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Campanha 2014

O palanque catarinense

Colombo com Dila

O cabo eleitoral do PT. Fotos: Neiva Daltrozo/Secom e Roberto Stuckert Filho/PR

Aécio e Eduardo

Aécio e Eduardo. Fotos: Moreira Mariz/Ag. Senado e Eduardo Braga/SEI

Estamos naquela época enjoada que antecede os anos eleitorais: a política se transforma num jogo (de azar?) e todo mundo começa a fazer contas. Calculam tempo de TV, alianças por cima e por baixo dos panos, acordos, acertos e embora praticamente ninguém mais faça comício, constróem o tal do palanque.

Como vocês sabem, o mecanismo eleitoral que dispomos permite que partidos sejam adversários nas disputas estaduais e aliados na disputa pelos cargos federais. E vice-versa. O que gera várias situações surreais, mas isso nem espanta mais o calejado (e ludibriado) eleitor brasileiro.

Aqui em Santa Catarina, a candidata do PT à reeleição presidencial tem todo o apoio do governador JR, que é do PSD. Ele próprio é candidato à reeleição e, como fiel seguidor da doutrina LHS de alianças, espera contar com apoio do PP, do PSDB, do PT, do PMDB, do PDT e de todos os outros partidos, claro.

O PSDB vai lançar candidato próprio, provavelmente o Paulo “passagens grátis” Bauer, para dar o tal “palanque” para o candidato a presidente da sigla (Aécio?).

O candidato pernambucano de olhos azuis, de mãos dadas com a Marina (ex-Redecard), está aguardando o palanque que o afamado carpinteiro Paulinho Bornhausen está construindo, com a ajuda do seu papai Jorge, um veterano socialista.

TUDO SE AJEITA

O PMDB, como boa colcha de retalhos que sempre foi, está na fase de tentar valorizar o passe. Faz de conta que briga com o PT, mas a gente sabe que só vai deixar de apoiar a reeleição da Dilma se ocorrer a improvável situação dela ficar pra trás nas pesquisas.

Em SC, o PMDB também faz doce. Uma dissidência conveniente fala em lançar candidato próprio, para derrubar o boa praça lageano de fala mansa. Mas LHS, bombeiro voluntário honorário, tenta apagar o fogo dizendo que está escrito nas estrelas que 2014 é do Raimundo e 2018 é do PMDB.

O PP, parceiro antigo do PT (quem diria, não?), agora também é parceiro do governador catarinense. Vai fazer campanha pelas duas reeleições. Como uma espécie de presentinho prévio, na próxima viagem ao exterior do governador, o vice também some. E aí assume o governo o presidente da Assembléia, que é do PP.

Por falar no Ponticelli, que será governador por um dia (ou dois), taí mais uma prova daquele velho ditado: “a política é uma nuvem”. O que esse moço já falou mal do governo a que hoje se alia…

Bom, mas está tudo acertado e nada combinado. Até o começo do ano tudo pode mudar. E pode ser que nada mude.

E o PT catarinense? Ora, essa é uma outra história, que merece um capítulo à parte. O que só aumenta o suspense e a emoção.

PAU NO COLOMBO

O amor incondicional do Raimundo pela Dilma, ao que tudo indica, não é correspondido na medida em que ele gostaria. Nos sonhos do governador, o PT apoiaria a sua reeleição e participaria da chapa com a Ideli como candidata a senadora.

No PT-SC, contudo, trama-se um cenário de pesadelo para o JR. Cinco candidatos concorrem à presidência do PT no estado e o único ponto em que todas as correntes estão de acordo é que devem ter candidato(a) próprio(a) ao governo. Nada de apoiar o João Raimundo. Uau!

O presidente do partido, José Fritsch, não perde oportunidade de bater no governador. Ele faz piada dessa história do Raimundo dizer que apoia Dilma, mas mantém no governo apoiadores do Eduardo Campos. Isso é, segundo Fritsch, “colocar um pé em cada canoa”. Todo mundo sabe, principalmente quem mora no litoral ou à beira de rios e lagos, que um pé em cada canoa é receita para o desastre.

E quem seria o(a) candidato(a) próprio do PT ao governo? Provavelmente o deputado federal Cláudio Vignatti. Com Ideli ao Senado e algum partido aliado indicando o vice. Ou não, porque o PT é o PT.

O fato é que Dilma poderá ter dois palanques em Santa Catarina. O do governador e o do PT. E, pelo jeito, vai ser difícil reunir as duas turmas num mesmo comício.

Fotos: Eduardo Braga/SEI (Eduardo); Moreira Mariz/Ag. Senado (Aécio); Neiva Daltrozo/Secom (Rimundo); Roberto Stuckert Filho/PR (Dilma); Divulgação (as demais)

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Falando em autoridades federais, menos mal que não havia nenhuma ontem em SC. Assim sobrou um helicóptero para levar os vinte e tantos feridos no morro dos cavalos ao hospital.

    Posted by Juca Natalho | outubro 24, 2013, 07:31
  2. O apoio do JR a Dilma é burro. Não vai ganhar o voto de quem vota no PT, e perdeu o voto de quem não vota no PT. Bem-feito, vai ficar a deriva. O Cesar Jr. segue o mesmo caminho.

    Posted by cego | outubro 24, 2013, 14:32
  3. Já inseri comentários em várias postagens aqui sobre a responsabilidade que cabe ao eleitor em fazer a virada moral nas urnas, escolhendo bem em quem votar.

    Seu artigo de hoje mostra o quão difícil é essa tarefa, uma vez que as quadrilhas instaladas nos partidos só colocam candidatos altamente comprometidos com a cúpula e com a alma mais que vendida. Não há alternativas viáveis.

    A proliferação de partidos de aluguel no Brasil só prejudica a escolha de candidatos porque na fachada apresentam-se como oposição, mas nos gabinetes são fechados acordos de apoio em troca de muitas malas recheadas. É o pior tipo de gente.

    Assim, escolher candidatos de oposição para os órgãos legislativos, de forma a que funcionem como controladores das ações dos eleitos para cargos executivos não é mais uma opção viável.

    Diante dessa lama toda, os honestos que teriam alguma vocação para a política nem pensam em se aproximar dos partidos existentes, deixando o campo aberto para os interesseiros de diversas extirpes (monetária, religiosa, …).

    Enquanto isso na classe média, aqueles que tem acesso a informação e possuem capacidade de interpretação e conseguem ver a sujeira toda, se contentam em trocar entre si mensagens por e-mail de revolta e denúncia contra toda situação de desmando existente, mas que se mostra inócua porque não amplia o universo de pessoas que enxergam a realidade e não muda nada.

    Por fim, os movimentos de protesto nas ruas que poderiam vir a ter um efeito positivo, foram contaminados também por bandidos que ao exercerem a depredação de bens públicos e privados esvaziam os protestos honestos.

    Parece que teremos que aguardar alguém acender uma luz no fim do túnel.

    Posted by Mauricio | outubro 25, 2013, 10:22
  4. Raimundo ganha no primeiro turno de novo. LHS gênio

    Posted by juca | outubro 25, 2013, 10:30
  5. Adorei o “veterano socialista”.

    Posted by Virson Holderbaum | outubro 26, 2013, 16:49

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