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Caraminholas

O servidor público, esse desconhecido

Vamos começar do começo: existem dois tipos principais de servidores públicos. Os que passaram num concurso e fazem carreira no serviço público e os que são nomeados temporariamente, para exercer funções conhecidas popularmente como “de confiança”.

A maioria se enquadra nessas duas classificações gerais. Mas existem também aqueles que são eleitos para exercer funções… públicas, seja representando-nos nos parlamentos, seja ocupando cargos no poder executivo. São, embora vários deles achem que não, também servidores… públicos. Deveriam servir ao público (e não servir-se do público, mas isso é conversa para outra hora).

No Brasil, assim que a lei passou a obrigar a realização de concursos públicos para preenchimento de vagas no serviço público, o pessoal já começou a tentar contornar essa obrigação. O modo mais utilizado para fugir dos concursos é a criação de inúmeros cargos cujo preenchimento pode ser feito sem concurso. E, para infelicidade dos que se preocupam com o bom funcionamento da máquina, a maioria dessas funções é de chefia. Gerentes e diretores, no caso de Santa Catarina, caem de paraquedas a cada mudança de governo ou do titular da pasta.

Imagine a cena: você trabalha há 20 anos numa repartição. Conhece todos os trâmites, problemas e situações. Sabe o que deve e o que não deve fazer. Daí, num janeiro qualquer, chegam para assumir gerências e diretorias umas figuras que nunca passaram nem perto daquela repartição. Não têm a menor idéia de como a coisa funciona.

O menor dos problemas será ensinar aos chefes o be-a-bá da repartição. Durante alguns meses tudo para, algumas coisas são feitas contra todas as normas, outras somem para sempre. E, dependendo do tipo de gente que foi colocada nos cargos de chefia, o caos se instala ou, depois de um tempo, devagarinho, recomeça a entrar na rotina.

Outro problema sério: os gerentes e diretores alienígenas “de confiança”, não entendem nada de gerir equipes e processos. Os servidores de carreira espertos e malandos (sim, muitos são trabalhadores e dedicados, mas também tem uns que vou te contar) aproveitam-se dessa incompetência e deitam e rolam. Sabem que os chefes temporários estão preocupados com as campanhas políticas e nem aí para produtividade, controle e gestão. É o paraíso!

Em todas as situações, quem acaba sempre sendo penalizado, é o bom servidor público. O esforçado que ainda acreditava que existisse justiça no mundo. Esse aí só se ferra.

EXEMPLO PRÁTICO

Uma boa frase que li no facebook, sobre os acontecimentos recentes envolvendo servidores da Fatma:

“O político resolveu aproveitar uma visita técnica séria para fazer seu marketing pessoal e o resultado foi: colocou em descrédito a atuação de servidores honestos… :-(”

Aline Graziela

Discussão

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  1. Obrigado pela clareza Cesar… é por isto que eu e mais muitos colegas, jovens, que entraram nos concursos de 2008 e 2011 na FATMA, estamos passando com entrada da “turma do Gean”. Um certo diretor, além de não saber nada do assunto, faz questão de que nada mais seja feito em sua diretoria, a única coisa que se interessa são estas viagens…

    Posted by Camilo Hollanda | janeiro 30, 2014, 10:23
  2. A FATMA é o melhor exemplo prático disso. Este órgão, incumbido em prestar serviços TÉCNICOS relativos as questões ambientais no Estado, deveria ter seus cargos de chefias, diretorias e gerências ocupadas por pessoas que possuem conhecimento técnico em matéria ambiental, capazes de responder e auxiliar de forma satisfatória as questões técnicas remetidas ao órgão. Porém, na FATMA, não é o que acontece.

    Boa parte dos cargos de chefia, diretorias e gerências são ocupadas por políticos, pessoas que ganharam cargos de confiança.

    E quem são eles? São ex-vereadores, ex-prefeitos, candidatos derrotados nas eleições, assessores de políticos, etc. Pessoas que comprovadamente não possuem formação e conhecimento em matéria ambiental.

    Quando o Gean Loureiro assumiu a presidência do órgão, o mesmo disse à imprensa que ia fazer uma gestão técnica. Era uma esperança de melhorar esta situação. E o quê fez? O contrário! O mesmo manteve os cargos de confiança existentes, e removeu alguns servidores da casa que ocupavam cargos de diretoria e gerência para colocar seus amigos políticos.

    Posted by Leno | janeiro 30, 2014, 12:13
  3. Cesar, este é mesmo o panorama geral nos quadros de servidores públicos do Estado. Há alguns servidores que ocupam os ditos cargos de confiança, que logo se aposentarão no serviço público sem nunca ter passado por um concurso público. Entra governo, sai governo, e esses caras conseguem manter o seu cargo comissionado, e alguns deles, até mesmo no mesmo órgão, como acontece com um irmão de um ex governador do Estado, que há muito tempo é diretor na Procuradoria Geral do Estado.

    Posted by Belmiro | janeiro 30, 2014, 13:33
  4. A gestão Gean na FATMA é um exemplo de como uma instituição NÃO deve ser conduzida. É uma gestão que serveria para uma mercearia ou mini-mercado, mas jamais para uma instituição que conta com quase 500 funcionários, boa parte deles, pessoas com muito mais estudo e formação teórica e técnica do que os que ocupam os cargos de chefia e estão lá por mera política (e pq jamais conseguiriam entrar numa empresa desse porte no setor privado). Todas as decisões estão centralizadas no gabinete da presidência, com uma mentalidade feudal, nenhuma inteligência e sabedoria, e, principalmente, muita arrogância. E o resultado está aí, em um ano de gestão, que foi um ano perdido pra instituição, a FATMA está sucateada e no centro de um escândalo que só envergonha quem está lá pra fazer um trabalho decente.

    Posted by Scott | janeiro 30, 2014, 21:54
  5. Belmiro, discordo. No órgão onde trabalho todas (eu disse todas) as diretorias e gerências são ocupadas por servidores de carreira. Vai da mentalidade dos dirigentes máximos do órgão, mentalidade essa que nem sempre vem de consciência do gestor, mas da pressão dos sindicatos/associações de servidores.

    Posted by Fernando S | janeiro 31, 2014, 14:08
  6. Outro fato a ser observado é a quantidade de terceirizados que a FATMA contrata, enquanto os aprovados do último concurso aguardam as nomeações que nunca acontecem….. É um absurdo isso!
    Algo precisa ser feito….

    Posted by Indiganda | fevereiro 4, 2014, 09:27
  7. Situações que envolvem cargos de confiança, comissionados, é sempre complicado,tem que ser bem analisado pelos orgãos públicos sua real necessidade.

    Posted by Real | fevereiro 4, 2014, 11:31

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