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Amigos

O bom abrigo da poesia

Livro poemas Emanuel

O livro mais recente do Emanuel

Emanuel Medeiros Vieira, vocês sabem, é um autor prolífico. Agora lança um livro de poemas, “Penúltimo Dia”, que é o 20º (ou seria 21º?). O autor é um manezinho que viveu 31 anos em Brasília e está na Bahia há dois anos. Para dar uma idéia do livro, trago pra cá texto escrito pela Maura Soares.

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ASSIM CONTEMPLEI “PENULTIMO DIA”, DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Maura Soares*

“Manhã de 22 de julho. Bom Abrigo, mar calmo, bela paisagem. Fotografo com o celular. Impossível captar com nitidez o Cambirela ao longe e o Morro do Gigante Adormecido. Tento. Não sei se consigo captar o que meus olhos veem. Ilustro, mesmo assim, este pequeno texto.

Bom Abrigo

Praia do Bom Abrigo, Florianópolis, SC. Fotos: Maura Soares

Observo uma garça à procura de alimento. Paro novamente e fotografo. Ela, em meio às pedras do Bom Abrigo. Beleza branca no mar poluído, mas belo em sua essência.

Bom Abrigo

Em meio às pedras, a garça.

Levo “Penúltimo Dia”, com a intenção de sentar-me em um dos bancos e ler novamente, com calma, todos os poemas. Os bancos, imundos, agora também sem as poesias estampadas neles não me ofereceram atrativo para degustar as palavras de Emanuel. Estão todos molhados.

Debruço-me na amurada e abro aleatoriamente. Página 19: Ilha.

A Ilha, aquela que Emanuel ainda tem na mente-coração. “Ilha, imanente Ilha”, do Roda Bar, dos amigos, da política, das injúrias cometidas, dos amores, das maledicências, da Procissão de Passos. Leio outras em seguida. Pessoas fotografando para álbum de noivas. Conversas me atrapalham.

Ilha que Emanuel evoca em “Penúltimo Dia”, num prenúncio de que o “Dia”, aquele destinado, está para chegar e Emanuel vislumbra já num misto de lamento e saudade.

A Ilha fica, nós é que passamos e aqui deixaremos os nossos amores, as nossas desventuras, as promessas não cumpridas, a corrupção para outros digerirem.

A Ilha-amada e a “morte na soleira da porta” à espera, paciente, sabendo que tal dia será o definitivo e todos iremos para outros lugares na erraticidade.

“Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste. Em que espelho ficou perdida minha face?” (Cecília Meireles)

Em que espelho ficaram perdidas as faces de Emanuel, aquele menino na beira do cais a olhar os navios que se perdiam no horizonte?

Em que dobras do tempo seu sorriso deu lugar à melancolia, ao olhar o mar da Bahia e sentir saudades da sua terra quando, pequeno, podia andar sem medo das figuras folclóricas da Ilha-amada que aterrorizavam crianças, mas eram nas mais das vezes, seres perturbados, atormentados por seus próprios demônios?

A paixão deu lugar à nostalgia quando antevendo seu penúltimo dia, tece loas àquilo que ficou nas encruzilhadas da vida.

Onde o seu sorriso se esconde?

Olha Lucas e se enternece. Vê Clarice e a ama cada vez mais e recosta-se no colo de Célia, que lhe dá o amparo nestes penúltimos dias que, particularmente, desejo que fiquem bem longe para termos Emanuel e sua poesia, Emanuel e seus romances, Emanuel e sua nostalgia que, em parte, é minha também, ainda amando a Ilha onde se podia correr pelas ruas sem o risco de atropelamento.

Emanuel que tem ainda presente a dor do sofrimento, mas que vai aos poucos se aplacando com a serenidade, com o mar de Salvador, com o calor dos dias.

Emanuel e suas saudades: do pai, da mãe na soleira da porta, dos quintais, das frutas, fogão a lenha, pão feito em casa, tainha frita que, neste ano de 2012 os pescadores por aqui tiveram pouco, muito pouco.

Emanuel que sente a Parca por perto a tentar cortar o fio de sua vida e conformado, dela não tem medo, pois o pássaro velho contempla o cais com olhos no infinito.”

Florianópolis, 22 de julho de 2012.

* Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina; da Academia Desterrense de Letras (cadeira 33, cuja patrona é Maura de Senna Pereira) e do Grupo de Poetas Livres.

Discussão

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  1. Cesar, obrigada pela postagem do meu texto, que foi enviado pelo Emanuel Medeiros Vieira. Quando ele me envia seus livros, gosto de enviar-lhe palavras daquilo que sinto quando os leio. Ele, então, enternecido, envia aos amigos.
    Grata pela divulgação.
    maura

    Posted by maura soares | agosto 7, 2012, 19:27

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