Todo ano eleitoral republico alguns posts referentes a esse processo tão misterioso quanto engraçado, que é a campanha política. A releitura da crônica abaixo continuará valendo enquanto os políticos continuarem apostando na memória fraca e no coração complacente do eleitor, para escaparem de todas as acusações, suspeitas e mesmo condenações. Os mais velhos já conhecem esse personagem político escorregadio, mas deve ter muito jovem que vai votar pela primeira vez, que ainda não sabe direito o que é de fato o tal “candidato teflon®”:
O CANDIDATO TEFLON®
A história do Teflon® começa em 6 de abril de 1938, no Laboratório Jackson, da DuPont, em Nova Jersey, EUA. O químico Dr. Roy J. Plunkett (foto ao lado), da Du Pont, estava trabalhando com gases relacionados com o resfriador Freon®, que é outro dos produtos da empresa. Ao conferir uma amostra comprimida e congelada de tetrafluoretileno, o Dr. Plunkett e seus companheiros descobriram que a amostra tinha polimerizado espontaneamente, formando um politetrafluoretileno (PTFE).
O PTFE é inerte a virtualmente todos os químicos e considerado o material mais escorregadio existente. Essas propriedades o tornaram uma das tecnologias mais versáteis e valiosas já inventadas, contribuindo para avanços importantes nas áreas aeroespacial, comunicações, eletrônica, processo industrial e arquitetura.
A marca Teflon®, registrada pela DuPont em 1945, tornou-se um nome familiar nos lares do mundo todo, pelas suas propriedades anti-aderentes, associadas ao seu uso como revestimento de panelas e frigideiras e como proteção anti-manchas em tecidos e produtos têxteis.
O Dr. Roy Plunkett, falecido em 1994, é reconhecido pela comunidade científica internacional como um dos grandes inventores de todos os tempos, equiparado, por exemplo, a Thomas Edison e Louis Pasteur.
UM NOVO USO
No Brasil, a imprensa irreverente e desrespeitosa tem usado a marca Teflon® para identificar aqueles candidatos a cargos eleitorais que parecem ter sido recobertos pela prodigiosa película anti-aderente.
Quando um candidato, em plena campanha, recebe uma condenação do Tribunal de Contas da União e é obrigado a devolver R$ 500 mil e sua popularidade não é nem arranhada com o anúncio desse malfeito, podemos suspeitar que estamos diante de um candidato Teflon®.
A comprovação, no entanto, só virá se, por acaso, uma instituição como a Associação dos Magistrados Brasileiros informar publicamente que o candidato responde a cinco processos por improbidade administrativa. Se, mesmo com esse anúncio, as pesquisas não detectarem qualquer abalo nas intenções de voto, então, definitivamente, temos aí uma ampla cobertura de Teflon® no candidato.
O produto, como vimos acima, é prodigioso. É imune a praticamente todos os produtos químicos e é mais escorregadio do que limo no costão. Nada gruda, nada cola e quase nada o corrói.
O candidato Teflon® pode, sem grandes preocupações, mudar de partido a cada eleição, mesmo que no País tenha ocorrido uma discussão sobre fidelidade partidária e tenham sido estabelecidas punições para os infiéis. E, já que nada acontece com ele e sua popularidade, pode até se candidatar por um partido e ir ao município vizinho fazer campanha contra o candidato de seu próprio partido. O Teflon® o protege inteiramente.
Ao contrário do polímero da DuPont, porém, esse Teflon® alegórico que certos jornalistas metidos a engraçadinhos tentam sarcasticamente aplicar sobre alguns políticos, não é completamente eficaz, embora pareça. Funciona maravilhosamente com o eleitor distraído, que gosta de votar “em quem vai ganhar”. Mas há sempre o risco do excesso de confiança provocar um desgaste súbito da película anti-aderente, com resultados imprevisíveis.
EM TEMPO
O fato de ser protegido por uma camada antiaderente é, de certa forma, uma qualidade. E o candidato não tem nada que se envergonhar dessa propriedade, ao contrário.
Quando publiquei a crônica acima pela primeira vez, uns torcedores mais exaltados do Dário vestiram a carapuça (de Teflon®) e encheram minha caixa postal de comentários. Os mais simpáticos me chamavam de “jornalista Teflon®”. Naturalmente tentando me ofender. Mas como considero o uso dessa película um avanço tecnológico em prol do bem-estar da humanidade, acabei foi ficando lisonjeado.
Outros, depois de xingar minha falecida mãe e dizer várias coisas impublicáveis, terminavam com uma espécie de grito de guerra: “os cães ladram e caravana passa”. Claro, uma caravana coberta de Teflon® desliza com facilidade pelos ambientes mais inóspitos.
E tinha aqueles que falavam, falavam, falavam, depois diziam que não deveriam dar atenção a “um jornalistinha que não tem mais que seis leitores”. Novamente, acho que queriam me ofender, mas acabaram me lisonjeando mais uma vez: afinal, se mesmo tendo apenas seis leitores dedicam tanto tempo e esforço pra me desqualificar, então é porque esses seis leitores são muito especiais. Provavelmente formadores de opinião.
Ah, isso de seis leitores é mentira: fiz as contas e só de primos e primas, filhos, mulher oficial e meia dúzia de seguidores e seguidoras no tuíter, já temos aí uns 14 leitores. Se duvidar, é capaz de chegar a 20 (e dependendo de como for feita a pesquisa, poderei ter uns 30% de intenção de leitura)!
Em todo caso, espero que ninguém deixe de votar num candidato só porque sua popularidade não se abala com o que os adversários dizem ou anunciam. Cada um sabe de si e acredito que sejamos todos suficientemente espertos para poder avaliar o custo-benefício das nossas decisões eleitorais.
A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE
Este blog é uma fonte inesgotável de cultura e sabedoria, principalmente graças a seus doutos leitores, que contribuem com generosidade e carinho para tornar este local cada vez mais divertido e saudável.
Olha só o que a Lia descobriu na wikipedia: o registro histórico da primeira vez em que um político foi chamado de teflon! Está em inglês porque os leitores e as leitoras são todos poliglotas.
“Teflon is a nickname given to persons, particularly in politics, to whom criticism does not seem to stick. The term comes from Teflon, the brand name of a “non-stick” chemical used on cookware, and was first applied to the American President Ronald Reagan.”
History
The phrase “Teflon president” was coined in 1983 by Patricia Schroeder, then a Democratic Congresswoman from Colorado, who said of then-President Reagan,
“After carefully watching Ronald Reagan, I can see he’s attempting a great breakthrough in political technology. He has been perfecting the Teflon-coated presidency. He sees to it that nothing sticks to him. He is responsible for nothing.”
OK, OK, EU TRADUZO!
Antes que reclamem, peguei o texto acima, toquei num Yahoo!Babel Fish (tradutor grátis automático) e colei abaixo (sem revisão nem correção, que é pra ter alguma graça) e assim os monoglotas poderão entender o que está dito acima.
“O Teflon é uma alcunha dada às pessoas, particular na política, a quem a desaprovação não parece furar. O termo vem do Teflon, a marca de um “non-stick” o produto químico usado no cookware, e foi aplicado primeiramente ao “americano do presidente Ronald Reagan.;
História
O ” da frase; President” do Teflon; era inventado em 1983 por Patricia Schroeder, então um Congresswoman Democratic de Colorado, que disse da presidente em a altura Reagan, “Após com cuidado ter prestado atenção a Ronald Reagan, eu posso ver he’ s que tenta uma grande descoberta na tecnologia política. Tem aperfeiçoado a presidência Teflon-coated. Vê-lhe que nada lhe fura. É responsável para nada.”
Ave Cesar,
Terás que explicar à Receita a multiplicação de 6 para 14 leitores em tão pouco tempo. E na campanha de reeleição de Dilmá, os dados vazarão conspiratórios contra o indevassável sigilo a que todos merecemos, logicamente, quando se vive num Estado democrático.
Sou leitor fiel deste blog, portanto, faço parte da meia dúzia ou, espichando, uns 30. Formador de opinião, hein? Puxa vida, gostei……ahahahahahahahaha!
Cesar, para estes que dizem que vc é “um jornalistinha que não tem mais que seis leitores”, mande o POEMINHO DO CONTRA do Mário Quintana
Eles passarão.
Eu passarinho!
O exemplo, pelo que entendi, é da aldeia, mas sem dúvida se projeta para o mundo das eleições atuais. Candidato(a) teflon é que não falta nesse cenário. Aliás, sua crônica poderá ser lida com o mesmo efeito de agora daqui a uns duzentos anos e em todos os anos de eleições.