// você está lendo...

Jornalismo

Imprensa & governo

Na semana passada, critiquei aqui (veja notas mais abaixo) o governo Raimundo Colombo que anunciava, com alarde, algumas medidas para a segurança da temporada de verão que, na minha opinião, são factóides que não irão aumentar a sensação de… segurança.

Aí recebi vários e-mails e alguns comentários no blog, de gente querendo elogios – e não críticas – ao governo Raimundo. Que, segundo eles, estava fazendo alguma coisa muito boa.

Ora, o básico da segurança pública não está garantido, há carências enormes em várias áreas e setores, há problemas antigos a serem solucionados e o governo vem com mais câmeras, mais tecnologia, mais aparelhos caros adquiridos sem licitação. Pode?

E já que estamos falando em parafernália tecnológica, como estão sendo usadas e para que servem as câmeras de vigilância já instaladas? Têm sido auxiliares na prevenção de crimes, ou servem apenas para, depois da casa arrombada, ver o que ocorreu e mostrar na TV? Tem gente acordada e preparada à frente dos monitores? Tem viaturas de prontidão para agir?

Ontem mesmo, na TV, uma pobre vítima de assalto à luz do dia, na bela Lagoa da Conceição, em Florianópolis, mostrava as deficiências estruturais da polícia, que não teve como perseguir e capturar o assaltante.

Frequentemente os bandidos “fogem” a pé. E a população fica sem ter a quem recorrer. Chama a polícia, mas a polícia não vem.

E isso que nem começamos a falar da saúde pública. Ou do ensino fundamental.

Mas, se depender dos amigos, dos cabos eleitorais, dos puxassacos e de uma certa imprensa que se vende por dois tostões, as autoridades só receberão elogios. Porque, para essa gente, desde que sua boquinha esteja garantida, está tudo bem. Tudo é maravilhoso. Os problemas nem merecem ser citados, porque o magnânimo e competentíssimo chefe está “tomando providências”.

Asco. Asco e nojo de picaretas que deturpam a função essencial do jornalismo. Cansaço de ver dinheiro público ser derramados às toneladas nos bolsos famintos dos ladrões bem vestidos e bem falantes. Por isso reproduzo, a seguir, em letras bem grandes, três parágrafos do brilhante discurso que o jornalista Luiz Cláudio Cunha fez em maio, na Universidade de Brasília. Sintetiza, com grande clareza, o que devemos e podemos fazer. E sinaliza, com precisão, o que não podemos e não devemos fazer.

imprensa e governo

Fácil de entender, difícil de praticar...

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Concordo! O Governo não é nenhum garotinho mimado que precisa de elogios pra viver a vida. Tem é que mostrar serviço. Estão a serviço do povo e pronto. É piada tudo o que vem acontecendo no país. Corrupção descarada, já não se tenta nem esconder mais. Quantas pessoas foram presas por corrupção no Brasil? E será que o fato de ninguém ser preso por corrupção no Brasil indica que não há corrupção? Alguém acredita nisso? Ou corrupção não é crime? Qual a diferença entre corrupto e um ladrão qualquer? É difícil ter vontade de elogiar os políticos brasileiros com tudo o que vemos. Estamos vendo tanta corrupção nos ministérios agora, será que eles ainda querem elogios? Alguém aí quer elogiar o governo pela BR 101 por exemplo? Piada e mais piada, infelizmente. Entre amigos, ótimo, vindo do governo, lastimável.
    Por favor Cesar, continue de olho!

    Posted by Marlon | agosto 9, 2011, 10:44
  2. Definição justa. Mas vou te contar, com esse povo acomodado e pouco interessado em fatos políticos, a história continuará assim. Esse povo não faz história, passará em branco por esse momento crítico de absurdos e escândalos!!! É César, também ando decepcionado com os meus conterrâneos contemporâneos…

    Posted by Anthony Toini | agosto 9, 2011, 11:21
  3. Mais claro que isso, nem desenhando.
    Mas agora podemos ficar tranquilos, as organizações Globo lançaram os “Princípios editoriais das Organizações Globo”, que, segundo eles já era seguido pelos jornalistas da casa, “por instinto”, sabemo que podemos contar com tal organização(mafia?) para nos ajudar a fiscalizar. #apaputaquepariu

    Posted by Wilmor Henrique | agosto 9, 2011, 13:42
  4. Acho interessantes esses comentários de pessoas querendo que o povo “se mobilize”, que reclamam da falta de interesse dessas gentes que marcham por isso e por aquilo mas não contra o que realmente importa, contra “tudo o que está aí”.
    O Anthony, nosso companheiro aí de cima, é um desses que quer mais atitude da população. Em um comentário em outro post, Toini afirma ser culpa da “massa burra” a eleição de Colombo. Essa teoria só meu deixou dúvidas. Porque, se há uma “massa” – o povão, a galera, a maioria – que elege gente, e que ao mesmo tempo é “burra”, o contrário, quem não faz parte desse grupo, é uma minoria, por consequência, inteligente. Seria, digamos, uma elite letrada, da qual Anthony faria parte.
    Não vou ousar perguntar em quem essa elite letrada votou para governador (ou em quem a massa burra deveria ter votado) Ângela? ideli? Valmir? Mas gostaria de pedir para que a elite letrada tomasse essa iniciativa da movimentação que Toini pede às massas. Os inteligentes, porque inteligentes, que comecem a coisa. Nós burros (olha que eu não votei no Colombo, portanto, de acordo com Toini, não sou tão burro assim) vamos atrás.
    Caro Toini, porque não tomas tu a iniciativa? Cola uns cartazes, xeroca uns panfletos, organiza uma marcha, monta um partido político, faça alguma coisa você mesmo: eu te apoio. Te prometo o meu voto.

    Posted by Ubiratan Canela | agosto 9, 2011, 14:50
  5. Caro Ubiratan, sou contra a poluição visual de qualquer local, seja por cartazes ou panfletos. Prefiro a internet, muito mais prática, embora com menos alcançe (minha vizinha de 70 anos certamente não tomará conhecimento). Dentro do meu círculo de amizades procuro trazer estes assuntos, tirando-os um pouco do trivial “Avaí-Figueirense-balada-será que vai chover?”. E reafirmo, é o meu sonho ver a população cerrando os punhos e indo cobrar todas essas deficiências e inoperâncias que o nosso estado tem. E, de preferência, que a manifestação fosse na frente da ALESC. Sobre o “burros” e “inteligentes”, acho simples. Há mais inteligentes interessados no caos e corrupção atual do que inteligentes com uma visão da totalidade. Totalidade? O teu pequeno ato corrupto aqui vai gerar, cedo ou tarde, um outro problema. Sabe, aquilo que disse o Bertolt Brecht. Vamos conversando!

    Posted by Anthony Toini | agosto 9, 2011, 16:21

Posts recentes

O fim de uma era
23 de maio de 2014, 17:27
Por Cesar Valente
E aí? Abandonou o blog?
6 de maio de 2014, 17:46
Por Cesar Valente
Brasília real aos 54 anos
28 de abril de 2014, 22:12
Por Cesar Valente
Beleza e crueldade
28 de abril de 2014, 22:01
Por Cesar Valente
A semana dos enigmas
17 de abril de 2014, 8:09
Por Cesar Valente

Arquivos