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Tolices

Onde essa gente tá com a cabeça?

Wayne x Clouseau

Sai de cena o xerife, entra em ação o trapalhão

Se este fosse um país sério, deveria ter uma forma de punir quem exerce ilegalmente a profissão de político. Porque em várias ações do governo de SC (e de muitas prefeituras, inclusive Florianópolis) nota-se uma grande carência da boa e velha política. Parece que os ocupantes da “carreira” só se preocupam com o vil metal (e os cargos para a ratatulha de “cabos eleitorais”) e não entendem nada de negociação, avaliação de conjuntura e ação politicamente orientada e organizada.

Essa exoneração do xerife da DEIC foi uma coisa tão sem pé nem cabeça que provavelmente deve ter sido engendrada, organizada e dirigida pelo Inspetor Clouseau em pessoa!

Quem é Clouseau? Aquele policial trapalhão interpretado pelo Peter Sellers, na série de filmes sobre a Pantera Cor de Rosa.

1. A declaração

O que o delegado disse equivale às declarações de jogadores e técnicos, no futebol, depois de uma vitória. Em entrevistas feitas à beira do gramado. Nada muito pensado ou elaborado (Faço uma análise do que ele disse num dos posts abaixo). Não foi a pior coisa que uma autoridade já disse. Talvez pudesse ser melhor explicada. Mas não é nenhuma sangria desatada. Recebeu até análises favoráveis bem sensatas, como a do jornalista e escritor Nei Duclós (@neiduclos no tuíter):

“Se vierem a SC vão ser presos, ou seja, será aplicada a lei. Mas se partirem para o confronto, armados como estão, sem dar chances para julgamento e carceragem, não há outra alternativa, vão levar a pior, porque o Estado tem o monopólio legitímo e legal da violência. Isso é clássico, não contraria em nada a lei.”

2. A exoneração

Volto ao Nei Duclós: “A exoneração é uma arbitrariedade, além de uma burrice. Um tiro no pé.”

Depois da frase polêmica, que elevou o delegado à condição de ídolo instantâneo da grande parcela da população que quer ver a polícia agindo com mais firmeza, inúmeras atitudes poderiam ter sido tomadas pela “cúpula” da segurança. Nenhuma delas seria tão desastrada e pateta quanto exonerá-lo imediatamente, sem uma explicação oficial clara. Pois foi isso que fizeram.

Onde essa gente tá com a cabeça?

Circula, sem autoria, uma fofoca sobre malfeitos do delegado que teriam justificado a exoneração. Isso é conversa pra boi dormir. Se os malfeitos justificam a exoneração, eles não foram apurados, descobertos e comprovados nas poucas horas que decorreram entre a publicação da declaração e sua exoneração. Se de fato existem, quem (senão Clouseau) teria sido o gênio da política e da comunicação (e todo mundo se acha especialista em política e comunicação) que achou que a melhor hora de levar a punição adiante era justamente quando o delegado estava no púlpito das “redes sociais”?

Que enorme falta de sensibilidade para os movimentos da tal “opinião pública”, que falta abissal de conhecimento do que pensam os eleitores. E que condução incompetente de um processo simples e corriqueiro.

3. O que esperávamos?

Como um dos críticos da declaração do delegado, esperava que, em algum momento ele, ou algum superior, comentasse o caso. Não modificando ou desmentindo, mas simplesmente esclarecendo. O grande problema da frase dita daquela forma, é a maneira como o “recado” chega à tropa. É importante que a bandidagem respeite a polícia, mas também é importante que todos os sujeitos armados e fardados saibam os limites que existem para o uso de suas armas. Isso poderia ser feito com calma e habilidade, numa próxima entrevista, ou numa nota com alguma informação adicional. Para não adicionar gasolina à fogueira que foi acesa quando o delegado disse o que boa parte da população sempre sonhou ouvir da autoridade policial.

A exoneração derramou, sobre o fogo, algumas toneladas de carburante. A exoneração sem a divulgação prévia de motivos suficientes, tornou o caso num desastre público. Niguém esperava por isso. Não que o delegado fosse “imexível”, mas porque a forma como foi feita é digna dos melhores momentos do Inspetor Clouseau.

Digamos que os crimes em que o delegado está envolvido sejam mesmo graves: se perderam a hora de tomar alguma atitude antes dele ir à frente das câmeras, agora deveriam esperar um pouco mais e organizar a forma como avisar à população e aos fãs, que o “herói” tem pés de barro. Não é muito complicado, mas, novamente, exige afastar do planejamento (e, principalmente, da execução) o Inspetor Clouseau.

A gente poderia ter passado a Páscoa sem essa.

ATUALIZAÇÃO DAS NOVE

O colega Moacir Pereira publicou no seu blog, há pouco, detalhes da operação que resultou na exoneração do delegado Cláudio Monteiro. Sem citar a fonte (pelo contexto imagina-se que o jornalista tenha conversado com o secretário da Segurança ou com algum dos seus assessores) Moacir informa que a coisa estava sendo pensada há três semanas. Ora, ora, ora. Então tudo o que imaginei e supus acima, está correto. Foi mesmo o inspetor Clouseau que escolheu o “melhor momento” para anunciar à população a substituição do xerife.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Parabéns pela lucidez de seu comentário. É impressionante como as pessoas necessitam de um herói.
    Grande abraço
    #jdmend

    Posted by João David | abril 6, 2012, 08:56
  2. E também fica bem claro que alguns chefes incompetentes não suportam o sucesso de seus subordinados. Não entendem que o seu próprio sucesso vem através de assessores competentes e capazes – um princípio básico da teoria da administração.

    Posted by Max | abril 6, 2012, 09:31
  3. Tio César, a politicalha no Brasil (ajudada pela omissão do judiciário), faz tempo que pensa e sabe que é a dona do país. A tal da imunidade parlamentar aliada ao corporativismo político, leva a agirem dessa forma. Por outro lado, a grande massa ignara da população, que agora está dentro do circuito do consumismo, prefere, porque é cômodo, não enxergar esses absurdos cometidos por quem nos governa. Sofremos nós que vemos esses malfeitos. Ah como eu “quereria” ser “iguinorante”.
    Observe o caso de como o cô-lombo “interpreta” a Lei que regula o piso do magistério. Um professor com diploma de ensino médio está recebendo R$ 50,00 a menos que um formado com ensino superior. E o cara de pau do Deschamps, sai em turnê pelo Estado, dizendo que está valorizando o magistério catarinense.
    O mais escabroso acontece no Estado vizinho meridional (RS). O agora governador, quando era Ministro da Educação e Cultura, assinou, como tal, a famigerada lei do piso e agora, insiste em não cumpri-la. E nessa toada segue essa republiqueta de bananas.

    Posted by Joanildo | abril 6, 2012, 09:59
  4. Vamos deixar de brincadeira, quer dizer se o bandido atirar o delegado tem que entregar a arma e tirar as calças? Quem atira, atira para matar e se morre um policial em serviço ninguém vai chorar e se o bandido morre todo mundo chora. Vao se catar. Bateu, levou. Tem gente que acredita que o delegado tem que dar a otura face se levar um tapa ou melhor, desculpem: umtiro.
    Daqui a pouco irão querer delegado sem revólvere. Não é atoa que os bandidos tomaram conta e até exoneram delegados.

    Posted by paulo brito | abril 7, 2012, 11:19
  5. O Monteiro NAO disse absolutamente nada que contrarie a lei. O cara estah certo. Eh o que se espera da policia frente aos bandidos. Se nao se entregarem, que morram. Nao ha nada de ilegal nisso. A prerrogativa de defender a sociedade seria apenas um miserável aspecto do imbróglio com que sacanearam o eficiente Delegado. Cheira a armação das grandes. Alias, fede!!!

    Posted by LesPaul | abril 7, 2012, 21:40
  6. César, na parte que você fala que escolheram um mau momento para fazer isso com o Monteiro, a questão é mais profunda. Nosso governador e demais políticos estaduais, em sua maioria absoluta, são completos imbecis, não tem a menor noção de NADA. Eles por exemplo, não tem noção de como o acesso à informação e o compartilhamento da mesma se dá hoje em dia, ainda acham que estão no tempo do “grotão” de votos, onde podiam falar besteira à vontade que tudo logo se esquecia. Onde eles erram, além de continuar falando besteira, é não conseguir entender que hoje em dia é diferente, eles falam e a gente aqui, consegue ver que estão mentindo deslavadamente… na verdade, é até nossa sorte isso, essa inapetência geral dos nossos ditos “representantes”, visto que está muito mais fácil agora ver quem eles são realmente. Acredito que nas próximas eleições teremos surpresas, a não ser que consigam claro, cortar o nosso acesso à informação. Abraço!

    Posted by Fernando | abril 9, 2012, 09:23
  7. Li que o delegado prestou contas da viagem não realizada, que só devolveu as diárias após apuração da PF. Como ele só diz que cometeu erro administrativo,mas não é corrupto, mas não explica que erro é esse, por mais que eu também torça pela sua inocência, fica difícil defendê-lo se ele mesmo não se defende direito.

    Posted by Léo | abril 9, 2012, 12:31
  8. Levaram um ano para descobrir que as notas eram “cachorros”. Um delegado que mente para o Estado, mentiu ao fazer um relatorio com notas frias, eu tô chamando o delegado de mentiroso. Se mentiu pra mim perdeu a confiança.

    Posted by paulo brito | abril 10, 2012, 00:51

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