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Jornalismo

Prefeitura diz que DC mentiu

No último dia 14 postei aqui um comentário (“Mais R$ 4 milhões pro buraco”) a respeito do custo exorbitante do trapiche que a prefeitura vai construir na beira-mar norte, feito integralmente sobre uma notícia publicada dia 11/8 no DC online (leia aqui).

Naquela ocasião se informava que o novo trapiche custaria R$ 4 milhões.

Pois bem, hoje o mesmo DC online publica outra nota sobre o mesmo assunto, informando que o trapiche custará R$ 1 milhão. O preço, em uma semana, baixou R$ 3 milhões. Um fato notável, que mexe com a curiosidade de todos, principalmente dos jornalistas. O que teria acontecido?

Tem, na nota de hoje, um trecho especialmente intrigante:

“Sobre o preço da obra, que teve custo divulgado na imprensa em R$ 4 milhões, o secretário diz:

— Desconhecemos a fonte da informação. Se custasse R$ 2 milhões já seria caro — sugere.”

O secretário citado é o de obras do município, Luiz Américo. Bom, como a informação de que o trapiche custaria R$ 4 milhões foi dada pelo mesmo veículo, em matéria em que o mesmo Luiz Américo aparece como fonte, surge diante de todos nós um enorme, gigantesco ponto de interrogação, integralmente iluminado por leds controlados por computador.

O DC foi desmentido pela autoridade municipal e nem se deu ao trabalho de tentar explicar aos leitores o que aconteceu. O silêncio dá a entender que foi uma barriga. Pode ter acontecido que o(a) repórter anotou 1 às pressas e depois, na redação, leu 4. Ou então a fonte realmente falou 4, mas a coisa pegou tão mal que resolveram fazer um remendo. A saída foi botar a culpa na imprensa com a conivência da… imprensa.

Um erro como esse, envolvendo dinheiro público, não poderia ser tratado dessa forma, como se os leitores fossem imbecis de memória extraordinariamente curta (afinal, entre um valor e outro passaram-se apenas sete dias). Caberia, se nos levassem a sério, alguma explicação.

Do jeito que fizeram, ficou muito feio.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Cesar, não estou comemorando nadinha… eu torcia era para que o trapiche custasse 4 milhões mesmo! Claro, desde que não fosse um trapiche e sim um píer “daqueles”, como deves ter visto “pelaí”, não têm? Algo… assim: http://www.biermann.com.br/portfolio/2007_c_2.htm

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 18, 2010, 23:07
  2. O Ernesto, e cadê o bar todo envidraçado na ponta do trapiche? (como em qualquer pier nos EUA)
    Também sou a favor de uma plataforma de pesca (pier) na praia dos açores. Além de atrativo turístico e ponto de pesca, ia incrementar o surf, criando altas ondas!

    Posted by André Freyesleben | agosto 19, 2010, 01:41
  3. E ainda por cima os repórteres desconhecem a geografia local! Mandei este cometário para o DC, vamos ver se eles publicam: “”Praia da Palmeira próxima ao Iguaçu???
    Porque vocês repórteres não estudam mais a geografia da Ilha e do continente? Caramba! É tudo gente de fora? E sequer têem coragem de postar os comentários!”
    Acho que devem ser todos gaúchos, pois volta e meia os leio assim: “Goleira” para as traves do gol e “Brigadianos” para os soldados da PM…

    Posted by Cesário Simões | agosto 19, 2010, 08:15
  4. Cesário, tem vários repórteres catarinenses e nem tudo deve ser atribuido ao andar de baixo ou ao local de nascimento. Acredito que falte, nas funções de edição e direção, um pouco mais de gente que viva na cidade há mais tempo e, como dizes, conheça a geografia e a história locais, para fazer um controle de qualidade e evitar deslizes desse tipo.

    Posted by Cesar Valente | agosto 19, 2010, 09:31
  5. Mas, tens alguma dúvida que a RBS trata as pessoas como imbecis?

    Posted by lourenço | agosto 19, 2010, 11:21
  6. Podiam aproveitar a prata da casa no quesito “conhecimento local” e pagar um extra para revisão dos textos… Nativo das antigas lá é o que não falta, hein?

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 19, 2010, 12:38
  7. Trapiche? A cidade não tem nem um banheiro público prá dar uma mijada!

    Posted by jânio | agosto 19, 2010, 17:09
  8. Nem acabaram a calçada e querem fazer um trapiche em dois meses, depois de anos de espera???

    ÔOO Freyleben, nos Açores (recebendo balanção de suli), no Moçamba (recebendo de Les-NORDESTE)… MAS ANTES, CHUVEIROS, MICTÓRIOS E DECÊNCIA.

    Posted by LesPaul | agosto 19, 2010, 18:02
  9. Pois é !
    Com esse calado que temos na Baía Norte, realmente é muito importante construir “O Pier do Ernesto” ! Teria que ter um controle de tráfego para evitar o congestionamento de tantos transatlânticos !
    Também é procedente o pier do André, só que aí as peixarias do Mercado iriam à falência, pois a população obteria sua ração de proteínas “de grátis” nas límpidas águas da Beira-Mar…

    Posted by Carlos | agosto 21, 2010, 08:52
  10. Carlos, o Turismo Marítimo em Florianópolis é um diamante bruto a ser extraído do fundo do Canal Norte da Ilha de Santa Catarina mediante dragagem para que possa ser lapidado com planejamento e qualificação. O barão Von Wangenheim, de olho no futuro, já o tinha prospectado na década de 1930. Não o ouviram. Hoje os estudos estão aí para comprovar que o sobrinho de Carl Hoepcke estava corretíssimo. Florianópolis é o 2º destino mais solicitado para escalas de cruzeiros no Brasil – uma enorme demanda reprimida, portanto. Não é o “pier do Ernesto” que se precisa implantar aqui: é o Porto Turístico Internacional Santa Catarina, um home port de cruzeiros que atenderá todo o Sul do Brasil e será a constelação maior de uma rede de ports of call cobrindo todo o Cone Sul e interligado aos base ports localizados do Rio de Janeiro a Valparaíso no Chile. Centenas de milhares de turistas nacionais e estrangeiros partirão de Florianópolis para seus cruzeiros e aqui chegarão final deles, dinamizando a economia de toda a região, a começar pela hotelaria. É um cenário possível, mas precisamos de união de esforços, como o apoio já manifestados por quase 20 entidades, entre sindicatos, associações de classe e ongs. Ceticismo e zombaria é que não construirão coisa alguma.

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 21, 2010, 22:32

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