// você está lendo...

Florianópolis

Amor antigo 12

Fpolis 288

Onde em tarde fagueira Vou ler meu jornal.

23/3/2004

NUM PEDACINHO DE TERRA…

Hoje é feriado em Florianópolis. Comemora-se o aniversário da cidade, que tem lá seus 278 anos. Há uma certa controvérsia sobre a data exata, mas isso é conversa para outra hora. Agora, o que me cabe, como florianopolitano por nascimento e opção, é dar-lhe, caríssima capital do meu coração, amantíssima Ilha dos ocasos raros, dulcíssima Desterro cuja magia ingênua e envolvente penetra na pele a cada rajada de vento sul, os parabéns.

Temos na lembrança aquela cidadezinha pequena e parada, onde nos conhecíamos a todos pelos nomes, pelos apelidos e sabíamos de todos a vida quase inteira. Temos ainda a teimosia de achar que a vida de então era melhor. Nem nos lembramos mais da Elfa, companhia de eletricidade intermitente, que apagava à noite e tremelicava de dia. Esquecemos do pavimento de madeira da velha ponte, liso como sabão em dias de chuva. E apagamos da memória a difícil viagem para qualquer lugar além do Estreito.

Viver de saudade, nos ensina a própria vida, só traz incômodo e desconforto. Mas esquecer o passado nos torna imbecis. A dosagem certa, sabedoria difícil de obter, permite alcançar um estado de graça que nos enche de felicidade sempre que, nos dias luminosos de outono, a Ilha se mostra sedutora e bela como deveria ter sido a Terra inteira, logo depois da criação.

Aqui neste pequeno espaço deste universo de sinapses (como nos ensinou O Globo ontem), queria materializar minha homenagem em três imagens.

Troféu Manezinho da Ilha

Aldírio e os manezinhos de 2003

Primeiro, a turma de Manezinhos da Ilha de 2003, Aldírio Simões à frente. Com a morte dele, encerra-se uma fase de afirmação de alguns dos nossos valores. Brincando, brincando, cresceu a auto-estima, recuperamos amor próprio, passamos a acreditar que não era preciso render-se, sem luta, ao invasor.

Praça XV

Jardim da Praça XV

Depois, o Jardim Oliveira Belo, na Praça XV, recanto de belas árvores, oásis a nos lembrar o valor da sombra, a importância da calma e lembrete do que perdemos ao trocar árvores por cimento e asfalto.

Ponte Hercílio Luz

Ponte Hercílio Luz

E finalmente, o cartão postal por excelência. A ponte Hercílio Luz. Monumento inútil. Esqueleto sem vida. Sem outra função senão a de posar para fotografias até que os olhais terminem de enferrujar e tudo desabe. Ou até que alguma alma criativa e lúcida a substitua por outra, nova, igualmente imponente, talvez ainda mais bonita e principalmente viva e útil, para uma pobre cidade cujos habitantes já começam a perder muito do seu tempo precioso, parados aguardando a vez de ir e vir.

Espero que todos aproveitem bem o feriado. E que a cidade nos acolha, na quarta-feira, com a generosidade e amor maternal de sempre. Parabéns também pra todos nós, que vivemos aqui.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

Comments are closed.

Posts recentes

O fim de uma era
23 de maio de 2014, 17:27
Por Cesar Valente
E aí? Abandonou o blog?
6 de maio de 2014, 17:46
Por Cesar Valente
Brasília real aos 54 anos
28 de abril de 2014, 22:12
Por Cesar Valente
Beleza e crueldade
28 de abril de 2014, 22:01
Por Cesar Valente
A semana dos enigmas
17 de abril de 2014, 8:09
Por Cesar Valente

Arquivos