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Política

Contando, ninguém acredita!

Tudo indica que o Rei Nério, o Rei Pitanta e o Rei Camilo serviram,
a seus súditos do reino de Paglioça, esgoto em vez de água

1

Era uma vez um longo país distante. Para não complicar a vida dos advogados do DIARINHO, vamos chamá-lo por um nome fictício: Paglioça. Em 2007 o reino de Paglioça era governado por um monarca muito poderoso, a quem chamaremos de Rei Nério.

O Rei Nério sempre foi muito industrioso. E mesmo sem cuidar muito bem de várias áreas do seu reino, que tinham ruas esburacadas e maltratadas, gostava de inventar moda.

Uma das invenções do Rei Nério, em 2007, foi uma nova sesmaria, a Águas de Paglioça. Trouxe da Casan o chefe de clã conhecido como Fernandes Sênior, para instalar a coisa.

2

A partir da sua instalação, a sesmaria passou a ser propriedade do clã familiar. O Sênior era o chefão. E o Fernandes Júnior era o secretário do tesouro real. Tudo em casa. E o Rei Nério nunca teve do que se queixar. Conseguiu até eleger sua esposa, a Rainha Dirce, como deputada.

Pra poder atender melhor aos vários continentes, embora o Rei fosse do PMDB, o clã se manteve no PSDB. Como duques e barões, mantinham controle da sigla no município. Até certo ponto.

Na campanha para a prefeitura, o clã descobriu que o candidato do PSDB pretendia mexer na galinha dos ovos de ouro. E tratou de puxar o tapete.

3

Os tucanos que dirigiam o PSDB do reino de Paglioça puxaram tão bem o tapete do seu próprio candidato, que conseguiram não só anular a convenção que o indicou, como melaram completamente sua vitória. E tomou posse o segundo colocado, que não representava qualquer perigo para os planos do clã. Tanto que colocou o Júnior na corte, como secretário do governo real.

Mesmo durante o tempo de incertezas, enquanto se esperava a decisão da Justiça Eleitoral, o clã não se apertou: continuou onde sempre esteve, controlando a Água e parte do governo interino. Os Fernandes são, como a história mostra, prodígios da política: conseguiram atravessar três reis sem serem incomodados. E o rei que poderia causar problemas, nem chegou a ser coroado.

4

Até que, esta semana, a casa caiu. Um promotor inxerido, depois de uma investigação relativamente longa, pediu a prisão em flagrante dos líderes do clã. Foram pegos, diz o promotor, com a boca na botija (e dinheiro vivo no carro). Ontem, a Justiça confirmou o xadrez, determinando a prisão preventiva.

De uma hora para outra, tudo o que se falava à boca pequena, sobre o enorme rolo eleitoral, acabou ficando mais claro. Parte dos interesses “meramente políticos” que levaram o presidente do PSDB daquele reino longínquo a montar um processo complicado (e arriscado) para desautorizar o candidato do seu próprio partido, foram colocados sobre o capô do carrão importado do Fernandes Júnior, assim que a polícia descobriu o fundo falso do veículo.

5

Em sua defesa o clã Fernandes poderá dizer, como dizia antigamente um dos personagens do Chico Anísio, o Altivo Belo Tavares da Cunha, grande canalha, conhecido na intimidade como Tavares: “sou, mas quem não é?”

O que eles fizeram que não tem gente fazendo em todas as esferas de governo? Eles “apenas” tomaram conta de uma sesmaria para garantir a) a “governabilidade” de um reino loteado e b) a adequada remuneração do clã e do caixa partidário, por sua dedicação ao item a.

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Uma das poucas novidades do caso é que insere, definitivamente, o PSDB no mesmo lamaçal onde já chafurdavam outros partidos. Dá-se, pela pior via, a coligação tão sonhada: no caso do reino de Paglioça será difícil separar, em qualquer investigação séria, o PMDB do Rei Nério do PSDB do clã Fernandes.

Assim como será impossível deixar de alcançar, se houver interesse e, repito, seriedade, os gênios idealizadores do esquema que foi posto em prática naquele reino. Pela desenvoltura com que faziam o que faziam, deviam ter as costas quentes. Se, por algum motivo, resolverem abrir a boca, vai ter muita gente se borrando de medo.

Mas, pelo jeito, ninguém vai falar nada e tudo acabará numa daquelas pizzas de gosto amargo a que estamos nos acostumando, servida pelo pessoal que, nos vários Poderes, têm interesse em manter o lucrativo status quo.

7

Agiram com correção, neste caso, até onde se sabe, o ministério público, a polícia e o Judiciário. Mas que tal ir um pouco adiante? Por exemplo: o Júnior de Paglioça andava pra lá e pra cá de carrão importado, com sinais externos de riqueza incompatíveis com os proventos de mero secretário municipal e não se sabe que tenha sido incomodado por isso.

Já um desafeto do governo, o Nei Silva, da revista Metrópole, que tem suas denúncias sob censura do Tribunal de Justiça, sofre os rigores da lei: sua sogra comprou um carrinho popular e a Seceretaria de Estado da Fazenda mobilizou a Diretoria de Administração Tributária e a Gerência de Fiscalização do Grupo Especialista Setorial da Gerencia Regional de Joinville, para que fossem buscar informações sobre esse “suspeitíssimo ato”.

Que tal o governo Colombo, do partido do atual prefeito de Paglioça, aliado do PSDB e refém do PMDB, dar o mesmo tratamento aos bagrões envolvidos em suspeitas até o pescoço que habitam municípios e repartições estaduais?

“As conversas telefônicas e o acompanhamento dos investigados apontam a provável existência – há tempos, registro – de nefasto esquema de corrupção no seio da administração pública deste município.(…)

“A sociedade de bem não suporta mais conviver com agentes públicos corruptos, sendo merecedores de severa atuação do Poder Judiciário com a finalidade de acautelar o meio social.”

Juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta,
nas sete páginas em que fundamenta a prisão preventiva do clã Fernandes.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. E o “Rei Mundo”, quando prefeito de Lages, será que também provou dessa “raiz” pra abandonar a CASAN?

    Posted by carlos | julho 18, 2013, 09:35
  2. O Rei Nerio ,tinha “seus negócios” ligados a área de jardins, principalmente ao jardim zoológico.

    Como precisava de agua para os seus bichos “criou ” a aguas de paglioça SIMPLESMENTE ISTO.

    Posted by Edu | julho 18, 2013, 14:33
  3. Mais um exemplo de gente que não entendeu (ou se fez de surdo) os pedidos do povo se manifestando por honestidade, comprometimento, boa gestão… E claro, a certeza de impunidade para essa gente…

    Posted by Léo | julho 18, 2013, 14:48
  4. Pois é, aposto que veremos daqui a pouco todos soltos, taliquali os da Moeda Verde.
    E o PBB, que tanto fez por seu candidato, bebeu água também?

    Posted by Pela Verdade | julho 18, 2013, 16:46
  5. E ainda não investigaram os casamentos dos reis da Palhinha com os grão-duques de Joturville. Aquele feudo que manda e desmanda no teletransporte da região, comprou um terreno pra ser sua garagem e sede de empresa, transformou em terminal urbano ‘municipal’, arrebentou com a vida de todo mundo com baldeações e tudo sem licitações. Deve ter sido usada a dispensa em razão de ser única com capacidade técnica altamente especializada e sem concorrentes.
    Se as águas rolaram, imagino o que não rodou em pneus…
    Não demora vai obrigar a Viação da Imperatriz fazer parada obrigatória no terminal municivado ou privacipal. Vai ver até já estava planejado com alguns baldeadores da capital do reino da magia.

    Dá medo só de pensar.

    Posted by Lia | julho 18, 2013, 23:36
  6. E o pior de tudo..O coronel tinha esquema no começo junto com o Caco, dai brigaram… Vai voar merds pra todo lado. NAO SE SALVA UM

    Posted by juca | julho 19, 2013, 12:47
  7. Escândalos por escândalos, já ouve maiores e a história os conta que depois da agitação, em pouquíssimo tempo essas águas voltarão a ficar calminhas.
    Quem lembra do figurão político que foi gravado intermediando favores políticos a uma distribuidora de combustíveis em troca de R$ 100 mil?
    Cadê a solução?

    Posted by Alex | julho 21, 2013, 11:01
  8. Acho que o Dominó do Estimado de 2014 estará desfalcado! Vejam nas páginas 34/35 quem foram os anfitriões desse ano:

    http://pt.calameo.com/read/00161578547c483d89f5e

    Posted by Eduardo | julho 24, 2013, 15:58

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