Tenho a impressão que nunca fui um grande fã de futebol por causa do fanatismo das torcidas. Gosto de assistir a um bom jogo, na juventude até participava de algumas peladas (nos dois sentidos), mas nunca fui torcedor. Esse sentido quase religioso que o torcedor fanático utiliza para expressar sua paixão futebolística me incomoda.
Quando era criança, ouvia minhas tias, que eram udenistas fanáticas, contar que tinham ido soltar bombas (não interpretem mal, elas compravam as “bombas” nos armazéns que vendiam fogos de artifício) na casa de pessedistas. E isso também não me causava grande admiração. Eu até gostava de distribuir santinhos do Jânio Quadros, tinha espadinhas do General Lott e cartazes do Celso Ramos, mas não conseguia entender a raiva (ou seria o ódio?), dos militantes.
Teve uma época em que fui católico praticante. Cheguei a fazer, na capela do Colégio Catarinense, a primeira “missa jovem” da cidade, com a ajuda do Padre José Edgard de Oliveira. Músicas populares, algumas em inglês, ilustravam a cerimônia. E tudo acompanhado por comentários escritos naquela linguagem coloquial que eu tinha aprendido no Pasquim. Era muito divertido. Até o momento em que a coisa começou a ficar russa. No mau sentido. Nem todo o clero tinha a visão clara e generosa do ser humano que o Pe. Edgard tem. E muitos padres, freiras e fiéis são limitados, temerosos e preferem esconder-se em armaduras de fanatismo… religioso.
Por tudo isso, não tenho paciência com o que ocorre a cada ano eleitoral. Naturalmente, os jovens acreditam que o mundo começou agora, quando eles se deram conta da existência deles próprios e dos outros. Mas o mundo, por incrível que pareça, começou há mais tempo. E o que está acontecendo hoje não é novidade para quem estuda História. Ou Soci0logia. Ou Política. E para quem sabe que as coisas mais antigas que existem (mais antigas, desconfio, até que a prostituição) são o oportunismo e o fisiologismo, praticamente sinônimos.
Assim, não há surpresa no que o PMDB tem feito. Nem no que o PT tem feito. Talvez o PSDB, com sua oposição pífia, incompetente e melancólica, tenha surpreendido os mais esperançosas. Mas o que esperar de um partido que abriga Leonel Pavan, Marcos Vieira e Tasso Jereissati?
Portanto, caros leitores e leitoras, comentaristas irados e espectadores perplexos: não contem comigo para defender Dilma Roussef. Mas também não acreditem quando alguns petistas disserem que tucanei. E, por favor, riam daqueles que quiserem comprovar que enlouqueci. Eu, do alto dos meus quase sessenta anos, reservo-me o direito de achar a Dilma o fim da picada. De rir da Marina, coitada. Tão bem intencionada e tão perdida. De lamentar que o Serra, que até poderia ser um bom candidato, prefira dar em cima da repórter do CQC, como se isso o fizesse menos Homer, menos Simpson. Simplesmente não sei, a esta altura da vida, em quem votar. Gostaria muito de mudar de país. Pedir asilo à Grã Bretanha, onde mora minha filha. Ou mudar-me para Curaçao, um protetorado holandês, cuja cidadania posso obter comprando uma casa e contratando um nativo.
Assim, queridos petistas, lulistas, serristas, marinados em caldo verde: esqueçam-me. Não tentem convencer-me de nada. Sou imune a vossos discursos. E os desprezo a todos, igualitariamente.
Beijos e abraços do tio ranzinza e, se Deus quiser, incorrigível.
In hoc signo vincis
Opa, explica melhor esse lance de Curaçao. Tem internet lá?
Wilmor, tem sim. Uma vez fiz uma grande reportagem para a Gazeta Mercantil, sobre aquela simpática ilha. E tem algumas informações aqui: http://deolhonacapital.blogspot.com/search?q=cura%C3%A7ao
atirei a toalha há muito tempo, ou seja, desisti do brasil: sairei daqui tão logo seja possível e não voltarei mais … e a única coisa que deixarei será meu endereço para que os amigos me visitem: nada mais.
Nem futebol, novelas na TV, religião, fórmula 1 ou política partidária me impressionam, ou façam com que deixe de fazer algo por causa disto. O que incomoda, é a ideologia desta nova casta de dirigentes Latino-Americanos e sua preferência por regimes totalitários, socialistas e de tendência estatizante. E eles, (da esquerda Bolivariana) proliferam feito erva daninha. Lamentável este retrocesso.
Tio César, como sempre leu meus pensamentos. Tô contigo nessa. Chega de falácias políticas e candidatos achando que todo mundo é massa ignara. Vão catar coquinhos, pois trouxas são oceis….rssss….
Joanildo.
Engraçado é a “militância” achar que a Dilma “humilhou” o Bonner. Ela chegou a afirmar que “Quando chegamos no governo, a inflação estava fora do controle”, ou que “Nós tivemos que fazer um esforço muito grande para colocar as finanças no lugar e depois, com estabilidade, crescer”. De onde, cara pálida? É muita arrogância e falta de conhecimento histórico dizer que foi o PT que controlou a inflação e pôs as finanças no lugar. Fez o que pôde para que desse o contrário disso. Devem ter visto uma entrevista diferente (de repente editada pela Stazi).
Realmente, Tio Cesar, tenho tomado engovs e tapado o ouvido; e também já faz tempo que tou mais preocupado com os problemas de Curaçao…