" title="donc-googleearth-ps2009-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/10/donc-googleearth-ps2009-cor.jpg" alt="2009" width="500" height="293" /><p class="wp-caption-text">As fotos surrupiadas do Google Earth mostram o antes...</p></div>
<div id="attachment_10329" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10329" title="donc-googleearth-ps2011-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/10/donc-googleearth-ps2011-cor.jpg" alt="2011" width="500" height="304" /><p class="wp-caption-text">...e o depois. Pelo jeito tá meio tarde pra evitar prejuízos à natureza.</p></div>
<p>O mais curioso, no processo com que o Ibama tenta comprovar que existiam riozinhos por debaixo do concreto autorizado pela Fatma, é que o órgão federal valeu-se do Google Earth. E até comete a mancada de chama-lo de “software livre”. Uma ingenuidade, no mínimo: o fato do programa ser gratuito não significa que seja de uso livre. Para usar as fotos aéreas que compõem o acervo tanto do Google Earth quanto do Google Maps, é preciso  autorização e, em alguns casos, pagamento.</p>
<p>Bom, mas isso é o de menos. O fato é que, mais uma vez, na Grande Florianópolis, deixam levantar as paredes e a obra ficar quase pronta, para só então darem-se conta que o troço tem irregularidades graves.<br />
Autorizaram destruir o que tinha e agora vão embargar. Pra quê? Pra mandar desmanchar e reconstituir os olhos d’água soterrados? Será? Duvi-d-o-dó.</p>
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		<title>A triste vida dos Marajás</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/10/18/a-triste-vida-dos-marajas/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 08:07:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho pena desses servidores públicos que ganham acima de R$ 20 mil e que vivem aos sobressaltos. De tempos em tempos, algum engraçadinho inventa de questionar a legalidade de seus proventos e o caso volta à TV. Todos estão cansados de saber que boa parte dos que ingressam nas funções públicas estão atrás apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho pena desses servidores públicos que ganham acima de R$ 20 mil e que vivem aos sobressaltos. De tempos em tempos, algum engraçadinho inventa de questionar a legalidade de seus proventos e o caso volta à TV.</p>
<p>Todos estão cansados de saber que boa parte dos que ingressam nas funções públicas estão atrás apenas de um bom salário e de uma aposentadoria confortável.</p>
<p>E, na medida do possível e da força de seus padrinhos políticos, vão enfiando, no contracheque todo o tipo de penduricalho possível, para aumentar não só o salário, mas principalmente o valor da aposentadoria.</p>
<p>Isso é feito diuturna e incansavelmente, ao longo dos dias, com conhecimento de todos. E com a complacência de quem deveria zelar pela integridade do tesouro (aí entendido o dinheiro público, não a riqueza pessoal acumulada).</p>
<p>Daí, quando a conjuntura favorece e a situação permite, a turma consegue avançar um pouco mais, abocanhar um pedaço mais suculento dos recursos públicos.</p>
<p>Foi o que aconteceu na “epidemia” de aposentadorias por invalidez da Assembléia Legislativa: alguém precisava de umas vagas pros amigos que ainda estavam de fora e resolveu aposentar outros amigos. Pra não deixar ninguém mal, arranjou umas doenças incapacitantes. Isso, além de aposentar, dá benefícios, como isenção do IR e, na época, quitação automática de financiamentos do BNH.</p>
<p>E os médicos que assinaram a brincadeirinha, o faz-de-conta da invalidez, estão aí, belos e faceiros, também se aposentando com salários integrais. Claro, eles têm as costas quentes. Tinham e continuam tendo o respeito de quem mandou fazer a patacoada.</p>
<p><strong>É FANTÁSTICO!</strong></p>
<p>O auê mais recente envolve a Alesc. No Fantástico da TV Globo, domingo, a ridícula novelinha dos marajás inválidos catarinenses foi exposta à Nação. Que decerto nem se espantou, porque todos os estados têm carnavais semelhantes de pouca vergonha.</p>
<p>Mas, aqui, não podemos deixar os demais poderes de fora. Tem histórias divertidas (pra não dizer trágicas) de apropriação de dinheiro público para fazer crescer os proventos, em vários lugares.</p>
<p>No Tribunal de Contas, no Tribunal de Justiça, no Executivo, por trás de cada salário acima de R$ 20 mil, tem uma história comovente de engenhosidade legal e financeira. É a grande criatividade brasileira em ação, encontrando formas de dar nó em pingo dágua.</p>
<p>Os aposentados por invalidez da Alesc correm maratonas porque foram curados milagrosamente. Os marajás de todos os poderes  têm os salários que têm porque a lei permite. A lei e seus desvãos, mecanismos abertamente aprovados pelos doutos parlamentares, que vão pendurando berloques nos contracheques. Um centavo aqui, outro ali e em pouco tempo o sujeito está com a vida ganha.</p>
<p><strong>INJUSTIÇA!</strong></p>
<p>Para adicionar mais pimenta ao tempero já bastante salgado da história, um dos aposentados por invalidez suicidou-se. Aparentemente, inconformado por ter seus proventos reduzidos de R$ 32 mil para R$ 22 mil e também por ser obrigado a submeter-se a exames que comprovassem sua invalidez.</p>
<p>De fato, é impossível alguém viver com apenas R$ 22 mil. Mas é ainda mais impossível conviver com a vergonha de ter sido beneficiado com um esquema fraudulento que lesou milhares de servidores públicos e desviou milhões de reais do combalido tesouro estadual.</p>
<p>Eles, os marajás, talvez não sejam os únicos culpados da pouca vergonha chegar onde chegou. Mas, se tivessem vergonha na cara, teriam caído fora do esquema. Não de forma radical, que o suicídio (que talvez resulte em alguma pensão) não é a saída pra nada. Mas de forma honrada e digna: dizendo não aos corruptores. E ficando com seu salário mirrado de servidor comum, mas com a alma intacta.</p>
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		<title>Corrupção, essa desconhecida&#8230;</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/10/13/corrupcao-essa-desconhecida/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 08:06:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a gente for aos dicionários, vai ver que o vocábulo “corrupção” é um substantivo feminino que vem do latim (corruptione) e está recheado de significados negativos, terríveis: Ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação; depravação, desmoralização, devassidão; sedução; suborno. E, naturalmente, se queremos ir mais fundo nessa investigação, é importante saber o que significa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10262" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10262" title="latim2" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/10/latim2.jpg" alt="" width="500" height="46" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<p>Se a gente for aos dicionários, vai ver que o vocábulo “corrupção” é um substantivo feminino que vem do latim (corruptione) e está recheado de significados negativos, terríveis:</p>
<blockquote><p>Ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação; depravação, desmoralização, devassidão; sedução; suborno.</p></blockquote>
<p>E, naturalmente, se queremos ir mais fundo nessa investigação, é importante saber o que significa “corromper”, já que “corrupção” é sua resultante:</p>
<blockquote><p>Estragar; infetar; desnaturar; tornar podre; (figurado) alterar o que é são e honesto; depravar; perverter; (fig) levar (alguém) a agir contra os seus princípios; (fig) subornar</p></blockquote>
<p>Aí surge a grande questão: se a corrupção é alguma coisa tão ruim, por que o brasileiro trata os corruptos e a própria corrupção de forma tão tolerante? E por que desdenha da necessidade de combatê-la?</p>
<p>Ontem ocorreram novamente, em algumas cidades, manifestações “contra a corrupção”. Posso estar enganado, mas isso lembra aquelas “passeatas” ingênuas e tolas “contra a violência”, promovidas por grupos e escolas. As crianças fazem cartazes, saem em grupos cantando ou gritando palavras de ordem e pronto. Tudo continua exatamente como está.</p>
<p>Por mais que a expressão pública das nossas inconformidades seja importante, é ainda mais urgente e necessário, alterar comportamentos, vícios culturais e hábitos, de tal forma que a corrupção (assim como a violência), deixe de ser hipocritamente tolerada.</p>
<div id="attachment_10261" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-10261" title="latim1" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/10/latim1.jpg" alt="" width="450" height="229" /><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<p>Tenho a impressão que somos contra a corrupção apenas da boca pra fora. Na vida real, quando surge a oportunidade de passar no exame sem estudar, de tirar carteira de motorista sem fazer curso e sem testes, de contribuir para uma caixinha de campanha e ganhar um emprego, de terminar a reforma da casa “trabalhando” para eleger alguém, a agarramos com unhas e dentes.</p>
<p>Muitos dos que falam contra os proventos milionários dos marajás do serviço público, reclamam por pura inveja. Não ficam indignados de verdade: gostariam de ter a oportunidade de ganhar um bom salário. Mesmo que, para isso, precisassem mentir ou roubar.</p>
<p>As duas frases em latim que uso para ilustrar essa chorumela moralista mostram, em primeiro lugar, que a corrupção é um câncer milenar, que provavelmente nasceu junto com a primeira ameba. E, depois, duas situações que nos são muito familiares:</p>
<p>a) O pior dos mundos é quando vemos que mesmo aqueles que estão em cargos importantes, que deveriam ser os melhor preparados, os líderes de seus grupos, topam corromper e aceitam ser corrompidos;</p>
<p>b) A abundância de leis não significa Estado honesto, ao contrário. Múltiplas leis, amontoadas, contraditórias, de difícil interpretação, sobrepostas, ajudam a criar o ambiente putrefato onde vivem os corruptos. Sim, porque aprender  a sair do cipoal de armadilhas legais custa caro. Mas, se as pessoas certas forem adequadamente remuneradas, tudo se resolve.</p>
<p>Afinal, as leis existem apenas para isso: criar dificuldades para que os espertos e os amigos dos amigos possam vender facilidades.</p>
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		<title>Pobre Florianópolis&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 11:09:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[ATÉ O GUGA? Estava eu surfando distraidamente pela internet quando vi um montão de gente comentando uma entrevista que o nosso grande ídolo manezinho, o campeão Guga Kuerten, deu, falando de alguns dos problemas graves que hoje atazanam os florianopolitanos. Insegurança, desorganização viária, falta de planejamento urbano, ausência de uma proposta coerente e moderna para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ATÉ O GUGA?</strong></p>
<p>Estava eu surfando distraidamente pela internet quando vi um montão de gente comentando uma entrevista que o nosso grande ídolo manezinho, o campeão Guga Kuerten, deu, falando de alguns dos problemas graves que hoje atazanam os florianopolitanos.</p>
<p>Insegurança, desorganização viária, falta de planejamento urbano, ausência de uma proposta coerente e moderna para a cidade, para a Ilha, para toda a área metropolitana, são alguns dos problemas.</p>
<p>Para mim, que bato nessas teclas desde agosto de 2005, quando estreei esta coluna aqui neste nosso DIARINHO, todos os males da capital giram em torno de uma questão principal: falta de planejamento.</p>
<p>Se hoje temos policiais de menos e ações policiais pouco eficazes (ou eficientes, mas esporádicas), é porque, há anos, “esqueceram” de planejar a segurança pública.</p>
<p>A mesma coisa com a educação e a saúde. Governam a cidade e o estado apagando incêndios e resolvendo problemas que não conseguem mais empurrar com a barriga. E os problemas chegaram a ser o que são porque não houve&#8230; planejamento para evitar que acabassem se transformando nesses monstrengos que consomem dinheiro público a rodo e esgotam nossa paciência.</p>
<p><strong>TUDO A VER</strong></p>
<p>Essas decisões que comentei no post anterior (a decisão de afrontar a Constituição, tentando a terceira e a quarta reeleições sucessivas e a decisão de deixar por isso mesmo) têm também relação com nosso estado de ânimo, na capital.</p>
<p>O prefeito Dário Berger, pelo que pudemos ver nesses dois mandatos e principalmente pelo que ele não mostrou, é um incompetente confesso. Escondeu-se atrás de uma alegada perseguição política, paralisado (eu diria borrado, mas sou um sujeito cortês) de medo de uma decisão contrária que lhe tirasse os meses que restam de mandato.</p>
<p>Seu governo só não é um desastre completo e acabado porque teve a sensatez de colocar, em pastas importantes como educação e saúde, sujeitos experientes que com nome a zelar. Que fazem das tripas, coração, para que a cidade não perceba a grave acefalia que a infelicita.</p>
<p>Como tantos outros políticos catarinenses e brasileiros, o único planejamento que interessa ao prefeito Dário Berger, é o da sua “carreira” política perpétua (e da sua família).</p>
<p>Para isso, é mais importante fazer brotar viadutos que aparecem bem nas fotos da campanha eleitoral, do que sentar a bunda na cadeira, rodear-se de engenheiros e outros técnicos competentes, e planejar. Isso dá trabalho e muitas vezes resolve problemas a médio e longo prazo.</p>
<p>É ótimo para a cidade e seus moradores, mas péssimo para quem trabalha com horizontes eleitorais curtos, de no máximo dois anos. Porque não querem que os sucessores tirem &#8220;proveito eleitoral&#8221; disso.</p>
<p><strong>OS INDIGNADOS DO CAMPECHE</strong></p>
<p>Na coluna da terça-feira comentei aqui sobre um protesto de moradores do Campeche, que desmancharam uma passarela que um condomínio tinha instalado sobre a restinga, naquela praia.</p>
<p>A discussão continua, de forma perigosa: está ocorrendo um confronto entre quem achou a ação coreta e quem a achou uma bobagem. Enquanto brigamos entre nós na planície, o prefeito, os vereadores e empreendedores imobiliários comemoram, com champanhe, novos “lançamentos”. E a nossa incapacidade de unirmo-nos contra eles.</p>
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		<title>Picadinho de quinta</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/09/22/picadinho-de-quinta/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 09:07:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[CASAN, A PRIVADA Não consigo entender por que tanto “auê” com a manobrinha básica do governo Raimundo, para vender umas ações da Casan. Muitas empresas públicas têm sócios privados. E muitas empresas que eram públicas, passaram para o controle privado.Tanto no governo FHC, que os petistas adoram chamar de “privatista”, quanto no governo Lula, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CASAN, A PRIVADA</strong></p>
<p>Não consigo entender por que tanto “auê” com a manobrinha básica do governo Raimundo, para vender umas ações da Casan.</p>
<p>Muitas empresas públicas têm sócios privados. E muitas empresas que eram públicas, passaram para o controle privado.Tanto no governo FHC, que os petistas adoram chamar de “privatista”, quanto no governo Lula, que os petistas adoram.</p>
<p>Claro que essa história que a administração privada é sempre mais competente, ágil e honesta que a pública, é lenda. Às vezes é o contrário. Mas as lendas têm lá sua força e deve ter muita gente achando que é automático: se privatiza, melhora.</p>
<p><strong>A LEI ATRAPALHA? É SÓ MUDAR!</strong></p>
<p>Achei muito “criativo” o governo, nesse caso. Alguns parágrafos das leis em vigor estavam no caminho da negociação da Casan. Aí, o que o governo fez? Mudou a lei.</p>
<p>Não é genial? Simples e direto. Achar que a lei foi feita para ser cumprida é coisa de gente pobre. De gente sem uma Augusta Alesc nas mãos. De gente sem imaginação.</p>
<p>Não é a primeira vez que isso ocorre e nem será a última. E podem ter certeza que toda vez que um governo estiver com alguma dificuldade legal, tentará remove-la. Não à dificuldade, mas à lei que estiver no caminho. Afinal, como diz o ditado, “o poder corrompe”.</p>
<p><strong>DÁRIO SAFOU-SE DE OUTRA</strong></p>
<p>Esse título aí é daqueles que nunca perde a atualidade. O prefeito perpétuo e itinerante de São José, Florianópolis e no futuro, quem sabe, de Palhoça, Biguaçu e Bom Retiro, está sempre se livrando de alguma.</p>
<p>Não encontraram provas de crime eleitoral no carro oficial usado por ele, que foi apreendido com propaganda eleitoral e dinheiro. Nem vamos discutir o mérito da coisa. O fato é que, para quem gosta ou precisa “safar-se” de suspeitas de vez em quando, este é o país dos sonhos. Além da justiça ser lenta e protelatória, o eleitor tem memória minúscula e coração generoso. É só partir para a re-re-reeleição.</p>
<p><strong>EM TEMPO</strong></p>
<p>O processo de itinerância do Dário parece que finalmente vai entrar na pauta do TSE. Será que ele se safa de mais esta? Conseguirão os advogados ganhar mais uns dias, meses, anos? As dúvidas nunca são sobre se o malfeito foi cometido ou não. São sobre as tecnicalidades que podem fazer com que o mandato, que poderia ser cassado, termine sem sobressaltos. Numa boa. Como todo o resto.</p>
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		<title>Vergonha na cara é espécie em extinção</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/09/16/vergonha-na-cara-e-especie-em-extincao/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 18:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[O emaranhado de leis brasileiras e suas trocentas interpretações possíveis faz com que, na prática, os criminosos fiquem tão à vontade como se lei nenhuma houvesse. Temos leis pra tudo. E para todos. E para cada limite imposto pela lei, temos dezenas de saídas&#8230; legais. Portanto, não é de espantar (embora seja, sim, espantoso) que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O emaranhado de leis brasileiras e suas trocentas interpretações possíveis faz com que, na prática, os criminosos fiquem tão à vontade como se lei nenhuma houvesse. Temos leis pra tudo. E para todos. E para cada limite imposto pela lei, temos dezenas de saídas&#8230; legais.</p>
<p>Portanto, não é de espantar (embora seja, sim, espantoso) que se diga abertamente que o ex-prefeito Altamir de Tal, que teve seu afastamento da Tetagás-SC recomendado pelo MP por causa de uma condenação por improbidade, deve ficar no cargo porque &#8220;a lei da ficha limpa só vale para cargos públicos&#8221; e a Tetagás é uma &#8220;sociedade de economia mista&#8221;. Embora seja até corriqueiro, esse tipo de raciocínio não é o fim do mundo? É. Mas tem gente que pretende fazer-nos acreditar que não.</p>
<p>E o líder do governo na Assembléia, o Expedito Eliseu, afirma sem corar (quer dizer, até pode ter corado, mas as películas escuras do seu veículo não permitiram que a gente visse) que o condenado por improbidade deve continuar lidando com dinheiro público (empresa de economia mista também tem dinheiro público, dããã), porque durante sua gestão como prefeito foi instalado um distrito industrial na cidade. Surrealismo puro!</p>
<p>Mas o que são essas coisas, num país onde nunca ninguém que tivesse dinheiro para pagar indefinidamente os advogados, teve condenação transitada em julgado? É impossível, no Brasil, manter ricos na cadeia ou obter, para eles, uma condenação definitiva. A expressão mais usada no noticiário político é &#8220;cabe recurso&#8221;. Pra tudo cabe recurso. Nunca se pode chamar ninguém de posses de ladrão, porque o &#8220;trânsito em julgado&#8221;, que lhe daria a sentença definitiva, só vai ocorrer dentro de 300 ou 400 anos.</p>
<p>Portanto, temos que nos conformar em ver vergonha na cara apenas nos livros antigos. Nos livros novos e nos registros em meio eletrônico, os sem vergonha já tiveram o cuidado de eliminar todas as referências. Um país em que a vergonha na cara ainda estivesse em uso não aturaria, por exemplo, o poder que Lula e turma atribuíram, <em>ad-perpetuam</em>, a Sarney e seu clã. Essa história do Altamir de Tal e seu fiel escudeiro, o Expedito Eliseu das Películas, é café pequeno. Quase nada. Marolinha de lodo na enxurrada de lama que cega e anestesia a todos os que, um dia, tiveram vergonha na cara e hoje nem lembram mais direito pra que que ela servia.</p>
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		<title>Greve na caixa postal</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 13:11:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma greve no serviço público. Desta vez a paralisação é nos Correios. As coisas por lá já andavam meio lentas e parece que agora pararam de vez. Vejam só: sou de um tempo em que não dava pra confiar nos Correios. As cartas, quando chegavam, levavam meses. E também sou de um tempo em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma greve no serviço público. Desta vez a paralisação é nos Correios. As coisas por lá já andavam meio lentas e parece que agora pararam de vez. Vejam só: sou de um tempo em que não dava pra confiar nos Correios. As cartas, quando chegavam, levavam meses. E também sou de um tempo em que se podia confiar nos Correios. Era rápido, eficiente, seguro.</p>
<p>Mas, ao que parece, tanto um tempo quanto outro já passou. Quando vimos a cena do diretor dos Correios embolsando R$ 3 mil, no espetáculo que deu origem à divulgação pela TV do escândado do mensalão do PT, deveríamos ter desconfiado que a coisa ia desandar.</p>
<p>Os servidores públicos têm todo o direito do mundo de espernear quando o sapato aperta ou quando o cobertor está curto. E nós, usuários dos serviços públicos, também temos todo o direito de chiar. Afinal, não somos nós que decidimos sobre os salários deles ou qualquer outra coisa. Mas somos nós que acabamos prejudicados. Sempre. Pelos dois lados.</p>
<p>Ou será que estão nos punindo porque colocamos, nos governos, gente que não sabe administrar?</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Depois da enchente&#8230;</title>
		<link>http://www.deolhonacapital.com.br/2011/09/13/depois-da-enchente/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 09:07:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[UMA LIÇÃO NOS ESPERTALHÕES Uma recomendação simples, mas que pode ajudar-nos a mostrar aos espertalhões que não somos tão tolos quanto eles pensam que somos: anotem com cuidado o nome de todos aqueles comerciantes que “enfiaram a faca”, elevando os preços durante a enchente. Teve gente que mais que dobrou o preço da água, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10135" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10135" title="donc-colombo-ok-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/09/donc-colombo-ok-cor.jpg" alt="Raimundo em Itajaí" width="500" height="330" /><p class="wp-caption-text">Na onda do Diarinho. Foto de Minamar Júnior.</p></div>
<p><strong>UMA LIÇÃO NOS<br />
ESPERTALHÕES</strong></p>
<p>Uma recomendação simples, mas que pode ajudar-nos a mostrar aos espertalhões que não somos tão tolos quanto eles pensam que somos: anotem com cuidado o nome de todos aqueles comerciantes que “enfiaram a faca”, elevando os preços durante a enchente. Teve gente que mais que dobrou o preço da água, por exemplo, pra tentar ganhar uns trocados com a desgraça alheia. E agora, quando as coisas forem se normalizando, mantenham distância. E avisem para os amigos também passarem longe. O espertinho vai sentir, no bolso, a dor de uma saudade, se um número grande de clientes parar de aparecer para comprar as coisinhas de todo dia ou de toda semana.</p>
<p><strong>LÁ VÊM OS SALVADORES DA PÁTRIA<br />
COM SUAS ROUPINHAS DE DOMINGO</strong></p>
<p>Toda vez que acontece um desastre que deixa um monte de gente no prejuízo, é a mesma coisa: na hora ou logo depois, tem muito sabichão com soluções definitivas para todos os males. Aquilo nunca mais vai se repetir. Aí o tempo passa, a memória esmaece e nem metade do prometido se realiza. E quando menos se espera (ou mesmo quando se espera), acontece tudo de novo. Do mesmo jeito. Porque pouca coisa foi feita pra mudar o que é preciso mudar.</p>
<p><strong>DESASTRE “NATURAL”<br />
NÃO DEVIA SER NATURAL</strong></p>
<p>Minha amiga Márcia Estela da Costa, de Balneário, nos idos de janeiro de 2009, me mandou uns comentários sobre enchentes (ela sobrenadou em algumas). E entre algumas outras considerações encharcadas de bom senso e sabedoria, disse ela:</p>
<blockquote><p>“A maioria das pessoas não tem opções. São Pedro e os fenômenos naturais não podem servir de cortina de fumaça (água? barro?) para a omissão generalizada das autoridades em planejamento urbano e ecologia. Depois que tivermos saneamento básico, que a construção civil dos ricos e dos pobres seja bem fiscalizada e ordenada, que existam praças verdes (não moeda verde), etc, aceitarei a parte realmente natural dos fenômenos. Não podemos achar natural ver pessoas morrer em casas desmoronadas. “</p></blockquote>
<div id="attachment_10134" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10134" title="donc-colombo-jandir-risos-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/09/donc-colombo-jandir-risos-cor.jpg" alt="Raimundo em Itajaí" width="500" height="330" /><p class="wp-caption-text">Molecagem sobre foto do Minamar Júnior</p></div>
<p>Vocês, que são espertos, me contem: o que que o Raimundo tinha nas costas, que fez a alegria do prefeito Jandir e do Fabrício da SDR?</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Pátria, a Independência e eu com isso</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 10:09:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos conceitos que levei mais tempo para compreender foi o de Pátria. Porque sempre que a coisa começava a ficar clara, entrava um complicador: o governo. E por aqui a gente mistura muito e atribui ao governo o poder de fazer coisas que só os habitantes do País podem, se quiserem, fazer. Ao mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10127" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10127" title="deolho6-bandeira2-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/09/deolho6-bandeira2-cor.jpg" alt="" width="500" height="346" /><p class="wp-caption-text">Bandeira do Brasil. Lembra?</p></div>
<p>Um dos conceitos que levei mais tempo para compreender foi o de Pátria. Porque sempre que a coisa começava a ficar clara, entrava um complicador: o governo. E por aqui a gente mistura muito e atribui ao governo o poder de fazer coisas que só os habitantes do País podem, se quiserem, fazer. Ao mesmo tempo, o governo se mete demais onde não é chamado. Cobra impostos demais. Promete o que não está ao seu alcance. Cria expectativas vãs.</p>
<p>Por isso, a data que comemora a independência do nosso País é tão cercada de contradições. No fundo, eu gostaria de comprar fogos, vestir-me de verde e amarelo (ou azul e branco, se fosse avaiano) hastear, na frente da casa, uma bandeira nacional. Mas algum vizinho há de pensar que faço isso porque apoio Dilma, ou Colombo, ou porque trabalho no governo, ou porque alguma companhia de telecomunicações está me patrocinando. E o jogo da seleção foi anteontem e nem justificou comemorações prolongadas.</p>
<p>Vivemos num belo País, fazemos parte de uma gente admirada no mundo todo. Temos muita coisa boa que o resto do mundo não tem. Do clima, ao idioma único. E, sabe-se lá por que, só vemos, acima e além de tudo, os problemas. E curvamo-nos impotentes diante de todos eles. Como se fossem fatalidades. Esperamos, como crianças ingênuas e tontas, que governantes resolvam os problemas que só serão resolvidos quando todos levantarmos a cabeça e colocarmos mãos à obra.</p>
<p>Temos, enfim, uma Pátria que podemos chamar de nossa. Que, mal ou bem, nos abriga. E se examinarmos um a um os quase 200 países que existem por aí, é um dos poucos onde nos sentimos em casa.</p>
<p>Às vezes temos vontade de mudar. Ir embora. Eu sinto isso sempre que somo tudo o que pago, como pessoa física e como microempresa, para o governo, todo ano, o ano todo. Ganho pouco e mesmo assim, a cada queda de renda, baixa também o limite de isenção. Continuo pagando mesmo tendo a renda toda rasgada, farrapos que mal e mal cobrem-me as vergonhas. E o dinheiro recolhido de todos nós não volta, quase não aparece. A gente não vê.</p>
<p>Ainda assim e com tudo isso, aprendi a gostar deste lugar e da maioria das pessoas que o habita. Do jeitão, da forma de tocar a vida. E sinto mesmo, cá dentro, uma vontade de comemorar a data em que passamos a ter identidade nacional. É o meu País. O nosso velho e querido Brasil.</p>
<p>Aamnhã a gente volta a pensar nos problemas e procurar saídas para as dificuldades, mas agora acho que a gente merece um feriado de tranqüila comemoração. Parabéns.</p>
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<div id="attachment_10129" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-10129" title="deolho6-dpedroI-corb" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/09/deolho6-dpedroI-corb.jpg" alt="" width="500" height="261" /><p class="wp-caption-text">Por incrível que pareça, o Brasil não nasceu ontem</p></div>
<p>D. PEDRO I, ESSE DESCONHECIDO</strong></p>
<p>Estamos em plena “Semana da Pátria” e hoje muitos de nós irão folgar, graças ao feriado do dia da Independência. Claro que, passado o período escolar onde, dependendo da escola, fala-se alguma coisa sobre essas datas, nunca mais a gente para pra pensar sobre isso. Basta-nos o feriado.</p>
<p>Ignorar a História, contudo, é defeito grave. Foi no passado que todas as qualidades e defeitos que hoje encontramos em nós mesmos e no País começaram a ser formados. Saber, estudar, conhecer, discutir, debater e aprofundar-se nas nossas origens é fundamental para quem quer que pretenda ser cidadão de primeira classe.</p>
<p>E a separação do Brasil de Portugal é um dos eventos mais importantes, está entre aqueles que deveríamos saber de cor. Talvez muitos de nós até saibam que, a 7 de setembro, às margens de um riacho, perto de São Paulo, o português D. Pedro, filho do rei de Portugal, disse as famosas palavras: “Independência ou Morte!”</p>
<p>E não surpreendeu ninguém, porque desde aquela sua outra declaração (“diga ao povo que fico!”), no começo do ano, quando desistiu de voltar para Portugal, onde seria D. Pedro V, a turma já achava que ele estava mesmo querendo reinar num império tropical.</p>
<p>Há quem diga que a data que deveria ser comemorada como verdadeiro dia da Independência é a de 12 de outubro. Não só porque foi o dia em que o príncipe foi aclamado como Pedro I, Imperador do Brasil, mas também porque é só a partir daí que se pode dizer que as amarras foram efetivamente rompidas.</p>
<p>Polêmicas à parte, desde que me conheço por gente, nesta época do ano vozes se levantam dizendo que “não há nada o que comemorar, não somos ainda um país independente”. Os países ou forças que nos “escravizam” vão mudando, conforme passa o tempo, mas o discurso continua o mesmo.</p>
<p>Quando era pequeno, não entendia por que, em vez de ficar reclamando, os incomodados não iam à luta, à guerra, não se rebelavam em busca da independência definitiva. Depois aprendi que não dá para levar o discurso político ao pé da letra. Às vezes ele não significa muita coisa. Ou não diz nada.</p>
<blockquote><p>[Nota do autor: Os dois textos patrióticos que ocupam esta página já foram publicados aqui, em anos anteriores. Repito-os, com pequenas modificações, porque continuo querendo dizer, nesta data, essas mesmas coisas. Então, que me desculpem os leitores assíduos e de boa memória, mas aí estão eles, novamente.]</p></blockquote>
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		<title>Buffet de ranzinzices</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 12:59:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caraminholas]]></category>

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		<description><![CDATA[O bondinho de Santa Tereza era um dos cartões postais da “cidade maravilhosa”. Atração quase secular, encantava nacionais e estrangeiros. Era, como todo cartão postal, responsável pelo movimento turístico da cidade. Isso seria motivo suficiente para que qualquer prefeitura (e qualquer governo de estado) do mundo tratasse bem o bondinho. Afinal, turistas significam dinheiro circulando, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O bondinho de Santa Tereza era um dos cartões postais da “cidade maravilhosa”. Atração quase secular, encantava nacionais e estrangeiros. Era, como todo cartão postal, responsável pelo movimento turístico da cidade.</p>
<p>Isso seria motivo suficiente para que qualquer prefeitura (e qualquer governo de estado) do mundo tratasse bem o bondinho. Afinal, turistas significam dinheiro circulando, turismo significa economia aquecida.</p>
<p>Mas aí, acordados violentamente por um acidente bárbaro, o que descobrimos? Que o cartão postal era tratado a pão e água. O governo carioca não comprava peças de reposição. E os coitados que tinham que colocar o bonde nos trilhos, usavam arame, esparadrapo, fita crepe e super bonder. Ou coisa parecida.</p>
<p>Depois de alguns turistas serem estupidamente assassinados pelo descaso oficial, os estúpidos governantes vão à TV prometer “providências urgentes”. Imbecis.</p>
<p><strong>FERRUGEM NAS JUNTAS</strong></p>
<p>Não sei por que, lembrei do caso da nossa velha ponte Hercílio Luz. Maravilha da engenharia, cartão postal que enche-nos a todos de orgulho, foi abandonada por décadas. Está cai-não-cai desde o século passado. E a “restauração” alimenta os caixas de campanha ano após ano, sem que se chegue a algum lugar.</p>
<p>Agora começam a preparar a grande reforma do vão central. Vão construir apoios, praticamente uma outra ponte, para poder trocar a corrente pensil que hoje sustenta a ponte. Operação cara e arriscada. Que tanto pode dar certo, quanto dar muito errado.</p>
<p>E nos leva à questão principal: por que deixaram chegar a essa situação? Por que não fizeram, ao longo do tempo, a manutenção que um objeto de aço, sobre o mar carregado de salitre e outros corrosivos, requer?</p>
<p>Porque são imbecis, esses idiotas a quem a gente, de tempos em tempos dá cheques em branco, no dia da eleição. E somos burros, nós que, como patetas aparvalhados, mesmo vendo como são incompetentes essas “autoridades”, continuamos votando neles.</p>
<p><strong>DA INUTILIDADE DAS CÂMERAS</strong></p>
<p>Calma, não vou falar (de novo)da inutilidade das Câmaras de Vereadores. Refiro-me a essas “câmeras de vigilância” ou de “segurança”, que colocam nas ruas das nossas cidades e inauguram com banda de música e espalhafato.</p>
<p>O que o noticiário policial tem mostrado, quase que todo o dia, é que esse sistema, que deveria servir para ampliar o poder repressivo da polícia e prevenir crimes, não funciona.</p>
<p>O sistema serve apenas e unicamente para que as TVs (e a internet) mostrem, horas depois, como o crime foi cometido. Mais nada.</p>
<p>Em Florianópolis, dois malacos ficaram mais de meia hora diante de uma loja, tentando arrombá-la. Sabemos do tempo exato, porque estavam sob a severa vigilância de uma dessas câmeras.</p>
<p>Nesse tempo todo, ninguém viu a ação dos bandidos. Que tiveram paz e tranquilidade para arrebentar vidros com paralelepípedos, entrar, na loja e levar uma porção de coisa, causando grande prejuízo. Teoricamente, alguém deveria estar olhando para os monitores. O que se percebe, pelo resultado bem sucedido da ação dos criminosos (e de sua calma, dispondo de todo o tempo do mundo), é que, se tinha alguém, estava dormindo (era cinco da manhã). Mas é mais provável que não tivesse ninguém atento. Afinal, se tudo fica gravado, pra que assistir “ao vivo”, né?</p>
<p><strong>DA SENSAÇÃO DE ABANDONO</strong></p>
<p>Quando é que a gente tem certeza que o Estado, tal como o imaginávamos, faliu? Quando uma vítima de assalto, escondida em algum canto de sua própria casa, consegue ligar para o 190 e avisar do crime em andamento e da ameaça que paira sobre sua vida e de sua família. E, do outro lado da linha, alguém informa que a “ocorrência” não poderá ser atendida porque não há viaturas disponíveis.</p>
<p>Os ladrões, na ilha de Santa Catarina, já se acostumaram à falta de policiamento. E, como têm todo o tempo do mundo, agora arrancam as grades que a população, assustada, coloca nas janelas.</p>
<p>A grade impediria a entrada se o ladrão tivesse medo do barulho, ou se tivesse pressa. Mas como a PM não tem como chegar ao local dos crimes com rapidez, dá pra usar qualquer ferramenta, fazer o barulho que quiser, acordar a vizinhança inteira. E depois fugir a pé.</p>
<p>Se alguém vir uma gangue arrombando uma casa e ligar para o 190, não causará qualquer problema para o “trabalho” dos bandidos. Eles não têm medo. Porque sabem que nada de mais sério acontece quando alguém liga para o 190. Pelo menos em Florianópolis, em especial no norte da ilha, tem sido assim.</p>
<p><strong>DA IMPORTÂNCIA DAS RONDAS</strong></p>
<p>Outro dia, a PM atrapalhou um “servicinho” que ladrões estavam fazendo, em Gov. Celso Ramos, simplesmente porque a “viatura” estava fazendo rondas, viu um carro suspeito e em seguida, quando pelo rádio ouviram a informação do assalto, somaram um mais um.</p>
<p>É isso que a gente quer dizer quando fala em “PM na rua”. Se a “viatura” está circulando, tem mais chances de assustar a malandragem e de alguma ação efetiva. Imaginem se tivesse alguém prestando atenção no que as câmeras de vigilância mostram e alguma “viatura” a postos?</p>
<p>Quando o sujeito parasse de madrugada diante da loja, tentando abrir a porta, a PM seria mandada para impedir o crime. E a cidade se sentiria mais segura. Por que não fazer isso?</p>
<p>Hoje, a impressão que se tem, é que a PM se especializou em mandar viaturas levar as fitas com as gravações dos crimes que ela não impediu, para serem mostradas nos programas de TV.</p>
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		<title>“ISSO É NORMAL!”</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 15:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cesar Valente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma das revistas semanais brasileiras, a IstoÉ, publicou como grande novidade a informação que a senadora e agora ministra Ideli Salvatti, fez tratativas para manter um petista num cargo federal, em Santa Catarina. O governo federal loteou os ministérios qual capitanias hereditárias. E aí Ideli precisou negociar com o partido que detinha o poder daquele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10064" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-10064" title="donc-ideli-cor" src="http://www.deolhonacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/08/donc-ideli-cor.jpg" alt="Ideli" width="450" height="291" /><p class="wp-caption-text">Ideli Salvatti, em foto de Roberto Stuckert Filho/PR</p></div>
<p>Uma das revistas semanais brasileiras, a IstoÉ, publicou como grande novidade a informação que a senadora e agora ministra Ideli Salvatti, fez tratativas para manter um petista num cargo federal, em Santa Catarina.</p>
<p>O governo federal loteou os ministérios qual capitanias hereditárias. E aí Ideli precisou negociar com o partido que detinha o poder daquele feudo. Como o cargo do petista era no DNIT-SC, “pertencia” ao PR. O interlocutor era o presidente no estado, Nelson Goetten, que se encontra, no momento, preso por suspeita de crime comum e ordinário, mas nem por isso menos infame e grave.</p>
<p>Novidade, portanto, nenhuma. A única coisa nova era o áudio das negociações. Ideli foi gravada pela polícia quando falava com Goetten, porque ele estava sendo investigado pelos crimes que o levaram ao xilindró. Uma coisa é alguém contar, outra coisa é ouvir “de viva voz”.</p>
<p>Ainda assim, sabemos todos, há bastante tempo, que os cargos públicos são mantidos por negociações de compadrio, amizade, compromisso político, troca de favores e ajustes internos e externos de partidos, grupos e indivíduos.</p>
<p>O interesse público, a competência, a adequação do profissional ao perfil funcional são itens que ficam lá no fim da lista de prioridades. E em muitos casos isso nem interessa. Porque o que garante alguém na boquinha, digo, no cargo, é o QI (“quem indica”, saca?).</p>
<p>Pois bem, estavam as coisas nesse pé, com a ministra se defendendo do jeito que achava e dos adversários dentro do próprio PT e de partidos da base jogando algumas pedras adicionais, pra ver se conseguiam quebrar mais algumas telhas, quando ouvi alguém (que nem é do PT), dizer o seguinte: “a matéria é sensacionalista, isso de pedir para manter correligionários é coisa normal. O que a Ideli fez é absolutamente normal”.</p>
<p>Deu-me um frio na barriga semelhante àquele que senti quando ouvi Lula dizer, numa entrevista a uma repórter amadora de TV, que aquela história de caixa 2 é coisa normal. “Todos os partidos fazem”.</p>
<p>Quando atos, palavras e iniciativas que deveriam ser motivo de constrangimento e pudor são defendidas porque esses atos, palavras e iniciativas deixaram de ser exceções e estão sendo classificados como “normais”, então alguma coisa muito grave está acontecendo com a nossa moral e a nossa ética. E isso não é normal.</p>
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