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Jornalismo

E por falar em saudade…

O Estado 15/4/1988

Manchete de O Estado de 15 de abril de 1988

Ex-funcionários do jornal O Estado estão se preparando para um grande reencontro no próximo dia 28, na churrascaria Meu Cantinho, no Kobrasol. Como faço parte do grupo (em O Estado fui de repórter iniciante a editor-chefe), estou preparando um estoque de lembranças para conversar com meus colegas. E as grandes matérias, que fizeram a concorrência suar frio e encheram os leitores de informação, são certamente as melhores coisas pra se lembrar.

A cobertura que fizemos do final do sequestro de dois garotos Brandalise (na época a família ainda detinha o controle da Perdigão), é um desses grandes momentos do jornal. Tive a felicidade de poder acompanhar, como editor, o trabalho da excepcional equipe que eu e o Flávio Sturdze montamos. Tinha gente que já estava em O Estado e gente que trouxemos de outros veículos, inclusive do DC. E todos sairam-se muito bem. Folheei ontem, na Biblioteca Estadual de Florianópolis as várias edições que trataram do assunto, e novamente fiquei orgulhoso e emocionado. Fazíamos, de fato, um belo jornal.

Do Editor

A coluninha "Do Editor"

Pois bem, na página 4, a página dos editoriais, eu mantinha uma coluninha diária, chamada “Do Editor”, que era uma espécie de blog, onde comentava com os leitores, os bastidores da produção do jornal. Na edição do dia seguinte ao grande tiroteio de Balneário Camboriú, tive esta conversa com os leitores:

Do Editor
Tiros e Sustos

Que noite!

Em Balneário Camboriú, tiroteios no mais puro estilo “Intocáveis”. Em Videira, aviões decolando na madrugada, carregados de policiais armados até os dentes. Em Florianópolis, Muda Brasil Tancredo Jazz Band lotando o teatro desta capital ansiosa por uma vida cultural mais agitada.

Pouco depois da meia-noite, o delegado Elói Gonçalves retira, da delegacia do Balneário, a mulher de um dos seqüestradores. Atentos, os repórteres desde nosso O Estado, o seguem. Elói vai à toda no Gol branco. Atrás, também num Gol branco – só que com a marca do jornal na porta – o repórter carlos Jung, a editora-assistente Déborah Almada, o editor de fotografia Tarcísio Matos e, de carona, a repórter Rosana Porto, da Folha de São Paulo. Ao volante, o destemido motorista José Rios.

A perseguição terminou diante de um prédio. O carro de Elói parou, o carro de O Estado parou junto, quase grudado. Até aquele momento não se sabia onde estavam escondidos os sequestradores. E a partir daquele momento ficaram sabendo da forma mais assustadora: começou o tiroteio contra o carro do delegado, que tentou dar uma ré. Atrás, impedindo, o nosso carro, parado. É que o José Rios, as balas zunindo por todos os lados, não conseguia mover o carro. Os segundo pareceram horas, até que ele conseguiu engatar a ré, sair da linha de fogo e liberar o caminho para o outro Gol.

A partir daí estavam todos literalmente no centro dos acontecimentos. Mortos de medo de levar uma bala perdida, mas no centro dos acontecimentos.

Tão no centro que tinham muita dificuldade de sair para passar as informações por telefone (os relatos detalhados estão na edição de hoje). Um dos moradores da vizinhança, amigo deste nosso O Estado, supriu essa dificuldade relatando-nos, pelo telefone da sua casa, o que estava vendo e ouvindo.

Em Videira, quando o delegado Renato Hendges e sua equipe levantaram-se, às 3h, para sair em direção ao aeroporto, esbarraram, na porta do hotel, com um “comitê de recepção” formado pelo secretário de redação Ricardo Garcia, pelo repórter Carlos Locatelli, pelo editor-assistente de fotografia Gilberto Gonçalves e pelo motorista Luiz de Assis. Todos prontos a acompanhar os policiais até o aeroporto, para documentar a partida dos policiais catarinenses que foram caçar sequestradores em Curitiba.

Que noite!

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Estarei lá. Da Polícia com Cachorrão, Ângelo, Pedro Fernandes, Edson; Sarará, Bafo, Luiz, Marco e Caio Cezar… depois a Economia com Walmor Roberto e Ivonei. Ótimas Jornalistas e belíssimas mulheres. Luiza, Adriana, Alessandra… Amigos, Mozinho, Cacá, Toninho Kowalski, João dos Passos, Miro, Mário Pereira…

    Posted by LesPaul Corvette | maio 9, 2011, 22:40
  2. O que matou a carta do editor nos jornais?

    Posted by Alexandre Gonçalves | maio 9, 2011, 23:33

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