Para conhecimento dos que visitam este blog, trago esta notinha do Carlos Brickman, publicada no Observatório da Imprensa, na coluna “Circo da Notícia”. Nunca é demais falar sobre essa dupla do barulho: liberdade & responsabilidade.
“No bom caminho
Liberdade de expressão é fundamental; também é fundamental que a liberdade de expressão seja exercitada com responsabilidade. Já bastam os comentários falsos atribuídos a personagens de alta credibilidade como Marília Gabriela, Paulinho da Viola e Millôr Fernandes. Os valentes anônimos que se multiplicam nos comentários da internet são perfeitamente dispensáveis. Quem quiser insultar, agredir, ofender, que o faça, mas assumindo a responsabilidade.
Há literatos anônimos que defendem Hitler, o Ato Institucional nº 5, a tortura; que atacam etnias e religiões; que defendem a morte de seus adversários ideológicos. Isso só acontece porque estão protegidos por aquilo que chamam de nicks – os nicknames, apelidos atrás dos quais se escondem.
Nos Estados Unidos, a prevenção a esse tipo de abuso já começou: há uma série de sites que, mantendo o espaço aberto a todo tipo de manifestação, exige de seus comentaristas que se identifiquem. O Sun Chronicle, de Massachusetts, checa a identidade pelo número do cartão de crédito. O Buffalo News faz checagens diretas, exigindo que os comentaristas forneçam dados que permitam confirmar sua identidade. “Os comentários anônimos são com frequência racistas e sexistas”, diz Margareth Sullivan, do Buffalo News, e podem “derrubar o teor e a reputação do site”.
No Brasil, tudo depende do editor. Gustavo Chacra, que tem um primoroso blog sobre política internacional, leitura obrigatória para quem quer estar bem informado, proíbe formalmente o racismo e a falta de urbanidade.
“Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes”.
A frase “todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima” pode parecer redundante, mas não é: vá a qualquer blog sobre futebol e achará discussões acirradas, em textos enormes, entre petistas e tucanos.
Ricardo Kotscho não é tão explícito quanto Chacra, já que não publica sistematicamente a lista do que não permite, mas age da mesma maneira correta: gente mal-educada, “os cachorros loucos”, ficam de fora. E está certo: se o que se quer, com a liberdade propiciada pela internet, é expor todos os pontos de vista sobre uma determinada questão, o insulto, os preconceitos e a grosseria impedem que se faça luz.”
Não conhecia o blog do Gustavo Chacra,é um dos raros blogueiros que consegue abordar a questão israelense-palestina com isenção.Agradeço a dica
Virson
Aqui em Florianópolis há um blogueiro, que atende pelo nome de inseto, que faz exatamente as mesmas coisas que os tais anônimos, porém identificando-se. Tanto um quanto os outros agem, a meu ver, de forma deplorável.
Há uma certa confusão entre a relação do anonimato e o uso de pseudônimo, entre o anonimato e as agressões covardes. A questão não está reduzida ao anonimato. Eu posso assinar, Cesar, Carlos, Pedro, Jorge, Rui, Pontes, Carvalho, Seabra etc ou Les Paul ou Pernelongo, e continuo anônimo para os que nao me conhecem. Posso usar um site estrangeiro que embaralha IPs e assinar Dilma, Marina ou Serra e galardoar meu curriculum com titulos que nao conquistei e que portanto nao devo ostentar. A quaestio estah no que eh dito nesse “velho oeste” sem lei. Existe alguma lei aplicável nesse universo aonde embora o tempo seja o mesmo, o movimento eh veloz; intenso o transito de formigas anônimas ‘avidas por atenção, desesperadas por um ouvido atento. O mundo hoje eh anonimo, uma multidão cyber-anímica, uma banda animada por desconhecidos que pontificam e desaparecem com a mesma rapidez. Marília Gabriela, Paulinho da Viola e Millôr Fernandes, Arnaldo Jabor e Luis Fernando Veríssimo sao figuras plagiadas, que teem seus textos picotados e outros que lhes sao atribuídos indevidamente. Todos nao passam de valentes (que nao sao o Tio Cesar) anônimos na ponta dos dedos de um formigueiro em busca de aten’cao. O busilis, repito, nao estah per se no anonimato (arma típica dos covardes em cenários naturais e ardil usual nesse etéreo espaço virtual). De regra, muito mais me importa aquilo que ‘e dito, mais a fotografia que o fotografo, a pintura que o pintor ou a moldura. A propósito: o perigo eh confundir liberdade de expressao com barbarie digital, onde tudo se pode sem qualquer responsabilidade ou responsabilizacao. Fale o que quiser, mas aguente o tranco pelo que disse.
O problema são determinadas facções que se arvoram da maleabilidade das instituições desprestigiadas, da volatilidade da ciberinformação e da vulnerabilidade da telefonia móvel para impor seu modus agendi, semm o menor respeito a direitos individuais duramente conqusitados, como liberdade, privacidade e, em casos extremos, a própria vida. LesPaul, vc como representante multidicliplinar (um verdadeiro bicho de SETE cabeças de ANÕES), sabe muito bem, o que eu, esse valente cavaleirro solitário, estou dizendo.
“Bebamos um chá (?)”
Bebamos um chá, uma cerva, um bom vinho, armagnac acompanhado de um bom charuto. Só não entendi os SETE ANÕES???