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Jornalismo

O Mosquito está morto

Mosquito

Janeiro de 2009, foto de arquivo do Diarinho

DOIS ANOS SEM O MOSQUITO

Por Emanuel Medeiros Vieira

“A maior fraqueza do homem é poder tão pouco por aqueles que ama”
(Blaise Pascal – 1623-1662)

Já faz dois anos da tua partida (hoje é 13 de dezembro de 2013), Mosquito. Passou rápido.

É preciso lembrar os nossos mortos, é preciso recordar todos aqueles que amamos.

Serei breve, nem terei uma postura laudatória. Se convivemos com as nossas imperfeições, por que não entender as alheias? Cometemos injustiças em nossas posturas e avaliações? Cometemos, cometestes. Amilton Alexandre (o nosso Mosquito): teu saldo foi maior. De coragem extrema e de espírito altamente combativo no meio da acomodação, do individualismo do desinteresse pelo outro e pelas mazelas do país.

Há um travo de saudade – mais serenada. Sei, sabemos: foi muita luta, muito processo, muita aporrinhação, muitas dívidas, muitos processos. E o coração fraco.

Fazes falta. amigo. O que posso te contar (somos pó e memória)? O teu Avaí continua na Segunda Divisão, gente que querias que fosse punida continuou impune (é de extrato muito poderoso), a musa do socialismo generoso, a Ideli Salvatti, continua ministra e revelou uma enorme paixão por helicópteros. Os marqueteiros continuam ganhando rios de dinheiro, a mediocridade da nossa classe política é cada vez maior, mas poderosos de plantão foram parar atrás das grades. Um deles – que conheci na luta estudantil na década de 60 (não é uma lembrança que me conforte), que queria ser presidente da República, está no cárcere. É verdade. Não sei se te lembras dele: pela sua pronúncia, é uma mistura de Mazzaropi com Stálin (pela sua prática política).

Poderia dizer: e o amigo foi embora e ficou na terra muito velhaco, ladrão, traidor. Mas é melhor não falar nisso. É do destino, da vida, de tudo.

Cansa? Cansa. Mas a gente não renuncia à luta. Teus bravos amigos blogueiros continuam honrando o ofício, como muitas pessoas de bem. E, humanamente, tenho saudades.

Continuas nos nossos corações e na nossa memória afetiva. Almejo que tenhas encontrado a paz que a vida não te deu. E continuaremos.

PS: Quem se lembra de 13 de dezembro de 1968? Foi o dia da decretação do AI-5, a maior porrada que minha geração recebeu (junto com o golpe de 64). A partir daí, a ditadura ficou tenebrosa, e todas as portas foram fechadas. E ele só foi revogado em 1978.

Mosquito: lá vai um abraço afetuoso do Emanuel Medeiros Vieira

(Brasília, 13 de dezembro de 2013)

A PROPÓSITO…

Nota do Editor: Além desse texto do Emanuel, deixo aqui para quem quiser lembrar quem foi e o que fazia esse cuja morte lembramos hoje, alguns links de posts publicados aqui no De Olho na época.

13/12/2011 – O Mosquito está morto

14/12/2011 – A censura é bicho brabo (artigo do Celso Martins)

15/12/2011 – O silêncio do Mosquito (com texto de Gilberto Motta)

16/12/2011 – O jornalismo, esse desconhecido

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Adorava o jeitão maluco do blog do Mosquito.
    Faz muita falta!

    Posted by Léo | dezembro 14, 2013, 20:52
  2. Neste mundo em que a maioria se omite por ter medo de se queimar com os “colega”, com os assessores, o Mosquito faz muita falta, mas acho que “homens revoltados”, na melhor definição de Camus, sempre existirão. Podem não ser reconhecidos como deviam, mas servem como um alento. Meus reconhecimentos, Cesar Valente.

    Posted by Marcia | dezembro 15, 2013, 12:35

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