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Jornalismo

O Amarelo é o cara!

O jornal O Estado, que durante muitas décadas foi o mais importante e influente jornal diário de Santa Catarina, teria completado agora em maio, se “vivo” fosse, 97 anos. Mas deixou de circular há alguns anos, depois de uma constrangedora crise que o destruiu aos poucos, até desaparecer sem que praticamente ninguém percebesse.

Mas o jornal ficou na memória e no coração de muita gente. Os ex-funcionários do jornal, por exemplo, têm se reunido, desde o ano passado, com frequência. São encontros de velhos colegas que matam a saudade dos companheiros, festejam, jogam coversa fora e até, vez por outra, lembram como era bom (ou ruim) fazer parte daquela equipe e daquele projeto.

É claro que nem tudo foram flores, principalmente na fase de maior cobertura estadual do jornal, que começou em 1972 e foi até a década de 90. Dirigido por José Matusalém Comelli (que foi genro do ex-governador Aderbal Ramos da Silva, dono do jornal por alguns anos), O Estado passou por altos de baixos. Dependendo de quem conta a história, aparecem mais os baixos que os altos. Mas, pelo jeito, na memória dos ex-funcionários que festejaram sábado a segunda grande reunião anual, só restaram os grandes momentos.

A JUSTÍSSIMA HOMENAGEM

Osmar e Manuella

Osmar Schlindwein e sua filha Manuella. Foto: Mylene/Hermínio

Na festinha dos dinossauros deste ano, foi feita uma homenagem especial ao Osmar Schlindwein, profissional lendário do jornalismo catarinense, que trabalhou mais de três décadas em O Estado.

Quando jovem, ganhou o apelido de “Amarelo”, porque era franzino. E até hoje é conhecido tanto como o “Seu Osmar”, como por Amarelo.

Olhaí os principais trechos do texto que o Celso Vicenzi (ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de SC) escreveu e leu na solenidade que abriu a festa de 2012:

“(…) os dinos e as dinas que aqui estão e que sabem o quanto de sacrifício, dedicação e energia há que se dispender durante um ciclo de 24 horas, para que um punhado de notícias chegue, no dia seguinte, às mãos dos leitores. E tão logo esse esforço acaba, começa tudo novamente.

Uma dessas pessoas, em particular, misturou a sua vida às tintas, às laudas, ao papel-jornal, ao fotolito, às máquinas de escrever/depois os computadores, a todas as engrenagens que põem em movimento o processo de elaboração de um jornal. Essa pessoa não se limitou a exercer, com competência e rara sensibilidade, os cargos que lhe foram sendo atribuídos ao longo da vida. Sempre fez mais do que seria a sua obrigação. Deu todo o suporte para que cada um de nós pudéssemos desempenhar as nossas funções com o máximo de dignidade, seja na redação, na administração, na revisão, no laboratório, no parque gráfico, nas sucursais, nas reportagens especiais, nas grandes coberturas jornalísticas.

Porque para este cidadão, jornal é mais que um punhado de papel e tinta. É algo que deve ser feito com empenho e talento, sim, mas principalmente com alma, emoção e entusiasmo. Quando alguma coisa saía do eixo, quando os meios se faziam insuficientes, é para lá, para a sala do nosso homenageado que, imediatamente, todos se dirigiam para buscar apoio. Apoio, que não raro, significava, às vezes, até resolver problemas pessoais – quanto mais aqueles financeiros.

Essa pessoa que fazemos questão de homenagear, nasceu no dia 13 de junho de 1942. Um geminiano, portanto, e que é o primogênito de sete filhos. Iniciou a carreira no jornal O Estado em 1959, como office boy. Foi auxiliar administrativo, secretário de redação, diretor comercial e diretor geral. Fez do trabalho em O Estado a sua paixão, pois entrou um quase-menino, aos 16 anos, e dele saiu um senhor com uma respeitável biografia. E por onde andou, plantou amigos.

Trago o testemunho de uma pessoa que está prestes a completar 30 anos ao seu lado, e com quem divide – talvez seja melhor dizer, multiplica – muito amor e carinho: (abre aspas) “Como pai, avô e marido, é uma figura ímpar, íntegra e especial. Ama mais do que tudo a seus filhos e netos. E é um grande companheiro de vida. Foi um filho como poucos, sendo o grande cuidador e dando muito amor a seus familiares, em especial a seus pais, a quem fez companhia e cuidou até os últimos dias. Preza muito a lealdade, a honestidade e as amizades” (fecha aspas) e afirma com todas as letras, a nossa querida Julieta – e dessas qualidades todos nós somos testemunhas.”

Osmar Schlindwein recebeu uma placa de prata e os aplausos e abraços emocionados dos colegas.

Discussão

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  1. OLHEM .FUI O PRIMEIRO FOTOGRAFO DA EMPRESA NA RUA CONCELHEIROS MAFRA
    FATURAVA MUITO
    POIS ERA O ÚNICO AQUI JUNTO COM A TAL A GAZETA
    NÃOM SEI OK HOUVE, MÁ GESTÃO SIM FOI ISSO

    E SE NÃO FOSSE O AMAMARELO. O JORNAL TERIA IDO PARA AS CUCUIAS
    BEM ANTES.
    É UMA PENA. ARQUIVOS FOTOGRAFICOS QUE CONTARAM A HISTORIA DA CIDADE E DO ESTADO SUMIRAM

    Posted by PAULO DUTRA | maio 29, 2012, 11:35
  2. Prof Cesar. lamento nao poder ter comparecido ao encontro do Lira. alguns amigos contaram que se seguraram e apertaram os olhos quando as lembranças uma vez mais navegaram em emoçoes inexplicaveis.

    Posted by LesPaul | maio 31, 2012, 22:28
  3. esse é o cara mesmo
    sem ele o jornal ja teria ido para as cucuias a anos. lembrando que uma vez saiu e o jornal começou a afundar
    voltou mas ja era tarde tinha ja acabado com tudo. tinha cada cara lá que nem deus quer ver.
    conheço a historia. fui cria de lá né amarelo
    paulo dutra

    Posted by PAULO DUTRA | junho 2, 2012, 06:38
  4. Querido amigo Osmar. Mais que merecida a homenagem feita a você. Nos que compartilhamos tua amizade fora do meio jornalístico somos testemunhas das qualidades excepcionais como ser humano e gratos por compartilhares da nossa Amizade.
    Grande abraço.

    Posted by Wilson borlin | junho 5, 2012, 12:46

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