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Caraminholas

O uso das baías

Não quero me meter na história do estaleiro em Biguaçu. Principalmente porque encasquetei que tem alguma coisa estranha na insistência em dizer que só serve aquele terreno. Mas não tenho tempo de ir atrás pra saber de quem é (ou era) o terreno onde se pretende instalar a fábrica de navios. E quem, dentre os amigos dos amigos, tem áreas próximas ou contíguas. Acho que essa informação pode ser relevante para entender o entusiasmo com que tantos lançaram-se à defesa da localização do empreendimento.

Mas, ao mesmo tempo, me incomoda muito isso de pretenderem manter o canal da baía norte fechado à navegação. Dragar o canal e permitir que navios, iates e outros barcos maiores entrem até certa altura, seria muito importante para revolucionar a forma do florianopolitano se relacionar com o mar que nos cerca. Nem precisa ser um calado muito grande e se ficar complicado chegar até os antigos portos, próximos à ponte Hercílio Luz, pode ser um outro ponto. Mas é importante, a meu ver, que se possa observar o movimento dos barcos e que, dos barcos, se possa ver as belezas da ilha.

Naturalmente, só dragar o canal não é suficiente. Dragar o canal é mais ou menos como falar em bonde (ou VLR, ou metrô de superfície): uma coisa que, isoladamente, não resolve nada. Um bom projeto de uso das hidrovias, integrado a um plano minimamente inteligente de mobilidade urbana, é o sonho de muita gente.

E utilizar o mar para navegar, passear ou transitar não significa, automaticamente, destruir a natureza. Os habitantes de SC, aí incluídos os bem intencionados e os ongueiros profissionais, sabem muito bem como destruir a natureza sem tirar qualquer proveito coletivo. Têm feito isso há séculos. Ficam de costas para o mar (ou só lembram dele na hora de jogar os dejetos) e quando chega o verão, atulham a restinga de “casas de praia” e “avenidas beira mar”, pra poder tirar uma graninha dos turistas otários.

Mas se alguém fala em dragar o canal, em colocar barcos para transportar pessoas de forma rotineira, aí ficam todos abespinhados e surgem inúmeros alertas sobre as ameaças para a “pesca artesanal”, para as reservas naturais, para a fauna, flora e tantas outras malcuidadas riquezas.

Bom, mas enquanto não tivermos prefeito(a) digno(a) desse nome na capital e governador(a) que enxergue um palmo além do nariz (ou consiga desgrudar os olhos do próprio umbigo), nem adianta falar nisso. Ficará sempre um bate boca que leva a nada. Se quem deveria planejar, propor e organizar faz corpo mole e foge das responsabilidades, não será a sociedade, por mais organizada que seja, que resolverá a coisa.

Discussão

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  1. Cesar,

    Engraçado que o estaleiro pode ser construído em Tijucas, já que é mar aberto (dá pra fazer molhe e proteger o estaleiro) e a praia de lá não serve pra nada. E tem bastante terra livre.

    Outra coisa, na baía norte a maior poluição, além da m. in natura, vem das lanchas vasando óleo e ninguém, nem a Capitania, nem a Fatma, Ibama e aquele órgão daquela rapaz verde, que não derruba mansão, só casa de pobre, fazem nadica de nada. Nem o MP.

    No verão, o mar das praias do Norte já vem com óleo. Não é bronzeador. É óleo de motor de lancha desrregulado.

    Posted by Cesarlaus | agosto 3, 2010, 19:02
  2. Cesar,

    Fora de pauta.

    A pesquisa apresentada para governador(a) de SC pela Record tem um caso interessante.

    Ângela só não ganha se fizar bobagem.

    Veja, se der 2º turno do PP com o Dem(o) o PT vai com Ângela.
    Se der 2º turno do PP com o PT o Dem(o) vai de Ângela.

    Só não ganha se ficar de fora do 2º turno ou se fizer bobagem.

    Abs

    Posted by Cesarlaus | agosto 3, 2010, 20:00
  3. Fiz um passeio na baia norte com uma embarcação munida de um sonar. Na maior parte do trajeto, numa distância entre 50 e 300 metros da Ilha, a profundidade não era maior que um metro (mais o calado, dava no máximo 2,5 m). Em vários momentos era necessário aumentar a distância da Ilha, pois a hélice começava a remexer o fundo, sinal que a profundidade não chegava a meio metro. Comparando com mapas nauticos do IBGE (antigos evidentemente), fica claro que há um forte assoreamento da baía.
    Dragar o canal é necessário sim.

    Posted by Victor Carlson | agosto 4, 2010, 09:59
  4. Sou contra a reforma da Ponte. Sempre achei que se este fosse um país sério, ela seria demolida por estar “condenada” e, no local, seria construída outra. De qualquer modo, a tentativa do Ministério Público Federal de impedir a reforma, sob a alegação de que a obra causa “impacto ambiental”, só revela o estado de loucura daqueles que, por força de lei ou não, se empenham em proteger o meio ambiente. Se, pelo raciocínio dos suspeitíssimos Procuradores da República, a mera reforma da ponte agride o meio ambiente, o que, então, eles diriam da navegação no canal da baía norte?

    Posted by Guilherme | agosto 4, 2010, 10:20
  5. Os maiores navios do mundo são construídos entre os fiordes nos países nórdicos. Desenvolvimento sustentável e progresso por sí não destroem a natureza. A pobreza a ignorãncia e o subdesenvolvimento sim. Paradiando o Joelmir Betting: “a pior poluição é a poluição da falta de esgoto”.

    Posted by Max Paul Jr | agosto 4, 2010, 10:57
  6. Só quero saber porque o Instituto Chico Bento não está preocupado com a poluição que assola a Baia Sul, principalmente vinda da Palhoça, que tem zero de saneamento, o que no futuro irá compremeter a maricultura. Aliás como de resto, pouco importa aos institutos de meio ambiente a poluição provocadas pelas favelas e loteamentos clandestinos, construidos na maioria da vezes em troca de votos pelos politicos corruptos. NA Palhoça o Ronério tem um monte desses.

    Posted by Pedro de Souza | agosto 4, 2010, 16:00
  7. De quem é aquele terreno gigante entre a BR-101 e Ganchos?

    Por quê Imbituba ou Navegantes não podem receber o tal estaleiro?

    Perguntas que não querem calar nessa empreitada.

    Outra coisa: o fato de haver poluição nas baías não tira a legitimidade do ICMBio de querer proteger as 3 unidades de conservação próximas ao estaleiro. Jogar a culpa da falta de saneamento básico na Grande Florianópolis no ICMBio é uma falácia para querer desmerecê-lo.

    Não sou contra o estaleiro em si, muito menos contra a dragagem das baías (que estão assoreadas), mas a região é realmente sensível e demanda cuidados.

    Posted by Fernando Silva | agosto 4, 2010, 16:41
  8. Pessoal, eu moro no Ribeirão, quase na Caieira, perto do final da estrada. O pessoal mais antigo de lá, os pescadores mais velhos, reclamam de mudanças drásticas que aconteceram na baía – pelo menos na do sul – nas últimas décadas. Primeiramente, o açoreamento e as praias a ficar cada vez mais rasas. A segunda mudança mais sentida por eles está no fundo do mar. Segundo eles, praias onde antes havia areia, estão hoje cobertas por um lodo negro e viscoso. Eles notaram também alterações na fauna marinha. Onde antes havia siri “a dá cós pé”, hoje só há, por incrível que pareça, moréias. Essa, é aquele peixe carnívoro que parece uma cobra. O resultado disso é que, onde se pescava de calção, hoje, principalmente à noite, só se entra com aquelas botas de borracha que vão até o peito. E muitos desses pescadores descobriram isso levando mordidas e, por conta delas, muitos pontos nas pernas. As cicatrizes abundam (é estranho que isso não tenha despertado o interesse da UFSC, da Univali, sei lá, de algum centro de pesquisas biológicas, já que se tratam de um fenômeno bastante interessante).
    Para as causas disso, os nativos têm seus suspeitos. Alguns dizem que a maricultura com está hoje, em larga escala, é a fonte da desgraça. Eles alegam que se uma ostra larga algumas gramas de matéria orgânica por dia, é só multiplicar isso por milhões e se pode imaginar o resultado. Outros “chutadores” afirmam que sentiram realmente as alterações na baía depois da dragagem feita na região da praia do Sonho, de onde teria saído a areia para o aterro da expressa sul. Foram centenas de milhões de metros cúbicos de areia arrancados de um lugar e transferidos para outro. Ninguém estima o que isso significou para o ambiente da praia do sonho.
    Não acredito, Cesar Laus, que as lanchas representem, pelo menos hoje, alguma ameaça ao meio ambiente na baía norte. Afinal, são tão poucas. Em relação aos seus tamanhos e à quantidade de pessoas que vive nas suas margens, a navegação nas duas baías é mínima, não achas?

    Posted by Pierre Alfredo | agosto 4, 2010, 18:04
  9. Aliás, sobre esse problema da dragagem da praia do sonho, ontem uma vizinha me contou que, há alguns anos, quase aconteceu um conflito entre catadores de berbigão do ribeirão e do sonho.
    É que, depois da dragagem, acabou-se o berbigão na praia do Sonho. O pessoal lá que vive (ou vivia) do berbigão (e vocês não imaginam a quantidade de pessoas que sobrevivem da coleta de berbigão na baía sul), embarcou nas suas canoas, botes e baleeiras e veio tirar berbigão no outro lado, nas praias do sul da ilha, principalmente na tapera da Caieira.
    O pessoal do lado de cá, a princípio, não deu bola. Mas com o passar dos dias, começou-se a observar que a galera do lado de lá estava levando diariamente caixas e caixas de berbigão.
    Resultado, houve ameaça de violência e um grupo do lado de cá (dizem que havia mais de 50 pessoas) juntou paus, machados e outras “ferramentas” e ficou esperando os invasores.
    E eles vieram em três baleeiras mas, quando viram a multidão, amarelaram e não mais vieram.
    O que os de lá fazem hoje sem berbigão, não se sabe. Devem estar pescando moréias.

    Posted by Pierre Alfredo | agosto 4, 2010, 18:15
  10. Pierre Alfredo,

    Não me fiz entender de maneira apropriada. A maior ooluição é a m. (de merda) in natura nas baías – norte e sul. Com os seus poluidores em todos os municípios. Inclusive na Casan que volta de meia causa um ‘merdamoto’. Com certeza, Depois o açoreamento e as lanchas tem seu peso na poluição. É só ver como estão os cascos dos barcos que ficam o ano todo na água. Se estão assim, suponho que os criadores nos mangues estejam em situação pior.

    Posted by Cesarlaus | agosto 5, 2010, 15:23

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