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Na estrada

Lá, como cá, uma faxina sempre ajuda

Todo mundo que vai escrever sobre uma viagem ao exterior, procura falar das coisas boas que viu, viveu, comeu e bebeu. É natural que procurem mostrar as coisas diferentes daqui e é até compreensível que se exibam um pouco.

Tem também aqueles ranzinzas que vivem fazendo comparações onde o Brasil e os brasileiros sempre levam a pior. Acham que tudo o que encontram no exterior é melhor do que o que encontram por aqui.

E isso não é verdade. Tem coisas ruins (e às vezes até bem ruins) em todos os países, em todos os cantos do mundo. E tem coisas boas (e às vezes muito boas) no Brasil, e em especial em Santa Catarina.

Como não sou nem de me exibir (hehehe) nem ranzinza (quáquá), farei algo diferente: vou falar mal (só um pouquinho), do estrangeiro.

LIXO DESCENTRALIZADO

O sul da Itália tem lugares muito bonitos. A península amalfitana, também conhecida como costa amalfitana (corram ao Google Maps ou ao Google Earth e procurem por Amalfi, Sorrento ou Positano), por exemplo, é um litoral caprichosamente recortado com montanhas altas, água do mar azul turquesa, vilarejos encarapitados e pequenos portos fotogênicos.

Acessível por uma estradinha estreita e cheia de curvas (a strada statale 163, que é asfaltada e sem buracos), tem hotéis e restaurantes da melhor qualidade.

Lixo italiano

Rodovia SS163, entre Maiori e San Pietro. Fotos: Palhares Press

Só que, como é possível ver nessa foto aí, tirada na saída de um dos vários túneis da estrada, o pessoal vai depositando lixo em qualquer lugar. Nesse canto aí tem colchões, um monitor de computador, um pedaço de estante.

A coisa chamou minha atenção porque não era um caso isolado. Tinha lixo jogado em muitos locais. Parece que a turma estaciona em qualquer cantinho da estrada e deixa seu lixo. Na outra foto (abaixo), de um lugar mais adiante, também está lá o lixo.

Lixo italiano

Mesma SS163, próximo a Vietri Sul Mare

Só que, se a gente olhar para o outro lado, vê as paisagens magníficas da região, como essa vista da cidade de Vietri sul Mare, famosa por suas cerâmicas.

Vietri sul Mare

Vietri fica bem próximo de Salerno, um porto importante que aparece ao fundo.

Tive a impressão, em uns poucos dias circulando por algumas estradas das regiões do sul da Itália (Campania, Basilicata, Calábria e Puglia), que em vez de terem grandes lixões, como no Brasil, onde o lixo de todo mundo é reunido, eles colocam um pouquinho em cada canto. Descentralizando o lixo.

Claro que esse nem é um grande problema. Não chega a comprometer a beleza e o charme das demais atrações da região. Mas fiz questão de trazer pra cá, para que quem não costuma viajar ao exterior fique sabendo que por lá também tem coisas que podem ser melhoradas. E que por aqui, tem muita coisa que já está bem legal.

O LADO PAULISTANO DE NAPOLI

Napoli é uma espécie de porta de entrada do sul da Itália. Cidade grande, movimentada, tem uma região, perto da estação ferroviária, que lembra São Paulo nos seus piores momentos. Trânsito caótico, sujeira, gente aplicando golpes, ambulantes… lembrei, ao passar por ali, de trechos do centrão paulistano.

E senti-me provavelmente como um turista estrangeiro deve se sentir ao ter que enfrentar, no Brasil, aquele mar de gente em ruas com calçadas esburacadas, carros demais, calor demais e uma sensação concreta de insegurança que nos faz andar com a mochila na barriga, em vez de nas costas.

Mas, assim como em São Paulo, Rio e todas as grandes cidades do mundo, Napoli tem bairros “de primeiro mundo” onde, quem tem dinheiro, pode passear, comer e beber muito bem.

PÉ NA ESTRADA

Desde o último dia 19 estou, com dois velhos amigos, na Itália. Fui acompanhá-los em uma visita ao vilarejo de onde seus antepassados saíram, quando emigraram para o Brasil há mais de um século.

Os dois, Lanzetta e Medaglia, são jornalistas. Os dois nasceram no Rio Grande do Sul e se conheceram em Florianópolis, para onde ambos “emigraram” na década de 70. E eu os conheci nessa época.

Os avós e bisavós de ambos eram, por coincidência, da mesma pequena cidade: Morano Calabro, no sul da Itália. E agora resolveram fazer a viagem tantas vezes adiada. Vim junto porque não ia perder a oportunidade. Viajar é comigo mesmo. Arrivederci. Até terça.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Isso é na Itália. Não dá pra dizer que na Europa é assim, mesmo porque, na maioria dos países europeus, as ruas são de uma limpeza que beira o impossível, para nós americanos. Tá com a vida ganha né tio?

    Posted by @rottoweb | setembro 29, 2011, 09:00
  2. César, menos. Não é em todos os países, é em toda a família. Basta procurar que tem coisas boas e coisas ruins. Quanto a Itália… deve ser bonita porque a Anita nunca voltou, ficou por la com o Garibaldi. Mas a mulher que aparece brincando com o gato e ao lado do Mário… quando voltarem traga ela junto só para que possa conhecer. Ah! Esses “carcamanos” de Morreto palam piu ou no?

    Posted by Paulo Brito | setembro 29, 2011, 11:56
  3. Descentralizar o lixo?? Cuidado César, tem gente do PMDB catarinense que pode usar esse “modo de gestão” como justificativa para viajar a Itália. Conta socializada por todos os catarinenses, naturalmente.

    Posted by Anthony Toini | setembro 29, 2011, 14:46
  4. Eu fui contra a realização deste documentário denúncia…Chega de Neorealismo italiano. Quanto a Anita, Brito, ela não voltou por causa de um probleminha: morreu!

    Posted by luiz lanzetta | setembro 29, 2011, 17:56
  5. Lanzetta eu sei, mas enquanto estava viva não quis voltar para Laguna.
    Sobre esses lugares perto de Napoli, que o Cesar me mandou olhar no mapa, descobri que todos tem marina, molhes como no Rio Grande.
    Imagine conseguir convencer nossos ecologistas, adoradores de cachorro a permitir molhes na Praia Grande do Rio Vermelho. Não adiante dizer que ira beneficar a flora e a fauna maritima, eles preferem as ocupações irrulares – favelas, na ponta do Coral e do Leal.
    Divirtam-se, enquanto os acompanho por aqui.

    Posted by Paulo Brito | setembro 30, 2011, 00:26

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