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Caraminholas

A corrupção do sentido das palavras

Bom, agora que a eleição tá resolvida e o resultado foi proclamado (estamos esperando apenas a dispensável homologação da Justiça Eleitoral, após uma ridícula pantomima de eleição), podemos voltar a falar de política.

Por mais que tenha ouvido e lido os lulistas e petistas nestes últimos anos, ainda me surpreendo com a forma peculiar do Lula organizar seu mundo todo particular onde, naturalmente, alguns de nós não conseguem entrar.

Há poucos dias, num dos seus incontáveis discursos de improviso, ele explicou como vê o relacionamento do Executivo com o Legislativo:

“— É importante votar nos deputados federais para ajudar a companheira Dilma, porque não tem nada pior que você precisar de voto e algumas pessoas ficarem te chantageando. Portanto, é importante votar nos companheiros dos partidos que estão apoiando Dilma.”

Chantagem? A negociação com o Congresso tem esse tipo de baixaria? Tá, mas se fizer um acordo pré eleitoral com os mesmos partidos e políticos acusados de chantagem, a chantagem deixa de existir? Ou muda de nome?

E o mais impressionante é que o episódio do mensalão (coisa tão real que até o STF aceitou abrir um processo), foi reduzido, no discurso presidencial, a uma fantasia golpista. Pedir o impeachment de um presidente que negociava votos em dinheiro (ou cedia a chantagens, pra usar o delito que ele mesmo citou), ou de um presidente que sabia que seus companheiros espionavam a declarações de renda dos adversários (remember Nixon), passou a ser apenas uma injustiça, uma espécie de birra, causadora de dor e infortúnio a uma pobre vítima indefesa.

E a criação de uma organização política forte (máfia?) poderia blindar o presidente (todos ou só os da organização?) dessa ingerência inaceitável das democracias: a fiscalização dos atos de todos os servidores públicos. Mesmo os mais graduados, como o presidente, que não deveria se auto-proclamar imune a esse olhar inquisitório do público.

Tá em O Globo:

“Ao falar das dificuldades que teve, diante da sua frágil maioria no Senado, Lula disse que, após sair da a Presidência, andará pelo país para avaliar a construção de uma organização política:

— Uma organização política em que a gente junte todos os partidos aliados e crie uma coisa muito forte, para nunca mais permitir que um presidente sofra o que sofri em 2005, com um Senado que quase tenta derrubar o presidente da República.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. claro, sensato e, sobretudo, insuspeito. esse texto mata a pau. é o país que vivemos – coisa mais fora de hora. acho que as coisas estão, efetivamente, tomando um jeito “que nunca houve na história dessepaís”. até tomei a liberdade de repassr aos seguidores no twitter. abr

    Posted by saint-clair | agosto 31, 2010, 20:40
  2. É um calhorda.
    Enquanto isso os chineses estão comprando o Brasil a título de “investimentos”.

    Posted by Amauri | setembro 1, 2010, 09:09
  3. Posted by Aline | setembro 1, 2010, 14:03
  4. Essa organização já existe… só nao vê quem não quer… mas todos sentimos suas influências

    Posted by desiludido | setembro 1, 2010, 16:56

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