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Caraminholas

2014 chegou. E agora?

É sempre emocionante assistir à mudança no calendário. Tolos iludidos que somos, acreditamos piamente que a noite de hoje será mágica. Não existe nenhum indício concreto, palpável ou cientificamente verificável que demonstre que a noite de hoje é (ou será) diferente das trezentas e tantas que a antecederam, mas nós colocaremos nossa roupinha branca, beberemos espumante em ridículas taças “flüte” à beira mar, pularemos sete ondinhas, beijaremos e abraçaremos entes queridos e estranhos e, já na madrugada alta, dormiremos bêbados e felizes, certos que amanhã tudo será diferente… e melhor!

Não pretendo desiludi-los. Depois de uma semana em que vivemos a emoção de receber presentes do Papai Noel, esperar que amanhã tudo esteja diferente faz todo o sentido.

Mas não custa dar uma espiada no que nos aguarda neste novo ano.

ELEIÇÕES

Ano eleitoral, apesar das diferenças, é tudo igual. Gente que a gente nunca teve o prazer de encontrar, quando nos encontra nos trata como se fossemos seus maiores amigos. E, de certa forma, somos mesmo.
O eleitor garante, ao eleito, excelente salário, inúmeros benefícios adicionais, possibilidade de empregar todos os parentes e ainda, dependendo do nível de canalhice de cada um, acesso a negociatas que fariam corar os Irmãos Metralha.

E o que o eleito garante ao eleitor? Nada. Isto é um fato comprovado ao longo de muitas décadas de campanhas eleitorais: a grande maioria do que é prometido, não é cumprido. Muitas vezes prometem uma coisa e entregam outra. Deveriam obedecer às vontades do eleitor que representam (afinal, trata-se de uma democracia representativa, pois não?), mas facilmente mudam de patrão. E passam a representar quem lhes permite acesso a verbas públicas, esquecendo quem os elegeu.

Mas o pior de tudo, em anos eleitorais, é aquele rame-rame chato: “votem com consciência, votem limpo!” Como se o eleitor pudesse adivinhar o canalha que se esconde atrás de sorrisos cheios de implantes de porcelana. Como se o pobre do eleitor fosse capaz de fazer o que a Justiça não conseguiu, que é identificar os bandidos que se candidatam para roubar mais, melhor e com imunidade parlamentar.

COPA DO MUNDO

Não somos conhecidos pelo capricho com que planejamos e executamos nossas obras de infraestrutura. Também nunca fomos famosos pela qualidade de nossos estádios. Mas, se tem uma coisa que o mundo reconhece, é que a cartolagem do futebol brasileiro tem as mesmas qualidades da cartolagem da Fifa.

Não foi à toa que o cartola-mor, João Havelange, foi presidente da Fifa. Tinha know-how, tinha expertise, tinha suficiente estofo moral para implantar, em nível planetário, a… vá lá, “estrutura” que montou aqui.

E nem precisamos estudar muito a fundo a história da CBF. Basta olhar para a Federação Catarinense de Futebol, que fica aqui pertinho, para vermos o nível da coisa. Evidentemente, os ganhadores da Copa do Mundo no Brasil já estão definidos e escolhidos. Não não estou falando dos times, porque nesse jogo alto e pesado, futebol é apenas um detalhe. Os ganhadores serão, como nas copas anteriores, a Fifa e seus parceiros queridos (como a CBF).

E também farão parte da grande festa alguns poucos, que foram escolhidos pela bondosa deusa Fortuna (apelido do casamento entre a Fifa e o governo), para lucrar um pouquinho com as obras, reobras e reformas, com seus aditivos miraculosos e fiscalização soft.

E, daqui a dois anos, teremos as Olimpíadas, outro evento gerador de riqueza e poder (para quem estiver no lugar certo, na hora certa e com o nível de escrúpulos suficientemente baixo). A vida é bela.

CORRUPÇÃO

Nem precisava ter um capítulo só para este tema, porque tudo o que falamos até agora tem, como pano de fundo e também cobrindo o que precisa ser feito por baixo dos panos, essa nossa velha conhecida.

A corrupção faz parte da vida nacional. E não são corruptos apenas os que roubam grandes quantias usando para isso os cargos para os quais foram eleitos. Nem os que compram servidores e agentes públicos como se estivessem em supermercados de almas penadas, para favorecer seus negócios e seus… vá lá, “empreendimentos”.

Nós todos, que praticamos o esporte nacional de roubar um pouquinho, mantemos e alimentamos o clima extremamente favorável para a corrupção generalizada. O mesmo sujeito que fica indignado com o mensalão (mineiro, paulista, furtacor, petista, qualquer um), vive procurando uma forma de “levar vantagem”. Rouba sinal da TV a cabo, para em vaga proibida, saqueia caminhão tombado, bota fita adesiva na placa do carro, ultrapassa pelo acostamento, fura a fila, não para na faixa de pedestres quando está trafegando, mas para na faixa (sobre ela) quando resolve estacionar. E assim por diante. A lista é longa.

E não se vê o menor sinal de que isso vá mudar. Ao contrário: a palavra de ordem parece ser, cada vez mais, “locupletemo-nos todos!”.

CARESTIA

Bem poucas coisas são mais baratas no Brasil do que nos demais países. Tudo aqui é, comparativamente, mais caro. Pra ajudar e facilitar, no apagar das luzes de 2013, o governo, esse nosso inimigo interno, aumentou de 0,38% para 6,38% a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para quem viaja e compra no exterior, igualando o custo dos saques à vista ao dos feitos em cartão de crédito. Impotente (e sem o menor interesse) de fazer baixar os preços aqui e sem poder impedir os brasileiros de irem atrás de preços mais baixos, o governo de sábios do Luladilmismo encontrou uma saída simples, rápida e fácil. Que ainda melhora o caixa, coisa muito importante em ano eleitoral.

O resto? Ora, vocês sabem melhor que eu. As idas aos postos de gasolina e supermercados falam por si só. O novo ano trará grandes emoções.

FELIZ ANO NOVO!

Ranzinzices à parte, gostaria que esta noite fosse mesmo mágica e que 2014, para todos vocês, queridos leitores e leitoras, nascesse amanhã realmente novo e feliz. Ah, e que o DIARINHO, que agora em janeiro completa 35 anos, continue cada vez melhor.

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