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Florianópolis

O problema da ilha é ser…

O Estreito

Sim, o grande problema parece ser esse mesmo...

O governador Raimundo reuniu os alegres rapazes e moças da imprensa, esta semana, para dizer que recebeu várias pré-propostas de empresas interessadas em fazer o projeto de uma ligação adicional entre o continente e a ilha.

Abre parênteses: Ele não disse nada, porque ninguém perguntou, sobre a graninha que foi paga à Prosul (empresa de planejamento que é a menina dos olhos deste governo) justamente para fazer o pré-projeto da quarta ponte. É, de fato, assunto sem importância, porque o dinheiro abunda e a Prosul merece (entre 2009 e 2011 a empresa recebeu cerca de R$ 45 milhões do generosíssimo e amantíssimo governo do estado, pelos mais diversos serviços prestados ao Deinfra e outros órgãos). Fecha parênteses.

O governo agora vai se debruçar sobre as sugestões oferecidas pelos vários escritórios de engenharia e arquitetura, para achar uma solução que seja, aos olhos de seus técnicos, mais adequada para o grande negócio do governo Raimundo: uma PPP milionária (talvez bilionária).

PPP é a sigla para a Parceria Público-Privada. Um bom negócio para as partes envolvidas e, dependendo o caso, não tão bom para os pagadores de impostos, nós. Mas, como em todo negócio arquitetado por políticos bem intencionados, o contribuinte tem que ficar quieto e aguentar o tranco. Afinal, fomos nós que os elegemos pra gastar nosso dinheiro em nosso nome.

Qualquer que seja a “solução” e qualquer que seja o enriquecimento lícito ou ilícito decorrente desse arranjo, nada vai melhorar significativamente no trânsito da ilha. Até as crianças do jardim de infância sabem que a malha viária de um município ou de uma região metropolitana precisa ser pensada de forma integral. Não será uma ponte a mais ou a menos que vai resolver o engarrafamento nas estradas para as praias. Ou ajudar a melhorar o transporte público. Sem planejamento não se vai a lugar nenhum.

TAÍ A SOLUÇÃO: UMA PENÍNSULA!

A solução

Aterra tudo! Molecagem sobre fotos do Google Maps.

O departamento de engenharia do Tio Cesar bolou uma solução genial para todos os problemas de acesso à Ilha de Santa Catarina. Basta fazer um aterro definitivo, no estreito que separa (une?) a ilha do continente. Pronto, a partir desse aterro (que na ilustração acima aparece em amarelo), teremos a península de Santa Catarina e acabaremos com esse transtorno que é a Ilha de Santa Catarina. Uma vez feito o aterro, será possível levar adiante alguns projetos de grande importância, para aproveitar a nova área:

1. Mais uma, ou duas, ou quantas avenidas quisermos, ligando a beira mar do Estreito (a famosa avenida que só vai e termina em lugar nenhum) com a beiramar Norte (a famosa avenida que vive engarrafada). Não vai resolver a tranqueira no trânsito, mas pelo menos não se pode dizer que a culpa é apenas das pontes. Primeiro, porque não haverá mais pontes, apenas viadutos. Depois, porque o objetivo do aterro é mesmo conseguir espaço para os itens 2 e 3.

2. Um conjunto de edifícios de 30 andares ou mais, executado pelos engenheiros de Balneário Camboriú (aqueles que conseguem fazer edifícios que parecem palitos), para acomodar os emergentes que ainda não conseguiram se mudar pra Miami ou para Dubai.

3. Novas estações de tratamento de esgoto. Com o sucesso que foi a primeira estação colocada ao lado da rodoviária, na entrada da cidade, a Casan e a prefeitura poderão agora repetir a façanha, ampliando consideravelmente a área de processamento dos dejetos sólidos. Para onde vão enviar depois que passar pelas estações é coisa que ninguém sabe. Provavelmente despejarão nas baías norte e sul, para ajudar no futuro aterro de mais áreas.

4. Inevitável: uma invasão. Uma espécie de favela, no bom sentido. Mas, como era ano eleitoral, os invasores acabaram conseguindo ligações de luz e água e até alguns papéis que dificultam a remoção sem o pagamento de indenização. E já se mobilizam para reclamar contra o mau cheiro das estações de tratamento de esgoto. Pedem também a demolição do que restou da ponte Hercílio Luz, porque temem que ela caia sobre suas cabeças.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. No quesito mobilidade, essas idéias mirabolantes não vão resolver grande coisa. Pensar só na travessia, sem levar em conta o “de onde” e “para onde” é idéia típica dos nossos governantes. Sem o novo plano diretor aprovado, contemplando um sistema viário adequado/integrado, acho até que seria ilegal projetar aterros e pontes. Como esses estudos que estão sendo produzidos têm custos, já incorridos, acho que estão praticando atos ilegais com dano aos cofres públicos, cabendo até ação no Tribunal de Contas para apurar responsabilidades. Estou falando em tese, claro, porque por aqui as ilegalidades de estado abundam, os políticos enriquecem, e o povo? Ah, o povo só se manifesta na parada gay!

    Posted by carlos | agosto 2, 2012, 10:48
  2. Por uma questão de justiça, é bom que se diga: nem todo povo catarinense é “bunda” como os florianopolitanos. Em São Joaquim, a turma cansou da buraqueira na cidade e adjascências, e foi à luta. Fizeram passeata, bateram na casa da prefeita e da secretária da SDR, conforme noticiou o http://saojoaquimonline.com.br. Enquanto isso, a turma do Pantanal só sabe é mandar e-mail pra redação de jornal, como se isso fizesse a prefeitura mover os fundilhos e arrumar os estragos!

    Posted by carlos | agosto 2, 2012, 11:57
  3. Genial este post.

    Posted by Diogo | agosto 2, 2012, 16:33
  4. Pelo valor recebido do deinfra pela prosul,pronorte e proeste,a conclusão que chegamos é que o estado,através do deinfra,está ¨mantendo¨o figueirense.Será????

    Posted by abelardo | agosto 2, 2012, 18:48
  5. Aonde voces querem chegar?
    Melhor é destruir todas as pontes e fazer a vida de lazer na ilha e trabalho no continente.
    Desvia todo o transito das cidades dormitórios que vem para ilha trabalha, mas, decaracterizar a ilha é loucura.
    Rodrigo

    Posted by Rodrigo d´Eça Neves | agosto 2, 2012, 20:41
  6. Errado tio Cesar. O problema da ilha é ser capital. Capital e ilha não combinam. Precisa mudar a capital pro interior, quem sabe assim descongestiona este pedaço do paraíso para onde todos querem ir. E olha que o homem já começou a trabalhar nesta direção. Por enquanto são apenas as reuniões co do.. como é mesmo o nome ?conselho gestor? – Em breve levará todo o centro administrativo e junto os os votos de muita gente, inclusive de ilhéus com o saco cheio com tanto ‘invasor’. Hã, e os palácios? Os palácios ficam. Ficam como monumentos ao desperdício e como uma homenagem às vaidades dos assim chanmados homens públicos.

    Posted by Max | agosto 2, 2012, 23:43
  7. Max acertou em quase 100%! Mudar a capital pra Lages, não, né? Mas começar a implantar no Continente as novas instalações do governo, tanto estadual quanto federal. A vocação maior da ilha é turisto e entretenimento mesmo! E é mais barato começar a construir no continente do que ficar aterrando a ilha….

    Posted by Léo | agosto 3, 2012, 11:18
  8. Léo, levar a estrutura administrativa para o continente vc quer dizer ainda na região de florianópolis? Olha, já pensei nisso, mas cheguei à conclusão de que é mais viável levar o centro administrativo lá para as bandas de Curitibanos, no planalto mesmo, como determina nossa Constituição Estadual, que determina plebiscito para decidir isso.

    Te dou meus motivos. Abra aí o google earth e ponha a lupa na região de florianópoliss. Tu irá notar essa região continental está limitada ao leste pela serra. E bem limitada, pois está bem encostada na serra. Ou seja, temos pouco espaço para expandir uma região metropolitana. O único local com espaço livre mesmo seria lá pra região de Tijucas e Porto Belo. Porém, aquele espaço amplo e plano é todo de terras alagáveis. Portanto, péssimo lugar pra levantar uma capital.

    Agora use o google earth para olhar a região de curitibanos. No planalto, na região de Curitibanos, encontramos vantanges para a expansão de uma região metrpolitana. Primeiro não temos as limitações naturais que a ilha e o continente na área de florianópolis tem. É uma região central no Estado, equidistante de Chapecó, Lages, Joinville, Blumenau, Florianópolis, Criciúma. Outra, com a construção da ferrovia que liga o Oeste ao Porto de Itajaí, e que seria cortada pela transbrasileira que vai do norte ao rio grande do sul, a região de Curitbanos ficaria bem no caminho. Teríamos um porto seco ferroviário e com o tempo um porto seco aeroportuário. Tá aí a fórmula para levantar uma cidade sustentável por si própria. Ela seria capital política e teria estrutura logística para se sustentar economicamente.

    Claro que a transposição da estrutura de governo seria gradual. Mas o que custa mais? Criar prédios da administração em um local sem especulação imobiliária ou criar pontes, aterros e rodoviais estaduais numa região com metro quadrado valendo ouro e cheia de gente?

    Com a mudança da capital para Curitibanos só pediria que o nome do município fosse trocado. Eu gostaria que se chamasse “Catarinenses”.

    Posted by JonasPW | agosto 3, 2012, 15:52
  9. Na verdade, muitos órgãos federais jã estão, aos poucos esilenciosamente, se mudando para o continente. Banco do Brasil, Correios, Incra, entre outros, já estão lá. Só falta mesmo um aeroporto lá pelas bandas de Biguaçu e uma rodoviária decente próxima à BR-101 que o movimento se consolida.

    Em breve, a capital, com justiça, será São José da Terra Firme.

    Posted by Fernando S | agosto 6, 2012, 13:08
  10. Pelo visto alguns não entenderam a ironia da postagem…

    Mudar a capital seria algo extremamente caro já que todas a infraestrutura e recursos humanos estão na ilha. Nem uma nova ponte resolveria mesmo que parcialmente o problema, faltou planejamento “global”.

    Por que não construíram a beira-mar continental em coqueiros, interligada com a São José para escoamento de todo o trânsito de lá e de Palhoça, desafogando as BRs? Aqui sim uma ponte poderia fazer alguma diferença…

    De qualquer modo, a solução da ilha não é aterrar e sim enterrar. O metrô, por mais caro que seja, é a única alternativa realmente viável para longo prazo. Não há engarrafamento, cruzamentos, semáforos ou paradas prolongadas. Paralelamente é necessário desenvolver um melhor sistema de ônibus, com controle de semáforos, sistemas hidroviários… todos integrados.

    Mas o que esperar de uma gestão que não consegue nem integrar os ônibus intermunicipais no mesmo sistema municipal?

    Posted by Thiago | agosto 7, 2012, 23:23
  11. Claro que a postagem foi irônica, mas estava alguns gerando alguns comentários dolorosos e até maliciosos. Em minha opinião o Tiago quase acertou na solução para melhorar a mobilidade. Mas, técnica e econômicamente um mono-trilho ou que seja, o metro de suoerfície atenderia de forma racional um transporte de massa auto sustentável.

    Posted by Max | agosto 7, 2012, 23:58
  12. Fala que todos os recursos humanos estão na Ilha é no mínimo uma “sacanagem” com o povo do Continente…

    Aliás, dividir os polos geradores de tráfego nos dois lados das baías é uma solução inteligente para melhorar a mobilidade sem empenhar tantos recursos.

    Posted by Fernando S | agosto 8, 2012, 17:35

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