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Caraminholas

O grande debate do dia 2

Logo depois de ter colocado links para o post anterior (O “excesso” de turistas) no facebook e no tuíter, o debate com o Carlos Damião recomeçou (ou continuou). Por coincidência tive algum tempo, hoje de manhã (e enquanto a água não chegava), pra dar mais alguns pitacos e praticar o esporte que já está entre os meus favoritos: discordar do Damião.

Abaixo, reproduzo o que foi publicado por lá, para reunir num só lugar essa troca fragmentada de idéias. Mas antes preciso dizer que só discordo e discuto com o Damião porque o considero muito. Conheço-o desde o século passado, tive a honra de fazer a capa (artesanal) do primeiro livro (artesanal) de poesias dele. E juntos (com a participação de Pedro Port, Raimundo Caruso e Emanuel Medeiros Vieira) editamos aquelas lendas da imprensa cultural mundial, que foram os dois números do “Desterro, jornal catarinense de cultura”. Então, não é de hoje que convivemos às vezes discordando, às vezes concordando. Como em toda relação saudável.

Por isso, divirto-me mais do que me incomodo, quando leio algumas coisas que ele escreve, ao replicar o que eu disse:

“A análise do Cesar é incrivelmente demagógica, porque joga para a plateia, que culpa o(s) governo(s) por tudo.”

Definição de demagogia

Definição do dicionário Priberam

Desde que, na década de 70, comecei a publicar crônicas e depois a trabalhar em jornal, sempre joguei para a plateia. É isso que os jornalistas (e os escritores em geral, inclusive a maioria dos poetas) fazem: escrevem para serem lidos. Não publico nada que não seja para ser lido pelo maior número de pessoas. A minha plateia (ah, que falta faz o acento agudo!), dependendo da ocasião, se limita a meia dúzia de amigos, outras vezes cresce um pouco mais (o Diarinho, onde a coluna é publicada, tem uma tiragem média de 10 mil exemplares diários, e, conforme uma pesquisa apurou, média de sete leitores por exemplar!) e a intenção, claro, é ser lido. E quando alguém discute, debate, critica, contesta, refuta, xinga, faz parte desse jogo fascinante de exposição pública a que nos sujeitamos todos, profissionais da comunicação. Que jogamos para a plateia. Para entrete-la, informá-la ou provocá-la.

Então tá, chega de prolegômenos. Aí estão, para a plateia que provavelmente lota a última kombi da internet, os comentários demagógicos que fiz depois da análise incrivelmente demagógica do post anterior, debatendo com o Damião.

Carlos Damião – É uma pena, caro Cesar Valente, que continues pensando igual ao espanhol anarquista (da piada). Se não vês excesso de turistas é porque certamente não passas os sufocos que todos nós passamos. No mais, feliz 2014.

Cesar Valente — Damião, moro (e estou neste momento) no Jurerê tradicional (o nacional, saca?). Falta água no prédio, faltam coisas nas prateleiras dos supermercados aqui perto, na praia (principalmente quando a maré está alta) não dá pra sentar, só cabe gente em pé, não dá pra sair de carro a qualquer hora… de fato, sou um privilegiado. E sou mesmo, porque consegui um cantinho perto do mar, em Florianópolis, rodeado da família toda, que veio de longe passar o Natal aqui (três filhos, duas noras, um genro, quatro netos), só pra te irritar e criar problemas pras coitadinhas da Casan e da Celesc. Fora isso, é claro que, “hay gobierno, soy contra”. Até por dever de ofício.

Carlos DamiãoQuestão não é ser “a favor” do governo, seja que governo for. Mas chamar para nós a responsabilidade. Acabei de entrevistar o presidente da Comcap. A empresa recolheu 40 toneladas de lixo espalhado no Réveillon. Por que? Porque as pessoas consomem e acham que os “restos do consumo” são de responsabilidade do governo, tás entendendo? O problema do turismo é o mesmo.

Cesar Valente — Ora, é claro que falta educação (em todos os sentidos) e essa é uma guerra que estamos perdendo há décadas. Mas também é claro que, usando o exemplo que citas, Carlos Damião, enquanto isso, a Comcap não tem outra saída do que fazer o que tem feito (até onde sei com grande competência): aumentar coletas, limpar com agilidade e presteza. Imagina só se a Comcap resolvesse só culpar os sugismundos (lembras disso?) e não cumprisse suas tarefas porque há um excesso de idiotas no pedaço? Pra lidar com essas pontas soltas (educação, criação de consciência política, consciência ecológica, escassez de solidariedade, etc) é que existem os governos. Nós os colocamos lá para isso. Ou não?

Carlos DamiãoSujeito construiu uma casa em Ingleses em 2013 para alugar na temporada. Capacidade para seis pessoas, mas o olho grande… Colocaram 25 pessoas dentro da casa, falta água, falta energia! Ora, não é preciso ser muito inteligente para entender o que eu falei sobre turismo de massa, excesso de turistas. Óbvio.

Cesar Valente — Quem permitiu construir a casa? Quem permitiu a ligação de água e luz? Quem fiscalizou o risco sanitário de colocar tanta gente em espaço impróprio? Quem fiscalizou o sistema de esgotamento sanitário dessa unidade? Ora, liberam tudo, deixam fazer o que querem e depois a culpa é de quem se aproveita dessa frouxidão? Dessa falta de rigor?

Carlos DamiãoÉ este o ciclo, Cesar Valente. A sociedade não se sente responsável, de modo geral tende apenas a culpar “o governo”. Caso da Pinheira e outras ao Sul de Palhoça: todo mundo quer faturar com os turistas, mas a capacidade local de água e energia não suporta. Culpa do governo ou das pessoas que querem ganhar em cima dos turistas? Tá, então, vamos quadruplicar tudo, estradas, energia, água, só para atender aos turistas… E quem paga a conta? Ora. É exatamente isso que digo e que você não entende, meu preclaro mestre.

Cesar Valente — Eu te entendo, prezadíssimo discípulo (se eu sou mestre… :-)), apenas discordo. Todos sabemos (o governo inclusive), que existem algumas forças poderosas que movem o ser humano: ganância, inveja, vontade de levar vantagem sem ter que trabalhar pra isso, etc. Uma sociedade que se pretenda civilizada cria mecanismos de disciplina, ordenamento e planejamento, para lidar com essas forças. Escolas e cultura familiar para que os novos seres humanos tenham melhor controle sobre seus impulsos primitivos, leis com seu aparato de prevenção e punição para garantir que os limites sejam respeitados e códigos e mais códigos para garantir a exploração racional dos recursos naturais e a utilização da produção humana. Como isso tudo está meio corroído, corrompido e sem pilha, às vezes temos a impressão que o “cerumano” é inviável. Como quando ocorre o que chamas de “invasão de visigodos e ostrogodos”, sujando tudo, bagunçando estruturas que já não funcionavam direito e obrigando as “autoridades” a malabarismos retóricos para explicar o inexplicável: a sua apatia crônica, a sua incompetência histórica para entender e lidar com o ser humano e seus defeitos e qualidades. Deixaram o brasileiro sem boas escolas, deixaram depauperar as unidades familiares, descuidaram-se da cultura, da saúde e de tantas outras obrigações estatais, e ficaram sem a contrapartida do cidadão, porque o cidadão não tem idéia de como é importante que ele participe do processo. E aí, não sabem lidar com o resultado dessa soma desastrosa de eventos desafortunados. Teremos visigodos e ostrogodos “emporcalhando” nosso lindo litoral todos os anos. O que faremos quanto a isso? Construir um muro, como em Israel? Derrubar as pontes e afastar a ilha do continente? Instituir pedágios altíssimos? Ou preparar-nos para lidar com o “cerumano” que a nossa incompetência construiu?

Carlos DamiãoPresidente do Sindicato dos Hotéis, Tarcísio Schmitt, disse há pouco, aqui na Record 1470, que hotéis, pousadas e similares são prejudicados pelos “aluguéis de temporada”, ou seja, um velho problema do litoral catarinense: a informalidade dos aluguéis, aquela história que falei da casa para seis pessoas alugada para 25. Óbvio que vai faltar água e energia, quadruplicando ou não a capacidade, com a conta sobrando para nós, é claro.

Cesar Valente — Opa, tenho que correr porque parece que voltou a água e a família exige que eu tome banho imediatamente. Mas antes queria só deixar mais uma provocação: se tivessemos estradas, energia, água e esgoto que atendesse adequadamente nosso dia a dia fora da temporada, os problemas seriam menores na temporada. Ou nunca pegastes engarrafamento em agosto? Nunca faltou água em junho? Nunca transbordou a rede de esgoto em setembro? Fui.

Carlos DamiãoA análise do Cesar é incrivelmente demagógica, porque joga para a plateia, que culpa o(s) governo(s) por tudo. O cara que constrói uma casa de 3 cômodos para enfiar 15 veranistas por semana é o mesmo que critica a corrupção e os corruptos, mas fatura informalmente, sem pagar impostos, sem gerar riquezas, nem empregos, competindo deslealmente com hotéis e pousadas. O erro não está em faltar água para a casa desse indivíduo “empreendedor”. O erro é a população inteira pagar a conta desse indivíduo “empreendedor” – e sonegador.

Várias pessoas participaram do debate, contribuindo com suas opiniões, tanto no link original, quanto naqueles que foram compartilhados. E teve um que me chamou a atenção, porque foi feito por um professor que todos respeitamos e um jornalista nacionalmente admirado. E que resume com o talento que lhe é peculiar, um aspecto importante deste debate. Este:

Nilson Lage — Moro pertinho de um hotel tradicional que está fechando aos poucos para ceder espaço a blocos de apartamentos à beira-mar (e olha que o gabarito é ainda limitado a três andares). A ganância, a burrice (por exemplo, temer os navios de cruzeiro) e a falta de competência para explorar alternativas fora da temporada (no mar, no espaço ecológico, na criatividade cultural estilo Gramado) levam a indústria hoteleira e não cumprir sua função, exceto para os riquinhos do Costão e Jurerê. Daí, os inevitáveis aluguéis de temporada com que os naturais do lugar – muitos deles descendentes dos ocupadores primitivos de lotes do Incra – complementam o orçamento nos meses de verão. É previsível. Cabe aos serviços públicos se adaptarem, e não o contrário.

Falou e disse, Nilson: “É previsível. Cabe aos serviços públicos se adaptarem, e não o contrário”.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Prezado Cesar,

    Já havia notado que o Damião aderiu ao Jardim de Infância do Prefeitinho. Tem coisa por aí!
    Assim como a grande rede poupou o Prefeitinho de críticas no episódio do IPTU e do PLANO DIRETOR. A próxima cobrança virá logo e o Prefeitinho pagará com mais publicidade.
    Quanto será que custou a passagem de ano contando o evento licitado mais a publicidade nos diversos veículos de comunicação?
    E eu ainda assino o jornal!

    Posted by José Henrique | janeiro 3, 2014, 01:40
  2. Ave Cesar;
    Te conheço desde o tempo em que remavas nas galés! Tua opinião é abalizada e não é de se jogar fora. Minha genitora reside nessa cidade há anos mas não me conta nem metade do que tu dizes… Obrigado por nos atualizar!
    Forte abraço!
    =)

    Posted by Bion | janeiro 3, 2014, 19:48
  3. Temos que “cair na real”. Cidades de até 200 mil habitantes receberem, de uma hora para outra, um contingente de milhares de pessoas certamente vão colocar os serviços públicos em colapso. Era algo esperado e contra o qual não há muito o que fazer. A disponibilidade hídrica de Florianópolis e municípios vizinhos, com seus rios já bastante explorados não vai mudar. Mas esse caos todo é bom para levantar a discussão e chega em um momento apropriado, em que se discute o plano diretor da Capital do estado.

    Posted by Rudi | janeiro 3, 2014, 20:03
  4. Cabe aos serviços públicos se adaptarem à duplicação repentina da população uma cidade? Que bobagem, para dizer o mínimo…

    Posted by Guilherme Bossle | janeiro 3, 2014, 23:19
  5. O interessante é que nesta conversa toda, na minha opinião, ambos tem razão.
    A administração, tanto municipal e estadual, se mostra mais uma vez incompetente para se preparar para algo mais do que previsível. A Casan já deveria ter uma dúzia de geradores para serem usados em caso de falta de luz. Deveria fiscalizar se não existem hotéis e condomínios que usam bombas para puxar a agua da rua.
    A prefeitura poderia pensar numa solução para minimizar a bagunça que fica o transito, não é possível uma cidade turística ter tão poucos ônibus em circulação.
    Mas a meu ver não se pode tirar as responsabilidade dos proprietários que alugam casas para o dobro da capacidade. Uma caixa d’água maior, e um pouco de colaboração das pessoas, que alguns problemas seriam minimizados.
    Minha mãe mora no Sitio de Baixo, recebeu entre natal e ano novo os filhos, netos, genros e em momento algum faltou água por lá, mesmo com a Casan interrompendo o abastecimento em vários momentos, e isso só aconteceu porque lá tem uma caixa d’água de tamanho compatível com a demanda.
    Vejo que muitas casas que são alugadas tem caixas pequenas (500L) ou pior nem tem, o mais simples seria que os proprietários por conta própria se atentassem para a questão, mas parece que o pessoal só se mexe quando dói no lombo, então a secretaria de turismo poderia levantar que imóveis são esses e fazer um trabalho para incentivar o aumento da capacidade de armazenamento e fiscalizar se está sendo cumprido.

    Posted by Wilmor Henrique Dambrós | janeiro 4, 2014, 12:07
  6. Caro Guilherme Bossle: bobagem é chamar a temporada de verão (que ocorre todo ano) e a procura pelo litoral (que ocorre todo ano na mesma época, com pouquíssimas variações), de evento “repentino”. Como se fosse uma tempestade que os meteorogistas previram mal, ou nem viram chegar. Pra dizer o mínimo.

    Posted by Cesar Valente | janeiro 4, 2014, 22:22
  7. O maior problema de falta de água em Florianópolis é no norte da ilha onde de uma hora para outra uma multidão invade dunas e forma favelas do siri e papaquara, onde casas e casebres são construídos sem esgoto, caixa de água em servidões que nem existem na prefeitura e ninguém faz nada.

    Na parte sul da Palhoça há mais “gatos” de água e luz do que casa ou mesmo gente.

    Tudo isso contribui, mas a Casan e a Celesc dizerem-se surpresas pela demanda é uma vergonha. Hoje minha mãe me contava que quando eu era criança, há uns 20 anos, sempre faltava água no verão. Os turistas continuam vindo e a água continua faltando. Será que todo ano a chegada dessa raça é surpresa?

    Se o governador fosse sério teria demitido presidente e diretores da Casan, mas prefere pagar dividendos milionários a eles e chorar na tv que não tem grana para alugar gerador.

    Posted by Henrique | janeiro 5, 2014, 03:58
  8. Estive passando o reveillon em Balneário,e conferi a falta de água inclusive nos chuveirinhos à beira mar.O mau cheiro em algumas ruas estava insuportável(esgotos).Mas enfim,as considerações feitas pelos dois são interessantes e corretas.Que bom que alguém está de olho e se preocupa com tudo isso.

    Posted by Ironi | janeiro 5, 2014, 08:55
  9. Vejam, há algo próximo de mil prédios residenciais previstos para serem construídos em Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu. Muitos novos moradores, a maioria deles provavelmente de outros municípios, vindo para uma região onde recursos como água já escasseiam. Já há provetos para buscar água no rio Tijucas, vejam só. Quem lucra com isso? Os empresários do ramo imobiliário, que ainda recebem comendas por erguerem torres em becos.

    Posted by PierreH | janeiro 5, 2014, 09:09
  10. Caro Cesar Valente, em nenhum lugar do mundo serviços públicos estão preparados para suportar a duplicação da população de uma cidade num período de 10 dias do ano, nem os maiores destinos turísticas. O que há é uma preparação durante todo o ano, correspondente aos turistas que são esperados, em conformidade com a capacidade hoteleira. O problema é que, em Florianópolis, se chama de turismo e de turista o que, na verdade, é um “rolé” de fim de ano, em que o sujeito chega na cidade, muitas vezes, sem nem ter onde ficar. É claro que a CASAN tem sua parcela de responsabilidade, porém querer atribuir toda a culpa para o prestador de serviço público, quando se vê casas em que não vivem 5 pessoas recebendo 25, creio que é uma visão míope do problema, decorrente do nosso velho ranço de culpar o governo por tudo.

    Posted by Guilherme Bossle | janeiro 5, 2014, 12:05
  11. Uma coisa é querer limitar o número de visitantes em Fernando de Noronha, Paraty, Ilha do Mel, Ilhabela ou Bombinhas. São pequenas cidades isoladas, que dependem unicamente do turismo. Outra coisa é Florianópolis, uma capital de Estado, polo de serviços (de saúde, educacionais, governamentais). Como seria controlado o acesso? Muito difícil, creio eu. As filas no acesso ficariam ainda mais irracionais. Então, em vez de comparar com as soluções das cidadezinhas mencionadas – como fez a RBS – seria mais inteligente comparar com as soluções adotadas por Vitória, São Luís e Santos, por exemplo.

    Posted by Fernando S | janeiro 5, 2014, 22:27
  12. Aliás, procurei, em todos os órgãos governamentais, dados sobre o número de visitantes em Florianópolis nos últimos 10 anos. Não encontrei. Alguém sabe se existe. Como os órgãos governamentais planejam o turismo se nem sabem quantos vêm para cá?

    Posted by Fernando S | janeiro 5, 2014, 22:30
  13. Acho que não se trata de limitar a entrada de turistas ou visitantes, algo que imagino ser até inconstitucional.
    A questão é repensar nossas cidades. Será que esse turismo é saudável para a cidade? Beneficia ao conjunto da população ou só a segmentos? Devemos manter a propaganda turística?
    Sei que países como o Japão e os nórdicos, mesmo não sendo contrários, não estimulam o turismo.

    Posted by Rudi | janeiro 6, 2014, 10:52
  14. Nem precisaria se preocupar em preparar a casa para as visitas se a casa já estivesse preparada para os residentes. Acontece que estamos defasados em toda a infraestrutura e ainda assim convidamos todos para a festa, tanta ostentação tem seu preço e neste final de ano foi muito caro, principalmente para os residentes que não puderam sequer sair de casa.
    Muita coisa tem que ser repensada e uma delas é a profissionalização das instituições públicas ou que prestam serviços públicos.
    Chega de Coletores de Discursos que assumem funções com o único propósito de colher um discurso através do uso e abuso das instituições pertencentes a população que trabalha, produz e paga impostos.

    Posted by suzana | janeiro 6, 2014, 17:52

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