
Molecagem sobre foto do Ricardo Stuckert/PR (publicada originalmente em 3/11/2006)
Os aeroportos brasileiros são umas gracinhas. Quando o tempo está bom, o problema são os terminais de passageiros, que ficam atulhados. Quando tem uma neblina ou chove um pouco mais, a falta de equipamentos adequados para operar com tempo fechado obriga a desvios de rota, cancelamentos e causa uma cadeia de atrasos que às vezes chega até o dia seguinte.
Ontem, por exemplo, a Infraero informou que em Curitiba foram cancelados 18 vôos e 36 atrasaram. Em Congonhas, 17 foram cancelados, nove foram desviados para Viracopos e 54 estavam fora de horário. Mesmo em Guarulhos, o aeroporto melhor equipado para pousos e decolagens com pouca visibilidade, ocorreram 24 atrasos e cinco cancelamentos.
A situação do transporte aéreo brasileiro é um problema sério faz tempo. Em novembro de 2006, quando um movimento dos controladores de vôo criou uma enorme confusão, já se discutia se o Brasil estava preparado para crescer. E, claro, a imprensa golpista e gozadora começou a chamar o caos aéreo de “Apagão do Lula”. Aqui na coluna, no dia 3 de novembro de 2006, publiquei as seguintes notas, ilustradas por essa molecagem aí de cima:
APAGÃO DO LULA
A imprensa maledicente da Zelite tá chamando esta semana de “Apagão aéreo do Lula”. Absurdo! Só porque uns 2 mil vôos atrasaram, milhares de pessoas tiveram prejuízo, perderam seus compromissos, foram maltratadas, não quer dizer que tenha sido um apagão.
E muito menos do Lula: ele já cansou de dizer que não sabia de nada!(DES) PREPARADO
A Zelite não fala noutra coisa: “o Lula estava desinformado, quando dizia que o Brasil estava preparado para crescer. Como crescer sem um transporte aéreo eficiente e seguro?”
O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, conta que Lula foi alertado para as condições de trabalho dos controladores de vôo já em 2003. O último concurso para contratar controladores é de 1986. E diz Rodrigues: “O dia em que o Brasil crescer 5% ao ano, por dois ou três anos, as filas de aeroportos darão voltas na esquina (…) porque o governo Lula preferiu gastar em granito para reformar e ampliar aeroportos (que mais parecem palácios se comparados a aeroportos de países ricos) em vez de investir em tecnologia. Esse é só um exemplo da falta de sofisticação no planejamento estratégico da administração pública federal”.
Quanto à infraestrutura dos aeroportos, é só para de afagar a Infraero e abrir esse mercado de uma vez. Não precisa vender a estrutura que já existe (e assim repetir a tática tucana). Basta licitar novos terminais. Por que não um na zona oeste do Rio? Ou um novo em São Paulo, em BH ou Brasília? Ou até mesmo um na região continental da Grande Florianópolis?
Insistir neste aeroporto no sul da ilha é uma insanidade e uma grande trapalhada. Repito a pergunta do Fernando: Por que não fazer um novo aeroporto no continente que possa realmente atender a região? Precisamos pensar num aeroporto para SC e não apenas para atender aos ilhéus.
Tijucas é o lugar ideal desde muito. Forçaria melhorar a 101, o entorno da Capital e ainda atenderia do Vale do Itajaí a Imbituba/Laguna (com a obra do entrono). Passar a rodoviária pro Continente, a UFSC, a ELETROSUL, UDESC – e METRO subterrâneo (custa entre R$ 3,5 e 6 bilhoes um sistema entre Santo Amaro e Biguaçu com a Intersecção de um T com a perna em direção à Ilha, esta atendida ao menos por 12 estações (4 centrais e 8 espalhadas ao Leste/Lagoa, Oeste, Norte e Sul. R$ 1,7 bi foram dados pelo Governo Federal para POA + R$ 1,7 bi para CTBA por conta da COPA…
Um último detalhe: o transporte que é obrigação constitucional do Estado é um grande negócio que liga a Admnistração Pública ao empresariado. Sobra, como sempre, pros passageiros.
“O último concurso para contratar controladores é de 1986.”
E Lula esteve no comando esse tempo todo? Não me parece ser algo a depender somente de um indivíduo.
Que o sistema de transporte como um todo esta aquém da demanda, seja em capacidade, seja em qualidade, não há dúvidas. Mas creditar somente a figura do presidente ou a um partido específico o ônus do sucateamento é de uma leviandade preocupante….
É necessário analisar que forças estiveram no centro desse debate e ponderar sobre os reais interesses desses grupos quanto a politica de transportes aéreos e terrestres.
Abraços
Parabéns ao LesPaul pela lucidez e coragem em expor o seu ponto de vista.