Uma ou duas coisas desabonadoras que eu penso que sei sobre o querido vice-prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes

João Batista. Foto: Diego Redel/Gab. Paulo Bauer/Divulgação
Antes de começar, quero deixar claro que tenho grande admiração pelo cidadão João Batista Nunes. Sujeito esforçado, boa praça, fez por merecer os cargos para os quais foi eleito, nos conselhos comunitários e na Câmara de Vereadores. Por isso, o que direi a seguir não se deve a qualquer tipo de preconceito ou menosprezo. Tratam-se de simples e frias constatações.
Ele acumula, com a vice-prefeitura, a função de Secretário de Transportes e Mobilidade de Florianópolis. E, a cada entrevista que ouço dele, no rádio ou na TV, convenço-me que se trata do homem errado no lugar errado. E o bom sujeito, que até poderia ser útil e eficiente em alguma outra área, acaba queimando cotidianamente seu filme, na sua tentativa patética de exercer a engenharia de tráfego.
Ele desenterrou a técnica milenar da “tentativa & erro”. Não tem nada mais espantoso do que, em pleno século XXI, num dos países melhor conceituados por sua engenharia, administradores públicos jogarem na lata de lixo da história todo o conhecimento acumulado e voltarem à idade da pedra: “vamos experimentar pra ver se funciona”.
E quando tenta explicar, no rádio ou na TV, o inexplicável (aumentos do transporte coletivo, por exemplo), dá pena. Na minha maldosa mente, vejo o prefeit-o-Dário rindo a bandeiras despregadas do seu auxiliar jogado às feras.
As raposas contam com a boa vontade do João Batista, com sua disposição para servir, com sua ingenuidade, para que ele faça o serviço que ninguém quer fazer.
Ou melhor, não são raposas, são hienas, abutres quadrúpedes de riso fácil e camionetes enormes cheias de multas que ninguém paga. Mas isso não tem importância, porque o resultado, para quem fica preso nos engarrafamentos, sofre nos ônibus e não sabe como ir e vir sem arrancar os cabelos, é sempre o pior possível. E tudo com a contribuição prestativa e bem intencionada do nosso querido amigo, João Batista Nunes. Coitado dele. E coitados de nós.

Ponte Hercílio Luz. Foto: Palhares Press
ABANDONO
Florianópolis é uma cidade cujos males principais, a meu ver, são a falta de planejamento e a ausência do poder público na regulamentação e na fiscalização do uso dos escassos espaços urbanos. Situada numa ilha, precisa de cuidados especiais que, ao longo dos anos, ninguém parece disposto a administrar
IMOBILIDADE
O resultado é que a cidade está parando. Se tem muita visita, como na temporada, a culpa é do excesso de veículos. Se é dia normal, a culpa é dos moradores que preferem o transporte individual. Se é final de semana ou feriado, a coisa melhora até o momento em que uma sinaleira pifa. No feriado não tem gente pra consertar e a coisa fica pra segunda-feira.
MALDITA UFSC
Ontem ouvi uma entrevista do secretário João Batista Nunes no rádio. E, mais uma vez, veio com uma história muito estranha: ele disse que que o trânsito na Trindade e no Itacorubi agora está fluindo bem porque não tem aulas na UFSC e nas demais escolas. E o que se entendia do discurso do vice-prefeito/secretário, era que a UFSC tem culpa no cartório: “olha como o trânsito está tranquilo, que maravilha é a cidade quando a UFSC não está funcionando”.
MEIA VERDADE
Pois ontem à tarde circulei por ali. Chovia e estava tudo trancado. Talvez, de fato, um pouco menos do que em dias de aula, mas evidentemente o problema de Florianópolis não são suas escolas. É a falta de autoridade. Os vereadores e prefeitos, de várias legislaturas, deixaram a cidade “adensar” (prédios de 12 andares, um do lado do outro) sem ampliar as vias de tráfego. A ruazinha que comportava o tráfego das casinhas unifamiliares, tem agora que aguentar milhares de veículos dos inúmeros prédios com dezenas de apertamentos.
FAZ TEMPO
Não pensem que essas coisas são novas ou que eu só me incomodo com isso agora. Olhaí o que escrevi, nesta coluna, no dia 2 de janeiro de 2009:
O dia em que a capital parou
Tem quem pense que é brincadeira quando a gente fala que a Ilha, qualquer dia desses, pode afundar. Tem turista demais, morador demais, carro sobrando e espaço de menos.
Hoje choveu e, naturalmente, a turistada que abarrota as praias teve, ao mesmo tempo, a mesma idéia: “bamos al centro!”, disseram uns, “vamo pro centro, manô!”, disseram outros. E o resultado foi um engarrafamento monstro.
As regiões dos shoppings e supermercados foram as mais atingidas pelo excesso de veículos e gente. E só se deu bem quem não precisou sair de casa.
Daí a gente pensa: não é todo ano a mesma coisa? É. Na temporada, dia de chuva é dia de engarrafamento no centro. Então, manezinho esperto já sabe: dia de chuva não inventa de sair à rua. Fica bem quietinho, esperando a enxurrada de turistas passar.
Cesar, quem como nós vimos o alvorecer da “UFSC” naquela Trindade ainda ‘das antigas’ do fim dos 70 e início dos 80 gostará de dar uma espiadinha em um livro do Dr. Álvaro de Carvalho, falecido há alguns poucos anos, homônimo do patronímico do teatro. Achei em um sebo e relata sua chegada cá por essas paragens na década de 50, vindo da Bahia. A cidade ali descrita é a mesma dos anos 20 aos a meados dos anos 80, na Ilha e no Continente. Dos 90 pra cá degringolou a andança e as jaqueiras e pés de jambolão secaram à sombra dos arranha-arranha-céus cultivados nas saletas da Câmara, da Prefeitura e das ‘lojas’.
como nós, que vimos”… (faltou o que)
Além do uso do conhecimento de engenharia de trafego parece que é necessário ouvir mais o cidadão usuário e menos as empresas de transporte, exemplo: um horário de 7 horas da manhã, na semana há três veículos, no sábado apenas um, daí os pobres trabalhadores precisam andar feito “sardinha em lata”.
Outro exemplo de carência de planejamento de acordo com a realidade: nas praias fora da temporada o recolhimento de lixo ocorre em dias alternados, quando temos feriados, e muitos turistas nos visitam, nada muda, se o lixo é recolhido nas terças, quintas e sábados, e o feriado foi na terça, o lixo somente será recolhido na próxima quinta-feira.
Um exemplo da falta de planejamento no trânsito é a situação atual do elevado Carl Hoepcke.
Construir um elevado só faz sentido se for para uma via passar por cima de outra. Porém, passado mais de um mês e meio da inauguração do elevado, além de ainda ninguém circular pela via por baixo do viaduto, não há ao menos uma notícia de quando passarão a circular.
Se fosse para ser assim, que simplesmente fechassem a Paulo Fontes, que economizaríamos 8 milhões e quem vem da ponte teria mais espaço para trocar para as pistas da esquerda (que também não seriam tão estreitas).
Voces percebem que “cone” de plástico faz parte de todo o acabamento das obras públicas: inauguram um viaduto e logo logo colocam cones…
O que é a utilidade da passarela da Rodoviária para o velho terminal?
LesPaul o povo rico e pobre tem que morar. A valha cidade ainda vive, olhe para o Morro da Caixa, acima da Escola Técnica: ali não houve invasão de migrantes.
Tio Cesar,o pior de tudo é que dentro da própria Prefeitura existem servidores efetivos com capacitação técnica na área de transporte e trânsito, porém, por picuinhas políticas, são alijados para funções de menor importância, para não fazerem sombra aos demais. Tem um servidor com mestrado no assunto e encostado atrás de uma mesa sem qualquer voz ativa!!!
Dá pena de viver numa cidade que exibe certo potencial como Fln. Ontem, na Guarujá, o Dário explicando sobre o aumento da passagem fez-me rir – e com certeza os outros pares de ouvintes – quando ele falou que quando assumiu o governo a passagem era 3,00. E hoje, após 8 anos – ele disse que abaixou, reajustou e o escambau – está quanto? 2,90? De verdade, não é só o Bita que está no lugar errado. Todos estão ou parecem e muito estar no lugar errado. Parece que tem padeiro fazendo Sec. de Segurança, engraxate fazendo Sec. de Planejamento, enfim. Espero – rezo, louvo, peço – para que nas próximas eleições entre gente com cabeça decente, com cabeça pensante. Que se for fazer as coisas, não faça nas coxas, que seja humilde e faça para os outros, para que haja necessidade. Não que faça por fazer, porque é bonito, porque envolve milhões de reais e ele, ela ou estas pessoas precisam de mais uns milzinhos na sua conta para botar o filho a divertir-se no exterior. Que faça Fln, sabe, encaixar-se, tomar seu rumo, aprumar-se. Não continuar piorando, rumando ao abismo, como muito parece fazer.
Cesar, você tem razão: a “técnica” é a tentativa e erro, quando se trata de planejamento e de organização. E João Batista não é mesmo o homem certo para a função. Aliás, ele não erra sozinho, o prefeito e outros secretários também dão cabeçadas. Eu cito:
1. Fecharam a avenida Paulo Pontes por meses e deu no quê? Filas e mais filas. Depois, abriram pela metade e o que deu? Filas e mais filas.
2. Por causa dos andarilhos, queriam fechar a Praça XV. Ainda bem que a comunidade chiou e eles voltaram atrás…
3. Promoveram o não-show do Andrea Boccelli.
4. Montaram uma árvore de natal mega-cara…
5. Construíram o elevado da seta e só depois alargaram – pela metade – a SC 405…
Poderíamos citar outros “feitos” de Dario e João Batista, mas melhor não estragar o dia, né?
O J B, pelo seu bonito e honesto passado, foi colocado no fogo porque entendia de engarrafamentos e gargalos.
Quanto a construção de predios observe o que está acontecendo na av Tromposwisk, onde eram as duas casas da familia Ramos.
A quantidade de carros,quando tinham as residencias,era no maximo uns 12 veiculos.Hoje estão sendo construidos uns cinco predios de apto com um total de pelo menos 120 aptos.Vai colocar neste mesmo espaço ,que era de 12 carros,mais ou menos 350 veiculos.É bom lembrar que o transito nesta av já está saturado.
Evaldo, sabe onde era a Kimoto ali na Othon Gama D’Eça? Pois é, naquele terreno estão sendo construídas 3 torres, sendo uma comercial e duas residenciais. Imagina o impacto no trânsito nas proximidades.
Os manezinhos, reclamam, reclamam, mas não pensam duas vezes antes de vender seus terrenos para a “especulação imobiliária”.
A SC 405 deve ser obra da EMJABRATEC.
Só dá para acreditar porque ela está ali, para quem quiser ver.
A grande desculpa é que está “melhor” do que era antes.
triste pensar que foram eleitos democraticamente…
Não consigo ter pena dele. Afinal, quando criticado por seus palpites, tende a desqualificar o crítico, inclusive com expressões pouco polidas, como fez certa vez no Conversas Cruzadas na TV COM, quando o indaguei, por e-mail, se não era hora de parar com os “achismos” e contratar de uma vez engenheiros de tráfego. E depois de uma fracassada campanha a deputado estadual, parece ter ficado “de birra” com a região que é sua base eleitoral. Uma pena, pois era um bom vereador.