Uma das tarefas mais complicadas e dolorosas dessa vida de cidadão brasileiro, é escolher em quem votar. Para os cargos majoritários, em que a escolha é entre poucos nomes, a tarefa é um pouco mais fácil. Mas quando se passa para deputados estaduais e federais, com centenas de candidatos, a grande maioria compleamente desconhecida de quem não acompanha o dia-a-dia da política, aí a coisa encrespa.
Sem falar naquela pressão que colocam sobre os ombros dos eleitores: “vote direito, escolha o ficha limpa, não vá fazer bobagem, cuidado pra não ficar quatro anos se arrependendo” e coisas semelhantes. Como se o eleitor recebesse informações suficientes para poder escolher. Quem vê cara não vê caráter. Quem ouve o nhémnhémnhém eleitoral, não tem como saber no que, daquilo tudo, pode confiar.
Portanto, tenho o maior respeito pelo eleitor, porque ele é um bravo. Faz o que pode, com o que tem. E se os fiadap… que forem eleitos fizerem m…, a culpa não pode ser atribuida unicamente ao eleitor. Que, por falar nisso, deveria poder fazer como já fazem eleitores de vários países: retirar o voto ou aplicar uma espécie de censura àqueles imbecis que desonraram o mandato ou decepcionaram quem votou neles.
Faço coluna política desde 2005, leio todos os dias um montão de linhas de informação e estou com enorme dificuldade para compor minha listinha de candidatos. Imagina quem está em outra área ou não tem tempo ou não tem saco para acompanhar o noticiário político, de onde irá tirar os números para teclar na urna?
Já fiz piada com isso há alguns dias: a lista daqueles e daqueles em que não vou votar de jeito nenhum está enorme. E faltam nomes pra completar a listinha dos seis nomes (sempre esqueço que nome não vale mais nada, o que vale é o número) a quem vou entregar uma procuração em branco. Ou cheque. Tanto faz, o rombo na conta vai acontecer do mesmo jeito.
Ah, e pra completar, os partidos estão completamente desmoralizados. Não valem nada. Isso significa que votar nos candidatos de um partido não garante porcaria nenhuma: o candidato eleito fará o que lhe der na telha, sem tomar conhecimento dessa peça de ficção que é o “programa partidário”. Cáspite!
EM TEMPO
A Duda Hamilton comenta, no blog dela, a montoeira de indecisos que a pesquisa Vox Populi encontrou em SC. Não é figura de expressão, é uma montoeira mesmo. Não estou, portanto, sozinho.
Que bom que tb não estou sozinha. Pena que nem dá para sentir alívio! Feia a coisa…
Seguinte, César: como sempre, você está escrevendo muitoooooooo bem!
Teu post me conforta.
Pensei que era só eu que estava nesta sinuca.
Veja só. baixei da página do TSE para uma planilha do Excel, a nominata dos candidatos e estou pintando de vermelho aqueles em quem não votarei.
O problema é que são 151 candidatos para Deputado Federal e 323 para Deputado Estadual.
Algumas eliminações são fáceis mas ainda sobra um monte de palha (ou pulha)escondendo a agulha.
E para Senador, não podemos deixar de ver quem são os suplentes, visto que eles também vão ter seus 15 minutos de glória e o resto do tempo para fazer besteiras.
Enfim, já pensei em escrever para o TSE e pedir uma prorrogação das eleições para dar conta do recado.
O mais triste é que no final das contas, meus candidatos não serão eleitos, visto que o que estamos vendo é que a maioria está votando nos bandidos. As pessoas votam no nome que conhecem (já escutaram bastante), não importando se o ouviram em matérias policiais.