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Cartinha do Emanuel

O recado do Appel

Capa do livro

Capa do novo livro do Emanuel

O Emanuel Medeiros Vieira me escreve, faceiro, para contar que recebeu cartinha do Carlos Appel, da lendária Editora Movimento, comentando o último livro, Cerrado Desterro 2. E faz uma pequena apresentação do Appel (como se fosse necessário), em que demonstra sua admiração:

“O Carlos Appel é nosso conterrâneo de Brusque, radicado há muitos anos em Porto Alegre, meu primeiro editor, e sem favor também, um verdadeiro humanista – e muito preparado.

Olha só: ele me examinou na prova oral (havia…), no vestibular de 1965, na UFRGS.

Ficamos amigos.

Meu primeiro texto em livro, foi ele quem publicou: uma antologia, em 1970. Foi o meu primeiro editor e publicou meus primeiros livros individuais. Foi Secretário de Cultura do Rio Grande do Sul por duas vezes.

É uma pessoa íntegra.”

Dito isto, transcrevo o que o Appel mandou para o Emanuel:

Porto Alegre, 10 de outubro de 2013.

Emanuel, saúde.

Fiquei envolvido e emocionado ontem e hoje com teu novo livro Cerrado Desterro, em que juntas as duas pontas da vida, o Cerrado / Brasília e Desterro, a Florianópolis da infância e adolescência, teu tempo de formação, com Porto Alegre como interlúdio importante, pois é aqui que aflora tua visão crítica da realidade brasileira. Também começas, em Porto Alegre, tua carreira como escritor, na Roda de Fogo (1972), depois com A expiação de Jeruza e Garopaba, meu amor. Iniciaste, com estes livros, tua trajetória como escritor, como crítico de cinema, com as bênçãos do inesquecível P.F Gastal, e como memorialista de uma geração que sofreu as agruras do Golpe de 1964.

Tuas Memórias I e II constituem um quadro do país pós 1964, com os 25 anos de ditadura e sua inevitável censura, com o mal-estar generalizado que todos nós sentimos e sofremos. Não foi só o mal-estar freudiano que todos sentimos nesses anos de chumbo, mas a sensação de ter havido um corte transversal em nossas vidas, consubstanciado em perdas e sofrimentos irreparáveis e, para muitos, inúteis e sem sentido. Curioso o fato de todos querermos mudanças, alguns de modo virtual, outros de maneira fectual, como vem acontecendo com os jovens de hoje, subindo no telhado do Congresso Nacional, desordenados e desorientados nos seus objetivos imediatos e a longo prazo. Acho que nos faltou, na época, a noção do Brasil profundo, cujos interesses eram outros.

Nada se faz da noite para o dia – isso nós aprendemos – pois a natureza não dá saltos. E quem leu pra valer a obra de Machado de Assis, sabe o que é viver na periferia do mundo sob o manto dos Brás Cubas, dos Quincas Borbas e Bentinhos, com sua patuleia, e do quanto teremos que lutar e caminhar para chegar a um patamar razoável de vida. Talvez seja este o sentimento que está levando às ruas as novas gerações.

Tuas Memórias I e II trazem à tona essa circunstância, a realidade em transformação pela qual o país passou e continua passando.

Penso que teus livros nos dizem que nossa trajetória inconclusa e imperfeita teve e ainda tem o seu valor. E que é com esse sentimento que devemos tocar em frente e tentar entender o país.
Meus cumprimentos, pois encaminhaste bem a tarefa que te coube.

Vai um abraço do
Carlos J. Appel

Para comprar o “Cerrado Desterro 2” (Memórias, 382 páginas, Edição do Autor), basta mandar um e-mail para metonia55@hotmail.com.

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