Tenho um problema com o dia dos pais. Acho que não cuidei adequadamente do meu pai, que morreu de melanoma. Fiz muita coisa para resolver o problema. Mas nunca parece o suficiente. Filho único, não tinha com quem dividir responsabilidades. Não tinha com quem discutir os diagnósticos e encontrar alternativas para o que os médicos, sempre eles, recomendavam. Minha mulher sempre funcionou como irmã e mãe, foi grande ajuda e apoio, mas passados trocentos anos da morte de meu pai, ainda me dói pensar que talvez houvesse alguma coisa a ser feita. Provavelmente nada mudaria o desfecho, mas, na madrugada fria da véspera do dia dos pais, a ausência sempre dói. E a culpa trespassa meu coração, entope as coronárias e jorra nos canais lacrimais.
Também sofro por lembrar a infância dos filhos. Poderia ter sido um pai melhor, poderia ter feito mais do que fiz. Eles e ela são ótimos, pessoas extraordinárias, que me enchem, e à mãe deles, de orgulho. Mas será que têm, das minhas falhas, lembranças ruins?
Todo pai gostaria de ser, para seus filhos, uma espécie de super-pai. Mas é claro que a gente não consegue ser tudo o que sonha ser. Humanos cheios de falhas, acabamos nos revelando para os filhos, seres imperfeitos. Imagino que, na generosidade deles, sejamos perdoados. Mas teria sido muito melhor se eu tivesse mesmo sido o super-pai que gostaria de ter sido. Que eu me orgulhe deles é mais ou menos natural. Afinal, eles são, de fato, ótimos. Mas se eu tivesse sido melhor, mais atencioso, mais pai, talvez fosse natural que eles, também, tivessem orgulho de mim.
É dura a vida de um pai/filho, no dia dos pais. Acho que só as mães/filhas que nos amam, nos compreendem. E espero que um dia, quando os filhos também estiverem nessa esquina dolorosa da vida compreendam, como hoje compreendo meu pai, que o dia dos pais é sempre difícil. A gente podia ter feito mais. A gente sempre quis ser e fazer mais. Mas não deu. E isso, na madrugada fria da véspera do dia dos pais, dói demais.
Ainda tenho muita estrada pela frente na educação dos meus, mas também sinto isso bater forte. Quantas vezes eu podia ter dado mais atenção a eles e não dei porque tava ocupado com outras coisas que, naquele momento, pareciam importantes, e nem eram tanto assim? É isso, somos humanos.
Não sou pai, ainda, mas entendo sua angústia de filho. Meu pai morreu em 2005, aos 58 anos. Cedo; muito cedo. Teve problemas em uma cirurgia do coração, no Hospital São João Batista, em Criciúma. Passei um tempo assim, me perguntando se não poderia ter feito mais por ele, levado pra outro lugar, sei lá. Eu tentei, mas ele não gostava de viajar por nada. (Aliás, sobre isso, tenho uma boa história que acho que vais gostar de saber, uma coisa sórdida de um deputado estadual, que fica para uma outra oportunidade. Não tenho dúvidas de que fizemos, você e eu, o possível pelos nossos velhos. Pela parte que conheço dos teus filhos (um terço:), creio que também não deixaste a desejar.
Feliz dia dos pais.
PARABÉNS e congratulação pelo nosso dia. Tio Cesar, não nos faça chorar. Sempre podemos ser melhores, portanto, poderíamos ter sido também. São as escolhas que nos fazem homens de bem. Professor de tantos.
Todos temos nossas culpas com os pais. Tive brigas homéricas com o meu, cheguei a odiá-lo por muitos anos, acompanhei seus ultimos dias, infelizmente sem uma reconciliação satisfatória, o que me angustia até hoje. Alguém disse que amor de pai é incondicional, mas amor de filho não. Portanto, nós pais temos que abrir o olho nessa difícil e complicada relação
abraço
Boa sacada de texto, César. A sensação de orfandade é uma das piores.
Cesar, pai é pai (pra mim é algo auto-explicativo), e os filhos se orgulham dele qdo ele demonstra ser um grande homem. Demonstra e é, como no seu caso. Todo pai tem falhas, assim como todo filho. Nao fique com caraminholas na cabeça. Parabens pelo seu dia!
Se que o espaço nao é devido (e nem o post), mas encontrei este video no youtube e gostaria da sua opiniao, cesar: http://www.youtube.com/watch?v=BMRQHOWnUdE&feature=related
Feliz dia dos pais amigo.
Gabriel, não achei lá essas coisas (tem altos e baixos), mas é uma boa tentativa de rir de nós mesmos. Temos nossos problemas, como todos os lugares. E faz bem levar na brincadeira, criticando com bom humor. O que não dá é pra dizer, como naquele caso do programa de rádio, que aqui não tem nada que preste e lá tem.
Pois, é tio César, o pior é que a gente, mesmo tentando evitar os erros de nossos pais, acaba cometendo outros, inovando nesse mister de tentar fazer o melhor. O problema, disse um médico amigo meu, é os filhos vêm sem manual…
estou treinando para não cometer o erro que o meu pai cometeu: ter filhos!
:- )
Parabens pela análise, já é um caminho pra superação!vai firme, tenta ser um avô mais presente!!!
Não pense que as mulheres não têm os mesmos sentimentos. Vivemos nos cobrando do que poderíamos ter feito a mais e melhor. É importante ter em mente que as escolhas foram feitas momento a momento e à nossa frente só havia o futuro. A história se desenrolava e não sabíamos qual seria o seu final. Escolhemos aquilo que nos parecia a melhor opção,em momentos em que nem sempre tínhamos todas as informações necessárias e pertinentes. Talvez o melhor é pensar “Fiz o que fui capaz de fazer!” E virar a página. O passado não pode mudar,somente a maneira como o vemos.