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Fala leitor

UFSC ignora 3.800 alunos

A UFSC teve recentemente eleição para reitor. Com grande abstenção de professores no primeiro turno e uma atípica participação estudantil no segundo, acabamos vendo os “favoritos” desabando ladeira abaixo, para a eleição da primeira reitora, Roselane Neckel (clique aqui para ler o noticiário sobre ela).

Uma leitora deste blog, do interior do estado, deixou nos comentários de uma das notas abaixo, um texto muito interessante sobre o processo eleitoral e a forma como os alunos do ensino à distância (que ela chama de EAD) foram tratados ou se sentiram. É bem interessante e achei que merecia ser trazido pra cá, porque em geral essas vozes quase não são ouvidas. A autora fez a graduação na UFSC há alguns anos e agora retomou os estudos, à distância, para fazer outro curso. Taí:

“Sou um dos 3.882 alunos de EAD da UFSC (15 cursos, dados do DC, dia 14-out-2011). Estas eleições aprofundaram minha decepção com a universidade, onde curso uma segunda graduação (licenciatura, para ser mais professora ainda, insana escolha). Se nos tempos do Jornalismo (onde Moacir foi Coordenador e professor) vivenciamos democracia, participação, debate, agora somos meros números na burocracia.

Quando peguntamos sobre a votação, não obtivemos resposta a vários emails. Depois um coordenador ligado ao curso, no CCE, nos disse que não votaríamos. Depois vimos nosso nome na lista dos eleitores. Afinal, aluno de EAD está regularmente matriculado. Para fechar em clima de absurdo, recebemos a informação de que poderíamos votar, mas teríamos que comparecer na urna em Florianópolis.

A verdade é que fomos ignorados. Se fazemos QUATRO ANOS de faculdade pela internet, espalhados em várias cidades pólo, com tudo online, inclusive provas que valem absurdos 60%, por que viajaríamos até a ILha? Quem pode dar-se a este luxo, saindo lá do oeste? E por candidatos que nos ignoraram…

A UFSC até acaba de sair da Ilha, mas não desce do salto. Teria sido fácil para o grande aparato técnico bolar uma maneira de registrar nosso desprezado votinho. Não recebemos um email, folder, ou qq material de nenhum dos doutos candidatos.

Estamos no terceiro ano e até hoje nenhum representante do DCE se apresentou, mandou uma mensagem, nos convidou para qq coisa.

Só consegui ver fragmentos de entrevistas no Programa Educação e Cidadania, patrocinado pela UFSC, e apresentado por Maria Odete Olsen, na TV. Chamou-me a atenção o dia em que vi o candidato Irineu defendendo gratificação salarial para os 40 e poucos coordenadores de curso, já que são os únicos que ficam de fora desta benesse. Parece que são mais de 700 cargos comissionados. Fiquei pasma e me perguntei: se o sujeito já recebe salário, tem emprego garantido, pagam-lhe condução se mora longe, por que ainda tem que ganhar gratificação? Virou um cabidão de emprego como o governo em geral?

Que tal esta gente olhar além do umbigo e ver a miséria dos colegas professores do estado, da própria prefeitura da capital (edital na Fepese-UFSC), os ACT-bóia fria? Esta gente da UFSC que veio em boa parte para levar vidão de turista na Capital-Ilha da Fantasia, juntamente com as oligarquias, é responsável pela tardia expansão (ridícula até o momento…) da universidade, num estado com quase 300 municípios. Tivemos um até um ministro da educação, sr Bornhausen. E não por acaso quem se expandiu foi o ensino privado, dito comunitário, onde a Univali se destaca pela ausência completa de eleições livres, diretas, abertas. O Kadafi já se foi, quem sabe a primavera chegue à Univali também. Eleição indireta através de conselho de pessoas nomeadas não vale. Até nosso velho reitor (da Univali) Edson Villela submeteu-se uma vez à eleição direta.”

Discussão

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  1. Os alunos de Educação à Distância da UFSC agradecem o espaço e a consideração. Até este momento, não houve resposta aos emails.

    Acrescentando mais uma conta ao rosário das críticas (construtivas porque a UFSC é nossa e a queremos bem):

    Outro dia vi uma redação de aluno choramingando contra o programa Reuni, que era uma pérola. Reclamava de esperar cerca de meia hora para comer no Restaurante Universitário, onde paga UM REAL E CINQUENTA. Nós, no mundo aqui fora, pagamos DEZ, QUINZE REAIS por um pratinho no quilo, e igualmente ficamos na fila. Ou quando não se come apenas o tal lanchinho. Felizmente tive RU para comer nos meus quatro anos de Facul. O povão não tem pratinho a 1,50 reales. Os alunos das privadas pagam por tudo.

    Os dados da tal redação do aluno do CCE falavam de “sobrecarga” dos “pobres” professores, que atendiam em média 30 e poucos alunos. Um sonho para quem já teve turmas de 70 alunos, e nunca ganhou hora atividade.

    Não sou a favor de que se vilipendie a Universidade pública, mas um bom choque de realidade seria excelente. Os professores só pensam na fogueira das vaidades da pós-graduação, bancas, eventos, viagens. Suportam a graduação.

    Aliás, quando se tem a única aula presencial com o professor, na cidade-pólo, o mestre vem de carro oficial com motorista. Muitas vezes nos perguntamos como é possível que dêem aulas tão medíocres, em uma licenciatura, onde estamos “aprendendo a ensinar”. Aulas medíocres não só na questão técnica, pois somos humanos e não é showbizzz. Mas são aulas medíocres em termos das relações humanas. Não se preocupam de ver antes o histórico do curso e daquele grupo de alunos. Muitas vezes somos totalmente estranhos porque o tal professor não se dignou a participar com uma palavra, no site onde interagimos, e nos deixou totalmente a cargo dos tutores bolsistas de 700 reais e pouca prática. E vem a conversa de que tem que ser muito difícil, para merecer o rótulo de curso da UFSC. Houve ocasião em que nos proibiram de questionar as atividades propostas. Tudo é dado e o aluno acata ou acata. Só falta exigirem o beija-mão.

    Essa gente deveria participar mediante obrigação legal, de atividades na escola pública, sem privilégio algum. Não conhece mais do que o Colégio de Aplicação, que é algo fora da realidade também, ou no máximo algumas boas escolas.

    Bom, já deixei o rosário longo demais. É isso, no geral parece que as pessoas são contra a EAD, o que tem resultado em fracassos impressionantes, pago com dinheiro público. Entram 50 alunos, para sair meia dúzia.

    Uma professora de Didática contou que foi ao sul do estado outro dia para dar aula presencial para DOIS alunos. Mas ela também diz que não tem como discutir os problemas gerais do curso e da EAD. Cada professor faz seu trabalho, sem sequer procurar saber como anda o tal curso, e os coordenadores dizem que não podem interferir. Este é de outro centro, aquele é de outra área… É uma porção de ilha dentro da ilha maior.

    Abraço, e obrigada profe Cesar.

    Posted by Marcia Costa | dezembro 10, 2011, 12:28
  2. E ainda chamam o Prof. Tambosi de reacionário por criticar esse marxismo de folhetim e manual que ainda pregam nos círculos acadêmicos… deve ser piada. A UFSC nos últimos 10 anos viu agudizado o viés lullopetista e, a exemplo das demais repartições federais, virou um CABIDAÇO de trampos de suspeita qualidade. Parabéns pelo texto Professora Márcia Costa.

    Posted by LesPaul | dezembro 10, 2011, 14:09
  3. Estamos tentando replicar a USP, gente. Grande antro PTista que se orgulha de ser não só a intelecutualidade máxima do país, como também, não se avexa de ser a direita mais esquerda do mundo.

    Posted by @rottoweb | dezembro 12, 2011, 11:38
  4. Mais uma das aberrações deste nosso País: Universidade Pública e ensino superior sem custos para quem consegue se classificar pelos antigos e novos critérios. A Universidade Pública beneficia geralmente quem não precisa, e quando alguém menos ‘abonado’ consegue se classificar passa a ser um indigente no meio universitário. Sim, não paga mensalidades; mas e daí? Como irá se manter? Defendo o ensino superior pago. Os recursos do Governo deveriam beneficiar os melhores entre os comprovadamente sem condições – mas de forma integral, além de dispensar do pagamento de mensalidades, deveriam receber quantias em dinheiro para se manter dignamente. Universidade Públicas são como Estatais: geralmente perdulárias, corruptas e sem compromissos com a produtividade ou rentabilidade. As Universsidades, se bem geridas, poderiam se manter através das mensalidades (pagas em parte pelo Governo e/ou empresas), prestação de serviços e assessorias, venda de patentes e doações.

    Posted by Max | dezembro 12, 2011, 11:55
  5. alunos do ensino a distância? e eles sabem o que anda acontecendo por aqui? é tudo muito politicamente correto.

    Posted by Roger | dezembro 12, 2011, 19:03
  6. à distância…

    Posted by Roger | dezembro 12, 2011, 19:03
  7. César e Márcia,
    O Terceiro Grau nas Universidades Públicas irão acabar da mesma maneira que acabaram como os cursos fundamentais. Os professores não ensinam, fazem politica e retrógrada, não se atualizam.
    Márcia a Univali e a Unisul são entidades privadas, não são públicas que encontraram uma maneira de eleger os politiqueiros, aqueles que nunca saíram do campus, entraram no aplicação e la permanecem até hoje, são os carreiristas que tem medo de enfrentar a competição do mundo real.

    Posted by Brito | dezembro 12, 2011, 21:11
  8. O Conselho Universitário, órgão supremo de deliberação da UFSC, composto por Diretores de Centros, Servidores Técnicos Administrativos e Docentes e alunos, quase todos eleitos pelos seus Departamentos, designa a Comissão Eleitoral que tem soberania para decidir tudo sobre a eleição. Esta Comissão é composta por Servidores, Alunos e Professores, todos designados por seus respectivos sindicatos e representantes do CUn. Sugiro aos alunos do EAD procurarem os seus representantes do DCE na Comissão, para ver o que houve. Agora, malhar a UFSC que em 50 anos conseguiu destacar-se entre uma das melhores do país como cabide de emprego, sendo que para entrar só através de concurso público, e que ainda estamos com déficit de Professores em alguns cursos é no mínimo leviano. O infeliz artigo é o típico informar desinformando. Típico de quem não frequênta a UFSC.

    Posted by joão alberto vieira silva. | dezembro 13, 2011, 20:03
  9. Brito, ao contrário do que vc falou, a Unisul e a Univali não podem e nem são particulares. são fundações com fins lucrativos. logicamente que só querem ver o lucro… e o que tem acontecido dentro dessas duas universidades está bem aquém do que vc mencionou… o clima por lá é pior ainda: alunos pagando muito caro por cursos sucateados.
    eu sei que a discussão aqui é a ufsc, mas não poderia deixar de comentar.

    Posted by Samantha | dezembro 13, 2011, 22:44
  10. ops… escrevi errado!!! SEM fins lucrativos, e não com!

    Posted by Samantha | dezembro 13, 2011, 22:45
  11. A UFSC é de todos e por isso não cabe o “Ame-a ou deixe-a”. Não está acima do bem e do mal. Deve haver discussão e transparência. Qualquer um tem o direito de se expressar e criticar. DCE tem site? Telefone? Não sabemos nem quem são. Alunos de Educação à Distância (EAD) justamente estão longe da “Corte”, da Ilha Cap.

    Professores que estão no campus e sequer se dignam a votar numa importante eleição para Reitor são péssimo exemplo à cidadania. Do mesmo modo privar aluno que quer votar de poder fazê-lo. Entrar por concurso é o mínimo. Não legitima tudo o que a pessoa faça lá dentro. Gratificações, burocracia, não tem nada a ver com concurso.

    Não conheci o JANER CRISTALDO, ex-professor da UFSC, mas os especialistas em UFSC que digam se tudo o que ele denuncia é verdade ou não. Inúmeros casos de gente que usufruiu de bolsas e nunca voltou para retribuir, nem devolveu o dinheiro público. Anos no exterior sem sequer defender uma tese. Trabalhos irrelevantes. Basta fazer uma busca no google e ler os livros, blogs dele, com nomes, polêmicas, detalhes.

    Sobre as universidades privadas, ditas comunitárias, da ACAFE, querido prof. Brito, recebem muito dinheiro público, de vários níveis. Bolsas, convênios, serviços. Deveriam ser transparentes, abertas, e atender ao desejo dos Tribunais que querem conhecer suas contas. Veja tudo o que diz o Desembargador Lédio Andrade. Algumas mandam mais que as prefeituras nas suas regiões. Apoiam e mantêm atrelados vereadores, secretários… E se até universidade privada faz eleição, por que não as comunitárias? Onde os jovens vão aprender a exercitar sua cidadania? Universidade sem debate e democracia não merece nome de universidade.

    Posted by Marcia Costa | dezembro 16, 2011, 14:44

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