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Governo Colombo

JR vai mexer nas SDR… um dia

João Raimundo

João Raimundo imóvel. Foto do A. C. Mafalda/SECOM

O pessoal que governa o estado de Santa Catarina tem um pensamento sobre o ritmo das coisas que é mais ou menos igual ao de todos os políticos: no primeiro ano do mandato nada acontece porque estáo conhecendo a máquina, vendo como funciona e identificando os gargalos. No segundo ano, vão atrás de dinheiro, porque só com a arrecadação, em geral totalmente comprometida com a folha e outros destinos carimbados, não dá pra fazer muita coisa. No terceiro ano, finalmente, dá pra começar as obras. Como o quarto ano é o último e também ano eleitoral, tem que fazer obras que possam ficar prontas rápido, a tempo de aparecer no horário eleitoral ou até mesmo de serem inauguradas antes.

É um raciocínio que tem uma certa lógica, mas que deve preocupar todos os contribuintes/eleitores que tenham um pouco de bom senso. Não dá pra viver assim.

Imaginem esse mesmo cronograma sendo repetido cada vez que entra um novo governante. Serão sempre dois anos de paralisia, pelo menos. No caso do segundo mandato, caso seja reeleito, muda um pouco, porque não precisa “conhecer” a máquina. Mas também é necessário acomodar os novos parceiros e reacomodar os derrotados.

De qualquer forma, nas prefeituras, no governo do estado e mesmo na presidência da República, vivemos no curto prazo. E sempre voltados para o processo eleitoral. Tudo é feito ou deixado de fazer pensando no reflexo que terá na eleição.

Vejam só o caso escandaloso das Secretarias do Desenvolvimento Regional em Santa Catarina. O governador tem uma opinião a respeito e dela não faz segredo: acha que o número de SDR é exagerado, mantém as objeções que fez à época em que as chamou de cabides de emprego e pretende modificá-las.

Quando?

Só no segundo mandato. Mexer nesse abelheiro agora poderia comprometer o delicado equilíbrio de forças ou criar alguns poderosos descontentamentos. Por isso, mesmo achando, como a maioria dos catarinenses, que as SDR passaram dos limites, o governador vai continuar engolindo esse sapo, em nome da garantia da reeleição.

É assim que funciona. Não tem “gestão moderna” que resista à lógica eleitoral. Sempre que o aperto nas contas ou a pressão pela mudança de gestores puder atrapalhar a campanha eleitoral, fica tudo como está. E isso acaba se refletindo na saúde, na segurança, na educação e em todas as demais áreas.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. É no que dá novato na política… Nunca sabe o que fazer e quando faz, faz m***a…

    Posted by Léo | maio 23, 2013, 11:13
  2. As SDRs são o maior cabide de empregos da história de Santa Catarina. É o grande ralo por onde escoam os recursos que deveriam estar sendo aplicados em segurança pública, saúde e educação. Sempre foi e sempre será poleiro de apadrinhados políticos e cargos comissionados. Uma vergonha.

    Posted by Xunda | maio 25, 2013, 00:02

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