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Jornalismo

O entrevistão do Kucinski

O DIARINHO, jornal que é o líder na preferência dos leitores em Itajaí, Balneário Camboriú e região, publica todos os finais de semana uma grande entrevista “ping-pong” (que é como chamamos as entrevistas com perguntas e respostas), praticamente sem edição: o que foi dito, sai. Não existem muitos espaços como esse na imprensa nacional, cada vez mais acometida da mania das notas e notícias curtas.

O “entrevistão” desta semana é com um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas brasileiros, o Bernardo Kucinski. Transcrevo o material na íntegra porque acho que ele levanta algumas lebres interessantes, no jornalismo e na política.

Informação importante pra quem não está habituado a ler os entrevistões: o que aparece entre [colchetes] nas respostas do Kucinski, são informações adicionais, perguntas feitas durante a conversa e observações das entrevistadoras.

“A imprensa brasileira é parte do poder”

Kucinski

Bernardo Kucinski. Fotos: Flávio Tim/Diarinho

Bernardo Kucinski é uma pessoa de posicionamentos firmes. Jornalista que já trabalhou em jornais brasileiros de renome, fundou jornais nanicos, atuou também como correspondente internacional, escreveu vários livros e ganhou alguns prêmios. Depois disso, trabalhou na campanha de Lula e na sequência para o governo do ex-presidente. Sua função era escrever cartas críticas ao então presidente, falando o que os amigos e mais próximos não tinham coragem de dizer. Por toda essa trajetória ele tem, claro, muita história para contar.

O currículo de fazer inveja, contudo, não fez Bernardo perder a simplicidade mas acentuou a sua paixão pela profissão. Neste Entrevistão ao DIARINHO, ele comparou os jornais e os jornalistas de hoje com os de antigamente. Contou sobre a assessoria que prestou ao então presidente Lula. Criticou a semelhança do Partido dos Trabalhadores com os demais e a falta de comunicação dos governos, de maneira geral, no Brasil. Falou da importância de um Plano Nacional para que o Brasil possa evoluir e ainda contou às jornalistas Franciele Marcon e Martha Kienast o drama de ter sua irmã e cunhado vitimados pela ditadura militar.

Fran, Marta e Kucinski

Da esquerda: Franciele, Martha e Kucinski

DIARINHO – O senhor foi fundador de pequenos jornais e também participou da fundação da Carta Maior e trabalhou no início da revista Veja. Qual é a diferença entre projetos editoriais de décadas atrás para os criados atualmente?

Bernardo Kucinski: A diferença entre o Opinião, o Amanhã, que foi o primeiro que lancei, e o site Carta Maior é que são períodos totalmente diferentes. Antes tinha a ditadura que dividia bem as pessoas. Todos os jornalistas eram contra a ditadura, havia mais companheirismo entre nós. Também havia um resto de ideal socialista, que fazia a cabeça de todo mundo. Os mitos da Revolução Cubana ainda estavam aí, o choque da morte do Che Guevara [líder da Revolução Cubana], a guerra do Vietnã… Então havia esse sentimento de rebeldia em relação ao sistema. Um sentimento de resistência. Hoje, o clima é mais de busca de caminhos. Há um certo desespero com o contraste entre a evidente falência desse sistema que está aí e a incapacidade da população de apresentar alternativas. É um momento psicologicamente bem diferente. Também no ponto de vista da articulação política, é um momento de muita ambiguidade porque, pela primeira vez, você tem um governo que a gente chama de governo popular, mas que não satisfaz plenamente os movimentos sociais e, ao mesmo tempo, até emascula um pouco o grau de oposição desses movimentos. É uma situação bastante ambígua. [Este momento faz crescer o número de publicações?] Eu acho que do ponto de vista das publicações, nós vivemos um momento de avanço das classes dominantes no campo cultural. As publicações que surgem são do campo dominante. Revistas tipo Piauí, os projetos culturais, quase todos bancados por bancos. A burguesia percebeu a grande importância de trabalhar com cultura. [E quando a gente vê a imprensa sendo patrocinada por esses bancos, por quem está no alto da pirâmide social, isso é bom ou ruim pro povo?] Não é necessariamente ruim porque é tipo de mecenato cultural. Você vê um estabelecimento como o Itaú Cultural promovendo seminários sobre poesia, literatura, e isso é muito bom. O Banco do Brasil, com as casas de cultura, é uma coisa muito boa. Mas seria melhor se isso fosse acompanhado por um investimento em cultura também dos setores contra-hegemônicos. Você não tem uma casa de cultura do PT [Partido dos Trabalhadores] ou do MST [Movimento dos Sem Terra]. O MST tem um jornal, mas não fala pra fora do movimento.

DIARINHO – O senhor acredita que há diferença entre os “jornalistas das antigas” para os da atualidade?

Bernardo: Eu acho que há muitas diferenças entre o jornalista de antigamente para o de agora. Acho que nos anos 60, 70, em meio a guerra do Vietnã, das ditaduras, eram os anos do apogeu do jornalismo, como forma de expressão. Era a época dos grandes jornalistas que iam cobrir as guerras na África, as guerras anti-colonialismo. Foi nessa época que virei jornalista e me apaixonei pelo jornalismo. É a época que os escritores viraram jornalistas. Poetas viravam jornalistas. Era uma atividade mãe. Hoje é uma atividade menor. A pressão das redações é muito grande, a competição é muito grande e, depois que eles casam e tem o primeiro filho, eles, os jornalistas, já vão procurar outra coisa para sobreviver. Uma assessoria, um posto no governo. Mas tem outros fatores também. Eu acho que a natureza da redação também deve estar mudando muito, porque as redações eram quase que pequenas universidades, onde se criava o saber jornalístico. Entrava o foca e tinha aquela gozação em cima do foca. Hoje, o foca vai numa redação e não tem ninguém para fazer brincadeira com ele, porque os veteranos estão em casa, mandando a matéria de casa, pelo telefone ou pela internet. Eles nem estão mais na redação. E agora, com a internet, vai ser outro tipo de redação, outro tipo de interação com o leitor.

DIARINHO – O senhor trabalhou no início da revista Veja. Apesar de hoje ser uma das revistas mais vendidas no seu segmento, ela recebe bastante crítica pelo material jornalístico produzido. O que o senhor acha da publicação atualmente?

Bernardo: Eu leio muito pouco a Veja até porque eu acho que essas revistas perderam um pouco o caminho. Alguns jornais eu passo os olhos na manchete, me detenho em uma ou outra matéria. A Veja eu quase não leio e ouço falar muito dessas malandragens que andam fazendo. Quando eu estava no governo, eu acompanhava mais porque era meu ofício acompanhar, mas eu não concordo com o tipo de jornalismo que a Veja faz. [Que tipo de jornalismo?] Tipo de dizer assim: ‘bom, não se provou que o PT recebeu dinheiro das Farc, mas também como não se deixou de provar, então pode ser’. Tu jogas situações no ar sem apurar; acusações infundadas. Eu acho que não é ético. O que aconteceu com a Veja é uma coisa curiosa que ainda carece de uma explicação, mas é uma espécie de metalinguagem. Você sabe que aquilo é falso e o leitor também sabe que você sabe que é falso, mas você faz assim mesmo. Tinha um jornal de esquerda que fez isso também, o MR8 [Movimento Revolucionário 8 de Outubro]. Ele fazia manchetes totalmente estapafúrdias, mentirosas, e todo mundo sabia. É o cinismo assumido. Acho que a Veja está nesse nível. Contra o governo, contra o Lula, contra o MST, contra esse pessoal, vale tudo! Vale, inclusive, insultar. [O senhor falou que tem lido pouco. Tem alguma coisa a ver com a qualidade dos veículos?] Primeiro, eu me informo um pouco pela internet, de manhã, então o jornal já vem velho. Depois, é muita mesmice. E eu cansei um pouco de todo esse mundo da política e da economia. Me convenci de que virou tudo uma grande farsa, tanto na economia como na política. A teoria econômica não é séria, os economistas não são sérios, nada disso é sério.

DIARINHO – O senhor tem um livro sobre a história dos jornais nanicos no Brasil, como o Pasquim, o Coojornal, do Rio Grande do Sul; o Em Tempo. Chegou, inclusive, a trabalhar em alguns deles. Falta hoje uma imprensa de vanguarda, alternativa, como havia nas décadas de 70 e 80?

Bernardo: Sim, certamente falta. Você tem um pouco disso na internet. A Carta Maior, alguns blogs, mas falta uma presença que tenha uma dimensão comparável, que possa disputar espaço com a grande imprensa. Isso é uma falha do campo popular, que não produz esse tipo de imprensa. O PT, por exemplo, é um dos maiores partidos do mundo, certamente o maior da América Latina, e não tem uma revista nacional ou um jornal que dispute espaço com a Piauí ou com a Veja, e fica culpando elas por serem o que são. Só que, na verdade, ele devia disputar no campo da mídia, mas não disputa.

DIARINHO – O senhor escrevia cartas críticas ao candidato Lula durante a Caravana da Cidadania e depois ao presidente Lula. Como foi este processo e qual era o objetivo?

Bernardo: Eu comecei a escrever durante a caravana da cidadania. Ele viajava com o [Ricardo] Kotscho, com o José Graziano e eu escrevia diariamente. O objetivo era ele estar a par do que estava se falando sobre política, sobre ele, sobre o PT na mídia. [Quando Lula foi para o governo, ele manteve o senhor escrevendo as cartas críticas? ] A ideia era ter uma visão independente do que acontecia, que não tivesse comprometida com interesses de um ministro ou de um grupo, e que fosse uma visão para ajudar o presidente a governar. Advertir, alertar sobre algumas coisas, chamar a atenção, resumir. [Podia falar mal de ministros nas cartas?] Tinha que tomar cuidado porque não podia criar dissensão gratuita, mas também não podia ser uma coisa água com açúcar, porque senão ele não ia ler. [E como o senhor sabia que ele lia as cartas?] Eu tinha uns informantes. É muito importante ter os informantes, para poder se balizar. Primeiro eu via pelo ciúme dos outros. Teve uma ou outra carta que provocou um remelexo, provocou um frisson, e depois eu ficava sabendo. Eu me lembro de uma carta, quando era pra decretar o aumento do salário mínimo, o primeiro aumento do governo Lula, e o Palocci [Antonio Palocci, Ministro da Fazenda] não queria de jeito nenhum que aumentasse. Eles tinham aqueles argumentos econômicos, tudo fajuto, que se aumentasse aconteceria isso, a previdência social iria sofrer… Daí, eu fiz o arrazoado mostrando exatamente o contrário. Que isso ia fazer bem até pras finanças. Aquilo abalou o Lula. Foi um momento realmente chocante. E teve vezes que o Palocci pediu minha cabeça. [Por que ele queria a sua cabeça?] Por que eu fazia campanha direta contra o Palocci. Contra os juros altos… Eu assumia uma bandeira. Virou quase que um grupo de oposição dentro do governo. De cada três ou quatro cartas, tinha uma contra o Palocci. [Onde o Palocci perdeu seu rumo dentro do governo?] Ele já entrou no governo como o homem dos bancos. Ele faz aquele acordo da Carta aos Brasileiros [texto publicado pelo então candidato Lula em 2002], e a primeira coisa que ele faz é dar um cavalo de pau na economia. Tanto que, nos primeiros dois anos do governo Lula, a economia afunda. Ele era o cavalo de Tróia do governo. Eu sempre tive essa percepção. Ele não pertencia ao ideário do PT, por isso eu o combati.

DIARINHO – Como era o Lula em Brasília? O senhor esteve próximo ao então presidente. Ele mudou depois que assumiu o poder?

Bernardo: Não, acho que não. Eu acho que as características dele, digamos, se aprofundaram. Ele sempre foi muito ligado à política, muito intuitivo, muito ligado às pessoas e acho que isso se aprofundou mais. Ele ficou mais ligado, mais intenso. Talvez nas primeiras semanas, ele teve um certo excesso de super auto exaltação, mas depois se ajustou. Ele estava um pouco falastrão no começo, mas trabalhava muito. Eu acho que ele deu conta do recado. A presidência da República é um lugar de intensa pressão. É uma coisa que nem dá pra explicar. Acho que é mais do que essas salas de situação de guerra, que você fica mexendo os navios. Você não pode errar, você não pode falsear, você não pode escorregar. Eles têm sistemas, filtros, tem chefe de gabinete, tem a pessoa que toma conta de tudo que é falado, tem outro que vai tomar conta de tudo que foi prometido, tem esses mecanismos que tentam segurar, mas é uma usina de decisões aceleradas. Também depende muito de estilo, tem presidente que não está nem aí, que delega, mas o Lula não delega muito não. O Lula é um negociador. Uma vez eu li um artigo que compara o Lula com o [Hugo] Chávez. Dizia: o Lula se educou na luta sindical. Na luta sindical, o que você quer? Você quer negociar uma melhoria pros trabalhadores. Você não quer fechar a fábrica. Você não quer derrotar o adversário. Agora, o Chávez é educado na escola militar. Na militar, você é obrigado a derrotar o adversário e até, quando não tem o adversário, você inventa um, porque precisa treinar. O Lula é um negociador, e como ele está sempre negociando, se envolve muito nas partes. Ele recebe muita gente, ele não quer impor uma coisa, quer negociar. Ele tem prazer de negociar. O maior prazer dele, eu acho, é “ganhar” um cara que é contra ele. [Mas quando aquele jornalista americano publicou um artigo caluniando o presidente, ele acabou expulso do país. Não teve negociação.] É porque o pessoal não conhece a negociação. Foi uma negociação que quem conduziu foi o Márcio Tomaz Bastos [ex-Ministro da Justiça], com o jornal americano. Queriam que o jornal se desculpasse ou retificasse, eles queriam uma solução negociável, mas parece que não foi possível. E aquele foi um momento especial. O Lula estava muito abatido e aquela coisa caiu pesada nele. Ele ficou muito mal psicologicamente. [Mas a expulsão não era desnecessária?] Quando saiu o artigo do Larry Rother, toda a mídia brasileira foi a favor do Lula. Foi um surto de orgulho nacional. Onde já se viu esse gringo vir aqui falar que o nosso presidente é um bêbado?! E quando o Lula reage, da forma como ele reagiu, virou. Ele não precisava ter agido daquele jeito. Bastava ficar quieto. É um caso típico de falta de comando de comunicação, de alguém que soubesse o que é jornalismo. Naquele episódio, não tinha comando. As pessoas sucumbiram ao estado de ânimo do Lula, e isso determinou a decisão equivocada.

DIARINHO – Por que o senhor se desligou do governo Lula?

Bernardo: Houve muitos motivos. Primeiro, eu estava cansado de Brasília, cidade muito chata, muito pouco gratificante, embora o entorno de Brasília seja muito agradável. Depois, problemas de família, afastamento dos netos e dos filhos. Isso foi me cansando um pouco. Tinha também divergências internas que me desagradaram. Eu fiquei muito chateado com a Radiobrás, que chegou a fazer campanha contra o governo, quando não bastava toda a mídia fazendo, eles também fizeram. Fiquei chateado com a bagunça que tinha na Secom [Secretaria de Comunicação]. Eu tinha muitas ideias, propunha os projetos e o Luiz Gushiken me mandava fazer. Mas eu não tava lá pra fazer, eu tinha as ideias, mas eles não faziam. Propus fazer o “vale jornal”, que era uma coisa para estimular o povo a ler, igual o Bolsa Família. Era um vale que qualquer um podia assinar o jornal que quisesse. É um projeto bacana, mas não foi pra frente, nada ia pra frente.

DIARINHO – Os ministros e o presidente falam a mesma língua? Na semana passada houve um episódio em que a presidente Dilma desautorizou o Ministro da Agricultura a falar sobre o Código Florestal. Os ministros têm liberdade para falar pelo governo?

Bernardo: Eu acho que a Dilma é mais autoritária. O Lula, se acontecer uma coisa dessas, ele vai tentar pôr panos quentes. Talvez dar um puxão de orelhas. A Dilma tem um outro estilo. A Dilma é muito mais reservada, muito autoritária, ela dá esporro nos auxiliares na frente dos outros, de forma, às vezes, constrangedora. O Lula é muito educado nessas coisas. [Mas de forma geral o senhor vê que os ministros falam a mesma língua?] Eles não falam a mesma língua porque não existe, no governo brasileiro, um procedimento para um trabalho em comum. Fui ver como era nos Estados Unidos e lá existe uma intranet, então, quando uma questão é formulada, o sistema começa a se mexer e ele provê a resposta. Aquilo entra na intranet e todo mundo tem que falar aquilo. Aquilo é a linguagem do governo. Aqui não existe isso. [O senhor vê a necessidade da unificação dessa linguagem?] Vejo a necessidade de criar todo um sistema de comunicação pública que não existe. Precisa de um sistema que atenda a necessidade do Estado de se comunicar. Ainda mais quando a imprensa oligárquica é muito hostil a um governo popular.

DIARINHO – O senhor citou a falta de identidade do Palocci com o PT. Sempre existiu esse racha dentro do partido? O senhor se enquadra em alguma turma especial?

Bernardo: Eu nunca fui de facção nenhuma. No máximo, uma ou outra vez, diziam que eu era do Grupo dos Intelectuais. Sou um trabalhador intelectual e não um intelectual. Mas eu devo ter ido em uma ou duas reuniões do Grupo de Intelectuais. Os intelectuais do PT, em geral, também não são de facção. Eles são meio que usados pelo PT. Quando precisa, chama. Mas o PT, de fato, funciona assim até hoje. Os ministérios são alocados por facções. Às vezes, não é mais uma facção no sentido ideológico, que tem uma proposta diferenciada, mas é aquele grupo que ficou preso junto na cadeia de Tiradentes, e até hoje são companheiros. [O senhor se filiou ao PT com quantos anos?] Eu não me lembro, mas eu me aproximei do PT logo que ele surgiu. [O senhor segue filiado?] Eu não sei se sou filiado ou não. Não fui ver se a minha ficha está válida ou não. O PT é um partido muito desorganizado, então não é como o antigo Partido Comunista que ia lá cobrar mensalidade. O PT não cobra mensalidade… Eu não sei se sou do PT ou não [risos]. Eu ainda me aproximo de algumas coisas do PT, mas eu não estou mais ali na linha de frente. [O que lhe desgostou?] Eu me desgostei da política em geral. Mas o PT, como máquina eleitoral, está muito igual aos outros. O objetivo é o poder, ganhar a eleição, fazer alianças da forma mais pragmática que tiver que fazer e, muitas vezes, da forma mais absurda. Eles usam os mesmos métodos de marketing político, contratam os mesmos marqueteiros. O PT está parecido com qualquer partido.

A diferença que eu ainda vejo está nas pessoas, nos quadros. O José Graziano, certamente, é um cara de primeira grandeza, a Marina Silva, que era uma pessoa do PT, é de primeira grandeza; o meu amigo Geraldo Siqueira, que está lá no Ministério do Meio Ambiente, é um dos caras de primeira. Embora como máquina partidária, ele aceitou o jogo. [Ele aceitou o jogo para ganhar as eleições?] É, ele aceitou porque o jogo é ganhar as eleições. Mas as pessoas são diferentes. É diferente você conversar com um petista, com um cara do DEM ou de outro partido. O passado das pessoas é diferente, o compromisso delas é diferente, a cultura política é diferente.

DIARINHO – Na época do escândalo do mensalão o senhor estava no PT. O que foi o mensalão?

Bernardo: Um banho de água fria em amplos setores do PT, porque os petistas se viam como seres superiores eticamente. O diferencial era ético, já que o ideológico era cada vez menor. E o escândalo igualou, ainda mais pela forma como a imprensa foi ridicularizando. Foi um momento importante, principalmente pra petistas tardios, que não tiveram aquele histórico de luta contra a ditadura, que não foram presos, não foram sindicalistas. Principalmente, para aquele jovem que viu no PT um partido ético e puro, mas que não tinha essa formação política mais sólida, pra esse jovem foi um choque. [Mas foi aquilo que o Roberto Jéferson e a mídia pintaram: compras de votos no Congresso?] Não, não era. Era caixa dois de campanha. Era dinheiro de resto de campanha, que era repassado para pagar dívida de campanha. Tanto que muitos que receberam eram do PT. Então, eles não precisavam receber para votar no PT. A bronca do Roberto Jéferson, tenho a impressão, é porque ele tinha esquema no Correio e foi desmontado pelo governo e, então, ele se revoltou.

DIARINHO: O ambiente palaciano, com suas salas acarpetadas dos gabinetes próximos ao poder, pode fazer com que algumas pessoas fiquem meio inebriadas? O poder pode subir à cabeça?

Bernardo: Certamente o poder inebria as pessoas. Por isso, a Carta Crítica era importante. Porque quem está perto do presidente fica meio inibido para criticar, às vezes. De falar: “olha, presidente, quem sabe…”. Apesar de que com o Lula seja mais fácil, com a Dilma é mais difícil. [A Dilma não mantém cartas críticas?] Que eu saiba não. Então, eu acho que o poder, realmente, é uma coisa perigosa. A pessoa tem muito poder e se isola muito, o entorno tende a puxar o saco e dizer amém. Elogiar… Talvez, o episódio do Larry Rother [jornalista americano convidado a se retirar do Brasil depois de um artigo detonando Lula] foi um pouco isso. Um pouco também de inexperiência e falta de comando, e um pouco de submissão ao estado mental do Lula naquele momento. [E quais os cuidados que os jornalistas que lidam com todo esse poder devem tomar?] A gente não deve se iludir. Jornalista que trabalha com o governo, nas condições brasileiras, a função dele é defender o governo. Quanto mais crítica a situação, mas se torna vital a função dele. Agora, os jornalistas experientes e que tem um certo perfil ético, e também dependendo da situação e do governo, podem adotar uma regra de segurança. Por exemplo, nunca mentir à imprensa. Você pode não falar a verdade, mas nunca mentir. Nunca dificultar o trabalho da imprensa. Você pode não facilitar, mas nunca dificultar. Você pode adotar regras que te permitem servir ao governo, naquele momento crítico, mas sem trabalhar contra a imprensa.

DIARINHO – Temos hoje o portal da Transparência, que se propõe a deixar as ações governamentais mais claras. O senhor vê os portais como mecanismos eficientes?

Bernardo: Os portais são importantes. Qualquer estratégia de governo tem que passar pelos portais. Mas o portal não responde a todas as necessidades. O governo precisa de uma comunicação pública mais orgânica e abrangente.

DIARINHO – A democracia brasileira ainda é muito jovem. Em que aspectos, na sua opinião, ela precisaria amadurecer? E quais os aspectos positivos da democracia brasileira no estágio atual?

Bernardo: Primeiro nós temos sistemas com esses defeitos todos. A justiça não funciona. Uma democracia onde a justiça não funciona, não é legal. Eu li que aquele juiz, o Nicolau, está em residência vigiada. Um dos maiores roubos da história do Brasil e ele tem residência vigiada?! Agora qualquer brasileiro pobre que roubar uma manteiga, vai preso. Entende?! Isso é uma coisa absurda! Não funciona! A principal questão é: a nossa cultura não é uma cultura democrática. A nossa cultura é uma cultura autoritária. Nós somos autoritários nas relações interpessoais, relações familiares, relações de trabalho, relações hierárquicas. O jornalismo, hoje, é praticado em situação autoritária no Brasil. Esse obstáculo só com muito trabalho educativo e com evolução da sociedade. [E os aspectos positivos?] O voto é exercido com facilidade. Você lembra aquela eleição do Al Gore [candidato derrotado à presidência dos Estados Unidos no ano de 2000], que ficou naquela disputa pela contagem dos votos? O mecanismo do voto tem muita tecnologia no Brasil. [O voto obrigatório é uma vantagem da nossa democracia?] Não vejo como um problema. Eu não mudaria isso, porque, em princípio, acho que não é este o problema. Nós temos também atributos positivos: a tolerância, a mistura racial, que acho uma coisa magnífica no Brasil. [O financiamento público de campanha seria uma forma de dar uma nova guinada ética na política brasileira?] Bom, o pessoal do PT argumenta que o financiamento público de campanha diminuiria muito esse espaço da corrupção política, que é feita para financiar campanha. Eu acredito que este argumento seja válido, mas não totalmente. Talvez fosse um caminho. Você teria que combinar financiamento público de campanha com um rigor maior nas punições de todos os financiamentos que não fossem o público. Um rigor que não existe hoje. Isso seria muito importante para acabar com a corrupção, mas não para resolver o problema da [falta] identidade dos partidos.

DIARINHO – Existe mesmo o Partido da Imprensa Golpista? E o dos Jornalistas da Esgotofera Governista? Ou esses dois grupos são criações de adversários para enquadrar os radicais? Rótulos à parte, como o senhor vê a ação de militantes virtuais na internet e o posicionamento editorial dos veículos tradicionais?

Bernardo: Sobre a grande imprensa, eu cheguei à seguinte formulação: a grande imprensa brasileira é parte do bloco do poder. Ela não se distingue do bloco do poder. Quando eu digo bloco do poder, eu não digo quem está governando naquele momento, mas o sistema de forças que mandam nas riquezas do país, nas terras, nos recursos. Por ser parte do bloco do poder, ela não consegue exercer o papel de mediadora, porque ela é o próprio poder. Quando você for procurar características que demarquem a América Latina, uma delas é essa: é o lugar onde a imprensa faz parte do bloco do poder. [Independente de quem estiver no poder?] Falo do poder das oligarquias. Quando entra o governo popular, ela hostiliza. Ela sendo deslocada do controle do aparelho de estado, começa a hostilizar. É o que acontece hoje com a briga da Cristina [Kirchner, presidente da Argentina] com o Clarin. A briga da grande imprensa com o Lula. A briga do Hugo Chaves [presidente da Venezuela]. Essa é a característica do continente. E, por isso também, em momento de alta polaridade política, que há risco até de uma revolução, ela se torna golpista. Ela vai repudiar os seus princípios de imprensa, que tem que defender a liberdade, para se tornar golpista. Foi o comportamento da nossa imprensa em 1964, da imprensa no Chile em 63. A imprensa da Venezuela tentou o golpe contra o Chaves, e chegou a proclamar que ele tinha sido derrubado. Não é uma questão do jornalista como pessoa, nem daquele empresário que manda naquele jornal, é a questão do lugar social da grande imprensa no bloco do poder da América Latina. O lugar social dela é dentro do bloco. Não é mediadora. (…) [Mas o senhor não respondeu o que acha do engajamento político de alguns jornalistas, principalmente na internet]. Bom, a existência de jornalistas golpistas é um fato conhecido, existem vários episódios. Agora, a internet é um espaço novo que ainda está criando identidade. Porém, a princípio, como ela é libertária por definição, é um espaço meio dos desaforentos. As intervenções nos artigos dos jornais são caracterizadas por muita falta de vontade de discutir e mais vontade de agredir. Agora, eu acho que com a internet vamos entrar em uma era nova de comunicação. Há 10 anos, às oito horas da noite, o país todo parava para ver o jornal Nacional. Hoje quem vai parar para ver o jornal Nacional? Nada! Você já viu jornal no metrô, no trem, no elevador.

DIARINHO – O senhor tem uma opinião bem particular sobre os ambientalistas brasileiros. Chega a falar que é uma besteira dizer que a Amazônia é o pulmão do mundo. Por que esse posicionamento extremo?

Bernardo: O ambientalismo brasileiro se recente de uma visão pré-darwiniana da natureza, de conservar a natureza. A natureza não se conserva, ela está sempre transmutando. Eles têm uma visão estática: Deus criou desse jeito e pronto. Eles vão lá e impedem a construção de uma ponte porque tem lá um girino e aquele girino vai desaparecer com a ponte. Quando, na verdade, existem milhões de girinos que estão sempre se transmutando. Aquele girino não faz falta a ninguém e, por causa do girino, você não faz a ponte. Outra coisa, eles criaram um processo de demonização do moderno. Eles demonizam as estradas. Mas como você vai controlar a derruba ilegal de árvores na Amazônia, de madeira de lei, se você não tem estrada?! Como o estado vai estar presente? Os madeireiros têm os caminhos deles, têm os campos de pousos ilegais, têm as picadas. O Estado não pode trabalhar desse jeito. O Estado tem que ter aeroporto, delegacia de polícia Federal, o seu posto de controle, tem que ter estrada, mas eles não deixam construir estrada. Demonizam as hidroelétricas. A coisa mais bonita que tem no mundo é uma hidroelétrica – energia eterna, sem nenhuma partícula de fumaça. Energia barata. Você cria uma região de lazer, cria um reservatório de água, você cria uma área de piscicultura. Hoje, a maior parte dos peixes consumidos no sudeste do Brasil vem de hidroelétrica. Você cria mecanismos que podem minimizar enchentes e secas. Mas eles são contra. São a favor da energia eólica. A coisa mais feia que tem é a energia eólica, além de ser caríssima. [Mas ela é limpa...] Ela é limpa, mas a hidroelétrica é mais limpa ainda. Eles demonizam os transgênicos. São falsas bandeiras. Na verdade, eles demonizam o controle que as multinacionais têm sobre as sementes e eu também sou contra, mas isso não é a mesma coisa que ser contra os transgênicos. Agora se a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] produzir os transgênicos, eles também vão ser contra? E como eu demonstrei em meu artigo sobre o rio São Francisco, na Carta Maior, o ambientalismo brasileiro abusa de falácias e argumentos falsos. Abusa e acha que tem o direito de abusar. Fala que a transposição do rio São Francisco é só para abastecer uma siderúrgica que vai ser construída no Maranhão… Fala que é por causa do agronegócio e usa uns substantivos que já viraram adjetivos. O agronegócio virou adjetivo de coisa ruim. [Em determinados casos, os ambientalistas acabam sendo mais incisivos na tentativa de preservar algumas coisas, pois, infelizmente, a sensação é que não dá para confiar nos órgãos ambientais brasileiros...] Eu sou um dos primeiros ambientalistas do jornalismo brasileiro. Minhas primeiras matérias são altamente ambientalistas. Matéria de capa do primeiro número do “Ciência Hoje” é do rio Cubatão e fui eu que escrevi. A denúncia do rejeito nuclear, fui eu que escrevi. Eu sou ambientalista de primeira hora. [Mas então o que o senhor não aceita?] Eu não aceito o discurso falacioso. Eu acho muito importante os ambientalistas exigirem, quando as hidroelétricas da Amazônia forem construídas, que as populações desalojadas sejam bem tratadas, que sejam transferidas para lugares bons, que melhorem a vida delas e não piore. Sou a favor que não se possa aprovar um projeto sem o caminho paralelo para os peixes subirem. Eu também sou a favor de construírem hidroelétricas por sistema usado em plataformas de petróleos, que leva tudo por helicóptero, sem ter que devastar uma região grande. Eu acho que as ações dos ambientalistas são importantes, mas o que está acontecendo aqui não é isso. Um projeto como do Maranhão, de lançamento de foguetes, Alcântara, que ficou parado meses e meses por causa de um quilombo, por causa de 30 famílias que dizem que são donas daquilo. Tem que haver proporção nas coisas. A base de Alcântara, se o Brasil desenvolver a base, é um recurso natural que nós temos que ninguém tem. A localização da base pode criar uma base de foguetes, satélites, altamente remunerativa pela localização que ela está em relação ao Equador. E fica tudo parado porque tem ali 30 famílias de quilombolas que falam que é tudo deles. Há uma mitificação das minorias. Minorias têm que ser protegidas, mas não podem ser mitificadas.

DIARINHO – A sua irmã e o seu cunhado desapareceram durante a Ditadura Militar. Qual a última lembrança que o senhor tem dela?

Bernardo: Eles foram presos em São Paulo e sumiram [na tarde de 22 de abril de 1974]. [O senhor tinha contato com ela?] Eu tive contato uns 15 dias antes. Eu morava na Inglaterra, e eu estive no Brasil pouco tempo antes. Eles foram levados pro Rio, talvez na mesma noite, talvez na noite seguinte e logo depois foram mortos. [Eles faziam parte de qual grupo?] O Wilson, meu cunhado, era da ALN [Aliança Libertadora Nacional] e a minha irmã era da Ala Vermelha e depois passou pra ALN. Eles estavam atrás do Wilson, ele era um quadro importante. O Wilson, logo depois do Joaquim Câmara [comandante da ALN], acho que era ele. [O senhor estava vivendo no exterior, como recebeu essa notícia?] No começo você não sabe se a pessoa se escondeu, sumiu, conseguiu escapar. Você fica muito na dúvida. [Quando vocês desistiram de procurar e souberam que ela foi morta?] Um ano depois não tinha mais esperança. Tinha muitos sinais de que era uma coisa meio escabrosa. Gente que se dispunha a dar uma informação e no dia seguinte, apavorada, dizia que foi um engano. Então, você percebe que era uma coisa complicada. Nessa hora você procura todo mundo: o amigo do amigo do outro amigo. [Agora com a Comissão da Verdade o senhor tem esperança de saber o que aconteceu com ela? Qual o paradeiro?] Ontem [dia 12 de junho] nós tivemos a primeira reunião da Comissão da Verdade com os familiares em São Paulo, foi uma reunião emocionante, tinha mais de 40 familiares, já tinha gente da terceira geração. O Paulo Sérgio Pinheiro [diplomata] explicou as atribuições da Comissão e são grandes. Tem poder de convocar e abrir todos os documentos, mas eu acho que a principal função da Comissão, como ela não tem função punitiva, deveria ser pedagógica. Mas do jeito que eles estão trabalhando, com reuniões fechadas, a Comissão da Verdade não exerce função pedagógica. Imagina você se o encontro de ontem aparecesse na televisão, os familiares falando. Eles vão se reunir, ouvir depoimentos, na maioria deles em câmara fechada, e depois de dois anos vão divulgar um relatório e esse relatório vai aparecer na mídia dois ou três dias e nada vai mudar. A mínima chance de mudar é se tudo fosse público. Tinha que ser público. [Qual a alegação para não ser público?] O José Carlos Dias [um dos sete membros da Comissão] disse, antes de eu falar mesmo, que tem pessoas que correm risco de vida ao depor e querem sigilo. Eu acho que a verdade técnica, a essa altura, não é o que interessa. Não interessa se a minha irmã foi morta com três ou cinco facadas ou com um tiro. Isso não tem a menor importância hoje. Tem importância saber como essas pessoas agiam. As pessoas verem e escutarem os depoimentos, perceberem como o estado agiu, para ter um efeito pedagógico. Não sei, eu estou muito cético. [O senhor não quis ou teve coragem de entrar na luta armada?] Eu não tive oportunidade. Eu não me sentia bem com essa ideia. Eu cheguei a ajudar com algumas coisas. Publicamos um livro denunciando as torturas, que era uma coisa perigosa para a época também. Eu sempre tive uma certa intuição que não era uma coisa que se colocava com uma chance de ter um resultado positivo. Além de que eu não pertencia aquele grupo. Eu tive uma formação política anterior, um outro ideal que também não deu certo. Esse pessoal todo se formou num ideal que tem muito com a revolução cubana, com o Guevarismo, com maio de 68. Eu acabei não participando de nada disso. Depois, em 70, eu fui para a Inglaterra e fiquei fora de 70 a 74.

DIARINHO – O Brasil parece mais um continente que um país. Dentro do nosso território há uma diversidade cultural e econômica. O que falta para o Brasil ser mais justo para os brasileiros?

Bernardo: Para o Brasil falta um projeto nacional. Não existe um projeto nacional. Falta uma concepção de nação. O que o Brasil vai ser no mundo globalizado, quais serão suas vantagens competitivas, onde ele deve investir, onde ele não deve, como ele vai lidar com o capital estrangeiro que está tomando conta de tudo de novo, as usinas, as empresas, se vai ter política pública para isso, se não vai. Como vai fazer com o Mercosul, se vamos consolidar de uma vez o Mercosul. Quais as vocações econômicas. Não tem projeto nacional e continua sendo o país que cada um vem e faz o que quer. Neste meio, o governo vai tentando consertar. Cai o emprego, os metalúrgicos vão em Brasília, fazem pressão e ela [a presidente] tira o IPI [imposto sobre produtos industrializados] dos veículos. E aí mais automóveis nas estradas. Não só não tem projeto nacional como certas soluções já não são mais aceitáveis. Evidente que precisa ter um sistema nacional de transporte público, tem que ter trem bala…

DIARINHO – Quais as dicas que o senhor dá para uma pessoa que escolheu como profissão o jornalismo?

Bernardo: A primeira dica é mudar de profissão. Sendo isso impossível ou se a pessoa tiver vocação, aí eu não recomendo mudar de profissão. O jornalista por vocação tem paixão pelo jornalismo e escreve bem. É necessário um processo de auto-construção como jornalista. Valorizar a própria pessoa. Estudar muito, não deixar que o cumprimento da tarefa o leve a fazer tudo superficialmente, resistir a este processo. Preferir, principalmente no começo da carreira, redações de menos perfil político, menos conflituosas, onde ele possa criar um nome e com menos pressões. Cada vez que ele trabalhar um tema, estudar o tema, se apropriando daquele saber. Ter fontes próprias, ter o seu próprio sistema de informação e de acesso. Saber onde procurar. Ele tem que ser ele mesmo um ser, um sujeito do seu próprio conhecimento e não trabalhar com o conhecimento do outro. Se tornar necessário, aí ele pode até ser um pouco mais radical. Ele até ganha esse direito de ser um pouco mais contundente. E nunca demitir um colega. Nunca demitir um colega! Às vezes, você está numa chefia e é obrigado a demitir, então você diz “não”. Melhor você se demitir. Porque quando você demite um colega, você vai passar a vida inteira explicando porque o demitiu. Assim, você não tem que explicar nada para ninguém.

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RAIO X

NOME: Bernardo Kucinski
NATURAL: São Paulo
IDADE: 74 anos
ESTADO CIVIL: Casado
FILHOS: Dois filhos e dois netos

FORMAÇÃO: Física em 1968 pela Universidade de São Paulo (USP); pós graduação em Jornalismo pela USP; foi poupado do mestrado por notório saber e pelos inúmeros livros escritos; em 1991 apresentou sua tese de doutoramento, Jornalistas Revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa, um estudo mapeando cerca de 150 periódicos surgidos entre 1964 e 1980.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: Produtor e locutor da BBC Londres, correspondente do jornal Opinião e Gazeta Mercantil, fundou os jornais alternativos Movimento e Em Tempo; foi editor de “commodities” da Gazeta Mercantil e correspondente do jornal The Guardian, da revista Euromoney, e do boletim Latin America Political Report, todos periódicos londrinos, e de Lagniappe Letter, newsletter novaiorquina, além de produzir cadernos especiais para a revista Exame. Também participou da revista Ciência Hoje. Foi repórter da revista Veja. Em 1986, iniciou sua carreira como professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Atualmente, é professor na USP e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em 1997 ganhou o Prêmio Jabuti com o livro Jornalismo Econômico (1996), resultado de sua tese de livre docência e do pós-doutorado realizado em Londres. É autor de vários livros.

Discussão

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  1. Mesmo com um currìculo deste tamanho não passa de um petralha que como todos detesta a Globo e menospreza a revista Veja, a maior revista semanal da América Latina que derrubou um presidente (Collor) e há pouco pelo menos uns dez ministros por corrupção.

    Posted by Erico Machado | junho 25, 2012, 18:57

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