Está um pouco tarde (afinal, hoje é dia 11, quase metade de janeiro), mas acabei de anotar, no caderninho das coisas que um dia farei, uma série de resoluções que pretendo levar à prática em 2013.
A primeira delas, provavelmente a mais importante, é tirar férias. Farei isso imediatamente, já em fevereiro, para preparar o corpo e o espírito para o novo ano, que começa, como sempre, em março.
Cada vez mais me convenço que o ser humano não nasceu para trabalhar. Nasceu para gozar a vida, apreciar as belezas colocadas ao nosso alcance e usufruir da maior riqueza que alguém pode ter, que é o ócio. O lazer. O dolce far niente. A preguiça criativa ou a velha, simples e nunca demasiadamente apreciada, preguiça propriamente dita.
Por isso, o melhor a fazer para se preparar para o novo ano, é tirar férias. Nas férias este blog, que continuará sendo atualizado todas as terças e quintas até o final de janeiro, também entrará em animação suspensa. Vai hibernar o sono dos justos, esperando o amanhecer de um novo dia, em março. Ou abril.

American Storytellers*, do Andy Thomas.
Depois das férias, tratarei de ir atrás das demais resoluções. São várias e de natureza tão diversa que se eu as transcrevesse aqui, vocês parariam de suspeitar que sou meio maluco e passariam a ter convicção da minha total falta de senso.
Mas posso comentar uma ou outra sem correr esse risco. Por exemplo: durante boa parte da minha vida estudei o desenho gráfico de jornais e revistas que eram, naturalmente, impressos. Agora estou estudando o desenho gráfico de jornais e revistas em tabletes e outras plataformas assemelhadas. A essência, como tem preconizado o mestre Mário Garcia, é a mesma. Trata-se de contar histórias. O que muda é a perfumaria, o ferramental utilizado para fazer essa história chegar ao leitor/espectador.
Pra quem começou a vida publicando jornais mimeografados (como o lendário O Bafo, no Colégio Catarinense, no final da década de 60), ter à disposição uma tela portátil em que as fotos podem ter movimento, as citações podem ter som e os destaques podem abrir outras páginas instantaneamente, tudo com boa resolução e utilizando a tipologia e os recursos gráficos que quisermos e sonharmos, é o paraíso.
Queria também poder ajudar mais jornais pequenos e médios (e os profissionais que trabalham neles), a encontrar as boas histórias locais e a recuperar a alegria de contá-las de uma forma que aqueça o coração dos leitores e traga orgulho e gratificação para quem as publica.
Seria bom substituir essa palavra “repórter”, tão estrangeira e, a esta altura, de significado tão distorcido, por “contador de histórias”. Ou coisa parecida. E animar a rapaziada a encontrar, todos os dias, boas histórias, que devem ser contadas sem que percam o sabor e os detalhes picantes.
Não existe mais nenhum motivo para que pequenas e médias empresas contadoras de histórias sintam-se diminuídas perto dos grandes conglomerados, dos oligopólios de mídia. Ao contrário: está chegando a hora em que os companheiros que trabalham nesses monstros engessados e sem alma, comecem a sentir inveja de quem está próximo das suas comunidades, escolhendo seus assuntos conforme as preocupações da vizinhança e contando o que todos querem saber, de um jeito que a maioria entenda.
Não vou adiante, porque a lista é grande e ainda estou apenas nos primeiros itens. Espero que vocês também tenham feito suas listas de coisas a fazer para que 2013 seja diferente de 2012 e, se possível, melhor. Ou, se não for possível, pelo menos mais divertido.
Um bom ano, bom carnaval e boa Páscoa.
*PS: o quadro que escolhi para ilustrar essas caraminholas é uma brincadeirinha em que o autor, Andy Thomas (nascido em 1957 e famoso por seus quadros retratando o velho oeste e cenas da Guerra Civil), reuniu famosos contadores de histórias dos Estados Unidos: Norman Rockwell, Buffalo Bill, Teddy Roosevelt, Ronald Reagan, Ernest Hemingway, Will Rogers, Frederic Remington, Charles M. Russell e Benjamin Franklin (e o autor de costas, apoiado no tronco) ouvem, divertidos e interessados, o que Mark Twain está contando.
Não li acerca de seu interesse para assistir bons filmes. Eis, sem dúvida, um programa imperdível, principalmente quando se deixa de lado o trabalho para frequentar o cinema. E quando é no mesmo horário, o filme fica até melhor.