// você está lendo...

Cartinha do Emanuel

Pressa e Copa do Mundo

Por Emanuel Medeiros Vieira

PRESSA

“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro se esquecem do presente de forma que acabam por não viverem nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido”.
(Dalai Lama)

Sim, o tempo foge.

Versos do poeta PúblioVergílio Maro (70 a.C-21.a.C), já percebiam esta passagem e fuga: “Mas entrementes o tempo irrecuperável, foge lépido enquanto percorremos ponto a ponto nosso círculo encantado.”

Mas parece que, nos dias de hoje, a ansiedade humana chegou a limites intensos (e dolorosos) – em busca da plenitude através de aparelhos eletrônicos e de outros mecanismos compensatórios.

Como administrar tantas possibilidades? Há o “fluxo fenomenal da explosão internética”. Como nos adaptarmos à aceleração da inovação tecnológica?

Marcelo Gleiser – no texto “Por que tanta pressa?” – fala em dispersão e na informação que vem em correntes incessantes.

“Se esquecermos nosso celular em casa, é como se tivéssemos perdido um dedo ou outra parte do corpo”, escreve.

(Quem “fala” é alguém que não tem tal aparelho. Sim, já teve.)

Marcelo cita o exemplo do momento em que pousa um avião: todo mundo já liga seus aparelhos.

“Não nos permitimos mais espaço para contemplação”.

E não nos lembramos mais da natureza, das estrelas, do céu, das árvores, do canto dos pássaros. E de quem está ao nosso lado. E da amizade.

Já não abemos lidar com tanta informação.

Quanto mais se “vê”, menos se “enxerga” (o essencial).

COPA

Ao contrário de muitos, não sinto nenhum júbilo em relação à realização da Copa do Mundo no Brasil.

Segundo Marcelo Weishaupt Proni, o custo estimado dos investimentos em infra-estrutura para tal Copa ultrapassa os R$25 bilhões. Desse total, apenas 15% são financiados pela iniciativa privada (ao contrário do que fora prometido).

Ela é ótima e lucrativa para a Fifa e para as grandes construtoras.

Quem vai pagar por tudo isso? O povo brasileiro. Principalmente, o brasileiro pobre, que nunca terá dinheiro para por o pé em tais arenas. Chamarão o escriba de “chato”, de que “não curte a alegria popular”.

Enquanto isso, escolas caem aos pedaços, a educação brasileira é um horror, a segurança está completamente abandonada. A saúde? A vergonha de sempre.

Sinto no ar, um nacionalismo – que interessa basicamente às grandes empresas de comunicação que querem criar um euforia artificial –, a tal Pátria de chuteiras”, com aquele cheiro de Médici (quem viveu o tenebroso período sabe disso). Sim, um típico fascismo tupiniquim.

Afora a violência e a selvageria nos estádios, como se viu em Joinville no domingo (8 de dezembro).

Para terminar (nada a ver com a Copa), lembro o que disse o senador Pedro Taques (PDT-MT): “A história de Nelson Mandela deveria levar os condenados do mensalão a pensar duas vezes antes de se dizerem presos políticos.”

(Brasília, dezembro de 2013)

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

Comments are closed.

Posts recentes

O fim de uma era
23 de maio de 2014, 17:27
Por Cesar Valente
E aí? Abandonou o blog?
6 de maio de 2014, 17:46
Por Cesar Valente
Brasília real aos 54 anos
28 de abril de 2014, 22:12
Por Cesar Valente
Beleza e crueldade
28 de abril de 2014, 22:01
Por Cesar Valente
A semana dos enigmas
17 de abril de 2014, 8:09
Por Cesar Valente

Arquivos