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Na estrada

Um mês fora de casa

Hoje faz 30 dias que comecei a viajar (no bom sentido) e ainda faltam mais de dez para que eu retorne ao Brasil e a Florianópolis. Durante esse tempo fui à Europa, voltei a Florianópolis (para uma passada rápida, de quatro dias) e vim para a costa oeste da América do Norte, de onde retorno no final do mês.

Visitei muitas cidades e andei bastante de trem. Mas também dirigi uma porção por vários tipos de estradas. Andei na Itália, no sul e no norte. Fui até à Suíça. Nos Estados Unidos, de São Francisco fui ao vale do Napa (famoso pelas vinícolas) e depois desci até Los Angeles (numa viagem que levou mais de 6h). Ontem, logo depois de escrever estas maltraçadas, fiz o caminho de volta, também por terra, pela “1” (a estrada da costa do Pacífico) e pela 101 deles.

Neste exato momento estou num hotel em Carmel, a cidade do Clint Eastwood, depois de ter percorrido, por algumas horas, a lendária estradinha cheia de curvas, perigos e paisagens fantásticas, que se dependura nas encostas do oceano Pacífico.

E nesse mês todo, não vi nenhum acidente grave nas estradas. Isso é uma coisa rara nas rodovias brasileiras, em especial nas catarinenses. Basta viajar num final de semana que a gente sempre encontra sinais de algum desastre. Caminhões virados, carros amassados, motoqueiros caídos, carga espalhada no acostamento são quase parte da paisagem. A gente se acostuma a isso e quando viaja dias seguidos em outros países onde a rotina não é a das mortes nos trânsito, acaba estranhando.

Mais estranho ainda é andar na velocidade permitida, numa autoestrada, e não ser ultrapassado por todos os demais veículos. Nem ser agressivamente forçado a “sair da frente”, enquanto se está ultrapassando (no limite da velocidade máxima permitida), veículos mais lentos.
No Brasil, em estradas que permitem 100 km/h, só gente crédula ou tola anda a essa velocidade. “Todo mundo” anda a mais de 120 km/h. No mínimo.

Claro que tem loucos em todos os lugares. Mas a maioria dos motoristas se mantém nos limites. Quando por mais nada, porque as multas são salgadas e a fiscalização, ora vejam só, existe.

Outra coisa que chama a atenção do motorista acostumado ao jeito brasileiro de desrespeitar normas de trânsito e de civilidade: nos Estados Unidos, o sinal de pare (stop) significa que é preciso parar, mesmo que não tenha movimento nenhum. Quem já levou multa por não parar direito, recomenda: “pare, conte até três e, se não vier ninguém nem ninguém for atravessar, continue”.

Nos cruzamentos sem sinaleira, apenas com placas de “pare”, segue-se uma ordem de chegada. Todos param e quem chegou primeiro ao cruzamento, passa primeiro. Depois o seguinte. E isso funciona mesmo quando tem caminhões ou ônibus envolvidos. Inacreditável.

Sem falar que, mesmo com sinal aberto para os carros, se ao virar à direita ou esquerda, tiver algum pedestre atravessando na faixa, é preciso parar e esperar.

Toda essa “cortesia”, é claro, foi aprendida em anos e anos de multas, apreensões de carteiras, aulas de trânsito desde as escolas primárias, exames de motoristas rigorosos, etc. Mas o fato é que a gente se sente mais tranquilo guiando em cidades grandes, de trânsito complicado, como Milão e Los Angeles, do que em Florianópolis.

A agressividade gratuita com que a maioria dos motoristas dirige na avenida Beira Mar Norte, por exemplo, além de inexplicável, demonstra o nível de ignorância dos motoristas que enfiam o pé no fundo e saem costurando como se estivessem numa terra sem lei. Bom, vai que estão mesmo.

EM TEMPO

Uma coisa tinha chamado minha atenção em Los Angeles (mais especificamente em Burbank e Glendale) e agora à noite, em Carmel, ficou ainda mais esquisito: iluminação pública só existe em algumas ruas principais das cidades maiores. Bairros residenciais e mesmo ruas comerciais secundárias, são completamente escuras. A única iluminação é a colocada pelos moradores diante de suas casas. “Não precisa, os carros têm faróis”, diz alguém. E não é difícil ver gente caminhando com lanternas. No Brasil, em que a iluminação pública é item contabilizado como fazendo parte da segurança pública, ruas escuras são inconcebíveis. Inaceitáveis. Mas aqui, pelo jeito, a escuridão é encarada com naturalidade. Lâmpadas nos postes é um gasto desnecessário. E até pode ser que os moradores se movimentem sem problemas, mas eu, que tentava achar os nomes das ruas, achei um saco. Amanhã cedinho vou à casa do Clint (que já foi prefeito daqui), pra reclamar. Ou pelo menos pra tentar entender essa coisa maluca.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Valente, visse as placas às margens da hw 1 dizendo “mil dólares de multa para quem jogar lixo pela janela?

    Posted by Ubiratan Canela | outubro 20, 2011, 13:37
  2. I Clint te acertou algum tiro? Será que tu iras virar personagem do “Dolar Furado?”

    Posted by Paulo Brito | outubro 22, 2011, 00:14

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