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Bloguices

Gentileza gera gentileza

No dia 03/03/03 publiquei um loooongo post e hoje, véspera do 03/04/14, trago pra cá, apesar do tamanho. Trata de um assunto que era mais ou menos novidade na época, mas que continua atual: como devemos nos comportar ao comentar nos blogs e perfis alheios.

Gentileza Gera Gentileza

(Publicado em 03/03/03 no blog Carta Aberta)

O mario av publica a regra fundamental de convivência nos fóruns públicos (como nos comentários de blogs, por exemplo) que é a expressão que dá título a esta crônica. Tem vários corolários e vale uma visita ao mario (que mário?), caso não a conheças.

(Nota do Tradutor: não encontrei mais o blog do mario av mas achei as regrinhas no arquivo da Cora Rónai, aqui).

Pois bem, toda convivência exige a obediência a um conjunto de regras. Se as regras forem mínimas e todos as aceitarem, será uma convivência mais leve. Se as regras forem excessivas, a convivência pode ficar tão difícil como quando não ocorre respeito a nenhuma regra. Trata-se, então de uma daquelas coisas fáceis/complicadas da vida em comum.

A discussão, o debate e a polêmica são atividades humanas muito estimulantes. Quando ocorre sem agressões físicas e naquele nível que os antigos chamavam de “no embate das idéias”, é até bonito de acompanhar. Duas pessoas cultas, bem informadas, bem formadas, com pontos de vista divergentes, podem produzir faíscas quando debatem. E ganhamos todos com isso. Mesmo que em alguns momentos as vozes se alterem, que alguém levante da cadeira para falar ainda mais alto. E desde que os argumentos seja esgrimidos como num duelo: não como em dois monólogos.

Quando alguém fala em regras de convivência, a gente sempre tem a tentação de pensar que talvez o silêncio seja mais adequado para evitar problemas. Nem sempre. Uma das principais riquezas da civilização é o progresso que o confronto de idéias pode gerar. A humanidade avança quando as idéias são expostas e discutidas abertamente. E quando todos podem expressar-se.

Claro que existe uma enorme nuvem de utopia cobrindo tudo isso e sempre corremos o risco de descobrir que os seres humanos não são muito afeitos ao progresso intelectual. Preferem a força de um tacape na cabeça de quem discorda das suas idéias.

E tem um outro problema: duas pessoas gritando uma com a outra não significa, automaticamente, que temos aí um bom debate para assistir. Mesmo que estejamos dentro de uma universidade. Ou de um parlamento. Tem muita gente que substitui o tacape pelas palavras, mas o propósito é o mesmo: rachar a cabeça de todos os adversários. E a palavra, sabemos, pode ser instrumento eficiente de morte e mutilação.

Pois é, depois desse discurso errático e volumoso, acho que consigo resumir e encerrar: desde que obedecidas regras mínimas de civilidade, é sempre melhor uma boa discussão, mesmo que aos berros, que o silêncio obsequioso e fingido.

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