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Ranzinzices

Trivial variado*

PRÉ-SAL

O governo Dilma (que os desafetos chamam de Lulilma ou Dilmula) deu um passo gigantesco, ontem, para retirar, dos palanques petistas, o velho discurso contra a “privataria tucana”. Privatizou o que o próprio governo chama de “a jóia da coroa”. Coroa no sentido de Estado, não de balzaquiana entrada em anos.

O “modelo” encontrado ainda vai provocar muita discussão, porque coloca a Petrobras numa saia justa daquelas. Há quem defenda, há quem critique. O fato é que, depois de privatizar estradas e poços de petróleo, será preciso fazer muita ginástica vocabular para continuar dizendo que o reino petista não privatiza.

QUEBRA TUDO!

Tem um tipo de gente que está achando o Brasil uma maravilha: aqueles trogloditas que, em dia de jogo, quebram tudo nas torcidas “organizadas” e, nos demais dias, quebram tudo nas “manifestações”.

Eles ajudam bastante a Polícia e os governos conservadores. Há até quem suspeite que estão sendo remunerados por isso.

GOVERNO INVIÁVEL

O ex-secretário da Comunicação, ex-diretor da Celesc e atual secretário de Administração do governo Colombo, Derly Anunciação, tem uma tese que gosta de debater, sobre “o Estado possível e o Estado ideal”. Que, no final das contas, resume o impasse em que as unidades da federação brasileira foram colocadas: praticamente o total da arrecadação tem sua destinação amarrada a alguma rubrica. Tantos por cento para educação, tantos para saúde, tantos para isto e para aquilo. E, pairando como uma espada sobre a cabeça dos administradores, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece limites para as despesas com o pessoal.

Resultado: não sobra nada para investimentos ou para fazer aquilo que quem está no poder gosta de fazer, para deixar marcada sua passagem por ali.
Claro, todas essas amarras foram sendo colocadas na ilusão (ou esperança) que um dia algum político tivesse coragem de reduzir o tamanho do Estado. Mas eles são políticos justamente porque não são tolos. E nesse vespeiro ninguém mexe.

DEMITIR? NUNCA!

A solução é, teoricamente, simples: se a despesa com a “máquina” (salários, gratificações, custeio, etc) consome um percentual absurdo da arrecadação, reduz-se a máquina e seus custos. Na casa da gente, se o dinheiro anda curto e não pode ter faxineira todo dia, a gente reduz para duas vezes por semana ou até dispensa a moça e assume as tarefas dela.

Mas no governo não se pode falar nisso. E, como disse, nenhum administrador público é burro (ou estadista) o suficiente para sequer tocar no assunto de enxugamento, de racionalização, de melhor aproveitamento do volume de servidores existentes. O corporativismo é fortíssimo. Grupos organizados de servidores elegem deputados, vereadores, governadores, justamente para não permitir que alguém mate a galinha dos ovos de ouro. Ou que coloque uma tranca no cofre da viúva.

O contribuinte, que sustenta tudo isso, espera, com toda razão, ver seu rico dinheirinho transformado em melhorias a que ele tenha acesso. Fica indignado com episódios, que surgem vez por outra, de mau uso do dinheiro público. Mas talvez não se dê conta do que, exatamente, está engessando o governo. Todos os governos.

AINDA A UFSC

A crise da UFSC (que é a crise da universidade pública brasileira) tem origem antiga. Ao longo dos anos, vários avisos foram dados, aos governos e aos governantes, sobre do rumo que as coisas estavam tomando.
Esperavam, os militantes de tantas greves a.L. (antes de Lula), que o PT no poder atenderia às principais reclamações e colocaria o trem de volta nos trilhos onde, a bem da verdade, nunca esteve. Mas o Lula presidente preferiu traçar um outro caminho: o da multiplicação de mediocridades, digo, de cursos superiores. Quer entrar para a história como o presidente que, sem ter cursado faculdade, criou o maior número delas. Dilma, como bem mandada, prosseguiu. E os núcleos de qualidade nas universidades, tachados de “elitistas”, ficaram a ver navios.

Na UFSC, como, acredito, na maioria das universidades públicas que tenham padrão semelhante, a “privatização”, tão temida, sustentou e sustenta alguns dos cursos de maior sucesso. No Centro Tecnológico, a integração com empresas, a transferência de tecnologia e a utilização da universidade quase como setor de pesquisa e desenvolvimento de indústrias, deu o suporte necessário para que se criasse e se mantivesse aquele centro de excelência.

Os cursos que ficaram esperando e dependendo das verbas estatais para equipamento, pessoal, para tocar projetos e mesmo para realizar eventos, deslizaram ladeira abaixo, deixados à míngua.

RECORDAR É VIVER!

“A corrupção, no meio político, cada vez é pior. Disse no começo e repito aqui: quem faz a corrupção é o Executivo, que é quem tem a caneta e a mala na mão. E ele é que faz os negócios todos. Como eu falei há pouco: qualquer tipo de acordo que é uma… levando uma vantagem, é uma negociata, é uma corrupção. Citei aqui o caso do Colombo, né, porque, de fato, o Luiz Henrique metia o pau no Jorge Bornhausen, porque era oligarquia e o Colombo metia o pau na descentralização. Que eu concordo. Acho que não descentralizaram a administração, descentralizaram o cabide de emprego. Isso é que foi descentralizado aqui em Santa Catarina. E taí, cada secretaria era negociada com um partido ou com outro. Então, isso pra mim é corrupção. Eu acho que você começa dando exemplo, você que tem um mandato na mão, que tem o poder na mão. Então se nós não mudarmos a cultura brasileira, nós vamos ter muito problema pela frente.”

Transcrição de trecho da participação do ex-deputado Dejandir Dalpasquale (PMDB), no Programa Conversas Cruzadas, da TVCom (canal a cabo do grupo RBS), em 13 de setembro de 2007.

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* “Trivial Variado” foi título de uma coluna que o Marcílio Medeiros Filho publicou em O Estado nos anos 70. Que depois, por volta de 2004, o Damião também usou. Acho que funciona muito bem quando a coluna tem, como a de hoje, o trivial… variado.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Dinheiro tem, e muito!
    No jornal de hoje de manhã, mostrou as diárias de Teresina: mais de R$ 1.300,00.
    Pelo Brasil a fora; naves (se fossem carro populares, ainda seria demais…), motoristas, mordomias1000, SDRs, passagens executivas, helicópteros.
    Falta gestão, falta funcionário. Sobram cargos comissionados, mordomias e desperdícios…

    Posted by Léo | outubro 22, 2013, 10:58
  2. Cesar
    Não é para demitir funcionário.

    O correto é não terceirizar serviços. É ai que estão as falcatruas do governo.

    Contratam os “funcionários” que eles (governo) querem e ainda fazem caixa dois.

    Posted by osvaldir | outubro 23, 2013, 00:22
  3. As estórias do Derly o tio Bruda conhece bem, tio Cesar!

    Tio Bruda e a reunião do Governo em Lages

    - Alô!! Alô tio Canga!!!!! Tem linha aí tio Canga???
    - Oi tio Bruda, tá meio ruim a ligação, vai pra perto da janela!
    - Tio Canga do céu, to com as bota branca de geada em cima de um cupinzeiro e não tem jeito, vamos ter que falar assim mesmo!
    - Tá bom tio Bruda, diga lá!
    - Tio Canga, disculpe a ausência, mas fui acometido da tal de pedra nos rim e andei meio adoentado, tava só na base do chá de Carqueja e Quebra-pedra.
    - Tá, mas melhorou tio Bruda?
    - Olha, se melhorou não sei, mas botei tanta pedra pra fora que dá pra faze uma taipa!
    - Me conta as novidades daí de Lages tio Bruda.
    - Novidade aqui em Lages é a Festa do Pinhão.
    - E como está a festa tio Bruda?
    - Olha tio Canga, tem gente e pinhão a reviria! Mas o que tá chamando a minha atenção é que a cada passo que eu dou encontro um tal de secretários desse do Raimundo Colombo festiando por aqui. Essa gente não trabaia tio Canga?
    - Não tio Bruda, eles estão trabalhando. O Raimundo convocou uma reunião grande aí em Lages. Tá todo o governo aí. Por coincidência está sendo nos dias da Festa do Pinhão!
    - Mas a reunião é aqui mesno no parque Conta Dinheiro? Eu só vejo eles aqui!
    - Essa reunião o Raimundo convocou para o secretário Derly apresentar o resultado daquele plano de enxugamento pra economizar dinheiro, lembra tio Bruda?
    - Pois eu to lembrado, mas vem cá, esse Derly não é aquele peão do Luiz Henrique que também já foi meio capataz dos gaúcho lá da RBS?
    - É esse mesmo tioBruda. Hoje o homem está meio de patrão do governo.
    - Mas como é que pode um home que fica dizendo um monte de besteira nas tal de rede social ser home forte do governo, tio Canga? Me dá até pena do Raimundo, com semelhante candieiro mil vezes no escuro!!!!
    - É tio Bruda, agente tem visto coisa, mas agora parece que o Derly vai dar jeito no governo. Agora apresentou um novo plano, parece que é o Plano D (de Derly).
    - Mas vão economizá o que tio Canga? Tão tudo aqui com diária do governo, queimando gasolina pelas estrada e fazendo festa com hospedagem paga nos hotéis.
    - Tio Bruda, eu estou esperançoso que o Derly de jeito no governo. Ele, em fevereiro, se deu um prazo de seis meses para resolver os problemas, senão ele ia embora.
    - A não tio Canga, pelos meus conhecimentos ele já está de mala e cuia pra saltá fora. Tá faltando menos de 60 dias pra ele sair. Esse Derly tá se metendo a jacú sem rabo. Acho que vai dá com os corpo no arame. Tá mais atrapalhando que ajudando. Cada dia tem uma novidade e um choro diferente e o governo não sai do chão, não melhora.

    - Isso tio Canga, é a herança maldita daquele maledeto do Luiz Henrique que deixou um monte de pinduricalho no governo do Colombo e engessou o home! Isso é caso pensado pro PMDB voltá pro governo. Eles continuam tudo aboletado pelas tal de regionais e pelas secretarias de verdade també. O Raimundo não consegue fazê nada com essa gente. Ficam mamando direto no nosso dinheiro e fazendo política. Administrar que é bom, neca!

    Posted by Canga | outubro 23, 2013, 10:14

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