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Jornalismo

A escola O Estado de jornalismo

Os ex-empregados do Comelli, jornalistas e demais profissionais que trabalharam no jornal O Estado (o mais antigo, não tem?) estão conversando, num grupo do Facebook (Reencontro O Estado), sobre suas memórias, organizando encontros etílicos e não etílicos e preparando uma grande festa/reunião para o dia 28 de maio.

A alturas tantas, o Osmar Schlindwein disse uma coisa muito interessante, que passou meio despercebida, mas que faço questão de trazer pra cá e comentar um pouco. Ele escreveu: “Lembrem de me chamar para o próximo encontro da maior escola de jornalismo de SC”.

Ora, O Estado foi mesmo uma grande escola de jornalismo. Nem sempre o que se ensinou lá era a melhor prática jornalística (vide as incursões ao bambuzal), mas nas escolas formais também o ensino, às vezes, não é lá essas coisas. Como em toda escola, quem passou por O Estado lembra dos amigos e das vivências que teve com saudade. Mesmo que, entre as lembranças, esteja o atraso do salário, algumas dificuldades e decepções.

Para muitos jornalistas já veteranos (como eu), O Estado foi o primeiro emprego. Na fase de impressão em off-set, iniciada em 1972, havia a concorrência com o Santa (Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, criado em 1971). A certa altura, mais ou menos quando o Santa já não representava grande perigo, chega o Diário Catarinense (o “jornal dos gaúchos” da RBS). Durante vários anos, a concorrência se deu quase de igual para igual. Era estimulante e ajudava a turma a se esforçar para fazer melhor.

Estamos falando aí de quase três décadas de atividade “normal” de um jornal com circulação estadual e grande prestígio. Durante esse tempo, passaram pela “escolinha” algumas centenas de profissionais (a última contagem feita no grupo do FB estava em algo como 400). Que, de alguma forma, participaram do processo de ensino/aprendizagem.

Como em boas escolas modernas, o curso de jornalismo O Estado não tinha professores ensinando o tempo todo: às vezes se aprendia, às vezes se ensinava. E o fato de ocupar formalmente uma função de chefia ou subalterna não contava muito. Nas situações inusitadas em que o trabalho às vezes era feito, ou todo mundo remava, aprendendo e ensinando, ou acabava fora do barco. E, agora, das lembranças.

Embora o dono, nessa fase, sempre tenha sido o Comelli, que de tempos em tempos trocava o editor-chefe, que por sua vez remexia na composição da equipe, acho que dá para dizer que O Estado teve um único e grande catedrático. Um professor que atravessou gerações e, provavelmente sem querer, acabou sendo um dos personagens que melhor representa o que O Estado foi: ele mesmo, o Amarelo, “seu” Osmar.

Se O Estado ainda existisse, o Osmar poderia ser eleito Reitor dessa que ele, com orgulho, chamou de “a maior escola de jornalismo de SC”.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Realmente, Osmar Schlindeiwn foi o que se pode denominar de “camomila dos irrequietos da redaça”. Para tudo ele tinha solução. Acho que todas as noites o Amarelo chegava em casa, abria a janela e uivava, para descarregar todas as adrenalinas.

    Posted by Laudelino José Sardá | março 29, 2011, 11:57
  2. Pô Cesar, o bambuzal poupou muitas licenças médicas por stress. Na UFSC o bambuzal era ‘itinerante’. Toninho Kowalsky é parte importante dessas lembranças. O Facebook é estranho ao dinossauro que sou. Ou mamute. Acompanharei por aqui.

    Posted by Paulão | março 29, 2011, 13:50
  3. Amigos e leitores deste blog. Endosso o que o César escreveu aí em cima. O Osmar Amarelo foi durante muito tempo o grande esteio(cruzes) do mais antigo. Com ele ao lado sempre havia solução para os piores problemas. Sou filho da PUC, mas o Santa e O Estado foram as minhas verdadeiras escolas de jornalismo. A gente era feliz e não sabia…

    Posted by Mário Medaglia | março 29, 2011, 18:06
  4. O Mais Antigo viverá para sempre na memória de nós, ex-funcionários, e de alguns leitores qua ainda sobrevivem. Não tive a felicidade de conviver nos tempos áureos com os colegas que aqui já deixaram seus comentários. Mas tive a sorte de viver, talvez, o suspiro final (1995-1997), antes da derradeira decadência do jornal.
    E, claro, o “Sêo” Osmar é o cara!

    Posted by Alessandro Bonassoli | março 31, 2011, 20:07

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