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Política

A questão da semana

Sarney e Lula

Lula cochicha com Sarney na sessão especial do Senado. Fotos: Antônio Cruz/Ag. Brasil

Lula e Sarney

Lula de bigode tá ainda mais parecido com o Sarney...

Lula discursa

...

Ulysses Guimarães, que foi um dos principais artífices da “Constituição Cidadã” de 1988, líder político tenaz e habilidoso num período especialmente complicado da vida brasileira, certamente não merecia o que o ex-presidente Lula fez na última terça-feira, no Senado.

Na sessão solene comemorativa dos 25 anos da Constituição, foram homenageados os ex-presidentes e ex-senadores. Teve medalhas, diplomas e discursos lustrando os egos, como em toda festinha desse tipo.

E aí, sem motivo aparente (mas Lula nunca prega prego sem estopa), o ex-presidente e ex-barbudo, resolveu lamber as botas justamente do Sarney. Que, segundo registra a história e muitos de nós viram, foi um presidente medíocre, cheio de hesitações e apegado em demasia à Velha República que Tancredo, pelo menos no discurso, queria soterrar.

E se formos olhar Sarney e seu clã maranhense com lupa, então, não sobra pedra sobre pedra. O estado em que ele e sua família são nome de tudo e onde mandam e desmandam, é um dos mais pobres, pior servidos e mal administrados da federação. Embora a família Sarney seja muito rica e poderosa, não compartilhou com a maioria da população do Maranhão, a fórmula para sair da miséria e ter uma boa vida.

Por tudo isso, pelo menos, é que o elogio desmesurado de Lula causa espanto. O paladino dos desvalidos, o revolucionário líder do combate à pobreza, o homem do povo que se fez por si mesmo, tira do seu tempo para tentar igualar os desiguais, atribuindo a Sarney a uma estatura política que ele nunca teve.

Os cochichos das fotos lá em cima foram registrados nessa mesma sessão do Senado. Não é só uma conversa de ex-presidentes que foram colocados lado a lado numa solenidade, mas é um papo de velhos companheiros, que têm intimidades a compartilhar. Escaldado e experiente, Lula chega a colocar a mão à frente da boca, para que ninguém consiga ler seus lábios.

Portanto, a questão da semana é justamente essa: será que Lula rebaixou Ulysses ao nível do Sarney, dando um pontapé na bunda dos peemedebistas históricos como Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e outros desafetos do PT? Ou apenas turbinou Sarney, sobreestimando o papel que teve como presidente, para conseguir a fidelidade dele e dos de sua espécie, nas eleições que se aproximam?

De qualquer forma, foi um papelzinho (pior que papelão), mais um motivo para aprofundar a descrença geral nessa “política” de compadrio.

Renan e Sarney

Renan Calheiros (!!!) faceiro ao lado do seu ídolo. Foto: Geraldo Magela/Ag. Senado

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