Por Emanuel Medeiros Vieira
Para Chico Alencar, meu amigo
A decisão do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) de deixar o país é fato gravíssimo que se já não espanta, é porque a consciência de cidadania de um país já está profundamente anestesiada, resignada – aceita tudo.
Tal postura seria derivada da permanente impunidade nos três poderes?
É uma espécie de império do “relativismo” moral.
O que houve?
O Rio foi capital do Brasil.
É a falência completa das instituições.
O parlamentar presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio, que resultou no indiciamento de mais de 200 pessoas, entre políticos, policiais, bombeiros e outros suspeitos de ligação com grupos criminosos que dominam comunidades, principalmente na zona oeste da capital fluminense.
As investigações resultaram em mais de 500 prisões e inspirou um personagem do filme “Tropa de Elite2”.
Somente no mês de outubro, o serviço de inteligência da Polícia Militar do Rio confirmou pelo menos sete ameaças de morte contra eleRepito: sete!
Quem conhece o caráter do deputado, afirma que ele não faria isso por marketing, querendo dar um golpe publicitário.
E quem pensa assim, esquece – como observou alguém – que o problema não é particular. É público.
É que muitas pessoas tendem a projetar a sua índole nos outros.
Os homens nascem iguais, mas não são iguais no seu merecimento.
O que está acontecendo é um tapa na cara da sociedade brasileira.
Ou estou romântico demais?
O que a maioria quer mesmo é se “dar bem”, mesmo à base de cotoveladas?
Ela está mais preocupada comas fofocas de “Caras”, com as novelas, com a vida fútil e idiota de muitas celebridades, com os programas de auditório, ou ficar sabendo se uma dupla sertaneja vai se separar ou não.
Então, merecemos que um deputado honrado e combativo (não há muitos) precise deixar o país para não ser morto. Ou seus filhos. Ou sua mulher.
Enquanto isso, esse impoluto senhor chamado Orlando Silva (um dos maiores cantores que o Brasil já teve, para o seu infortúnio, tinha o mesmo nome), na posse do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), no ministério do Esporte, foi aplaudido de pé. Só faltou ser beatificado.
A pergunta que não quer calar: então por que ele teve que sair?
(Salvador, novembro de 2011)
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