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Generalidades

A dura vida do eleitor!

urna eletrônica

Que medo!

É dificilicimíssima a vida do eleitor brasileiro. O problema começa pelo fato inexplicável do voto ser obrigatório. E existirem penalidades para quem não vota. O voto, a possibilidade de escolher os governantes e legisladores, é um direito. Que, segundo se supõe, a maioria dos cidadãos esclarecidos exerce porque quer e quando acha que deve.

Bom, mas as dificuldades do eleitor, a partir daí, só crescem: ou vocês acham que isso de colocarem a culpa no eleitor por termos bandidos com mandato é pouca coisa?

Não tem como o eleitor médio saber o que rola por debaixo dos panos da escalafobética armação política com que partidos e políticos tentam nos engambelar. Vejam o exemplo célebre mais recente: o Demóstenes Torres. Como culpar o eleitor goiano por tê-lo eleito e reeleito?

Ou mesmo aqui em SC: ninguém informa o eleitor sobre antecedentes e sobre as intenções dos candidatos, mas assim que alguém faz uma bobagem ou é apanhado num malfeito, sempre aparece um engraçadinho dizendo que “o povo precisa aprender a votar direito”.

Aí, uns ingênuos espertos, inventam de dizer que é melhor só votar em candidatos novos. Não reeleger ninguém. E quem são os candidatos novos? A mulher do político que foi reeleito trocentas vezes, o filho do político carimbado, o afilhado do político condenado, o amante do político enrustido. E um ou outro realmente novato, mas tão inexperiente e bobinho(a) que será engolido pela “máquina” assim que assumir.

Não tem escapatória. É tristíssima a vida do eleitor. É obrigado a votar, obrigado a dar um cheque em branco para alguém que não conhece direito. E que promete calçar a rua, regularizar o terreno, arranjar emprego, resolver a confusão na comunidade, promete, enfim, mundos e fundos. E, mesmo antes de apertar as teclas da urna já sabemos, ou pelo menos desconfiamos, que não vão cumprir nada de nada.

E os partidos políticos, então? Transformam-se em abrigo de velhacos sem o menor pudor e sem avisar nada. Um dia, posam de defensores da ética e se apresentam como ideologicamente definidos, no outro, ao sabor dos ventos da conveniência, adaptam-se à “ética de mercado” e aceitam compor-se com qualquer outro covil. Desde que rendam minutinhos de TV e graninhas para o “caixa de campanha”.

Por isso tudo, é de uma crueldade sem par cobrar dos eleitores que “votem direito” ou que escolham “candidatos que não sejam canalhas”. Não tem como o pobre do eleitor, do fundo de sua angustiosa ignorância involuntária, saber se o bacana que fala difícil é ladrão. Ou se o simpático palhaço que fala errado não será transformado em marionete dos coronéis da política.

É tristíssima a vida do eleitor, submetido a tantas pressões e mantido na escuridão. A ninguém interessa que o eleitor se esclareça. Nem a partidos, nem a políticos, nem ao “sistema” como um todo: é fundamental, para que nada mude e que ninguém perca suas boquinhas, poder contar com multidões de eleitores bem amestrados.

Tanto faz que sejam filiados a sindicatos, componentes de uma corporação ou militantes bem intencionados de causas legítimas: todos podem ser manipulados, desde que mantidos em um certo nível de ignorância. E submetidos aos caprichos de “líderes” que posam de salvadores da Pátria, mas são apenas bons negociantes, tratando de garantir o seu futuro e o patrimônio particular, para o bem estar da sua (dele) família.

E o povo? Ora, como já dizia Justo Veríssimo, um personagem profético do grande Chico Anísio, “o povo que se exploda”.

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