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Florianópolis

Mais R$ 4 milhões pro buraco

Há alguns dias li, no DC online, notinha informando que será feito um novo trapiche, na avenida Beira Mar Norte, para substituir aquele capenga, que foi demolido (para ler a notícia, clique aqui).

Chama a atenção o valor anunciando para a “obra”: R$ 4 milhões.

Gente que estuda o uso do mar tem torcido o nariz para a coisa. Primeiro, porque seria necessário um trapiche com extensão maior que os 77m para alcançar uma profundidade que permitisse o que chamam de “acostamento lateral”.

Depois, porque ninguém consegue entender como uma obra como essa poderá custar R$ 4 milhões. Algumas estimativas chegam a R$ 500 mil (incluindo escadas, muretas, etc). Se for pintado de ouro, cravejado de brilhantes, talvez chegue a R$ 2 milhões. Se tiver um edifício de vários andares incorporado, talvez chegue a R$ 3 milhões. Mas para chegar a R$ 4 milhões só se incluir, lá na ponta, uma árvore de natal coberta de leds, do alto da qual um tenor cantaria todos os finais de semana.

Assim que o susto com o preço passa, o eleitor/contribuinte tem sua atenção desviada para o prazo: dois meses. E para o fato desses dois meses serem exatamente antes das eleições.

Os mais linguarudos fazem análises escalafobéticas mas, infelizmente, bem plausíveis: como os empresários andam meio arredios aos apelos dos arrecadadores das campanhas políticas, uma obrinha como essa, montando num vapt-vupt uma estruturazinha magrela de 77m, pode significar um bom reforço de caixa (dois?).

ENQUANTO ISSO, EM CANASVIEIRAS…

O arquiteto Alfred Biermann mostra, no blog dele, as fotos do projeto de um pier que foi desenvolvido para a Santur, em Canasvieiras. Tem heliponto, passagem suspensa sobre a areia da praia (pra não atrapalhar os banhistas) e uns 3.500 m2. Custo estimado: R$ 3 milhões.

E aqui, na caixinha de comentários, o Ernesto São Thiago informa que a Associação Catarinense de Marinas, Garagens Náuticas e Afins (Acatmar) vai pedir acesso ao projeto do trapiche da beira mar, pra ver se é mesmo tão maravilhoso quanto o preço faz crer.

Discussão

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  1. Com 4 mi. eu asfalto duas vezes a cidade inteira, do Ribeirão até Canasvieiras. E ainda sobra pra arrumar as calçadas. Creio que nunca houve na cidade num governo municipal deste. Transformou a cidade em um circo e a população em palhaços.

    Posted by Gabriel | agosto 14, 2010, 16:49
  2. Ôôô Cesar !
    Alguém vai ter que pagar pelo “prejuízo” da Árvore de Natal, pelo no-show do Bocelli e recente pela “perca” do esquema de restauro da Casa da Câmara !!!
    Afinal está nascendo uma “financeira” no rol das empresas da famiglia Berger

    Posted by Carlos | agosto 14, 2010, 19:31
  3. Tá louco Gabriel??? Chega de asfalto!!! O Dário tá mais é certo!!! Tem que fazer trapiches, píeres, terminais de cruzeiros!!! A prefeitura de Porto Belo está fazendo um enorme píer para cruzeiros. A prefeitura de São Francisco do Sul também, com marina de passagem anexa! A prefeitura de Itajaí concluiu um píer com a mesma finalidade. Assim como a prefeitura de Ilhabela (SP), inaugurou um novo. A prefeitura de Cabo Frio (RJ), fez um que é considerado um dos melhores do Brasil. A prefeitura de Angra dos Reis (RJ) corre para aprontar o seu antes que comece a temporada, pq o trade turístico de lá está desesperado clamando pela obra!!! A prefeitura de Búzios (RJ)fez um horroroso e tem recursos do MTur para fazer um melhor, mas infelizmente não tem competência para usar o dinheiro, mesmo como projeto na mão. Não conheço o projeto do novo pier da Beira Mar Norte em Florianópolis mas é público o projeto do novo pier para cruzeiros, belíssimo, em Canasvierias, elaborado a pedido da SANTUR e que substituirá aquela improvisação que serve às escunas e a um ou outro cruzeiro que se arrisca a despejar seus passageiros lá ( vide http://bit.ly/dlugDa ). Mas precisamos de dezenas de trapiches e píeres na cidade, como identificou a ACIF em 2004, no Plano de Ordenamento Náutico que realizou em parceria com a prefeitura.
    O prefeito Dário Berger merece aplausos pela iniciativa de prover um novo trapiche/pier para Av. Beira Mar Norte e, pelo preço, deve ser algo enorme e moderno, bem longo e com grande amplitude lateral, com heliponto, escadas negativas ou plataformas de embarque flutuantes, envolvendo inclusive dragagem, afim de que atenda às escunas, sirva de marina de passagem e de lazer para moradores, pescadores e turistas.
    A fonte do Cesar não deve conhecer o projeto. Deve ser alguém provocando intriga em época de eleições e, para verificar isto, requeri pela http://www.ACATMAR.com.br o referido projeto à prefeitura. Com ele em mãos vamos ver quem tem razão!

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 14, 2010, 20:19
  4. Perfeito o texto! Parabéns!

    Posted by Jeferson | agosto 14, 2010, 22:10
  5. AMYR KLINK

    “Matamos toda a nossa cultura náutica.

    “Exemplo é a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. É um caso clássico. A maior parte da cidade está numa ilha linda de morrer, mas que odeia o mar. Não querem que navio pare lá, só querem carro. A cidade se rasga de avenidas expressas e se fecha para aquilo que está na sua história, na sua vocação, que eram os navios.

    “A cidade não deixa navio passar no meio. Aquela ponte tinha que ser implodida amanhã. E cedo, antes do meio-dia. É uma ponte pênsil. A razão de se fazer uma ponte pênsil é poder trabalhar com grandes vãos de altura para os navios passarem embaixo. Mas nós fizemos uma ponte pênsil baixa! E ainda por cima a tombamos como patrimônio histórico. É demais.”

    Pôzagora…

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 14, 2010, 23:20
  6. Ernesto: tens certeza que esse comentário estranho é mesmo do Amir Klink? Não é um daqueles textos que circulam na internet cuja autoria é atribuída a autores que nunca os escreveram? Há pelo menos uma inconsistência que parece incompatível com o agudo sentido de observação do navegador: não faz referência às duas pontes de concreto que são, essas sim, obstáculos sérios à navegação. A Hercílio Luz sempre deixou passar todos os navios que frequentavam as baías. Talvez alguns navios mais modernos tivessem algum problema, mas os das décadas de 20, 30, 40 e 50, não. E, antes da ponte atrapalhar, o assoriamento do canal impede o tráfego de embarcações maiores. Não tem sentido também a urgência demolitória, uma vez que ela não é objetivamente, o principal impecilho à navegação.

    Posted by Cesar Valente | agosto 15, 2010, 17:14
  7. Olha, Ernesto, nós, do Ribeirão, ainda estamos querendo asfalto. Há anos que eles começaram a “nos asfaltar” mas não acabam nunca. A coisa é feita aos soluços: asfaltam um quilômetro e param por 8 meses (alegam que a verba acaba). Aí, voltam, asfaltam mais 500 metros e param por mais 6 meses.
    Pô, já pegasse um ônibus da Caieira – que passa naquela parte de paralelepípedo da Baldicero Filomeno – sentado na cozinha? Experimenta. Vais sair com dor de cabeça, das porradas no teto, e nas nádegas, das bundadas no banco duro.

    Posted by Pierre alfredo | agosto 16, 2010, 12:01
  8. Ernesto,

    Nso estava falando de ‘asfaltar’. Estava comentando sobre o valor da obra. Com esses 4 mi., tanto poderia asfaltar como construir 3 trapiches de diferentes tamanhos, formatos, enfim, pela Beiramar.

    Posted by Gabriel | agosto 16, 2010, 13:16
  9. E sobre o comentàrio de demolir a ponte, faz tempo que deveriam ter feito isso. Há quantos anos colocam milhoes nela e nunca se tem fim a reforma? E o que acredito eu que poucos comentam é que ela é de ferro. Vao reformar agora para reformar de novo daqui 50 anos, porque ferro em cima do mar, perto da água, maresia, enfim, enferruja, sem erro. E, querendo ou nao, pra que mais serve além de tirar fotos? Acreditam mesmo que vai passar um metro por ali? E o peso do metro, será que a ponte vai aguentar? É idéia velha mas, de longe, é a melhor soluÇao: transporte marítimo.

    Posted by Gabriel | agosto 16, 2010, 13:21
  10. Cesar, entendo teu ponto de vista.
    O Amyr bate na Hercílio Luz pq é ela é um ícone. Como te disse no Twitter, ouvi dele estas mesmas críticas lá em SP, na casa dele, a qual tive o prazer de visitar por duas vezes (um programaço para quem é fã do sujeito desde guri como eu). A crítica é reproduzida como exemplo negativo Brasil e mundo afora, quando ele quer demonstrar um povo de costas para o mar.
    Claro que o Amyr tem conhecimento das outras duas pontes, mas quem começou o problema foi a primeira, sendo de fato muito baixa mesmo para a época. Faltou planejamento, visão, para variar…
    Segundo o site da PMF a Hercílio Luz é uma ponte “pêncil” (sic, juro! http://www.pmf.sc.gov.br/arquivo_historico/ponte.php ) com altura livre de 31 metros acima do nível do mar. A Colombo Salles (com a qual “salles” da Ilha, não tem?) apresentaria 18,5 metros de altura desde a linha d’água (certamente da maré média). A Pedro Ivo (com a qual o pessoal “ivem” do continente, né?), ostentaria a mesma “baixura”. Ou seja, os engenheiros que projetaram estes dois monumentos ao enterro do nosso porto evidentemente eram uns analfabetos náuticos totalmente desprovidos de mentalidade marítima que sequer foram lá no Veleiros da Ilha medir os mastros!!!
    O resultado todo navegador, com mastro grande, conhece… hehe

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 16, 2010, 17:06
  11. Cesar,

    Vou dar um leve pitaco nessa discussão das pontes.

    Talvez não passem barcos de passeios por baixos delas, das novas.

    Navios não há mais como passar. A barra sul está toda assoreada e não nada mais que um pequeno barco de pesca, quando seu capitão conhece as croas.

    Na norte os navio de médio calado ficarão encalhado.

    Os navios tem que ficar no norte da ilha e mar aberto. Lá é que os piers de grandes tamanhos tem que ser construidos.

    Aqui no centro tem que ser um bom trapiche, cujo valor R$ 4.000.000,00 só irá servir para…… todos sabem.

    Bando de ladrões!!!!!!!!!!

    Posted by Pedro de Souza | agosto 17, 2010, 18:35
  12. PÃO QUENTE:
    DIARIO CATARINENSE – ÂNGELA BASTOS: Novo trapiche da Beira-Mar Norte, em Florianópolis, custará R$1 milhão http://bit.ly/9mTpCQ

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 18, 2010, 21:00

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