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Governo Colombo

À mesa com o João Raimundo

Colombo e eu

Molecagens sobre fotos do A.C. Mafalda/SECOM

Se eu fosse ainda mais exibido do que sou, poderia começar esta nota escrevendo a seguinte frase: “Ontem almocei com o governador de Santa Catarina, que estava acompanhado do boa praça Murilo Flores, secretário do Planejamento e babá do Pac-to. No cardápio simples, porém eclético, filés bovino e de peixe, camarões crocantes e salada”.

Mas eu sou, antes de tudo, um sujeito modesto, que não fica por aí contando vantagem. Até porque não estava sozinho. O almoço de ontem na casa do governador foi para colunistas, jornalistas e radialistas do interior (donde o convite para o DIARINHO) e teve uma boa presença de colegas até das regiões mais distantes da capital.

O PACTO, VINHA CANTANDO ALEGREMENTE…

O prato principal, naturalmente, era o Pacto por SC. O governo está preocupado em fazer com que todos nós sejamos apresentados a todos os detalhes do Pacto. Houve apresentação em power point, entregaram pastinha com muita informação e, além do discurso, o governador respondeu a várias questões, relacionadas ou não ao Pacto.

Raimundo vê esse conjunto de ações, que o papagaio de R$ 9 milhões (às vezes citado como “de mais de R$ 7 milhões”) está viabilizando, como a redenção do estado. Mas no fundo, no fundo, a gente sente que ele também está achando que é a salvação do governo dele e uma grande alavanca para a reeleição.

Ele sabe que muita gente acha que as coisas estão demorando a acontecer. E chegou a mencionar essa angústia: “não tem dor maior que a dor do fracasso”, disse ao contar que em alguns momentos ele temeu decepcionar seus eleitores. Mas agora, depois de assinar “o maior contrato da história do sul do Brasil” (o papagaio com o BNDES) e ver que muitas obras entram na fase de execução, está mais otimista e animado.

PRA QUE MESMO TODA ESSA PRESSA?

O governo espera para muito breve a aprovação, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, do projeto de Lei 61/13, que instala o tal Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) no Pacto por Santa Catarina.

O RDC é aquele atalho que foi engendrado para dar “velocidade” às obras do PAC da Dilma, em especial aquelas que têm relação com a Copa e a Olimpíada. Trata-se de uma alteração na lei das licitações, que tem, fora do governo, vários críticos. E, nos governos, inúmeros defensores.

Diz o governo, na justificativa do projeto: “a medida tornará mais rápido o trâmite das licitações que serão abertas para as obras previstas no Pacto. (…) “Desta maneira, com o escopo de se executar obras e serviços inadiáveis de infraestrutura, bem como, diante da grave crise que se instalou em passado recente no cenário da Segurança Pública, decorre a necessidade de um procedimento mais dinâmico, menos burocrático e de grande relevância para a realização de obras e serviços nessa área, em benefício de toda a sociedade catarinense”.

As empreiteiras devem estar batendo palmas para esse processo “menos burocrático” e cheio de pressa. A pressa, vocês sabem, tem seu preço. E o afrouxamento dos controles, também.

EM TEMPO: depois de ter enviado o texto acima para o DIARINHO, recebi um comentário do secretário de Planejamento, Murilo Flores, sobre esse regime: “A grande vantagem da utilização do RDC é que, apenas com informações básicas sobre a obra, o Estado pode fazer a licitação do projeto e da obra. Com isso, pode-se encurtar de três a quatro meses um processo de concorrência pública. O regime dará maior segurança nos processos licitatórios já que muitos serão feitos por meio de pregão eletrônico e outros presenciais”. E o secretário da Casa Civil, Nelson Serpa, afirma que “a diminuição da burocracia e a redução dos prazos não significam menos rigidez no controle sobre os processos de concorrência pública no Estado”.

Então tá. Com os quatro pés atrás aguardo que o tempo passe e que as desconfianças mostrem-se infundadas.

VAIS MEXER FINALMENTE NAS SDR?

Ao final do almoço, os colegas puderam fazer perguntas ao governador. Uma delas trouxe embutida a grande pergunta que não quer calar desde que Colombo assumiu: “e as SDR, serão mantidas?”

Raimundo não se demorou muito tempo na resposta. Disse apenas que vai tratar das SDR no ano que vem. Disse também que antes tem que fundir algumas empresas e “modernizar a estrutura do estado”.

Na hora não tive a agilidade de perguntar se ele iria mesmo mexer nas SDR em ano eleitoral. Como todos sabemos, as SDR funcionam apenas como cabide para cabos eleitorais e candidatos… Falar em extingui-las é criar milhares de inimigos.

Colombo e eu 2

Ouvir com atenção tudo que o anfitrião diz faz parte do jogo para quem aceita convites para almoços oficiais. Mas no fim sempre tem alguma coisa que se aproveita...

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Obra pública sem licitação em prol do estado? Tem que ser muito inocente mesmo pra acreditar na boa fé dessa gente.

    Se o governador até agora não fez quase nada, num passe de mágica vai resolver tudo com esse empréstimo de R$ 9 bilhões ou vai contentar seus amiguinhos como vem fazendo em diretorias da Casan e Celesc por exemplo?

    Quem mais financia as campanhas? Empreiteiras e construtoras, que irão fazer obras sem licitação? E se der merda de quem os órgãos como TCE irão cobrar depois de 2014?

    Posted by Henrique | abril 11, 2013, 11:40
  2. Gostaria de saber do gov Colombo por que se mexe tanto na Secretaria da Cultura, Turismo e Esporte, que já tem o seu quarto secretário, o Beto Martins, e vai para o quinto em abril de 2014. Acho que ninguém perguntou isso pra ele. Aliás, é uma área que parece não sensibilizar nossa mídia. Está todo mundo preocupado com obras que não saem nunca do papel. Também não li ou ouvi uma linha sobre a situação da saúde e da educação. Temos que fazer essa autocrítica. Ainda que em almoço oficial, cheio de salamaleques, o homem deu entrevista. Ou não? Foi apenas um pronunciamento?

    Posted by Mário Medaglia | abril 11, 2013, 17:56
  3. O papagaio é de R$ 9 bilhões, e não R$ 9 milhões como consta no texto. Se fosse só isso nem precisaria de empréstimo no BNDES (ou o Gavazzoni está certo e o Estado está quebrado pra valer).

    Posted by Fernando S | abril 11, 2013, 18:43

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