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Mundo afora

De Montevideo a Buenos Aires, pelo rio

Gosto muito de viajar e de contar o que vi durante a viagem. Tenho feito isso há tempos, desde quando meu blog se chamava “Carta Aberta”. E antes, sempre que o jornal onde trabalhava dava chance.

No blog, uma das maiores fontes de acesso, em todos esses anos, é a história da travessia entre Mondevideo e Buenos Aires, de aliscafo. O tempo todo aparece gente (via google e seus parentes), querendo saber como se faz essa viagem. E ultimamente até a empresa que faz a travessia (Buquebus) tem aparecido por aqui, nos anúncios que o google coloca aqui no blog.

Neste final de semana, organizando umas coisinhas aqui em casa, vi umas imagens não editadas que fiz na última viagem pelo Rio da Prata. Editei-as rapidamente (ou seja, tá meio malacabado) e subi para o YouTube, para mostrar o tal aliscafo e dar uma idéia da coisa (claro, no YouTube tem dezenas (centenas?) de filminhos mostrando essa travessia e os diversos modelos de aliscafo que são usados).

Depois que terminei tudo e coloquei o filme no YouTube, notei que tinha escrito lá que a duração da viagem era de 2 horas. Que nada: são 3 horas (como o fuso horário entre Uruguai e Argentina, em certas épocas, tem uma hora de diferença, me confundi).

Taí o filminho. Boa viagem.

Vou aproveitar que vocês chegaram até aqui, para republicar um texto meio antigo (de janeiro de 2006), da série “Na Estrada com o Tio Cesar”.

A ARTE (OU A CIÊNCIA) DE VIAJAR SEM SE ESTRESSAR

Viajar é uma ciência (ou uma arte) que tanto serve para o bem quanto para o mal. Há aqueles que viajam com os olhos fechados e não conseguem ver graça em nada. Outros acham que a vida é um concurso de televisão e passam o tempo todo comparando o que vêem com o que tem em casa. Também não conseguem aproveitar direito.

Uma boa viagem, uma viagem inesquecível, exige uma grande dose de generosa curiosidade. E uma sincera disposição de aprender. Porque as viagens são aulas onde aprendemos muita coisa, de uma forma dinâmica e divertida.

Ou chata e aborrecida. Só depende da forma como encaramos essas pequenas (ou grandes) aventuras. E da nossa capacidade de entender o que nos cerca.

É óbvio e lógico que os lugares que encontraremos para dormir não serão iguais ao nosso quarto e à nossa cama. Os barulhos que existirão ao redor serão naturalmente diferentes do que estamos habituados a ouvir. Então, a cada nova pousada, a cada novo hotel é preciso ter calma e paciência. Porque por mais luxuosas que sejam as instalações, sempre terá alguma coisa que nos incomode, que não seja bem do jeito a que estamos… acostumados.

Mas é justamente disso que as aventuras são feitas: novidades, quebra da nossa confortável normalidade. Então, relaxa e aproveita. E tenta aprender.

Tem gente que, quando viaja, fica morrendo de saudade da comidinha de casa. E procura feijão com arroz em todo lugar. Perde a oportunidade de saber que gosto tem um alfajor. Ou um chivito. Passa longe de uma parrilla. Nem pensa em comer húngaras.

Sem falar naqueles que torcem o nariz ao sair e só enxergam os defeitos: “olha aí, também tem mendigos, vi um mexendo no lixo, espia, quanto prédio velho abandonado, esses ônibus são muito antigos, se eu soubesse que era tudo tão caro não tinha vindo, o cara roubou no troco…”

Não sei vocês, mas eu continuo achando que, apesar dos pesares, viajar ainda é melhor que estudar nos livros ou ficar em salas de aula ouvindo alguém dizer que viajou mais que nós.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. César, há uma brutal diferença entre turista e viajante (ou viajero, no caso). Enquanto o primeiro é um caracol, levando sua casa nas costas, o segundo vivencia o estrangeiro. Uma frase: “Em Roma, igual aos romanos”.

    Posted by Hélio A. Schuch | novembro 21, 2010, 20:51
  2. Viajar é ótimo. Fiz esta travessia de Buquebus em jan/2010, de Colônia Del Sacramento a Buenos Aires, é legal, diferente. Depois, na mesma viagem continuamos até Santiago-Chile e voltamos para Santa Catarina. Fizemos 6500 Km de carro.

    Posted by Rogério Machado | novembro 21, 2010, 22:09
  3. Cesar, fiz a travessia de Buenos Aires a Colônia del Sacramento com esse tipo de embarcação e depois, em outra viagem, voltei a navegar no Lago Argentino, em El Calafate.
    Aquelas embarcações é que imagino fazendo o transporte marítimo na Grande Florianópolis, só não sei como reagiriam com as ondas do mar em dia de vento sul.
    Estranhei que as citaste como sendo aliscafo e eu as conhecia como catamarã. Para mim, aliscafo seriam aquelas lanchas ou barcas com uma espécie de aerofólio submerso que as transformam em “voadeiras”.
    Minhas poucas e modestas viagens mais recentes, juntamente com algumas das caminhadas que fazemos, registrei num blog (http://www.diariodoscaminhos.blogspot.com) e também estou surpreso com os temas que trazem mais visitantes (o campeão de busca é para imagens com “roupa típica italiana”) e se refere a uma única citação que faço num post de uma visita a Ascurra). Nunca fiz divulgação, mas aparece gente do mundo todo por meio das buscas. Isso é muito interessante mesmo.

    Posted by Mauricio | novembro 22, 2010, 12:25
  4. Chivito é muito bom! E alfajor é de lei trazer umas caixas na bagagem de volta. Mas, se não tomar cuidado, que roubam no troco, isso roubam! Hehe

    Posted by Fernando Silva | novembro 22, 2010, 13:12
  5. Maurício, é possível que eu esteja chamando catarmarã de aliscafo impropriamente. Qualquer dia aprendo.

    Posted by Cesar Valente | novembro 22, 2010, 17:39
  6. Posted by Hélio A. Schuch | novembro 22, 2010, 23:05

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