[QUE MENSALÃO QUE NADA...]

Lula e José Dirceu. Mentores do “projeto de poder” do PT. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O julgamento do tal “mensalão”, que está dividindo com a Olimpíada a atenção dos que têm as tardes livres não é, certamente, a coisa mais importante ou grave da história política brasileira.
Todos os que têm alguma intimidade com campanhas eleitorais (mesmo as antigas, do tempo da vassourinha do Jânio e da espadinha do General Lott), sabe que a bandalheira é a norma. O dinheiro em espécie circula em malas, maletas, malotes, cuecas e meias, justamente para que nenhum mecanismo de controle possa meter o bedelho e querer saber da sua origem.
Pois então: estava o País, depois da ditadura, tentando reconstruír todos os mecanismos de ladroagem e roubalheira pelos partidos e pelos políticos profissionais, quando surge o PT como o partido “diferente de tudo isso que está aí”.
De fato, nascido de uma aliança entre sindicalistas e intelectuais de esquerda, o partido pretendia demonstrar que a política não era nada daquilo que os velhos coronéis faziam nos seus currais.
E ia indo muito bem, até o momento em que, para eleger Lula presidente e tomar o poder, resolveu que era preciso fazer tudo o que os demais partidos faziam e ser igual a eles. E é esse o “crime do PT”, que não está registrado em nenhum código civil ou penal. Mas marcou, para sempre, a história do partido. E o transformou nisso que está aí.
[MENSALÃO? ONDE?]
A NOVA NOVELA DA TV JUSTIÇA
Minha sogra, que tem 82 anos e está mais ativa do que muitos de nós, está acompanhando o julgamento do “mensalão” na TV Justiça, todas as tardes. Pelo jeito não está acreditando muito nos emocionados discursos dos advogados de defesa, que ontem começaram a exercer seu ofício.
Fico imaginando o que se passa na cabeça de tanta gente que acompanha essa novela, sem ter tido a oportunidade de conhecer um pouco mais a fundo o que ocorre no submundo da política.
Submundo, sim, porque o advogado de defesa (sim, sim de defesa) do Delúbio justificou o trânsito de dinheiro em espécie, à margem do sistema financeiro, pelo fato de que se tratava de dinheiro… ilícito.
Ora, quando a saída da defesa é optar pelo crime de “menor gravidade” e admite em voz alta, diante de uma rede nacional de TV, que seu cliente é criminoso, então chegamos a um pântano fedorento.
A se acreditar nos advogados de defesa todos são ingênuos, incapazes, inaptos, incompetentes, cegos e/ou santos. Se vão conseguir convencer a maioria dos ministros do Supremo, só saberemos daqui a alguns meses. Haja saco.
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