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Florianópolis

Amor antigo 10

Fpolis 288

Da velha rendeira, tradicional

Jurerê

Foto: Cesar Valente/ Palhares Press

18/3/2003

A VERDADEIRA ALTA TEMPORADA

Por Cesar Valente,
conselheiro turístico informal, daqueles que se mete onde não foi chamado*

O calendário e os turistas nem sempre sabem tudo que acham que sabem. Pelo calendário, a melhor época para visitar Florianópolis é o verão e a melhor época para visitar Blumenau e outras regiões, digamos, “temáticas” é em outubro. Ledo engano. Passarei a seguir a expor minha tese.

Verão em Florianópolis, tirante o fato de estar cheia de turistas, significa calor em excesso, chuva em excesso ou em falta (o que gera problemas de igual gravidade, embora diferentes em sua essência), céu coberto por nuvens em excesso.

Outubro nas cidades de colonização alemã que realizam as tais festas étnicas, tirante o fato da superlotação de turistas, significa barulho em excesso, cariocas fazendo xixi na rua, paulistas fazendo xixi nos cariocas e todos, em algum momento, vomitando no meio-fio logo depois da briga.

Outono em Florianópolis, tirante o fato de ter vaga em todos os hotéis e restaurantes, significa temperatura muito agradável, céu impecavelmente azul, com chuvas escassas e suaves e mar calmo. Essa combinação gera paisagens deslumbrantes onde quer que se olhe, do sul ao norte, do nascer ao por do sol. E ninguém pode dizer que acha a ilha de Santa Catarina o máximo se não a visitou no outono. Em maio, para ser mais preciso.

Tirante outubro por causa das festas e o verão por causa do calor (50° em média), as cidades “temáticas” (para usar a terminologia dos parques de diversão norte-americanos) de Santa Catarina podem ser vistas como enorme fonte de alegria e prazer. Alegria porque elas fazem parte daquilo que queremos para todo o País (como disse Tutty Vasques). Lugares em que o trabalho tem valor. O jardim da frente de casa tem valor e um chão bem encerado também tem seu valor. E prazer porque podemos visitar uma espécie de sucursal de países estrangeiros adaptados aos trópicos, sem grandes despesas e sem ter que viajar longas distâncias.

Nos casos de Florianópolis e de cidades como Blumenau, Joinville, Brusque, Treze Tílias (tem várias outras), portanto, fugir do calendário oficial e das recomendações “turísticas” pode levar a grandes descobertas e a um passeio reconfortante.

O turista fora de época gasta a metade que gastaria em janeiro ou fevereiro, encontra as praias mais bonitas praticamente desertas, até entra n’água, porque ainda não faz frio e consegue fazer o que a gente quando tira férias sempre pretende mas geralmente não consegue: descansar.

* O repórter não viajou a convite de nenhuma prefeitura, não ganhou sequer um pastel de berbigão de presente e corre o risco de ser citado, pelo sindicato sei lá do que, de persona non grata em bocas livres turísticas, por estar afugentando os “clientes” da alta temporada oficial.

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