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Eleições 2010

Olha o valhacouto aí, gente! Corram aos dicionários!

Trago pra cá mais uma produção alheia. O nosso velho amigo Emanuel, tomando sol à beira da lagoa do Abaeté e colocando em prática os ensinamentos da “Cartilha Dorival Caymmi de Desaceleração”, deixou de lado por uns momentos o dolce far niente baiano e ligou o modo sarcástico/irônico no volume máximo. Pariu uma bela peça, bem apropriada para essa época eleitoral.

VALHACOUTO DE OLIGARCAS

por Emanuel Medeiros Vieira

“Refúgio de velhacos?

Foi assim que o Dr. Plínio de Arruda Sampaio classificou o Senado brasileiro, defendendo a sua extinção. Deve ser a idade, Dr. Plínio.

Que exagero!

Como defender o fim de uma instituição tão nobre, ainda mais nestes alegres trópicos?

Que maldade!

Casa revisora, habitada por seres tão impolutos e iluminados como Mão Santa, José Sarney, Romero Jucá, Fernando Collor, Renan Calheiros, Gim Argello (também conhecido em Brasília como “Jim das Terras” — suplente do humanista e ilibado Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato), e tantos outros.

Ah, e o Romeu Tuma (que quando estive “hospedado por meses no DOPS, era o diretor do órgão), e senador da base aliada e fraternal amigo do Lula.

Quem também andou por lá?

José Roberto Arruda. Outro renunciante!

(Um conhecido, encontrou no plenário do Senado seu compungido discurso de renúncia onde havia trechos sublinhados por marqueteiros, com caneta marca-texto, determinando, como numa peça teatral: “Hora de chorar!”. E o Arruda chorou! E prometeu nunca mais “errar”.)

Insisto: refúgio de velhacos? Valhacouto de oligarcas?

Que injusta crueldade, dr. Plínio!

O senhor deveria medir suas perversas palavras.

Iria citar também certa senadora, que representa o meu amado estado natal, mas o editor do blog poderia reclamar: “Chega! Parece obsessão!”

Não, amigo. Como muito bem definiste um dia, é apenas uma “musa inspiradora”.

Claro: com gente assim tão nobre nunca perderei a inspiração.

Salvai-nos, Ideli!

Sinecuras, trapaças, empreguismo, contratos fraudados, reduto de mitômanos e de escândalos?

Dr. Plínio: onde o senhor quer chegar?

Escândalos?

Isso não é nada e não manchará a reputação de Casa tão ilibada — e TÃO TOLERANTE ! –, que teve como membro o senhor Jáder Barbalho, o generoso e tão idôneo Jáder, do Pará, uma espécie de Holanda dos trópicos, sem concentração de renda, sem doenças. Um paraíso!

(Ele quer voltar para lá. O Senado talvez volte a recebê-lo.)

Por definição, o Senado é a Casa dos mais experientes, dos “melhores” e mais sábios. Deve zelar pelo equilíbrio da Federação.

E como zela!

E, entre os seus pares, há um imortal da Academia Brasileira de Letras, como José Sarney, com sua sapiência, seu espírito humanista e tão familia (pouca gente ama tanto a família como ele), tão anti-oligárquico!

(E há outro. Lembram-se? Cria do Geisel, católico fervoroso. Não direi o nome.)

Sem ironia (é verdade) tem um padrão de conduta mais elevado do que a maioria.

Sim, Dr, Plínio. Não incorra em injustiças!

Velhacos? Patifes? Sacripantas? Pústulas morais? Adeptos da mendacidade?

Em que lugar? Onde o senhor viu isso?

Contenha-se, Dr. Plínio!”

Salvador, agosto de 2010

Discussão

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  1. Ave, César!
    Mais que uma ironia, isso é um poema de pé quebrado. Quebrado,sim, pois deveriam ser 81 as citações. Tá bom, deixo por 80.
    Mas, está certo o Emanuel, aí deixaria de ser um poema para se transformar numa enfadonha e repetitiva ladainha. Pra compensar pela presença de tão ilustres senadores, ainda bem, temos Emanuel, Deus conosco.

    Posted by waltamir | agosto 19, 2010, 18:06

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