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Ranzinzices

A ponte da mãe Joana

No sábado passado a prefeitura de Florianópolis, que tem a chefiá-la o jovem Cesinha Júnior (PSD), abriu um precedente inacreditável no quesito “tornar a vida dos outros um inferno”.

Os gênios da lâmpada que comandam a cidade autorizaram o fechamento de duas pistas de uma das duas únicas pontes que ligam a ilha ao continente, em pleno sábado de manhã, por várias horas, para que ocorresse uma procissão de evangélicos.

Quando estudantes e sindicalistas querem chamar a atenção e criar um grande problema para todo mundo, vão pra ponte, tentar ocupá-la. Aí vem polícia de choque, cavalaria, pimenta nos olhos dos outros e grande aparato para impedir. Mas, para os evangélicos bastou acenar com os votinhos que pastores e bispos mantém no cabresto, para que todas as portas e pernas se abrissem com alegria e presteza.

O trânsito, claro, ficou virado num alho. Quem precisou atravessar a ponte ou mesmo se movimentar dentro da cidade, sofreu horrores. O resultado mostrou que a prefeitura não tinha a menor idéia do que estava fazendo. Autorizaram pensando nos votinhos e acabaram criando um problema que, imagino, vai render muita dor de cabeça.

Sem falar no outro problema: a tal procissão evangélica tinha, para animá-la três trios elétricos com volume no talo. Os vidros tremiam e o tímpanos sofriam. Muitos decibéis acima do recomendado, do necessário e do humanamente suportável. Tudo, evidentemente, autorizado. Nos microfones, os locutores berravam nomes de deputados, vereadores e outros políticos, todos em campanha. Uma beleza. A própria casa da mãe Joana.

Discussão

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  1. O engraçado é que a chiadeira maior foi esse ano, sendo que até o ano passado essa marcha passava pelo centro da cidade, saindo da catedral e vinha pela Othon Gama Deça e depois o pessoal se concentrava no trapiche da Beira-Mar, ou seja, o tumulto era igual ou até maior. Achei boa a ideia de utilizar a Beira-Mar do continente para a concentração desse povo todo.

    Posted by Eduardo | novembro 14, 2013, 22:25
  2. E essa turma do Jardim de Infância ainda fala e acessibilidade. É contra o hotel da Ponta do Coral porque vai aumentar o trânsito Turmo de incompetentes. Estão na PMF para fazer média e política em cima dos menos favorecidos para ganhar as próximas eleições. Hoje é tudo BOLSA FAMÍLIA, cada bolsa no seu molde. A que agora é a bolsa IPTU.

    Posted by José Henrique | novembro 15, 2013, 01:26
  3. Não adianta, no Brasil se instalou um clima de libertinagem que desafia qualquer racionalização.
    Arrisco dizer que todas essa cultura de “manifestações” aconteça pela falta de pulso firme de nossas autoridades, sempre preocupadas em não desagradar nenhum segmento, o que poderia acarretar a perda de votos.

    Posted by Rudi | novembro 17, 2013, 10:03
  4. Culpa da CF que dá garantias de manifestação religiosa em qualquer lugar público, não? Infelizmente, não há leis ‘menores’ que possam controlar tais absurdos, confinar liberdade religiosa apenas a lugares privados como templos e casas de seus crédulos. Não é menos danoso o fechamento das ruas centrais para procissões católicas, sobretudo aquelas que são fechadas antes para decoração de ‘tapetes’. Uma das poucas linhas de ônibus que passam pelo centro, a Agronômica via Gama D’Eça, sempre tem seu itinerário prejudicado por conta do fechamento do entorno da Praça XV. Ano passado, usando a tal linha, vi o quanto estúpido pode ser o ‘poder’ público. O ônibus partiu do TICEN com vários passageiros. Entre os quais uma senhora idosa que precisava de uma muleta para andar. Precisava descer perto do TAC. O motorista fez o de sempre, seguiu o itinerário de costume que inclui passar pelo antigo Terminal Cidade de Fpolis para pegar à direita sentido rua dos Ilhéus e Visconde de Ouro Preto. Ao chegar ao Terminal não pode seguir em frente, estava o trânsito interditado, meio da tarde. Parou e ficou tentando adivinhar o porquê da coisa, pelo jeito não fora avisado [nenhum motorista ou fiscal da empresa sabia?], que o itinerário seria outro… Teve de voltar, retomar à esquerda e pegar a Hercílio Luz, seguindo até poder subir pela rua Emilio Blum/Praça dos “Bombeiros” e av. Rio Branco. E as pessoas que precisavam parar nos pontos da Ilhéus e Ouro Preto? Como ficaram quem precisou descer ou pegar ônibus no trajeto? Ah, que se danassem, ora bolas. A senhora só pode descer antes da Rio Branco, graças ao motorista ‘camarada’ que parou onde nem havia ponto para ela descer e voltar, a pé, até onde precisava descer, perto do TAC. É assim todos os anos, sempre. Nunca é demais lembrar que a mesma linha ficou alteradas mais de 3 meses quando fecharam a rua em frente dos Correios para uma josta de Casa do Papai Noel (antiga Câmara Municipal), que acabou virando feira de artesanato depois da ‘festa’ natalina (6 de janeiro deveriam ter liberado que é dia de desmontar as tralhas das festa mentirosa). As primeira edição infernizou por uns dias, as outras foram ficando, ficando porque o ‘povo’ gostava… De dezembro até março durou a desgraça na última edição, depois o prédio foi fechado para ‘restauração’ e foi uma bênção. Ninguém criticou, nenhum ‘órgão’ de imprensa, certamente por medo de desagradar à ICAR, esta velha meretriz romana que não abre mão do poder parasitando almas de políticos e beatos carregadores de andores locais. Os ‘evangélicos’ fazem o que outros fazem, usam os mesmo esquemas, se escoram na tal ‘liberdade religiosa’ e está para nascer quem ouse enfrentar… Aliás, em 2012, fecharam rua no Estreito, a Heitor Blum, para uma carreata de político candidato. Saiu nos jornais a mudança do trânsito local para o evento. Na ocasião questionei num bloque que a rua era corredor de várias linhas e ônibus (Circular Abrão, Continente, Capoeiras, Vila São João e Ceasa)e quem teria sido o retardado da PMF, do Ipuf, da PM e GM ou tudo junto que teria autorizado a m…. toda e nunca ninguém respondeu.

    Uns se autorizam nos outros, é o velho ‘se todos roubam e fazem’ por que não ‘nós’. Casa da mãe Joana é pouco. Virou mistura de circo com hospício. E religiões aqui não se submetem a nada. Só querem impor, se forem cristãos então pintam e bordam.

    Nunca vi fechamento (tampouco feriados) para festas de religiões afros, nem de judeus, nem de muçulmanos… Ninguém ousa desmontar essa mentira de mais de 2 mil anos e que deu origem ao ‘repetir uma mentira até que se torne uma verdade’(que o alemão, aquele, só tomou emprestado).

    Nenhuma alegria coletiva, qualquer que seja,vale um sofrimento individual. Nem mesmo alegrias religiosas, mas estas são intocáveis e não alcançadas pelas leis. Se os ‘beach club’ quiserem continuar incomodando e expulsando moradores impunemente é só se transformarem em templos religiosos, nem que seja ao deus Baco… Deus por deus, vai que cola. Igreja dos Bacos dos Últimos Dias, Igreja Sara Nossa Mesa, Taberna dos Apóstolos, Assembleia dos Condôminos do Céu, etc. ;)

    Se a quenga romana pôde e pode com as ‘jornadas da juventude’, as outras vão atrás. Simples assim! Ninguém que perder eleitores ou leitores… Por isso jornalistas defendem até capela no jardim do TJSC, se fazem de mortos para a aberração feita com dinheiro público, incluindo restaurações de templos católicos com a desculpa esfarrapada de ‘patrimônio cultural’.

    Posted by Lia | novembro 22, 2013, 18:14

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