Estava ouvindo a defesa de mais alguns dos acusados de participar da festa do mensalão, quando lembrei de um fato engraçado que tem e não tem a ver com o caso.
Quando o Delúbio depôs na CPI do Mensalão, em agosto de 2005, contou um episódio que demonstra bem como as coisas são feitas nesses ambientes de acordos políticos e acertos “ideológicos”.
Para a campanha de 2002 o PT fez um acordo com o PL, partido que indicou o vice de Lula. Segundo Delúbio, tesoureiro do partido, a coligação “foi um acerto político, que previa o repasse de 25% do total arrecadado na campanha presidencial para o partido do vice, o PL de José Alencar”.
A identidade programática dos partidos nem entrou na conversa. Claro. Nem precisava, porque o acerto financeiro parece ter sido satisfatório.
Mas Delúbio disse mais: “a reunião entre os dois partidos para definir o acerto ocorreu na casa do deputado Paulo Rocha (PT-PA), com a presença de Lula, Alencar e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto”.
E aí é que vem a parte interessante, importante e intrigante do evento: na hora do acerto, Lula e Alencar “não estavam presentes”. Continuavam no apartamento, mas foram para outra dependência.
Graças a essa prosaica providência, Lula pode dizer, sem mentir, que não presenciou negociações financeiras ou que não falou de dinheiro com partidos “da base”.
Seguindo esta lógica, se alguma coisa ilícita aconteceu no gabinete do então ministro José Dirceu (afinal, ele foi demitido por algum motivo), naturalmente o presidente, que ficava em salas muito próximas, não sabia de nada. Estava em outra sala. Capisce?
As defesas dos réus do processo do mensalão valem-se muito dessa lógica simples e, até agora, eficiente: o acusado estava em outra sala, ou estava em outra função, ou não tinha conhecimento técnico suficiente para tomar a decisão…
O eleitor, ao que indicam as pesquisas, está aceitando tudo muito bem, embora com uma certa confusão mental: 73% querem os mensaleiros na cadeia. E 70% querem Lula presidente. Como bem lembrou o jornalista Sandro Vaia, “parece que as escolas brasileiras não ensinam as relações de causa e efeito”.
Caro Jornalista,
O Povo sabe sim as relações causa e efeito.
Com toda educação não estou em defesa do Governo Lula, mas sim na política social, onde melhorou para somente 32.000.000 das classes C e D, por isso que avalia o Governo Lula em 70%. Somente quem é cego, aposta contra o povo, neste caso a grande mídia.
Por sinal, sou pós-graduado e sei o que é política social, também sei o que é passar fome, frio, etc.
Para fazer o meu 2º grau tive que trabalhar para pagar o ensino, inclusive continuar trabalhando para realizar o meu sonho, se formar no ensino superior.
Abs.
Célio
Veio por E-mail, mas serve pro Célio Maciel Machado. Leiam:
“Meu Amigo Petista”Tenho um amigo petista (pessoa incrível e honestíssima), que escreveu sobre o relatório da OIT – Organização Internacional do Trabalho, mostrando que a pobreza no Brasil caiu 36% em 6 anos, e dizendo que deve ter gente mordendo os cotovelos de tanta raiva. Não resisti e respondo publicamente.’Rir com dente é fácil’.Quero ver agora que o preço das commodities caiu, que o modelo de exploração de petróleo criado pela presidanta prova-se inviável, que a Petrobras não consegue mais segurar a inflação artificialmente baixa, que o pibinho petista não vai sequer chegar a 2%, que o Brasil começa a ser encarado como um país onde é difícil fazer negócio por tanta intervenção e achaques às empresas, que o prazo razoável de fazer as importantes reformas (previdenciária, tributária, fiscal, política…) já venceu, que não houve um mísero progresso nas variáveis que impactam o aumento da produtividade e da competitividade (infraestrutura, educação, ciência e tecnologia), que todos os esforços foram direcionados à anabolização dos números no curto prazo em detrimento da poupança e do investimento no longo, que os sete (eu disse SETE) pacotes lançados nos últimos meses para tentar ressuscitar o paciente moribundo mostraram-se tão patéticos quanto as pessoas que os maquinaram, que as famílias estão endividadas até o talo de tanto estímulo ao consumo, que a arrecadação já dá demonstração de queda (mesmo com o aumento das alíquotas, o que representa perda real em base tributável — ou atividade econômica)…Eu poderia continuar por mais uma semana elencando a sequência de burradas dos governos petistas. E olha que eu nem entrei no mérito moral — aí, é “capivara” mesmo, ficha policial!Com economia aquecida e uma carga tributária boçal (em ambos sentido: quantidade e qualidade), é fácil ter muito dinheiro para gastar. Distribuir aos pobres parece coisa de gente de bom coração. Renda na mão de pobre vira consumo e consumo conta para o PIB. E, na mão de petista, vira voto na certa.Mas agora que o dinheiro vai começar a rarear, quero ver onde vai estar o coração dessa gente. Ou vão cravar mais fundo os dentes no setor produtivo da sociedade ou vão ter que escolher o que deixa de receber recursos. Tenho certeza de que o caixa 2 das campanhas eleitorais deles está garantido — até porque este parece ser (por mais surreal que possa parecer) o ÁLIBI dos 36 réus do mensalão.O fato é que, 10 anos depois, o pobre brasileiro pode ter ficado momentaneamente menos pobre na carteira, mas não se tornou um milímetro mais capaz de enfrentar os desafios do mundo moderno em que o país compete. Basta ver que os analfabetos funcionais das faculdades de gesso do Luladdad chegam a 38% (é inacreditável, mas é verdade).Acabada a farra da gastança, voltaremos para a mesma estaca em que estávamos antes. Um pouco piores, na verdade, graças aos retrocessos que representam os constantes ataques às instituições da sociedade (a Justiça, a liberdade de imprensa, a independência dos poderes, o que restava de honradez no Congresso, a política externa que deixou de servir à nação para se dobrar a um projeto particular de poder…) e às bases da economia de mercado tão sólidas que os petistas herdaram de seus antecessores mais capazes (a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Bolsa Escola — este, sim, carregava uma contrapartida que produzia um efeito positivo no longo prazo em vez de boçalizar a população com esmola–, a autonomia do Banco Central, a confiabilidade dos dados oficiais, o modelo de privatização, o ordenamento jurídico que atraiu o investidor estrangeiro, a estabilidade econômica e de regras, a não-intervenção nos mercados…).Eu não mordo os cotovelos porque as pessoas estão menos pobres. Mordo de ver que o PT transformou em mais um vôo de galinha a maior oportunidade que o Brasil jamais teve de entrar definitivamente para a elite global. Mordo de ver que gente inteligente como você não consegue perceber a destruição do nosso futuro que está sendo promovida dia após dia por gente que só quer se locupletar e perpetuar seu poder sobre a máquina estatal — cada dia maior e mais nefasta para a economia e, por extensão, à sociedade. Mordo de ver que estamos abandonando as fontes que trouxeram riqueza para este país para nos alinharmos cada dia mais aos membros do Foro de São Paulo — do qual fazem parte o mais abominável ditador do século na América do Sul e o grupo narco-guerrilheiro que ele apóia no país vizinho. Mordo de ver que gente do bem ainda se alinha com os maiores bandidos que já ocuparam o poder central deste país. Mordo de pena. Mordo de tristeza. Mordo de desesperança.*Doutora em Ciências Sociais, professora aposentada das Universidades Federais do Rio de Janeiro e Juiz de Fora
Desculpem a falha; é Dra. Elizabeth Rondelli o nome da autora da carta acima, “meu Amigo Petista” – e o meu nome é Max Paul Junior.
´Valente, A carta não serve, parece que foi escrita a mais de 15 anos atras, e fora da realidade. Os nºs de empregos gerados mensal ultrapassa a 140.000, mas parece que a Dra. (PSDB)é cega ou não vê indicadores. Claro ela não fez e faz parte daqueles que eu escrevi.
Tio Cesar, não vou polemizar com ninguém, pois as informaçoes estão a disposição de todos e cada um interpreta de acordo com suas convicções. Mesmo porque dentro de seu ponto de vista, todos tem razão, mas no final aparecerá e “o tempo é o senhor da razão”.